Fevereiro 10, 2010

Caixa '10.000 Anos à Frente' resume bem Raul

Resenha de caixa de CDs
Título: 10.000 Anos à Frente
Artista: Raul Seixas
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * *

A rigor, a caixa 10.000 Anos à Frente nada acrescenta à coleção de quem já comprou as criteriosas reedições dos álbuns gravados por Raul Seixas (1945 - 1989) para a extinta gravadora Philips entre 1973 e 1977. Postas nas lojas pela Universal Music em 2005, para celebrar os 60 anos que o artista baiano teria completado na ocasião, tais reedições remasterizadas - com a adição de faixas-bônus - são exatamente as mesmas que foram embaladas na atual caixa (a rigor, as únicas diferenças são o selo estampado nos CDs e os textos do libreto em que o jornalista Silvio Essinger contextualiza cada um dos seis títulos). Contudo, 10.000 Anos à Frente é ideal para quem quer tomar contato com a obra de Raul porque expõe o supra-sumo dessa obra superestimada. Por ter adquirido aura mitológica, o Maluco Beleza é idolatrado com cegueira por fãs que preferem ignorar o fato de que a discografia do artista foi ficando menos inspirada a partir de 1978, apesar de eventuais acertos. 10.000 Anos à Frente reapresenta os álbuns que justificam o carimbo de artista inovador posto em Raul Seixas. Krig-Ha, Bandolo! (1973), o primeiro álbum de inéditas do artista, é um deles, resistindo bem ao tempo com seu rock embebido em brasilidade. Mosca na Sopa, Metamorfose Ambulante, Ouro de Tolo, Al Capone e How Could I Know são alguns clássicos que deram ao álbum imediato status de obra-prima e projetaram a música desafiadora de Raulzito, intrusa mosca na sopa conformista da classe média brasileira iludida pelo falso milagre econômico alardeado pelo governo esmagador do presidente Emílio Garrastazu Médici (1905 - 1985). Na sequência, Gita (1974) roça o alto nível de seu antecessor, entre baladas como O Medo da Chuva e O Trem das 7 (esta em rota interiorana que conduz a música aos trilhos do sertão) e rocks como o hino Sociedade Alternativa. Instantâneo hit radiofônico e televisivo, a faixa-título, Gita, exemplificou os caminhos místicos percorridos na época por Raul e seu parceiro, Paulo Coelho. Já no posterior Novo Aeon (1975) Raul voltou a espetar o conformismo da classe média de forma mais aguda. Hino de fé na vida, Tente Outra Vez é a música deste álbum que tem atravessado gerações, mas o repertório é coeso, destacando também É Fim de Mês, Rock do Diabo, A Maçã, Tu És o MDC da Minha Vida (sarcástico flerte com a música dita cafona da época) e, sobretudo, a faixa-título, Novo Aeon, country rock da pesada. Por sua vez, Há Dez Mil Anos Atrás (1976) já sinalizou o desgaste da parceria de Raul com Paulo Coelho, que se dissolveria em breve. Contudo, o estouro imediato da música que inspirou o título do disco, Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, disfarçou o fato de que a obra de Raul Seixas começava a perder o vigor (embora, no todo, o álbum seja bom). Tanto que, na sequência, o artista antes tão visionário se voltou para o passado do rock'n'roll no viril álbum Raul Rock Seixas (1977), título de covers que tem similaridade com o último CD da caixa, 30 Anos de Rock (1985), que, a bem da verdade, nada mais é do que o primeiro real disco do cantor, pois foi lançado em 1973 com o título de Os 24 Maiores Sucesso da Era do Rock e sem o devido crédito para Raul Seixas, então ainda em busca de um lugar no mercado fonográfico brasileiro. No geral, apesar de um ou outro álbum ser ligeiramente inferior, o conteúdo da caixa 10.000 Anos à Frente traz o supra-sumo da obra inicialmente inovadora de Raul e, por isso, merece cotação e atenção máximas.

Kevin reforça as conexões argentinas de Moska

Moska faz conexões argentinas nos dois CDs, Muito e Pouco, que vai lançar em abril de 2010, por seu selo Casulo. Se Muito tem intervenções do grupo Bajofondo nas faixas Muito Pouco e Ainda, Pouco conta com a participação de Kevin Johansen nas músicas Oh, my Love (tema autoral do compositor nascido no Alaska, mas radicado na Argentina) e Waiting for the Sun to Shine (parceria de Moska com Johansen). No caso de Johansen, tal conexão nem é inédita, pois, em 2009, Moska pôs voz e violão em duas músicas (No Voy a Ser Yo e Gira Magica) do DVD gravado ao vivo em Buenos Aires pelo hermano - projetado no Brasil por Paula Toller.

Nilo Romero assina a produção dos dois discos gêmeos. Muito, que concentra repertório inédito, traz músicas como Soneto do teu Corpo, parceria de Moska com Leoni. Moska - visto acima em fotos de Fabiane Pereira - trabalha no projeto duplo desde janeiro de 2009. Muito e Pouco vão ser editados simultaneamente, de forma avulsa, como dois álbuns independentes - embora sejam complementares. O último CD de inéditas de Moska saiu em 2003.

Fevereiro 09, 2010

Defeitos e virtudes na África brazuca de Sandra

Resenha de CD
Título: AfricaNatividade - Cheiro de Brasil
Artista: Sandra de Sá
Gravadora: Nega Produções / Universal Music
Cotação: * * 1/2

Em seu primeiro disco de inéditas em dez anos, Sandra de Sá faz pulsar a veia autoral que bombeou o repertório de seus trabalhos iniciais. Mas é justamente essa opção radical por sua produção autoral que faz de AfricaNatividade - Cheiro de Brasil mais um título irregular na discografia titubeante da artista. Por sua potente voz calorosa, Sandra de Sá é - sem favor nenhum - uma das grandes cantoras do Brasil. Mas poucas vezes gravou discos à altura de seu talento vocal. Sandra! (1990) - trabalho guiado por Nelson Motta - é um deles. A Lua Sabe Quem Eu Sou - disco pop de 1996 que marcou a estreia da artista na Warner Music - é outro. Já AfricaNatividade - Cheiro de Brasil fica no meio do caminho. O conceito do álbum não se sustenta ao longo de suas 15 faixas. Apesar de Sandra citar a África já nos primeiros versos da funkeada faixa que abre e subintitula o disco, Cheiro de Brasil (Sandra de Sá e Macau), os arranjos quase não buscam um elo da soul music e do funk com a música africana. A rigor, há pouca África e muito Brasil no CD - sem que tal desequilíbrio deponha necessariamente contra o disco, já que Sandra transita muito bem pelas versões brazucas desses ritmos de origem norte-americana.

Idealizado e gravado sem a pressão da indústria fonográfica, que tantas vezes induziu a artista a seguir por trilhas errantes, o CD AfricaNatividade equilibra erros e acertos. Crioulo (pouco inspirada parceria de Sandra com Adriana Milagres, co-produtora do disco) soa conceitualmente quase como um simulacro de Olhos Coloridos (a composição de Macau, lançada por Sandra em 1981, que virou hino do orgulho negro), apesar de as guitarras pesadas guiarem o tema pelo estilo rotulado apropriamente pela artista de rock'n'soul. Já Baile no Asfalto (Sandra de Sá e Mombaça) é retrato bem feito do sambalanço que rola em festas da periferia. A participação de Seu Jorge contribui para o êxito da faixa. Em outra zona carioca, Copacabana (Sandra de Sá e Zé Ricardo) também convence ao pintar retrato sem retoques do bairro mítico que dá nome ao samba-canção. No campo das baladas, a melhor é Imaginação (Sandra de Sá) - embebida em calorosa sensualidade.

