Novembro 16, 2009

Mais leve, show Beijo Bandido continua perfeito

Resenha de Show - Segunda Visão
Título: Beijo Bandido
Artista: Ney Matogrosso (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Bradesco (SP)
Data: 15 de novembro de 2009
Cotação: * * * * *
Em cartaz em Recife (PE) em 5 de dezembro de 2009
Show criado (circunstancialmente) por Ney Matogrosso durante a turnê do espetáculo Inclassificáveis, na virada de 2008 para 2009, Beijo Bandido ganhou vida própria, registro de estúdio editado em CD, cenário e - a partir deste mês de novembro - a estrada. Estreada em 5 de novembro no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora (MG), a turnê oficial de Beijo Bandido chegou a São Paulo (SP) no último fim de semana a reboque de três concorridas apresentações no Teatro Bradesco. Em essência, o recital continua o mesmo e permanece perfeito. Aos 68 anos, Ney põe sua voz laminada - em grande forma que soa até espantosa se levada em conta a idade assumida do artista - a serviço de um repertório irretocável que, no seu canto, cria toda uma atmosfera de sedução que eletriza o público. Sedução ampliada pela entrada no roteiro do maior sucesso do compositor Bororó (1898 - 1986) - Da Cor do Pecado, número em que o intérprete explora as pausas - e da sensualíssima A Cor do Desejo, tema de Junior Almeida e Ricardo Guima entoado em tons lânguidos pelo cantor. Novidade do bis, a salsa Incinero (Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar) realça a leveza que pontua o show, cujo roteiro totaliza 16 músicas (já com o bis).
A atmosfera de sedução é a mesma, assim como o figurino e o quarteto liderado pelo pianista e maestro Leandro Braga, mas Beijo Bandido está mais leve na volta à cena. Por sua própria natureza, o show tem um tom camerístico. Contudo, essa salutar leveza dilui de certa forma o clima ligeiramente pesado - porém igualmente sedutor - da forma inicial do show (clique aqui para ler a resenha da apresentação carioca de 29 de janeiro de 2009). A leve mudança de textura é perceptível, por exemplo, no suingue que pauta o arranjo abolerado da música De Cigarro em Cigarro (Luiz Bonfá, 1953), número valorizado pela projeção do vídeo em que Ney dança em passos sensuais. Aliás, o olhar sedutor com que ele encara o público na imagem do vídeo traduz com perfeição o clima do show, que é, de certa forma, mais uma cantada passada por Ney no seu público fiel. Cantada bem-sucedida pelo evidente prazer com que o intérprete saboreia os versos de músicas como Fascinação (F. D. Marchetti e M. de Feraudy na célebre versão de Armando Louzada) e Medo de Amar (joia de Vinicius de Moraes).
Acima de qualquer clima ou rótulo, o show Beijo Bandido expõe a segurança do intérprete e seu total domínio cênico, resultando ainda melhor do que o álbum de estúdio recém-editado pela gravadora EMI Music. No palco, Nada por mim (Herbert Vianna e Paula Toller) - balada pop inexistente no roteiro original e incluída no repertório durante a gravação do disco - adquire na voz de Ney a dose exata de mágoa. Assim como As Ilhas (Astor Piazzolla e Geraldo Carneiro) está no ponto exato de fervura sem pesar o recital. Enfim, Beijo Bandido apresenta Ney Matogrosso em real estado de graça. É (mais um) grande show desse grande intérprete!

Salsa é molho novo do roteiro de 'Beijo Bandido'

Parceria de Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar, gravada por Becker no CD Pra Ficar Tudo Bem em registro que contou com a participação de Ney Matogrosso, a salsa Incinero é o molho extra do roteiro do show Beijo Bandido, que voltou à cena em três apresentações feitas por Ney no Teatro Bradesco, em São Paulo (SP), de 13 a 15 de novembro de 2009. A outra novidade do show - estreado em dezembro de 2008 em Santos (SP) - é Da Cor do Pecado, tema de Bororó. Eis o atual roteiro do show na turnê que o cantor (em fotos de Mauro Ferreira) vai levar às principais capitais do Brasil ao longo de 2010, para badalar o CD homônimo:
1. Tango pra Tereza
2. Da Cor do Pecado
3. Fascinação
4. Invento
5. De Cigarro em Cigarro
6. A Bela e a Fera
7. A Distância
8. A Cor do Desejo
9. Nada por mim
10. Segredo
11. Doce de Coco
12. Medo de Amar
13. Bicho de Sete Cabeças
14. As Ilhas
Bis:
15. Incinero
16. Mulher sem Razão

Alicia Keys divulga a capa de seu quarto álbum

Esta é a capa do quarto álbum de estúdio da cantora, compositora e pianista Alicia Keys, The Element of Freedom, nas lojas a partir de 15 de dezembro de 2009. O primeiro single do álbum, Doesn't Mean Anything, já rendeu clipe que pode ser visto no canal oficial da artista norte-americana no YouTube. A faixa foi produzida por Kerry Brothers, que pilotou o primeiro álbum de Alicia, Songs in A Minor (2001). O rapper Jay-Z figura no disco, tendo gravado Empire State of Mind Part 2, parceria com a artista.

DVD de filme inspira Calcanhotto a refazer Três

Estreado na edição de 2005 do festival Percpan, o show Três - que junta Adriana Calcanhotto aos músicos Domenico Lancellotti e Moreno Veloso (com a cantora na foto de Isabel Diegues) - vai chegar à cidade de São Paulo (SP), em apresentação única no Auditório Ibirapuera agendada para 2 de dezembro de 2009, depois de ter passado por cidades como Barcelona, Londres, Madrid e Paris. A volta do show foi idealizada para promover a edição em DVD do documentário Palavra Encantada. O DVD do filme dirigido por Helena Solberg - a partir de argumento de Márcio Debelian, um dos roteiristas e produtores do (ótimo) documentário que aborda as relações entre música e poesia - vai chegar às lojas no começo de dezembro pela gravadora Biscoito Fino. O DVD traz cerca de 1h30m de cenas adicionais, não exibidas no cinema. Entre os takes extras, há a interpretação de Calcanhotto para o fado Ela Tinha uma Amiga (Manoela de Freitas e José Mario Branco) e a leitura de Maria Bethânia para trechos do livro Dentro da noite Veloz (da lavra do poeta Ferreira Gullar).

