1 de novembro de 2009

'Celebration' resume bem a era pop de Madonna

Resenha de CD / DVD
Título: Celebration
Artista: Madonna
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * * * (CD) e * * * * * (DVD)

Celebration - a mais completa coletânea de Madonna, idealizada para encerrar os vínculos contratuais da artista com a gravadora Warner Music - festeja e resume (bem) a era pop de uma diva que é uma das mais perfeitas traduções da música e dos costumes ocidentais do final do século 20. O DVD Celebration - The Video Collection é especialmente fundamental por alinhar, em ordem cronológica, 47 clipes que fizeram história. Madonna surgiu numa década - a de 80 - em que a música passou a ser um produto audiovisual. E ela entendeu isso como poucos. Talvez sua música não tivesse alcançado a dimensão que tomou ao longo dos últimos 25 anos se não tivessem existido clipes polêmicos como Like a Virgin (1984) e Like a Prayer (1989), que puseram lenha na fogueira sempre ardente do erotismo e da religiosidade. A seleção do DVD Celebration acompanha a evolução de Madonna e é retrato nítido de sua capacidade de (se re)inventar. Inclusive moda. Nem mesmo a ausência do clipe de Fever (1993) - um dos marcos da fase mais erótica da estrela - minimiza a importância do DVD. A edição de Celebration - The Video Collection torna instantaneamente obsoleta a primeira compilação de clipes de Madonna, The Imaculate Collection (1990), de cuja seleção apenas o vídeo de Oh Father (1989) não é rebobinado no atual DVD. Já Video Collection 93:99 (1999) ainda resiste pelo fato de agregar os vídeos de Fever (1993), Drowned World (1998) e Nothing Really Matters (1999). Mesmo que a qualidade técnica e a estética de alguns clipes, sobretudo os dos anos 80, já soem amadoras face aos recursos atuais, o que se vê em Celebration - The Video Collection é um desfile de música pop do mais alto quilate. Obra que foi resumida no CD duplo em 36 fonogramas, infelizmente dispostos fora de ordem cronológica. Entre duas inéditas, Celebration e Revolver (faixa gravada com o rapper Lil' Wayne), a coletânea salpica todos os grandes hits de Madonna, sendo que dois deles, Holiday e Everybody, são ausência sentidas no DVD. Celebration - a compilação, mas também a música de tom festivo, petardo certeiro nas pistas - encerra um ciclo. Do pop dançante dos anos 80, década que lhe rendeu hits ainda hoje irresistíveis como Borderline e Into the Groove, Madonna partiu para outros sons. Vogue (1990) marcou o início da virada que, após fase de farto erotismo, levou a estrela por dimensões mais espirituais no cultuado Ray of Light, álbum de 1998. Mas eis que, já nos anos 2000, a diva fez o caminho de volta com série de hits dançantes e mais desencanados - como Music, faixa-título do álbum de 2000 - que culminaram no consagrador Confessions on a Dance Floor, álbum de 2005 em que Madonna, gata então quase cinquentona, escaldada pelo fracasso de American Life (2003), voltou a ser inteiramente Madonna ao cruzar referências de disco music com a batida do eurodance. Tudo isso está no CD e DVD Celebration, resumo histórico da Pop Art de Madonna. Dez!

19 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Celebration - a mais completa coletânea de Madonna, idealizada para encerrar os vínculos contratuais da artista com a gravadora Warner Music - festeja e resume (bem) a era pop de uma diva que é uma das mais perfeitas traduções da música e dos costumes ocidentais do final do século 20. O DVD Celebration - The Video Collection é especialmente fundamental por alinhar, em ordem cronológica, 47 clipes que fizeram história. Madonna surgiu numa década - a de 80 - em que a música passou a ser um produto audiovisual. E ela entendeu isso como poucos. Talvez sua música não tivesse alcançado a dimensão que tomou ao longo dos últimos 25 anos se não tivessem existido clipes polêmicos como Like a Virgin (1984) e Like a Prayer (1989), que puseram lenha na fogueira sempre ardente do erotismo e da religiosidade. A seleção do DVD Celebration acompanha a evolução de Madonna e é retrato nítido de sua capacidade de (se re)inventar. Inclusive moda. Nem mesmo a ausência do clipe de Fever (1993) - um dos marcos da fase mais erótica da estrela - minimiza a importância do DVD. A edição de Celebration - The Video Collection torna instantaneamente obsoleta a primeira compilação de clipes de Madonna, The Imaculate Collection (1990), de cuja seleção apenas o vídeo de Oh Father (1989) não é rebobinado no atual DVD. Já Video Collection 93:99 (1999) ainda resiste pelo fato de agregar os vídeos de Fever (1993), Drowned World (1998) e Nothing Really Matters (1999). Mesmo que a qualidade técnica e a estética de alguns clipes, sobretudo os dos anos 80, já soem amadoras face aos recursos atuais, o que se vê em Celebration - The Video Collection é um desfile de música pop do mais alto quilate. Obra resumida no CD duplo em 36 fonogramas, infelizmente dispostos fora de ordem cronológica. Entre duas inéditas, Celebration e Revolver (faixa gravada com o rapper Lil' Wayne), a coletânea salpica todos os grandes hits de Madonna, sendo que dois deles, Holiday e Everybody, são ausência sentidas no DVD. Celebration - a compilação, mas também a música de tom festivo, petardo certeiro nas pistas - encerra um ciclo. Do pop dançante dos anos 80, década que lhe rendeu hits ainda hoje irresistíveis como Borderline e Into the Groove, Madonna partiu para outros sons. Vogue (1990) marcou o início da virada que, após fase de farto erotismo, levou a estrela por dimensões mais espirituais no cultuado Ray of Light, álbum de 1998. Mas eis que, já nos anos 2000, a diva fez o caminho de volta com série de hits dançantes e mais desencanados - como Music, faixa-título do álbum de 2001 - que culminaram no consagrador Confessions on a Dance Floor, álbum de 2005 em que Madonna, gata então quase cinquentona, escaldada pelo fracasso de American Life (2003), voltou a ser inteiramente Madonna ao cruzar referências de disco music com a batida do eurodance. Tudo isso está no CD e DVD Celebration, resumo histórico da Pop Art de Madonna. Dez!