Em rota menos inspirada, Evoluir (Sandra de Sá e Renata Arruda) é tema positivista que direciona o disco para Angola por incluir o rap de MC K, egresso da cena de hip hop desse país africano. (Sandra de Sá) também segue por caminho mais espiritualizado ao incorporar na letra a oração dita pela cantora Ana Firmino, de Cabo Verde. Apesar das boas intenções, as faixas não se impõem no repertório porque as músicas são fracas. Assim como também é rala a inspiração da suingante Tem Alguma Coisa Errada Aí (Sandra de Sá e Macau) e de temas românticos como E... Vamos Namorar, Viver pra Viver e Saudade da Gente, três parcerias de Sandra com Zé Ricardo que bem poderiam ter cedido lugar no repertório para músicas mais sedutoras como Sina, o sucesso de Djavan que a cantora regrava com suavidade. Também de lavra antiga são o samba-soul Pé de Meia (música de Sandra que abriu o primeiro álbum da artista, editado em 1980) e África (Gil Gerson e César Rossini), que esboça elo com a juju music sem reeditar a pressão do arranjo do registro original de 1988. Enfim, "Defeitos e virtudes dormem no mesmo berço", como reconhece a cantora em verso de Movimento (Bagulho Doido), a parceria de Sandra com Luiz Caldas e César Rasec que fecha este disco honesto. Entre erros e acertos, Sandra de Sá chega aos 30 anos de carreira com um trabalho que exala fé e verdade. Tomara que obtenha sucesso!!

Sandy finaliza em Londres primeiro disco solo

De visual novo, como atesta a foto acima postada em seu twitter, Sandy se prepara para lançar seu primeiro disco solo em abril ou maio de 2010, pela Universal Music. O primeiro single do álbum já vai ser apresentado em março. Em fase de mixagem, a cargo do produtor Steve Power, o disco traz na ficha técnica o marido da cantora, Lucas Lima, autor de alguns arranjos do CD. A cantora e compositora britânica Nerina Pallot também participou do álbum.

Quizomba põe bloco na rua para gravar ao vivo

Bloco que já anima o Carnaval carioca desde 2001, Quizomba também é - desde 2007 - um grupo, adaptado para o palco com formação menor (no caso, 16 batuqueiros). É o grupo que, após pôr o bloco na rua durante a folia, continua em atividade após o Carnaval e grava ao vivo CD e DVD em show no Circo Voador (RJ), agendado para 20 de fevereiro de 2010. O show vai contar com intervenções da cantora Anna Ratto (ex-integrante do bloco), do percussionista Ney de Oxossi e do DJ Marcelinho da Lua. No roteiro, o Quizomba vai de Seu Jorge (São Gonça) a Nirvana (Smells Like Teen Spirit), passando por temas de Titãs (Sonífera Ilha), Raul Seixas (Aluga-se) e Jorge Ben Jor (Bebete Vambora), entre outros nomes, não necessariamente associados ao Carnaval.

EMI lança no Brasil álbum da mexicana Belinda

Cantora pop e atriz mexicana que trabalha em novelas como Camaleones, sucesso na TV de seu país, Belinda vai ter seu próximo álbum, Carpe Diem, editado no Brasil. A rota do lançamento mundial do disco - agendado pela gravadora EMI Music para 23 de março de 2010 - inclui Estados Unidos, México e América do Sul. Em rotação a partir de 2 de março, o primeiro single, Egoista, conta com participação do rapper cubano Pitbull.

Obra de Pena Branca traduz o seu canto caipira

A discografia de Pena Branca (1939 - 2010) - tanto a gravada em dupla com seu irmão Xavantinho (1942 - 1999) como a registrada em carreira solo - é o retrato e a tradução fiéis do canto caipira do artista, morto aos 70 anos no início da noite de ontem, 8 de fevereiro de 2010. Já pelos títulos de alguns álbuns - Uma Dupla Brasileira (1982), Cio da Terra (1987), Canto Violeiro (1988), Coração Matuto (1998) e Cantar Caipira (2008) - é possível ter clara ideia do som que saía da voz anasalada de Pena Branca. Criado com seu irmão numa roça da mineira cidade de Uberlândia, Pena Branca migrou para São Paulo (SP), em fins dos anos 60, em busca de melhores oportunidade profissionais. Mas nunca deixou de cantar - a sós ou com Xavantinho - os nobres sentimentos (não raro, melancólicos e nostálgicos) do povo interiorano em temas caipiras. Mas a grande contribuição da dupla ao gênero sertanejo foi ter erguido uma ponte com a MPB urbana ao iniciar sua carreira fonográfica em 1980, no embalo da projeção nacional obtida no festival MPB-80, produzido e exibido pela Rede Globo naquele ano. Sem tirar o foco da legítima música caipira, embora as gravadoras já lhe acenassem com propostas para cantar a música romântica que se traveste de sertaneja, a dupla transitou pelos repertórios de compositores como Milton Nascimento (Morro Velho, Travessia), Caetano Veloso (Canto do Povo de um Lugar, No Dia em que Eu Vim me Embora) e Djavan (Lambada de Serpente), entre outros autores mais identificados com a música brasileira produzida em solo urbano. Símbolo do som sertanejo que não se diluiu nas grandes cidades, Pena Branca sai de cena, mas deixa para a posteridade um cantar caipira que vai sempre ecoar nos corações matutos do Homem egresso do campo. Eis toda a discografia de Pena Branca:
Em dupla com Xavantinho:
Velha Morada (1980)
Uma Dupla Brasileira (1982)
Cio da Terra (1987)
Canto Violeiro (1988)
Cantadô de Mundo Afora (1990)
Ao Vivo em Tatuí (1992) - com Renato Teixeira
Violas e Canções (1993)
Pena Branca e Xavantinho (1994)
Ribeirão Encheu (1995)
Coração Matuto (1998)
Em carreira solo:
Semente Caipira (2000)
Pena Branca Canta Xavantinho (2002)
Cantar Caipira (2008)

Fevereiro 08, 2010

Enfarte para o coração matuto de Pena Branca

Aos 70 anos, José Ramiro Sobrinho (1939 - 2010), o Pena Branca, saiu de cena na noite desta segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010, vítima de enfarte fulminante. Legítima voz sertaneja, Pena Branca formou dupla com o irmão Ranulfo Ramiro da Silva (1942 - 1999), o Xavantinho, com quem obteve projeção nacional na década de 80, quando a dupla - dissolvida forçosamente com a morte de Xavantinho, em outubro de 1999 - gravou álbuns como Velha Morada (1980) e Uma Dupla Brasileira (1982). Naturais de Uberlândia (MG), onde iniciaram carreira em 1961, Pena Branca & Xavantinho ganharam fãs ilustres como Milton Nascimento - de quem recriaram O Cio da Terra (parceria de Milton com Chico Buarque) com muita propriedade - pela devoção aos sons dos sertão. Formavam inusitada dupla caipira que - sem concessões ao repertório sertanejo mais populista - transitava eventualmente até pela MPB entre modas de viola e temas folclóricos. Com a morte de Xavatinho, Pena Branca prosseguiu em carreira solo que rendeu álbuns como Semente Caipira (2000), Pena Branca Canta Xavantinho (2002) e Cantar Caipira (2008), último suspiro fonográfico dessa voz sertaneja fiel ao canto interiorano.