Artista que transita simultaneamente nos universos da música e da poesia, Arnaldo Antunes é o convidado da apresentação única e especial de Três. Com Adriana, Arnaldo vai mostrar músicas como Para Lá, parceria dos dois. O roteiro do show inclui também Chanson Doil Mot Son Plan et Prim - tema com versos do poeta provençal Arnaut Daniel, em que Adriana é acompanhada pelo cello de Moreno Veloso - e A Cor Amarela, música de Caetano Veloso, lançada pelo autor no álbum Zii e Zie (2009). A conferir!!

Novembro 15, 2009

'Canibália' é editado no Brasil com cinco capas

Já editado na Argentina e em Portugal, com apenas uma capa (a quinta vista de cima para baixo), o 13º álbum de Daniela Mercury, Canibália, vai ser lançado no Brasil pela gravadora Sony Music com as cinco opções de capas idealizadas pela cantora. Cada capa apresenta as 14 faixas do álbum numa ordem sequencial diferente.

Universal lança, enfim, caixa de CDs de Ben Jor

Projeto arquitetado pela gravadora Universal Music desde o início dos anos 2000, previsto inicialmente para ser lançado em 2003, a caixa Salve, Jorge! - que embala os 13 álbuns gravados por Jorge Ben Jor para a Philips entre 1963 e 1976 - vai ser lançada, enfim, no início de dezembro de 2009. Já em pré-venda em lojas virtuais, a caixa traz um 14º CD, duplo, com gravações raras e/ou avulsas da discografia do Zé Pretinho. É a fase áurea do artista...

'My Way', de Sinatra, retorna com faixas-bônus

Em 1969, ao gravar o álbum My Way com produção e arranjos de Don Costa, Frank Sinatra (1915 - 1918) se permitiu incluir no repertório de standards algumas músicas que tinham sido lançadas com sucesso há poucos anos. Casos de Yesterday - a balada de John Lennon e Paul McCartney (a rigor, somente de McCartney) que desde 1966 se tornou um dos temas mais regravados dos Beatles nos quatro cantos do mundo - e de Mrs. Robinson (grande hit da dupla Simon & Garfunkel em 1967 ao ser propagado como o tema do filme homônimo). Mas foi a faixa-título de My Way - versão em inglês de Paul Anka para a canção francesa composta por Claude François, Jacques Revaux e Gilles Tribault - que se tornou um clássico quase instântaneo da Voz. Quarenta anos depois, a Universal Music, que adquiriu neste ano de 2009 o direito de reeditar o catálogo de Sinatra na gravadora Reprise, relança My Way numa edição comemorativa de 40 anos turbinada com duas inéditas faixas-bônus. As novidades são um registro ao vivo de My Way - captado em 24 de outubro de 1987, em show no Reunion Arena, em Dallas (EUA) - e um take ao vivo de For Once in my Life, extraído da gravação feita por Sinatra para um especial de TV em 13 de agosto de 1969. A reedição de My Way dá o pontapé inicial na reposição do catálogo da Reprise juntamente com o lançamento de Live at Meadowlands, disco inédito da Voz que traz registro ao vivo de show captado em 1986.

Rihanna agrega Slash e will.i.am em 'Rated R'

Nas lojas pela Universal Music a partir de 23 de novembro de 2009, em escala mundial, o quarto álbum de Rihanna, Rated R, agrega nomes como Slash e will.i.am. O guitarrista é o convidado de Rockstar 101. Já o rapper participa de Photographs. Outras músicas são Cold Case Love e Russian Roulette. Rated R foi urdido por vasto time de produtores e compositores que inclui Justin Timberlake, Stargate, Chase & Status, The Dream e Tricky Stewart.

Novembro 14, 2009

Ana retoma padrões (e paixões) no show 'N9ve'

Resenha de Show
Título: N9ve
Artista: Ana Carolina (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Credicard Hall (SP)
Data: 13 de novembro de 2009
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz em São Paulo (SP) até 15 de novembro de 2009
* Porto Alegre (RS) - 18 de novembro de 2009
* Joinville (SC) - 19 de novembro de 2009
* Pelotas (RS) - 22 de novembro de 2009
* Salvador (BA) - 12 de dezembro de 2009
* Rio de Janeiro (RJ) - 15 a 17 de janeiro de 2010

A despeito de ostentar hi-tech estética cinematográfica no cenário da diretora Bia Lessa, em moldura inédita nos palcos pisados por Ana Carolina, o show N9ve retoma padrões e paixões da artista. A ambiência cool do CD homônimo - editado em agosto de 2009 - se dilui em cena por conta da intensidade vocal que dá o tom de números como Dez Minutos e Hoje Eu Tô Sozinha. Até o habitual figurino preto é recorrente no espetáculo, apesar da brecha para permitir uma perna de fora em Traição, balada na qual a cantora se aventura ao piano sem reeditar a atmosfera jazzy do registro do disco, feito com o piano de Daniel Jobim e a voz de Esperanza Spalding. Se quase não existem sutilezas no canto passional da intérprete, há - em contrapartida - nuances na direção musical de Alê Siqueira que valorizam o show, cuja estreia nacional ocorreu na casa Credicard Hall, em São Paulo (SP), na noite de sexta-feira, 13 de novembro de 2009. Lampejos de ousadia perceptíveis nas cordas orquestradas de forma inusitada em Era - número em que a Ana canta e toca violão sobre um trilho que a desloca de uma extremidade à outra do palco - e na percussão (de Leonardo Reis) que dá pulsação criativa a 8 Estórias e faz o tema crescer no show, que salpica (boa) dose de erotismo no roteiro de tom confessional.