Flausino põe voz no disco em espanhol do Jota

Vocalista do grupo mineiro Jota Quest, Rogério Flausino andou frequentando o estúdio El Pie, de Buenos Aires, nos primeiros dias deste mês de fevereiro de 2010. É que, lá, o cantor pôs as vozes nas músicas selecionadas para o primeiro álbum em espanhol da banda, gravado na capital da Argentina sob a batuta do produtor Mario Breuer e do maestro Carlos Villavicencio, responsável pelos arranjos de cordas do disco. Para acertar na pronúncia e no sotaque dos versos em castelhano, Flausino contou com o auxílio da couch Magali. O CD em espanhol do Jota Quest vai ser lançado em vários países da América Latina ainda neste semestre de 2010.

Presença bela de Beyoncé inebria arena carioca

Resenha de Show
Título: I Am... Yours Tour
Artista: Beyoncé (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: HSBC Arena (RJ)
Data: 7 de fevereiro de 2010
Cotação: * * * * 1/2
Em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) - 8 de fevereiro
e em Salvador (BA) - 10 de fevereiro de 2010
Quando, após mais uma troca de roupa, Beyoncé surge com pose e figurino de diva, na beira do palco da HSBC Arena, para cantar At Last, o clássico do repertório da cantora Etta James que ela já interpretou no filme Cadillac Records (2008), ninguém duvida da artilharia vocal da artista mais badalada dos Estados Unidos no momento. Mas não é a voz - potente, afinada, calorosa - que faz o show de Beyoncé eletrizar plateias mundo afora, como aconteceu na noite de domingo, 7 de fevereiro de 2010, na primeira das duas apresentações da I Am... Yours Tour agendadas no Rio de Janeiro (RJ). Mais do que cantora de amplos recursos vocais, usados quando ela entoa baladas como Listen e If I Were a Boy, Beyoncé é a chamada artista completa. Canta, dança, representa - e quem há de garantir que ela não representava a estrela acessível quandor aceitou dar o autógrafo pedido pelo fã do gargarejo no meio de um número? - e comanda com bela presença cênica show hi-tech que inebria. Difícil resistir ao charme ensaiado da neodiva.
Estruturado com maestria em seis blocos, com ajuda de elementos cênicos e de nítidas imagens projetadas em telão de alta definição, o roteiro alterna momentos dançantes com outros mais calmos. Logo no começo, Beyoncé encarna a diva do r & b pop para cantar Crazy in Love, o hit irresistível de seu primeiro álbum solo, Dangerously in Love (2003). Na sequência, vestida de branco à frente de um fundo azul, ela enfileira baladas num set que tem seu momento kitsch quando, já embalada num figurino de noiva, Beyoncé interpreta Ave Maria. Alheio aos (pre)conceitos e aos julgamentos midiáticos que determinam o que é brega ou chique, o público aplaude forte. Como também se deixa levar em seguida pelo bloco pop, simbolizado pela presença de um rádio no centro do palco. É quando Beyoncé lança mão de músicas como Radio e Ego. Na sequência, a temperatura esquenta ainda mais quando a diva desce do palco e caminha pela platéia - cantando - em direção a um palco menor posicionado bem no centro da arena. Neste set mais íntimo (se é que o conceito de intimidade se aplica a um show como o de Beyoncé), a artista se dirige a alguns fãs entre números como Irreplaceable, Check on It e Video Phone. O público delira nas pistas e nas arquibancadas - lotadas - pelo privilégio de ver e ouvir a estrela tecnicamente tão perto. Na sequência, há o revival do Destiny's Child - o grupo no qual Beyoncé se lançou na carreira artística na segunda metade da década de 90 - com medley de sucessos do trio. Pena que Beyoncé se dê ao luxo de queimar um cartucho infalível ao não aproveitar todo o potencial eletrizante de Survivor, o maior hit do grupo. Mesmo isolado do medley, Survivor não aparece com toda a força que poderia ter - apesar das imagens impactantes exibidas no telão. Já Single Ladies (Put a Ring on It) é aproveitada em sua plenitude, com direito ao hilário vídeo em que anônimos mostram suas coreografias para o petardo disparado por Beyoncé em seu terceiro álbum solo, I Am... Sasha Fierce (2008), irregular disco duplo que inspirou a I Am... Tour e no qual há Halo, a poderosa balada que encerra o mix inebriante de pop, r & b, dance e baladas cantado por Beyoncé num show em que a presença - sempre bela e cativante - é tão ou mais importante do que a voz, também (sempre!) bela e cativante.

Wanessa recorre a Shakira e Gaga para entreter

Resenha de Show de Abertura
Título: Meu Momento
Artista: Wanessa (em fotos de Mauro Ferreira)
Participação especial: DJ Negralha
Local: HSBC Arena (RJ)
Data: 7 de fevereiro de 2010
Cotação: * * 1/2
Abrir os concorridos shows de Beyoncé em Florianópolis (SC) e no Rio de Janeiro (RJ) foi o grande momento da carreira de Wanessa, ex-Camargo. Ainda à procura de sua identidade no mundo da música, a filha de Zezé Di Camargo conseguiu sucesso em 2009 ao firmar parceria com o rapper norte-americano Ja Rule na gravação de Fly, hit de seu último álbum, Meu Momento. Por conta dessa guinada pop, que tornou seu som mais atual, Wanessa conquistou - supostamente com o aval de Beyoncé - o direito de abrir três das cinco apresentações da I Am... Tour no Brasil. Tarefa que ela desempenhou com dignidade, a julgar pelo pocket-show que abriu a primeira das duas apresentações cariocas da cantora norte-americana. Eram 19h em ponto, na noite calorenta de 7 de fevereiro de 2010, quando as luzes da platéia da HSBC Arena se apagaram para que o foco recaísse somente sobre o DJ Negralha, que iniciou seu set tocando hits estrangeiros como 4 Minutes (Madonna), American Boy (Estelle) e I Gotta a Feeling (Black Eyed Peas). Na sequência, acompanhada pelas pick-ups de Negralha, Wanessa entrou em cena, lançando logo mão do hit Fly. Vivaz, a neta de Francisco mostrou que dança bem - coadjuvada por quatro bailarinas - e soube recorrer a repertório alheio (ciente da anemia do seu próprio cancioneiro) para entreter o público que esperava por Beyoncé. Entre hits de Lady Gaga (Just Dance) e Shakira (Hips Don't Lie), Wanessa cumpriu seu papel com energia e a correção possível sem - de fato - seduzir o público. Falta alma!!

Roberta avaliza primeiro CD de Antonia Adnet

Arranjadora e boa violonista, Antonia Adnet está lançando seu primeiro disco, Discreta, editado neste mês de fevereiro de 2010, numa associação da gravadora Biscoito Fino com o selo Adnet Mvsica. E quem apresenta o álbum é Roberta Sá, convidada da faixa-título, parceria de Antonia com João Cavalcanti. Roberta Sá fala com propriedade sobre os múltiplos talentos musicais de Antonia porque contou com a violonista em sua banda nas turnês de seus dois primeiros álbuns, Braseiro (2005) e Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria (2007). O repertório de Discreta é essencialmente autoral, mas inclui um choro raro do maestro Moacir Santos (1926 - 2006), Vitrine, dos anos 40. Eis Antonia Adnet - nas palavras de Roberta:

Discreta Ousadia por Roberta Sá
"Conheci Antonia em 2003 quando fazia pesquisa de repertório para o meu primeiro disco. O produtor, Rodrigo Campello, sugeriu que eu procurasse seu cunhado, o arranjador e compositor Mario Adnet, para me ajudar nessa busca. Marcamos um café, que virou um suco de morango com abacaxi e mais tarde uma macarronada, já que ficamos das 14h às 20h trocando ideias, ouvindo canções e reconhecendo afinidades. Sentei à mesa para jantar com a família e logo vi que dali nasceria uma amizade e parcerias eternas. Primeiro porque a comida da Pimpim (Mariza Adnet) é sensacional. Segundo, porque percebi que essa família respira, exala, compartilha, toca, faz e só pensa em música. Brasileira!

Meses depois, já com Braseiro lançado, Rodrigo me disse que precisaria de um substituto para seguir comigo na estrada, caso ele não pudesse comparecer a algum show. Com apenas um ensaio, sua sobrinha e afilhada, Antonia Campello Adnet, se integrou à banda com uma calma de quem sempre esteve ali. E sempre esteve mesmo. Ela começou nos palcos tão cedo que não lembra da sua vida antes do violão. A partir daí, nossa história profissional segue lado a lado e até se confunde um pouco. Viajamos o Brasil e o mundo e aprendemos juntas os prazeres e dificuldades da estrada, a beleza e os percalços da profissão que abraçamos.

Sim, ela tem a segurança de quem nasceu nesse berço de ouro da música brasileira. Mas agora, chegou a hora de fazer um voo solo e rasante. No seu primeiro e corajoso disco, Discreta, Antonia Adnet se lança no ar, e no mercado, de uma vez só, como produtora, arranjadora, compositora, cantora e violonista. Não conheço nenhuma outra artista tão jovem que domine tantos talentos. A discrição está no nome do álbum e nos gestos de Antonia. Mas o resultado é um disco extremamente ousado, pois, enquanto outros aumentam cada vez mais o volume em prol de entretenimento, Antonia sugere a delicadeza. Sua proposta é recuperar os sentidos, reaprender a ouvir. Sua música é brasileira e atual, contemporânea, sem aditivos ou agrotóxicos. É música pura e rara, assim como a moça linda que estampa a capa".

Terceiro álbum de t.A.T.u. tem edição nacional

Dupla russa formada em 1999 pelas cantoras Lena Katina e Yulia Volkova, t.A.T.u. tem editado no Brasil seu terceiro álbum de estúdio, Waste Management. É a versão em inglês do CD lançado na Rússia - em 2008 - com o nome de Vesyoliye Ulybki (o título em russo significa, em inglês, Happy Smiles). A boa edição nacional - posta nas lojas pela gravadora Coqueiro Verde Records - apresenta como faixas-bônus remixes das músicas White Robe, Running Blind e Don't Regret. Como de praxe, a t.A.T.u. - cujo nome em russo quer dizer 'essa que ama aquela' - canta em Waste Management repertório de alto teor erótico que sustenta a bandeira lésbica levantada (explicitamente!) por suas integrantes.

Fevereiro 07, 2010

Feliz, Martinho evoca presenças de Noel e Vila

Resenha de Show
Título: A Presença dos Poetas
Artista: Martinho da Vila (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Canecão (RJ)
Data: 6 de fevereiro de 2010
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz até domingo, 7 de fevereiro de 2010
no embalo da expectativa de ver sua escola Vila Isabel disputar mais um Carnaval com samba de sua autoria, Martinho da Vila idealizou show pré-carnavalesco, A Presença dos Poetas, cujo título alude ao nome do samba-enredo composto por ele para a Vila. Em cartaz no Canecão (RJ) somente até este domingo, 7 de fevereiro de 2010, o show flagra o artista em momento de leveza e felicidade. Prestes a completar 72 anos, no próximo dia 12 de fevereiro, Martinho desfila seguro em cena, cantando sem titubear letras de sambas-enredos, marchinhas e até frevos de antigos Carnavais. Sem esquecer alguns sucessos, como Ex-Amor (1981) e Madalena do Jucú (1989), já infalíveis nos roteiros de seus shows.
A presença de Noel Rosa (1910 - 1937) é evocada em cena não somente através da imagem que põe o Poeta da Vila de frente para o retrato de Martinho no cenário criado por Alex Souza, atual Carnavalesco da Vila Isabel. Após recordar o belo samba No Embalo da Vila (1979), Martinho senta numa poltrona para cantar duas joias do baú de Noel, Filosofia (parceria com André Filho, de 1933) e Último Desejo (1937), em tom mais íntimo. É quando o show - aberto com pot-pourri instrumental que costura os maiores sucessos do compositor - começa a crescer. Após tal abertura, Martinho entra em cena para reviver - sem a devida empolgação, por se tratar do início do show - o samba-enredo Kizomba, Festa da Raça, com o qual a Vila Isabel conquistou seu primeiro campeonato em 1988. Este samba-enredo é tão sedutor e primoroso que chega a ofuscar o atual, Noel: A Presença do Poeta da Vila, cantado em seguida. Na sequência, outros poetas são evocados quando Martinho arma sua Roda de Samba no Céu (2005). E outro poeta da Vila - a Vila da Penha, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, não a Vila Isabel - é saudado quando o compositor revive Graça Divina (1981), um inspirado samba feito com Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008) - a quem o tema é dedicado.
Após o set intimista com músicas de Noel, Martinho celebrou a esposa Cleo em Mulheres - já que ela aniversariava na data, 6 de fevereiro, em que o show estreou no Canecão - e abriu espaço para que o percussionista Marcelinho Moreira fosse para o Centro do palco cantar Filosofia de Vida (2008) - o bom samba feito por ele em parceria com Martinho e Fred Camacho - e Festa do Círio de Nazaré, o samba-enredo de 1975, da escola Estácio de Sá, que tem o pai do músico como um dos autores. De volta à cena, no último verso do samba da Estácio, Martinho aproveita a deixa e engata três antológicos sambas-enredos de sua autoria, Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade (1972), Sonho de um Sonho (1980) e Pra Tudo se Acabar na Quarta-feira (1984). Na sequência, longo medley com frevos e marchinhas anima ainda mais o baile pré-Carnavalesco de Martinho, que culmina, já no bis, com integrantes da bateria da Unidos de Vila Isabel no palco para pôr a devida pressão percussiva em Raízes (1987), outro samba-enredo feito por Martinho para a sua Vila de tantos shows, discos e Carnavais...