Tampouco há obviedade no roteiro que descarta a função retrospectiva de um show que, em tese, celebra os dez anos de carreira fonográfica da artista. Hits radiofônicos como Garganta e Quem de Nós Dois cedem lugar a alguns lados B (Dois Bicudos, Tolerância, Corredores - este entoado sob efeitos de chuva idealizados pela diretora Bia Lessa) da discografia da intérprete. Mas as nove músicas do CD N9ve marcam natural presença no repertório do show homônimo. Entreolhares é cantada em dueto virtual com o cantor norte-americano John Legend, convidado da faixa mais explicitamente pop do álbum. Em tons azuis, Dentro abre medley de baladas entoadas por Ana sob uma grua e diferenciadas pelas cores da iluminação (o verde ambienta Aqui enquanto a luz laranja dá o tom de O Avesso dos Ponteiros). Já Torpedo, o samba de Ana letrado por Gilberto Gil, se perde no bis, quando o público passional da intérprete já se espreme e se acotovela na frente do palco em busca de um afago da artista (na estreia nacional, um fã subiu ao palco e agarrou Ana, que deu sinal verde para o segurança permitir o arroubo - mico do espectador).

N9ve, o show, reitera a certeza de que Ana Carolina cresce em cena quando aborda obras alheias. Ela é bamba quando leva para sua roda Não Quero Saber Mais Dela - partido alto de Sombrinha e Almir Guineto, gravado por Beth Carvalho e pelo grupo Fundo de Quintal - e Essa Mulher, o samba de Arnaldo Antunes que ganha outro sentido na interpretação irônica, quase mordaz, de Ana. É, aliás, em Essa Mulher que entram no palco quatro homens que percutem vassouras à moda do grupo Stomp em ritmo inebriante que permanece em cena para ambientar Bom Dia, o tema de Swami Jr. que se encaixa com perfeição em bloco costurado com sutis links temáticos. Bloco que agrega Odeio, o rock de Caetano Veloso, finalizado com citação de Eu Nunca te Amei Idiota (Alvin L.). Na sequência, O Cristo de Madeira se insinua deslocado de início, mas ganha peso no roteiro pelo árido arranjo que inclui bem-sacada citação instrumental de Construção (Chico Buarque). Pena que, em seguida, cantora e diretora tenham sucumbido à tentação de encerrar o show com o sucesso Rosas, pretexto para gritarias e coro de fãs, num clima meio ensandecido que se repete no verdadeiro fim do show, quando Ana termina o bis com Elevador, hit de refrão tão fácil quanto infame. Fecho óbvio, mas coerente para um show movido a paixões. Da artista e do público!!

Ana canta Arnaldo, Caetano e Swami em 'N9ve'

Embora N9ve seja o show comemorativo dos dez anos de carreira fonográfica de Ana Carolina, o roteiro - montado pela cantora em parceria com a diretora Bia Lessa - não tem caráter retrospectivo. A ponto de ignorar hits como Garganta (1999), Quem de Nós Dois (2001) e Encostar na Tua (2003). Fora da obra autoral da artista, as novidades foram Essa Mulher (samba de Arnaldo Antunes), Odeio (rock de Caetano Veloso, lançado pelo compositor em 2006 no álbum ), Bom Dia (tema de Swami Jr.) e Não Quero Saber Mais Dela (partido alto do repertório do grupo Fundo de Quintal). Eis o roteiro seguido por Ana Carolina (vista acima em foto de Mauro Ferreira) na estreia nacional do show N9ve, feita na casa Credicard Hall - em São Paulo (SP) - em 13 de novembro de 2009:
1. Que se Danem os Nós
2. Dez Minutos
3. Hoje Eu Tô Sozinha
4. Era
5. Resta
6. Dois Bicudos
7. 8 Estórias
8. Entreolhares
9. Tolerância
10. Traição
11. Corredores
12. Dentro / O Avesso dos Ponteiros / Aqui / A Canção Tocou na
Hora Errada / É Isso Aí
13. Não Quero Saber Mais Dela
14. Tá Rindo, É?
15. Ela É Bamba
16. Essa Mulher
17. Bom Dia
18. Odeio - com citação de Eu Nunca te Amei Idiota
19. O Cristo de Madeira - com citação de Construção
20. Rosas
Bis:
21. Torpedo
22. Elevador

Ana passa por 'Corredores' chuvosos em 'N9ve'

Se há nuvens, é sinal de chuva. Diretora do novo show de Ana Carolina, N9ve, Bia Lessa seguiu a lei da natureza ao montar o roteiro em parceria com a cantora. Dez números depois de entrar em cena elevada por uma grua, como se estivesse suspensa nas nuvens, Ana interpreta Corredores - música do álbum duplo Dois Quartos (2006) - enquanto efeitos de chuva são simulados no palco. A estreia nacional do show aconteceu na casa Credicard Hall, em São Paulo (SP), na noite de sexta-feira, 13 de novembro de 2009. A foto acima, do número da chuva, é de Mauro Ferreira.

Bia põe Ana Carolina nas nuvens no show 'N9ve'

Diretora do show N9ve, de Ana Carolina, Bia Lessa põe a cantora nas nuvens. Quase literalmente. É elevada por uma grua, atrás de uma tela que projeta imagens de nuvens, que Ana abre seu novo show - cuja estreia nacional aconteceu na noite de sexta-feira, 13 de novembro de 2009, no Credicard Hall em São Paulo (SP) - cantando Que se Danem os Nós, balada de seu segundo álbum, Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001). A propósito, gruas, praticáveis, trilhos e rebatedores de luz moldam o cenário de estética cinematográfica - assinado por Lessa - que remete ao cenário de Universo Particular, espetáculo lançado por Marisa Monte em 2006. N9ve é o show mais hi-tech da intérprete, vista acima no bonito número de abertura - em foto de Rodrigo Amaral.

Novembro 13, 2009

Enfim, (todas) elas cantam Roberto em DVD...