Padre Fábio lidera o mercado do disco em 2009

Não, não foi à toa que a Som Livre pôs tanta fé em padre Fábio de Melo a ponto de tê-lo convencido a sair da LGK Music para entrar no elenco da gravadora global. Líder do mercado fonográfico brasileiro em 2008, por conta das 542 mil cópias vendidas de seu 11º CD, Vida, padre Fábio (visto à direita em foto de Marcos Hermes) se manteve na liderança em 2009, de acordo com dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) referentes ao pífio desempenho do mercado fonográfico nacional em 2009. Nada menos do que três dos dez CDs mais vendidos são do padre cantor, incluindo o campeão Iluminar, editado em novembro. Indício do crescimento dos religiosos num mercado dominado também pelos sertanejos. Beyoncé é a única presença estrangeira na lista, por conta das 239 mil cópias vendidas no Brasil de seu terceiro álbum, I Am...Sasha Fierce (2008). E - pelo fato de ter em seu elenco duplas sertanejas como Bruno & Marrone, Victor & Leo (esta também com três CDs na lista dos dez campeões de 2009) e Zezé Di Camargo & Luciano - a Sony Music assumiu a liderança do mercado fonográfico brasileiro em 2009, ficando à frente de sua histórica rival Universal Music, esta prejudicada pela moderada repercussão comercial do último projeto fonográfico de Ivete Sangalo, Pode Entrar, editado dentro da nova série Multishow Registro. Eis os CDs e os DVDs mais vendidos, no Brasil, em 2009:
CDs
1. Iluminar (Som Livre, 2009) - Padre Fábio de Melo - 264 mil
2. Zezé Di Camargo & Luciano (Sony Music 2008)
- Zezé Di Camargo & Luciano - 261 mil
3. I Am... Sasha Fierce (Sony Music, 2008) - Beyoncé - 239 mil
4. Elas Cantam Roberto Carlos (Sony Music, 2009)
- Vários artistas - 206 mil
5. Promessas (Som Livre, 2009) - Vários artistas - 205 mil
6. Eu e o Tempo ao Vivo (LGK Music / Som Livre, 2009)
- Padre Fábio de Melo - 196 mil
7. Borboletas (Sony Music, 2008) - Victor & Leo - 181 mil cópias
8. Vida (LGK Music / Som Livre, 2008)
- Padre Fábio de Melo - 180 mil (em 2009)
9. Ao Vivo em Uberlândia (Sony Music, 2007)
- Victor & Leo - 152 mil (em 2009)
10. Ao Vivo e em Cores (Sony Music, 2009) - Victor & Leo - 130 mil

DVDs
1. XSBP 8 (Som Livre, 2008) - Xuxa - 371 mil cópias
2. Eu e o Tempo ao Vivo (LGK Music / Som Livre, 2009)
- Padre Fábio de Melo - 294 mil
3. Elas Cantam Roberto Carlos (Sony Music, 2009)
- Vários artistas - 154 mil
4. Paz Sim, Violência Não - Volume 2 (Sony Music, 2008)
- Padre Marcelo Rossi - 145 mil (em 2009)
5. Creio em Deus do Impossível (Som Livre, 2009)
- Padre Reginaldo Manzotti - 129 mil
6. Ao Vivo e em Cores (Sony Music, 2009) - Victor & Leo - 82 mil
7. Pode Entrar - Multishow Registro (Universal Music, 2009)
- Ivete Sangalo - 81 mil
8. Ao Vivo em Uberlândia (Sony Music, 2007)
- Victor & Leo - 81 mil (em 2009)
9. Paz Sim, Violência Não - Volume 1 (Sony Music, 2008)
- Padre Marcelo Rossi - 81 mil (em 2009)
10. De Volta aos Bares (Sony Music, 2009)
- Bruno & Marrone - 74 mil

Fuja da Raia, pois 'Pernas pro Ar' nunca decola

Resenha de Musical
Título: Pernas pro Ar
Argumento: Luis Fernando Veríssimo
Texto: Marcelo Saback
Direção: Cacá Carvalho
Elenco: Claudia Raia (em foto de Gui Paganini) e outros
Cotação: *

Agenda da turnê nacional de Pernas pro Ar em 2010:
Rio de Janeiro (RJ) - Quinta da Boa Vista (7 de fevereiro)
Florianópolis (SC) - Teatro Pedro Ivo (23 a 25 de fevereiro)
Paulínia (SP) - Teatro Municipal (3 e 4 de março)
Brasília (DF) - Teatro Villa-Lobos (12 a 14 de março)
Salvador (BA) - Teatro Castro Alves (18 a 20 de março)
Belo Horizonte (MG) - Palácio das Artes (26 a 28 de março)
Belém (PA) - Hangar de Vidro (14 a 18 de abril)
Manaus (AM) - Teatro Amazonas (29 e 30 de abril)
Curitiba (PR) - Teatro Positivo (12 a 14 de maio)
Goiânia (GO) - Teatro Rio Vermelho (26 e 27 de maio)
Maceió (AL) - Centro de Convenções (3 a 5 de junho)
Aracajú (SE) - Teatro Tobias Barreto (17 e 18 de junho)

Boa atriz vocacionada para musicais pelo fato de cantar, dançar e representar com desenvoltura, Claudia Raia já fez sucesso nos palcos brasileiros com espetáculos como Não Fuja da Raia (1993) e Nas Raias da Loucura (1996), escritos por Silvio de Abreu e dirigidos por Jorge Fernando, dois nomes consagrados no ramo das telenovelas. Nos anos 2000, a atriz confirmou tal (raro) dom ao integrar o elenco de montagens brasileiras de musicais estrangeiros como O Beijo da Mulher Aranha (2001) e Sweet Charity (2006), brilhando especialmente neste último. Já em Pernas pro Ar - musical que estreou em Ribeirão Preto (SP) em 2009 e continua atualmente em turnê nacional em rota que inclui passagens pelas principais capitais do país - Raia volta a encenar texto brasileiro. Só que, no caso, um dos piores textos nacionais escritos para musicais. O argumento de Luis Fernando Veríssimo é interessante. Mas Marcelo Saback não desenvolveu bem a história de uma dona-de-casa apática, Helô, que passa a ser direcionada pelas próprias pernas. Não há humor nos diálogos, o que torna o musical arrastado e, de certa forma, pesado como um boeing que não consegue alçar voo. Para piorar, a direção de Cacá Carvalho - recrutado para a função sem ter a mínima experiência no ramo - não contribui para dar alguma leveza à encenação. E o resultado é um espetáculo chato. Como sempre, Raia está à vontade em cena, mas sua ingrata missão em Pernas pro Ar acaba sendo tentar extrair humor de um texto sem graça que prejudica um musical que busca estética diferente sem, de fato, seduzir o espectador com seu sofisticado aparato técnico que inclui cenografia virtual projetada em três dimensões. O visual não enche os olhos. Dos números musicais propriamente ditos, cantados por Raia ao vivo na companhia de um septeto, vale destacar Speak Low - entoado no original em inglês de Kurt Weill (1900 - 1950) no que talvez seja o único grande momento do espetáculo - e You Could Drive a Person Crazy, tema do musical Company (1970) interpretado por Raia na versão em português de Sylvia Massari. Enfim, Claudia Raia é atriz versátil e competente - inclusive no campo dramático, como provou em 2008 ao encarnar a injustiçada Donatella da novela A Favorita - mas mesmo boas atrizes precisam de bons textos para brilhar. E não há um em cena. Por isso mesmo, aviso aos navegantes: fuja da Raia, pois Pernas pro Ar nunca decola...

Musicais na fluente versão informal de Botelho

Resenha de Show
Título: Versão Brasileira
Artista: Claudio Botelho
Direção e roteiro: Charles Möeller
Local: Espaço Sesc Copacabana (RJ)
Data: 4 de fevereiro de 2010
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz até domingo, 7 de fevereiro de 2010, às 19h30

Claudio Botelho está à vontade - como se estivesse na sala de sua casa - na arena carioca do Sesc Copacabana, onde apresenta até este domingo, 7 de fevereiro de 2010, Versão Brasileira, show teatralizado em que rememora sua trajetória de 20 anos na seara dos musicais, em parceria com Charles Möeller. Nem poderia ser diferente. Por sua intimidade apaixonada com o repertório dos musicais, Botelho está mesmo em casa. Ele - que começou como ator de musicais em parceria com a atriz Claudia Netto, mas se consagrou por seu trabalho nos bastidores - volta à cena para interpretar uma seleção de temas dos musicais que encenou com Möeller ao longo destas duas décadas de crescente sucesso. Em clima íntimo e informal, urdido pela direção inspirada de Möeller, Botelho conversa com a plateia - relembrando passagens de sua carreira nos palcos - e entoa cerca de 35 canções extraídas dos libretos de musicais como Company, Chicago e West Side Story. O título Versão Brasileira se refere também ao fato de ser Botelho o autor das (sempre fluentes) versões em português das músicas apresentadas nos espetáculos da dupla Möeller & Botelho. Alguns temas - como Let's Do It (de Cole Porter - Ele Nunca Disse que me Amava) e If You Were Gay (de Avenida Q) - são entoados em português e, por conta da rara habilidade do artista na feitura de versões, dão a impressão de já terem sido criados no idioma de Camões. Outros - como So in Love (do já supra-citado Cole Porter - Ele Nunca Disse que me Amava) - reaparecem no original em inglês e, no caso de So in Love, com a dose exata de emoção. Embora tenha chegado até a encarnar o protagonista da primeira (boa) montagem brasileira do musical Company, encenada por ele e Möeller em 2001, Botelho nunca foi um ator do tipo que arrebata platéias. E, embora seja afinado e projete bem a voz, nem sempre brilha como intérprete dos temas que tanto ama. Se esboça teatralidade até convincente em O Que Será? (À Flor da Pele), o sucesso de Chico Buarque que lembra o musical Na Bagunça do teu Coração (1998), Botelho não expõe com sua interpretação toda a beleza da melodia de I Dreamed a Dream, o tema de Les Miserables que projetou Susan Boyle em 2009, cantado em português. Contudo, a fluência e a informalidade do show - pretexto até para comentários fora de propósito sobre shows populares que acontecem em Copacabana - produzem imediatas empatia e intimidade entre artista e público, fazendo de Versão Brasileira um espetáculo bem agradável que celebra com justiça a consagração de uma dupla que tirou o ranço amador que rondava a maior parte das produções de musicais encenados no Rio de Janeiro até os anos 90. Palmas para Botelho!!

Fevereiro 06, 2010

344 lança no Brasil 'Volume Two', de She & Him

Dupla formada pela cantora e atriz Zooey Deschanel (ela é a Summer do filme 500 Dias com Ela) e pelo guitarrista M. Ward, She & Him vai lançar nos Estados Unidos e Europa seu segundo álbum, Volume Two, em 23 de março de 2010. A novidade é que, na data, o CD já ganha simultânea edição brasileira, pelo selo Lab 344, com faixa-bônus (o cover de I Can Hear Music, dos Beach Boys). O sucessor de Volume One (2008), que vendeu 200 mil cópias nos Estados Unidos, tem 13 faixas oficiais. Zooey assina a maioria delas, com exceção das regravações de Ridin’ in my Car (um tema da banda sessentista NRBQ) e Gonna Get Along without You Now (música do repertório da cantora de country Skeeter Davis). O primeiro single de Volume Two, In the Sun, tem a participação da banda indie Tilly and the Walls (nos vocais).

Teixeira refaz romaria em DVD com Sérgio Reis

Renato Teixeira e Sérgio Reis unem forças, vozes e violas para gravar CD e DVD neste sábado, 6 de fevereiro de 2010. O registro ao vivo acontece em show no Teatro Bradesco, em São Paulo (SP). Os ingressos da única apresentação da dupla - que faz jus ao adjetivo sertaneja - já estão esgotados. No roteiro, os dois artistas cantam inéditas e revivem sucessos, como O Menino da Porteira e Romaria, na companhia de banda que inclui filhos de Teixeira (Chico e João) e Reis (Paulo). A gravação vai ser lançada em 2010.

Marchinhas antigas 'dão um baile' nas de 2010

Resenha de CD
Título: As Melhores
Marchinhas do
Carnaval 2010
Artista: Vários
Gravadora: Viva Brasil
/ Fundição Brasil
Cotação: * *

A julgar pelas dez melhores marchinhas da 5ª edição do concurso nacional promovido pela carioca Fundição Progresso, todas reunidas no CD que chega às lojas na próxima semana, os bailes do Carnaval de 2010 vão ser animados pelos infalíveis clássicos do gênero como Cabeleira do Zezé e Chiquita Bacana. A safra deste ano é inferior às anteriores. Os autores se revelam espertos na criação das letras, mas, nos quesitos ritmo e melodia, não conseguem criar marchinhas que realmente empolguem. Vou Entrar no seu Orkut - marcha defendida por Paulinho Mocidade, parceiro de Tiago Alves e Claudinho Guimarães no tema - ainda consegue se destacar na safra. Maliciosamente, a marchinha brinca com termos do universo virtual. Já O Bispo Também Quer Levar - cantada e assinada por turma numerosa que inclui Janjão, Gallotti, Nuno Neto e Pedro Cinta - faz piada velha com a ganância de parte do universo religioso enquanto O Avião do Sarkozy (defendida por Cássio Tucunduva) não decola de fato, embora aborde temas políticos atuais como o pré-sal. Com mais poesia e sem preocupação com a atualidade, Dançando o Mar - composta e cantada por Soraya Ravenle - evolui na cadência mais lenta da marcha-rancho, ritmo de antigos carnavais. Se Marcha Démodé (Gustavo Sant'Anna) se vale de fina ironia para valorizar velhos costumes, como o sexo heterossexual, Bom Dia! - marcha de Renato Torres defendida com graça por Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta - libera geral no pegajoso refrão gay: "Se o Conde D'Eu / Se os Negros do Sudão / Se o Rei de Bagdá / Porque Eu Não Posso Dar?". Ecos espirituosos de um tempo em que as marchinhas reinavam no salão com mais inspiração. Aliás, pelo que se ouve no disco, a Mulata Yê Yê Yê de João Roberto Kelly - o compositor celebrado no concurso e no CD de 2010 - ainda é a tal nos bailes...

Alexandre honra dinastia Gismonti com seu trio

Resenha de CD
Título: Baião de
Domingo
Artista: Alexandre
Gismonti Trio
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * * * 1/2

Basta uma única audição do primeiro disco do violonista Alexandre Gismonti, Baião de Domingo, para entender o (justo) entusiasmo de Gilberto Gil no texto que escreveu para o encarte. "Chega a ser uma proeza acreditar no que estamos ouvindo. Ou se estamos mesmo ouvindo o que estas gravações mediaram para nós: dedos de carne e osso de um lado, e nossos ouvidos incrédulos e extasiados, do outro. Estas gravações colocam ao nosso alcance o milagre da música despencando do alto de sua morada celeste para nos atingir em cheio, corpo e alma, sem apelação. Alexandre, como um menino mago, vai mexendo, desassustado, em tudo em que ele encontra nessa morada celestial da música, escolhendo entre os brinquedos os que mais se parecem com os da sua morada terrena: o samba, o baião, o choro, a toada, a velha canção. Tudo que seu pai - primeiro mestre - lhe ensinou a admirar", festeja - metafórico - Gil.