Resenha de CD / DVD
Título: Elas Cantam Roberto Carlos
Artista: Roberto Carlos e 20 cantoras
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Apesar de os fabricantes de DVDs piratas já terem feito a festa em junho, aproveitando a exibição do show Elas Cantam Roberto pela TV Globo (em 31 de maio) para captar imagens do tributo e abarrotar os camelôs com cópias fajutas da gravação ao vivo, a tardia edição oficial do tributo em DVD - nas lojas neste mês de novembro pela Sony Music - é o primeiro registro integral do espetáculo apresentado em 26 de maio de 2009, no Theatro Municipal de São Paulo (SP), dentro do ciclo idealizado pelo Itaú Brasil para festejar os 50 anos de carreira do cantor. Afinal, sem consultar Roberto, a TV Globo exibiu o show com cortes, tendo eliminado os números de cantoras como Adriana Calcanhotto (Do Fundo do meu Coração, em voz-e-violão), Marina Lima (estilosa em Como Dois e Dois) e Mart'nália (cheia de ginga no samba Só Você Não Sabe, única música obscura do roteiro cravado de hits).
As edições oficiais do DVD e do CD duplo - este nas lojas desde setembro - reiteram erros e acertos da escalação do elenco recrutado pela diretora Monique Gardenberg, além de motivar algumas reavaliações. Embora não tenha surtido efeito ao vivo, a pregação pacifista feita por Fernanda Abreu em Todos Estão Surdos resulta bacana no disco. Assim como a abordagem terna de Ivete Sangalo para Olha. Em contrapartida, o número teatral de Marília Pêra em 120...150... 200 Km por Hora - música, aliás, grafada erronamente no vídeo como 120...130...150 Km por Hora - perde impacto, sobretudo no CD, por ter sido idealizado para os palcos. Dos erros, a escalação de Claudia Leitte - tentando forjar estilo em Falando Sério - é o mais gritante. Mas é fato também que Paula Toller poderia ter pisado mais fundo n'As Curvas da Estrada de Santos. E que a voz de Sandy realmente ainda não tem maturidade para encarar As Canções que Você Fez pra Mim. Dos acertos, mais numerosos, vale destacar a classe com que Alcione (Sua Estupidez), Nana Caymmi (Não se Esqueça de mim), Zizi Possi (Proposta) cantam Roberto fiéis aos próprios estilos. Já Fafá de Belém dá tom adequado a Desabafo enquanto Ana Carolina exercita seu poder vocal na apropriada Força Estranha. Enfim, já é possível ver e ouvir no DVD todas elas cantando Roberto Carlos. Mas a tiragem inicial do vídeo - expressivas 100 mil cópias - sinaliza que a gravadora Sony Music deposita no DVD Elas Cantam Roberto Carlos um fôlego que ele, o DVD, talvez já tenha perdido por conta do imediato ataque dos piratas em junho.

Chega ao Brasil o DVD de Simon com os amigos

Em 23 de maio de 2007, o inspirado Paul Simon teve sua obra celebrada por um bom grupo de artistas que subiu ao palco do Warner Theatre, em Washington (EUA), para cantar temas como Graceland. O show foi gravado para edição em DVD, intitulado Paul Simon & Friends e ora lançado no Brasil neste mês de novembro de 2009 pela gravadora Coqueiro Verde, que tem mantido o (bom) hábito de legendar em português as falas dos DVDs que edita no mercado nacional. Entre os números do show, há o reencontro de Simon com Art Garfunkel - em Bridge over Troubled Water - e a reunião do anfitrião com Stevie Wonder em Me and Julio Down by the Schoolyard e em Loves me Like a Rock (este com a adição do grupo de gospel Dixie Hummingbirds). O elenco inclui James Taylor (Still Crazy After All These Years, tema que deu título a disco solo editado por Simon nos anos 70) e Philip Glass (cool, como de hábito, em Sounds of Silence). Justo tributo!!

Chicas desafiam a crise e lançam primeiro DVD

Três anos após editar o seu primeiro CD, Quem Vai Comprar Nosso Barulho? (de 2006), o grupo Chicas desafia a apatia da indústria do disco e apresenta seu primeiro registro ao vivo de show, gravado no Teatro Rival (RJ). Em Tempo de Crise Nasceu a Canção chega às lojas - pela Biscoito Fino - nos formatos de CD e de DVD. Além de rebobinar dez músicas do primeiro álbum, as Chicas cantam músicas inéditas em suas vozes. Casos de Divino Maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil) e de Androginismo, música obscura de Kledir Ramil, lançada nos anos 70 pelo grupo Almôndegas. Nos extras do DVD (e também no CD), há Caras e Bocas, o tema de abertura da novela homônima, cuja gravação das Chicas deu projeção nacional ao quarteto formado em 1996 por Amora Pêra, Fernanda Gonzaga, Isadora Medella e Paula Leal.

Filme sobre o rock brasileiro é editado em DVD

Documentário dirigido por Bernardo Palmeiro, com roteiro e pesquisa de Kika Serra, o didático Rock Brasileiro - História em Imagens está sendo editado em DVD que será distribuído gratuitamente às escolas e às bibliotecas públicas de todo o Brasil. No filme, já exibido em festivais (clique aqui para ler a resenha de Notas Musicais), Palmeiro passa em revista a história do rock nacional a reboque de imagens de arquivo e depoimentos de nomes como Erasmo Carlos, João Barone e Pitty. O filme foi viabilizado graças a uma parceria da Fuzo Produções - empresa que tem na direção artística Jorge Davidson, executivo que muito investiu no rock nacional enquanto atuou na indústria fonográfica - com a Planmusic, dirigida por Luiz Oscar Niemeyer, com quem, aliás, Davidson trabalhou na (extinta) gravadora BMG.