Gil não exagera. Como líder e arranjador de seu entrosado trio, integrado por Felipe Cotta (percussão) e Mayo Pamplona (baixo), Alexandre honra a dinastia Gismonti - e seu pai, para quem ainda não sabe, é o mestre Egberto - e se impõe de cara como o mais novo grande talento de uma corrente de violonista brasileiros que já rendeu virtuoses como Garoto (1915 - 1955), Baden Powell (1936 - 2000), Raphael Rabello (1962 - 1995) e Yamandú Costa. Produzido por Ruy Quaresma para a gravadora carioca Fina Flor, Baião de Domingo é o primeiro disco de Alexandre editado no mercado brasileiro (com o pai Egberto, ele já lançou o CD Duets no exterior). Como já sinaliza o título Baião de Domingo, nome também de uma das seis inéditas autorais apresentadas por Alexandre no disco, o Nordeste fornece a matéria-prima rítmica para que o violonista possa expor sua criatividade em temas próprios - como Arrasta-Pé e Forrozinho - e alheios, casos de Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e de Feira de Mangaio. Nesta parceria de Sivuca (1930 - 2006) com Glorinha Gadelha, propagada em 1979 na voz de Clara Nunes (1942 - 1983), Gismonti transpõe para seu violão a vivacidade rítmica que, nas gravações anteriores do tema, ficava a cargo da sanfona. De sólida formação clássica, o músico toca um violão firme e precocemente maduro que consegue evocar tanto lirismo (como em Saudades, o tema de Alexandre que encerra o disco) como pôr o devido molho brasileiro em sambas como Saudade da Bahia, do seminal Dorival Caymmi (1914 - 2008). Enfim, Baião de Domingo é um grande disco de um violonista que tem tudo para inscrever seu nome de forma definitiva na galeria mais nobre da música brasileira. Anote!

Som Livre reedita CD do Playmobille com bônus

Quinteto carioca de pop rock, Playmobille está tendo o seu primeiro álbum reeditado pela gravadora Som Livre - neste começo de 2010 - com duas músicas-bônus. Devaneios e Fosforilações foi lançado originalmente em 2008, com produção de Rodrigo Vidal e a gravação original de Linda Rosa, a bela canção propagada atualmente na trilha sonora da novela Cama de Gato, na voz de Maria Gadú (cujo primeiro CD também foi produzido por Vidal). Linda Rosa é parceria de Luis Kiari com Gugu Peixoto, o vocalista e guitarrista do Playmobille. As duas inéditas faixas-bônus da reedição são As Pontes e Um Dia se Fez Mudo, ambas da lavra de Gugu. Exceção no repertório autoral é Jorge Maravilha, samba de Chico Buarque cuja regravação do Playmobille já foi incluída estrategicamente na trilha sonora do seriado juvenil Malhação ID (trilha, aliás, recém-editada em CD pela gravadora Som Livre).

Fevereiro 05, 2010

Pagode da Disney tem pateta, mas é até curioso

Resenha de CD e DVD
Título: Disney
Adventures in Samba
Artista: Vários
Gravadora: Disney
Records
Cotação: * * *

Tem um ou outro pateta no pagode da Disney! Mas eles não chegam a apagar o brilho do CD Disney Adventures in Samba, que reembala temas de filmes e desenhos de Disney na cadência bonita do samba. Quando a música não é de origem brasileira, o resultado é curioso. Já quando se trata de sambas lançados no Brasil, mas propagados nos Estados Unidos nos anos 40 em produções da Disney, o disco patina em clichês. São os casos dos dois sambas de Ary Barroso (1903 - 1964), Aquarela do Brasil e Na Baixa do Sapateiro, que abrem o projeto produzido por Alceu Maia. O primeiro ganha andamento acelerado e a voz de Alexandre Pires. O segundo incorpora - no registro de Daniela Mercury - os versos em inglês escritos por Ray Gilbert para a versão difundida nos EUA sob o título de Bahia. E por falar na terra do axé, o clima ameno dos arranjos (muitos sem pressão), dilui até o calor do vozeirão de Margareth Menezes, intérprete de Você Já Foi à Bahia?, o samba dengoso de Dorival Caymmi (1914 - 2008). Nessa rica seara já originalmente brasileira, o brilho maior é de Leci Brandão e do grupo Casuarina. Leci soa quase terna no choro Tico-Tico no Fubá (Zequinha Abreu) em gravação que incorpora toques de samba rural no bom arranjo. Já os vocais do Casuarina dão novo sabor aos Quindins de Yayá (outra música do onipresente Ary Barroso).

Dentre os que defendem temas estrangeiros, concebidos longe da geografia do samba, Diogo Nogueira é o destaque. Nessa onda, Diogo surfa com leveza no ritmo de Aqui no Mar (Under the Sea), tema do filme A Pequena Sereia. Jorge Aragão também acerta ao imprimir seu tom habitualmente dolente a um tema do filme Toy Story, Amigo Estou Aqui (You've Got a Friend on me). Já A Estrela Azul (When You Wish Upon a Star) - clássico da trilha sonora do filme Pinóquio - perdeu muito da beleza no registro mole de Martinho da Vila. Por sua vez, A Bela e a Fera começa bem com Alcione, mas o rigor estilístico da interpretação da Marrom não se mantém quando entra em cena Sylvinha, sobrinha da cantora, presença afetiva na faixa. Já a pegada do Molejo - verdade seja dita - caiu bem em Eu Vou (Heigh-Ho), tema do filme Branca de Neve e os Sete Anões. Completam o elenco Dudu Nobre (sem sua habitual vibração em Somente o Necessário), Ana Costa (com ginga na graciosa Supercalifragilisticexpialidoso, de Mary Poppins) e o grupo Exaltasamba (sem graça em Que Eu Quero Mais É Ser Rei). No fim, Arlindo Cruz recicla clichês de sua obra no inédito Pagode da Disney. O vídeo da gravação de Arlindo - assim como o clipe de Aquarela do Brasil na voz de Alexandre Pires - pode ser visto, entre vídeos raros de Zé Carioca, no DVD que acompanha a edição dupla do curioso disco que se aventura a entrelaçar, depois de 70 anos, os universos da Disney e do samba.

Mariah lança 'Angels Advocate' em 30 de março

Programado inicialmente para ser lançado em 23 de fevereiro de 2010, o novo álbum de Mariah Carey, Angels Advocate, tem lançamento confirmado para 30 de março pela Universal Music. Trata-se de um disco de duetos em que a cantora revive com colegas as músicas de seu último álbum de inéditas, Memoirs of an Imperfect Angel (2009), em versões remixadas. Duas faixas - Angels Cry (com Ne-Yo) e Up Out my Face (com Nicki Minaj) - já renderam vídeos, ambos em rotação na internet. No disco, Mariah também canta com Mary J. Blige (It's Wrap) e T-Pain (Candy Bling), entre outros nomes da atual cena de hip hop e r & b dos Estados Unidos. Angels Advocate também traz remix de I Want to Know What Love Is - o cover da balada do grupo Foreigner que lidera a parada radiofônica brasileira há 13 semanas consecutivas.

Jair e Luciana cantam sambas com Anna e Lins

Irmãos, Jair Oliveira e Luciana Mello já ouviram sambas desde crianças, na voz do cantor Jair Rodrigues, pai deles. As afetivas memórias dessa infância musical foram reavivadas no roteiro do show O Samba me Cantou, captado no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP), e ora editado em DVD - foto - e CD ao vivo. Com intervenções de Anna Ratto, Cláudio Lins, Mariene de Castro e Skowa, os irmãos revivem sucessos de Tom Zé (), Paulinho da Viola (Coração Leviano), Caetano Veloso (Desde que o Samba É Samba), Martinho da Vila (Casa de Bamba), João Bosco (A Nível de), Dona Ivone Lara (Alguém me Avisou), Dorival Caymmi (Rosa Morena) e do grupo Os Originais do Samba (Esperanças Perdidas).

Blige revive hit do Zeppelin para bônus europeu

Lançado em dezembro de 2009 nos Estados Unidos, o nono álbum de estúdio de Mary J. Blige, Stronger with Each Tear, vai ser reeditado na Europa em 15 de março de 2010 com uma curiosa faixa-bônus: Stairway to Heaven. Feita no Studio A da Capitol Records, em Hollywood (EUA), a regravação do sucesso do Led Zeppelin traz Travis Barker, do grupo Blink-182, na bateria. A Universal Music (ainda) não lançou o disco de Mary J. Blige no mercado brasileiro.

Obra de Roque gera dois ou, talvez, três discos

Anunciada por Roberta Sá em agosto de 2007, a (bela) ideia de dedicar seu terceiro disco de estúdio ao repertório do compositor baiano Roque Ferreira continua sendo seguida por cantoras. Conterrânea do festejado autor, Clécia Queiroz lançou em outubro de 2009 o CD Samba de Roque - em que põe na roda músicas como Licuri, Linho Branco e De Maré - enquanto Mariene de Castro reafirmou, nos bastidores da última edição do Festival de Verão de Salvador, a intenção de também gravar CD somente com músicas de Roque Ferreira. Mas a ideia original foi de Roberta Sá...

Fevereiro 04, 2010

Solo de Slash agrega Fergie, Grohl, Iggy e Ozzy

Ex-guitarrista do grupo Guns N' Roses, Slash lança disco solo em abril de 2010, via EMI Music. Slash, o álbum, foi produzido por Eric Valentine. Time estelar de vocalistas convidados - que inclui Adam Levine, Chris Cornell, Dave Grohl, Fergie, Iggy Pop e Ozzy Osbourne, entre outros nomes - pôs voz nas 13 faixas do CD. Slash já havia lançado dois discos fora da banda de Axl Rose, mas ambos foram assinados pelo projeto Slash's Snakepit. O que faz com que o álbum Slash possa ser considerado - em tese - seu real primeiro disco individual. Eis as 13 músicas e seus respectivos convidados:
1. Ghost - Ian Astbury
2. Beautiful Dangerous - Fergie
3. Nothing To Say - M. Shadows (do Avenged Sevenfold)
4. Crucify the Dead - Ozzy Osbourne
5. Promise - Chris Cornell
6. By the Sword - Andrew Stockdale (do Wolfmother)
7. Doctor Alibi - Lemmy Kilmister
8. Saint Is a Sinner Too - Rocco de Luca
9. Watch This - Dave Grohl e Duff McKagan
10. I Hold on - Kid Rock
11. Gotten - Adam Levine
12. We're All Gonna Die - Iggy Pop
13. Starlight - Myles Kennedy

Baltar vai lançar segundo CD pela Biscoito Fino

Cantora carioca que debutou no mercado fonográfico em 2006 com o (excelente) álbum Uma Dama Também Quer se Divertir, Mariana Baltar vai lançar seu segundo disco após o Carnaval de 2010, pela gravadora Biscoito Fino. Sonâmbulo (Edu Kneip e Thiago Amud), Tia Eulália na Xiba (Nei Lopes e Cláudio Jorge) e Uva de Caminhão (Assis Valente) estão no repertório deste segundo CD de Baltar. Certas no álbum também estão Jongo do Irmão Café (parceria de Nei Lopes e Wilson Moreira) e Teco Teco (um sucesso de Ademilde Fonseca, regravado por Gal Costa em compacto de 1975). Contudo, nos shows em que dava uma prévia (de parte) do repertório do disco, Baltar cantava Pipa (Raphael Gemal) e Pra Você Gostar de mim (o samba de Joyce e Zé Renato).

Dead Weather lança em abril disco mais pesado

O segundo álbum do grupo The Dead Weather vai ser lançado em abril de 2010 - menos de um ano após a chegada às lojas do bom CD de estreia da banda, Horebound (2009). Já em fase final de gravação, o segundo disco vai ser mixado ainda neste mês de fevereiro. O primeiro single, Blue Blood Blues, é cantado por Jack White, e não pela vocalista Alison Mosshart. De acordo com declarações de White a uma rádio australiana, o álbum virá mais pesado e mais blueseiro do que o disco anterior do Dead Weather.

Ex-Menudo Roy tenta vaga no Parayzo tropical

A gravadora Som Livre vai lançar em março de 2010 o primeiro CD da dupla Parayzo - formada na Bahia em 2009 pelo porto-riquenho Roy Stephan com a cantora baiana Valéria Flor Cigana. Para quem não associa o nome à pessoa, Roy foi um dos cinco integrantes da formação original do conjunto teen Os Menudos, idolatrado pelas adolescentes dos anos 80. O disco do Parayzo - visto acima em foto de Robert Schwenk - foi produzido por PH Castanheira e Victor Pozas. Gravado em português e em espanhol, o repertório joga no mesmo caldeirão tropical ritmos nordestinos, salsa, merengue, lambada e música flamenca. Roy e Valéria se revezam em solos e duetos para cantar as 14 faixas do disco. Roy se arrisca como compositor em Recuerdos, História de Amor e País do Samba e do Futebol. Casal de hitmakers brasileiros radicado em Miami (EUA), César Lemos e Karla Aponte assinam as músicas Se me Sube, Me Agarra e Vem e De Onde Sou (sucesso na voz de Thalia na versão em espanhol). Já Se Você Quiser, Menino Eu Arriei, Cada Toque um Delírio, Só o Amor, Amo Demais, Revanche e Entre Toques e Carícias são das lavras de Emerson Mozart da Bahia, Claudio Padilha, Betinho Pacheco e Dejobson Voxman da Paraíba - quatro compositores já treinados para fornecer repertório para bandas como Calypso e Limão com Mel. Completa o repertório do disco um tema cigano, Amor Cigano - Venga Bailar, da seara do cantor e compositor Alexandre Flores.

Selo Pic Music lança CDs de três 'cantautores'

Em 2006, o compositor gaúcho Antonio Villeroy abriu o selo Pic Music para viabilizar a edição de seu CD e DVD Sinal dos Tempos. Na sequência, o autor do hit Garganta - música que impulsionou a carreira de Ana Carolina em 1999 - lançou Boa Hora, disco da cantora gaúcha Marisa Rotenberg. Neste início de 2010, Villeroy expande o catálogo do selo com as edições de CDs de três cantautores, como são chamados os compositores que cantam repertório autoral. O pacote inclui Tridimensional (álbum do gaúcho Gelson Oliveira), Um Rio (CD do também gaúcho Márcio Faraco, gravado em 2008 com a participação de Milton Nascimento em Cidade Miniatura) e Watching the Sky (oitavo álbum de Jesse Harris, compositor norte-americano projetado mundialmente em 2002 quando Norah Jones gravou sua bela canção Don't Know Why no CD Come Away with me).