Novembro 12, 2009

João Araújo é celebrado na festa da Som Livre

Embora hoje seja mais conhecido aos olhos do público como o pai de Cazuza (1958 - 1990), João Araújo é - e sempre foi - um dos executivos mais importantes da indústria fonográfica brasileira. Sua história se cruza especialmente com a da gravadora Som Livre. Por isso, Araújo foi o grande homenageado na festa dos 40 anos da companhia, na noite de 11 de novembro de 2009, na varanda da casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), cidade que viu a Som Livre nascer em 1969. Naquele ano, ao assumir a Som Livre, João Araújo - que já trabalhara em várias gravadoras - já tinha incentivado a contratação de Caetano Veloso e Gal Costa na sua passagem pela Philips. Mas foi sua longa gestão na diretoria da Som Livre - durante 38 anos - que pôs definitivamente o nome de Araújo em lugar de destaque na história fonográfica do Brasil. Na diretoria da Som Livre, ele abriu as portas da indústria do disco para Djavan - então sem perspectivas profissionais no Rio de Janeiro - e apostou em Xuxa, fenômeno de vendas nos anos 80, década em que, contrariado, foi convencido também a deixar o grupo de Cazuza, o Barão Vermelho, entrar em estúdio para fazer seu primeiro disco. Em fevereiro de 2005, quando já ocupava o conselho da Som Livre sem efetivamente dirigir a companhia, João Araújo foi anunciado presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos, ABPD. Mas aí ele já era, há anos, o pai de Cazuza para quem desconhece os bastidores da indústria do disco.

'Covers' de Gabriel vão de Bowie a Radiohead

Peter Gabriel confirmou de forma oficial nesta quinta-feira, 12 de novembro de 2009, as 12 faixas do álbum de covers, Stratch my Back, que vai lançar em 25 de janeiro, com distribuição da EMI Music. O repertório vai de David Bowie (Heroes) a Radiohead (Street Spirit), passando por temas de Talking Heads (Listening Wind), Lou Reed (The Power of the Heart), Arcade Fire (My Body Is a Cage), Neil Young (Philadelphia) e de Regina Spektor (Apres Moi) - entre outros nomes. Bob Ezrin assina a produção do álbum.

Fábio Jr. atenua carga caipira de hits sertanejos

Resenha de CD
Título: Romântico
Artista: Fábio Jr.
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *

Romântico é o disco em que Fábio Jr. se aventura por (ótimo) repertório sertanejo sob a habitual ótica popular. Contudo, pela beleza da maior parte das 13 canções selecionadas, o CD é o único do cantor nos últimos anos que equilibra mais acertos do que erros. A produção de Guto Graça Mello procura trazer os clássicos caipiras para o universo do intérprete sem patinar na modernice pop. A ideia de usar o grupo vocal Ponto 4 para simular o efeito de uma segunda voz funciona bem em algumas faixas, em especial em Cabecinha no Ombro (Paulo Borges). O próprio Fábio está cantando bem sem carregar nos tons - qualidade perceptível nas regravações de hits como Fio de Cabelo (Darci Rossi e Marciano) e É o Amor (Zezé Di Camargo & Luciano), este prejudicado pelos vocais arranjados por Juliano Cortuah. No todo, Romântico - 25º título da discografia do cantor - atenua a carga caipira dos amores sertanejos. A rigor, o acordeom de Julinho Teixeira é o único instrumento a sublinhar a origem ruralista de composições como Amizade Sincera (Renato Teixeira) - aliás, uma das músicas mais bonitas do CD ao lado de No Rancho Fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo). Soa mais elegante do que o sotaque caipira forjado na introdução falada de Cabocla Tereza (Raul Torres e João Pacífico) e em alguns versos de Rio de Piracicaba (Rio de Lágrimas), o clássico de Piraci, Tião Carreiro e Lourival dos Santos. Enfim, o disco tem méritos. Por isso mesmo, é lamentável que esteja sendo promovido com a aguada versão de Don't Know Why, o hit de Norah Jones que, na letra em português de Sylvia Massari, virou Amar É Perdoar. A versão roda na trilha sonora da novela Cama de Gato, mas é péssimo cartão-de-visitas para um disco que roça a elegância em vários momentos. E por falar em novela, a regravação de Alma Gêmea - num registro mais suave, condizente com a harmonia do disco - soa meramente oportunista. Deve ter entrado a pedido da gravadora Sony Music pelo fato de a Rede Globo estar reprisando a trama de Walcyr Carrasco que propaga a canção de Peninha - gravada originalmente por Fábio em álbum de 1993 - na abertura. Oportunismos à parte, o CD encerra com Românticos, balada de Vander Lee que, embora tenha sido bem gravada por Fábio, soa deslocada no repertório. No geral, justiça seja feita, Romântico é upgrade na discografia rala do cantor. Que acerta ao baixar os tons e, assim, realçar a real beleza e os sentimentos sinceros entranhados nessas (subestimadas) pérolas do universo sertanejo.

Barbra reafirma classe em CD urdido por Krall

Resenha de CD
Título: Love Is the Answer
Artista: Barbra Streisand
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Aos 67 anos, a voz de Barbra Streisand já não ostenta a longa extensão que encantou o mundo em 1964 por conta da emblemática gravação de People. Mas a emissão e a afinação continuam perfeitas. E, como a estrela não procura exibir poder vocal no álbum produzido por Diana Krall, Love Is the Answer, o resultado roça a excelência. Não se trata de um disco de jazz, como faz supor o nome da cantora e pianista canadense na produção. Contudo, há delicada ambiência jazzy - urdida pelo quarteto liderado pela própria Krall - que acomoda o punhado de standards reunidos por Barbra no álbum co-produzido por Tommy LiPuma e orquestrado (com uma previsível sofisticação) por Johnny Mandel, que já trabalhara com Barbra no álbum Back to Broadway (1993). Ao lapidar joias como Here's to Life, destaque do repertório, Barbra reafirma sua classe e sua categoria num disco que, se não surpreende, também não decepciona. E, como Krall é admiradora da Bossa Nova, Love Is the Answer eventualmente evoca o suave balanço made in Brazil - em especial em Gentle Rain, tema de Luiz Bonfá (1922 - 2001) letrado por Matt Durey. Outra faixa que envolve o Brasil é Love Dance, a balada de Ivan Lins e Gilson Peranzzetta que já ganhou várias gravações no meio jazzístico norte-americano. Em órbita mais popular, Barbra apresenta versão em inglês de Ne me Quitte Pas - If You Go Away, com correção asséptica que dilui a densidade emocional do clássico do belga Jacques Brel - e revive balada melosa do repertório grupo The Platters, Smoke Gets in your Eyes. Primeiro álbum de estúdio de Barbra em quatro anos, o sucessor de Guilty Pleasures (2005) não é um grande disco. Mas é bom disco suave que honra o nome de La Streisand, cuja popularidade já parece ser mais extensa do que sua voz, a julgar pelo fato de Love Is the Answer ter ido direto para o topo da parada norte-americana ao ser lançado em setembro de 2009, desbancando o álbum da favorita Mariah Carey. Isso é que poder!

MZA (re)põe o 'Balaio do Sampaio' no mercado

Em 15 de maio de 1994, Sérgio Sampaio (1947 - 1994) saiu de cena. Naquele ano, começou a ser concebido um belo disco-tributo que veio a ser editado pela gravadora MZA Music em 1998. Produzido pelo parceiro Sérgio Natureza, sob a direção artística de Marco Mazzola, o Balaio do Sampaio está sendo reeditado pela MZA por conta dos 15 anos de morte do compositor de Eu Quero É Botar meu Bloco na Rua, a marcha que abre o CD (na gravação original de Sampaio, feita em 1972 e acrescida de cordas arranjadas por Eduardo Souto Neto) e o fecha (no inequivocado registro feito por Elba Ramalho em 1995). O Balaio do Sampaio agregou alguns fonogramas já existentes - caso da gravação de Meu Pobre Blues por Zizi Possi - mas, em sua maioria, as gravações foram feitas especialmente para o tributo por afiado time de intépretes que incluiu Chico César (Em Nome de Deus), Zeca Baleiro (Tem que Acontecer), Erasmo Carlos (Feminino Coração de Deus), Lenine (Pavio do Destino) e João Nogueira (Até Outro Dia) - entre outros.

Dead Fish lança CD 'Contra Todos' na Argentina

Oitavo álbum do grupo Dead Fish (o sexto de inéditas), lançado em fevereiro pela Deckdisc, Contra Todos vai ganhar edição na Argentina no fim deste mês de novembro de 2009. Caberá ao selo Pinhead Records editar o CD na Argentina. O grupo toca hardcore.

Novembro 11, 2009

Novo tempo litúrgico de padre Fábio inclui Ivan

Canção de Ivan Lins com Vítor Martins que batizou o álbum lançado por Ivan em 1980, Novo Tempo faz parte do repertório do 13º título da discografia de padre Fábio de Melo em registro que conta com o grupo Roupa Nova. Nas lojas de todo o Brasil a partir de 24 de novembro de 2009, Iluminar é a maior aposta de vendas da gravadora Som Livre para o período de Natal. E por falar em Ivan Lins, seu primeiro parceiro, Ronaldo Monteiro de Souza, é co-autor de No Meio de Nós, faixa que tem a participação da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. Outra participação do disco é a de Elba Ramalho, que exercita sua fé católica na faixa Maria e o Anjo, de Dalvimar Gallo. André Leonno - um cantor revelado no programa de calouros do apresentador de TV Raul Gil - completa o time de convidados na faixa Viver pra mim É Cristo (Anderson Freire). Fábio assina sete das 15 músicas do CD - duas em parceria.

Dudu embala cancioneiro autoral com elegância

Resenha de CD
Título: Dudu Falcão
Artista: Dudu Falcão
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2

Não é à toa que o primeiro CD de Dudu Falcão, batizado com seu nome e lançado neste mês de novembro de 2009 pela Som Livre, recebe o aval de ninguém menos do que Nana Caymmi em texto reproduzido na contracapa interna. Foi a cantora que lançou o compositor pernambucano (radicado no Rio de Janeiro desde meados da década de 80) no mercado fonográfico, há exatos 20 anos, quando incluiu duas músicas de Dudu, Deixa Eu Cantar e Era Tudo Verdade, em seu álbum Nana (1989). Duas décadas depois, Dudu já é nome recorrente nas fichas técnicas de discos de cantores como Jorge Vercillo, Ana Carolina, Lenine e Luiza Possi. Dono de obra elástica, que pode tanto soar refinada como contentar os anseios populares de executivos marqueteiros de gravadoras, o autor de Coisas que Eu Sei - hit na voz de Danni Carlos em 2007 - embala com elegância 14 temas de seu já vasto cancioneiro autoral no álbum Dudu Falcão, produzido por Max Viana ao lado do cantor estreante. Obra que se engrandece com Samba Pequeno, tema de ambiência bossa-novista que afaga o Rio que acolheu o artista. Com direito ao piano de Daniel Jobim, captado no lendário número 107 da rua carioca Nascimento e Silva, onde Elizeth Cardoso (1920 - 1990) aprendeu as canções do amor demais com Tom Jobim (1927 - 1994). A propósito, Falcão parece buscar certa atmosfera jobiniana em faixas como A Musa que me Quer Assim, em contraste com a levada pop da canção Coisas que Eu Sei, rebobinada com apropriada simplicidade e a guitarra precisa de Max Viana, parceiro do compositor em Canções de Rei, outro destaque do repertório. Entre regravações de belas baladas compostas com Lenine (Paciência, O Silêncio das Estrelas e Crença - esta com vocais guturais do parceiro, amigo e conterrâneo), Dudu entoa bolero com um leve toque de tango (Quando Eu Falo de Você) e balada que confirma sua veia pop (Diz, com participação da cantora e compositora italiana Chiara Civello). Ele não é um cantor nato, mas, mesmo sem brilhar como intérprete, sua voz flui com naturalidade e o entendimento que somente os criadores têm a respeito de suas criaturas. Vale ouvir!!

Jorge aborda Michael em show e CD de estúdio

Seu Jorge aborda o repertório de Michael Jackson (1958 - 2009) em show - que vai ser gravado ao vivo para exibição no canal de TV Multishow - e em álbum de estúdio. Já finalizado, o disco tem produção de Mario Caldato e inclui regravação de Rock with You, música lançada por Michael em 1979 no álbum Off the Wall, marco inicial da obra adulta do Rei do Pop. Ainda sem previsão de lançamento, o CD alinha no repertório temas de Jorge Ben Jor (Errare Humanum Est, 1974), Tim Maia (Cristina, parceria com Carlos Imperial, lançada pelo Síndico em 1970) e da parceria de Baden Powell com Vinicius de Moraes, de quem Jorge revive o Samba do Veloso (Tempo de Amor), gravado pelo Zimbo Trio em 1967. O álbum foi feito com a banda Almaz, que tem na formação dois integrantes do grupo Nação Zumbi: o guitarrista Lúcio Maia e o baterista Pupillo. Do Kraftwerk, The Model é a surpresa do disco.

Wayne lança enfim 'Rebirth' em 15 de dezembro

Agendado de início para abril, e depois adiado para agosto, o lançamento de Rebirth Tha Carter III - o novo álbum do rapper Lil' Wayne - já tem nova data certa para chegar às lojas da Europa e EUA: 15 de dezembro de 2009. O disco tem as intervenções de Lenny Kravitz e de Travis Baker (o baterista da banda Blink-182), além do Fall Out Boy, grupo cujo último CD contou com Wayne. O curioso é que o álbum vai chegar às lojas - ao que parece, a data é definitiva - quase um ano após seu primeiro single, Prom Queen, ter vindo à tona, em janeiro. Será que justifica tantos adiamentos?

RoRo regrava hit de Lobão para trilha de novela

Canção de Lobão, lançada pelo autor em 1984 no LP Ronaldo Foi pra Guerra e gravada por Marina Lima (no mesmo ano) no álbum Fullgás, Me Chama ganha registro 25 anos depois na voz de Ângela RoRo em associação curiosa de dois artistas que ganharam fama de loucos ao longo dos anos 80. A regravação de Me Chama por RoRo figura na trilha sonora da novela Bela, a Feia. O disco com a trilha sonora da trama da TV Record chega às lojas neste mês e novembro, com distribuição da Warner Music. A faixa de RoRo é a 14ª de CD que enfileira fonogramas de Cine, Chimarruts, Zé Luiz Mazziotti, Eduardo Costa e Royce do Cavaco - entre outros nomes.

Novo plano de Affonsinho inclui Vander e Érika

Cantor e compositor mineiro, o guitarrista Affonsinho reúne um repertório autoral em seu quinto CD, Meu Plano, nas lojas neste mês de novembro de 2009 pela gravadora Dubas Música. As 16 músicas, em sua maioria, são inéditas. Entre as exceções, figuram Enfeitiçado (o samba lançado por Aline Calixto) e Disco Voador (tema gravado por Marina Machado). Os cantores Vander Lee, Regina Souza e Érika Machado - conterrâneos de Affonsinho - participam do disco. Entre as faixas de Meu Plano, há Sal no Café, Samba do Carinho, Silêncio, Acordei Feliz, Engano, Picolé e a música-título.

Novembro 10, 2009

Tecnomacumba ao vivo vai sair também em CD

O registro ao vivo do show Tecnomacumba - feito pela cantora Rita Ribeiro em 3 de julho de 2009 na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ) - também vai ser lançado no formato de CD (veja a capa acima). Nas lojas ainda neste mês de novembro, em edição viabilizada pela Biscoito Fino através de parceria com a Manaxica Produções, o CD e o DVD Tecnomacumba a Tempo e ao Vivo perpetuam o show apresentado com sucesso nos palcos cariocas desde setembro de 2003. Eis o repertório da gravação ao vivo que contou com a participação especial de Maria Bethânia, em Iansã:
1. Divino (somente no DVD)
2. Saudação / Abertura
3. Moça Bonita
4. Domingo 23
5. Cavaleiro de Aruanda
6. Balá Alapalá
7. Xangô, o Vencedor
8. Oração ao Tempo (somente no DVD)
9. A Deusa dos Orixás
10. Iansã - com participação de Maria Bethânia
11. Rainha do Mar
12. É d'Oxum
13. Coisa da Antiga
14 Cocada
15. Jurema (somente no DVD)
16. Tambor de Crioula
17. Canto para Oxalá

Donna volta a ser 'rainha' quando recorre a hits

Resenha de Show
Título: Stamp Your Feet Tour
Artista: Donna Summer (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Citibank Hall (RJ)
Data: 9 de novembro de 2009
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz no Credicard Hall, em São Paulo (SP), em 10 e 12 de novembro de 2009. Ingressos (ainda) disponíveis
Ao aparecer no palco do Citibank Hall, após sua banda e bailarinos terem preparado o clima para sua entrada triunfal, Donna Summer cantou de imediato música de seu recente álbum Crayons (2008): The Queen Is Back, cujo título já traduzia o pensamento e o sentimento de felicidade que moviam o público que encheu a grandiosa casa do Rio de Janeiro (RJ) numa noite de segunda-feira, 9 de novembro de 2009. Sim, a rainha vitalícia da disco music estava de volta aos palcos nacionais com a Stamp Your Feet Tour, que chega nesta terça-feira a São Paulo (SP) para dois shows na casa Credicard Hall. Na sequência, uma Love to Love You Baby quase broxante - com gemidos que fingiram orgasmo num simulacro do registro original de 1975 que fundou o reinado de Donna na era das discotecas - fez supor um show requentado. Mas eis que, a partir de I Feel Love (o tema de batizada sintetizada que, lançado em 1977, ainda soa moderno na era eletrônica), a rainha começou de fato a voltar à cena, fazendo o público levantar das - inapropriadas!! - cadeiras dispostas na pista do Citibank Hall.
Com a voz em boa forma para seus 61 anos, Donna Summer retornou ao mercado fonográfico em 2008 com álbum de inéditas (o primeiro de estúdio em 17 anos), Crayons, em que recusou o saudosismo e buscou produtores contemporâneos para se inserir na atual cena dance. Justiça seja feita: as batidas da faixa-título e de Stamp your Feet não fazem feio nas pistas. Mas o show deixou claro que Donna volta a reinar somente quando recorre aos hits das discotecas, com a banda tentando reproduzir com alguma eficiência as levadas sintetizadas pelo produtor Giorgio Moroder, compositor italiano que foi fundamental para a construção do reino da cantora nos embalos noturnos dos anos 70. São estes sucessos - Could It Be Magic, No More Tears (Enough Is Enough) e On the Radio, entre eles - que fizeram o show soar mágico para os súditos da artista enquanto, para espectadores distanciados (e parecia haver nenhum no Citibank Hall), a cantora poderia dar a impressão (real) de ser uma diva destronada tentando evocar seu passado de glória. A simpatia de Donna também ajudou a forjar a magia, fazendo o público fingir que não percebeu que Sand on my Feet (balada introduzida por violão) é apenas mediana e que I'm a Fire contrariou seu título e esfriou o show. Ou ainda que Drivin' Down Brazil é tentativa caótica de evocar o suingue nacional. Fora do universo da disco music, o único momento realmente especial foi Smile, a sublime canção de Charles Chaplin (1889 - 1977), interpretada por uma Donna aparentemente de fato muito emocionada por lembrar do Rei do Pop Michael Jackson (1958 - 2009). Contudo, esperta, a rainha soube oferecer a seus súditos o que eles queriam: os hits irresistíveis da era das discotecas. Bad Girl, Hot Stuff e Mac Arthur Park - revivida no formado de suíte que engloba os temas One of a Kind e Heaven Knows - deram o ar da graça no roteiro e garantiram a satisfação do público. Ao sair de cena no bis, dado com a previsível Last Dance, Donna Summer continuou entronizada nas mentes e nos corações de seus súditos.

Donna canta 'Smile' no Rio para saudar Michael

Smile, música de Charles Chaplin (1889 - 1977), foi a surpresa e o momento mais tocante do show apresentado por Donna Summer no Citibank Hall, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de segunda-feira, 9 de novembro de 2009. De volta ao Brasil com a Stamp Your Feet Tour, baseada em seu álbum Crayons (2008), a cantora incluiu o tema de Chaplin no repertório do show em pungente tributo a Michael Jackson (1958 - 2009). A rainha da disco music se emocionou ao falar do Rei do Pop e ao lembrar que Smile era a música preferida de Michael. Eis o roteiro da apresentação carioca da diva Donna Summer (vista, acima, em foto de Mauro Ferreira):

1. Overture
2. The Queen Is Back
3. Love to Love You Baby
4. I Feel Love
5. Could It Be Magic
6. Dim All the Lights
7. I'm a Fire
8. Sand on my Feet
9. On the Radio
10. Drivin' Down Brazil
11. Crayons
12. No More Tears (Enough Is Enough)
13. Mac Arthur Park / One of a Kind / Heaven Knows
14. Smile
15. Stamp Your Feet
16. She Works Hard for the Money
17. Bad Girls
18. Hot Stuff
Bis:
19. Last Dance

Knopfler revira memórias no íntimo 'Get Lucky'

Resenha de CD
Título: Get Lucky
Artista: Mark Knopfler
Gravadora: Universal
Music
Cotação: * * * 1/2

Em seu sexto álbum solo, Get Lucky, Mark Knopfler parece feliz ao revira as memórias da infância passada na cidade escocesa de Glasgow. Tanto que a faixa que abre o disco é country, Border Reiver, que aborda o cotidiano árduo dos caminhoneiros dos anos 60 que transitavam pelas estradas que ligam a Escócia à Inglaterra. Pode soar esquisito na teoria, mas, no CD player, o mosaico íntimo e pessoal do cantor e guitarrista - projetado em escala mundial no fim dos anos 70 como líder do grupo Dire Straits - soa bem harmonioso. Get Lucky é disco envolvente tanto pela qualidade do repertório inédito e autoral quanto pelo instrumental refinado e pautado pelo tempo da delicadeza. Get Lucky tem country e tem blues, You Can't Beat the House, mas as baladas dão o tom do álbum. Monteleone e Before Gas and TV são os destaques no gênero. E, para saudosistas do Dire Straits, vale ressaltar que ao menos duas boas canções de Get Lucky - Cleaning my Gun e The Car Was the One - evocam de leve o som da banda e poderiam até figurar nos discos da fase áurea do grupo.

'The Blueprint 3' dá fôlego a Jay-Z sem surpresa

Resenha de CD
Título: The Blueprint 3
Artista: Jay-Z
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * * 1/2

Projetado nos anos 90, Jay-Z é um dos rappers mais atuantes e importantes do universo do hip hop norte-americano. Sim, ele andou lançando uns álbuns irregulares, mas sua carreira fonográfica começou a voltar para os trilhos em 2006, quando o artista editou Kingdom Come, álbum em que procurou renovar a batida de seu rap através de associações com Chris Martin (o vocalista do Coldplay) e John Legend. American Gangster - disco de 2007 inspirado no filme homônimo de Riddley Scott - confirmou o inspirado momento do rapper na segunda metade desta década. Algo ratificado por The Blueprint 3, terceiro título da trilogia trilogia que já rendeu os discos The Blueprint (2001) e The Blueprint²: The Gift & the Curse (2002). Embora sem surpresas, o álbum renova o fôlego de Jay-Z. Capitaneada por nomes como Timbaland e Kanye West, sem esquecer dos Neptunes, a produção é grandiosa como a lista estelar de convidados. Run This Town (com Rihanna e o recorrente West, convidado também de Hate) e Empire State of Mind (com Alicia Keys) são faixas que se destacam no repertório e se impõem pelo tom pop. Já Thank You vai chamar a atenção de ouvidos brasileiros por utilizar sample de Ele e Ela, gravação de Marcos Valle dos anos 70. No todo, o álbum tem vigor. A reboque de batidas azeitadas, Jay-Z dispara petardos com o habitual jeito marrento. Fãs de rap vão identificar de imediato os méritos do CD.