1 de novembro de 2009 12:52  
Blogger Vinícius said...

Oi, Mauro!
Achei os seus comentários sobre o DVD Celebration bastante pertinentes, principalmente em relação aos clipes que estão ausentes da coletânea. Madonna resume, em pouco mais de 25 anos de carreira, o que existe de melhor na Pop Music. Celebration é mais uma prova de que Madonna É a Pop Music em pessoa! Parabéns por mais um ano de Blog e que venham muitos e muitos posts.

1 de novembro de 2009 12:55  
Anonymous Anônimo said...

'Music', o álbum, é de 2000.

1 de novembro de 2009 13:56  
Blogger Mauro Ferreira said...

Grato ao anônimo de 13:56 que me alertou sobre o erro na data de Music, já corrigido.
abs, MauroF

1 de novembro de 2009 19:49  
Blogger Vitor said...

Pra mim o ultimo album interessante de madonna foi Music, desde entao ela faz mais do mesmo, um disco mais chato q o outro. Agora é ironico o mauro criticar tanto a mariah e a propria madonna endeusada por ele resolveu seguir a formula q ela lançou ao agregar um rapper em sua musica...o mundo da voltas

1 de novembro de 2009 20:12  
Blogger Bruno Cavalcanti said...

Dizer que Madonna faz mais do mesmo depois de "Music" é, no mínimo, sinônimo de falta de conhecimento do trabalho desta mulher que, em pouco mais de 25 anos de carreira, reina soberana no trono Pop. Há clipes os quais a falta foi realmente sentida! "American Life" então é imperdoável. Para aqueles fãs que a acompanham mais de perto (como eu por exemplo, a falta de clipes como "Bad Girl" e "Fever" chega a ser indesculpável. Mas a coletânea é boa, é boa... mas poderia ser melhor.

1 de novembro de 2009 21:37  
Anonymous Anônimo said...

Engraçado,

pro álbum de inéditas da Mariah, que foi bem recebido pela crítica mundialmente, o Mauro dá duas estrelas. Já pra coletânea da Madonna, ele dá quatro, sendo que as duas inéditas de 'Celebration' são o cúmulo da mediocridade.

Decerto o 'Memoirs' é muito mais música que 'Revolver'. Mas, enfim...

1 de novembro de 2009 21:43  
Anonymous Leo said...

Madonna é um gênio da cultura pop. Crítica impecável Mauro. Mariah que me desculpe, mas rainhas se sobressaem até em coletâneas...hehe

1 de novembro de 2009 22:30  
Anonymous Anônimo said...

Será que só eu gosto de "American Life" (2003)??? ;)

2 de novembro de 2009 02:31  
Anonymous Anônimo said...

'Music',o álbum,de 2000 é maravilhoso.O meu preferido.Mas tudo da diva é bom.É a única que existe no topo do pop mundial.Boa resenha Mauro.Madonna nunca entrou em decadência.Esteve sempre lá em cima.

2 de novembro de 2009 10:24  
Anonymous Anônimo said...

Não. Eu gosto também. American Life é meu álbum preferido e o último sopro de vida inteligente na carreira de Madonna. Timbaland foi o fim, Lil'Wayne, então, nem se fala. Zero!

2 de novembro de 2009 10:35  
Blogger Vitor said...

A resposta é simples, o Mauro é fã da madonna e como todo fã da cinquentona ele odeia a mariah. isso ja ficou claro pra mim ha muito tempo, acompanho as resenhas do Mauro desde o jornal O dia em 2002 pelo menos quando mariah lançou o Charmbracelet. Sempre criticando gratuitamente a mariah e lambendo tudo q madonna faz. Alias, a critica que ele fez do cd da mariah no jornal é ainda pior do q a postada aqui no blog, dizendo que a formula da mariah de unir pop e rap está saturada, sendo q a propria mariah nem usou rappers nesse cd pela primeira vez em 12 anos, coisa q madonna resolveu fazer tb nos ultimos anos e todos acham o maximo, que ela ta se "reinventado", que a palavra que eles mais gostam de usar

2 de novembro de 2009 10:38  
Anonymous André Menezes said...

Oi Mauro!
Sim, Madonna é expoente maximo (talvez incalculável!) de um tempo que a hipocrisia-moralista da era Reagan (e afins...)pairava com o peso de 1000 toneladas sobre a sociedade em vigor. Madonna, junto com sua obra, disse que "NÃO, Existem outros caminhos". Acho que, além das genialidades pop's de suas musicas e videos, reside aí sua importancia.
Madonna está 'cansada'. Sua última tourné mostra isso claramente. Mas, e daí? Seu lugar no Panteão dos ícones imortais de nosso tempo já está lá. Grande Abraço!

2 de novembro de 2009 10:43  
Anonymous Anônimo said...

Madonna é Madonna! Clipes, músicas e turnês são ótimas. Ela pode dublar em algumas em seus shows, mas e Mariah? Cantava ao vivo na época do primeiro disco que é o melhor de todos. Hoje em dia ela só dubla, assim como Britney. Engraçado a Mariah dar aquela desculpa de ter ficado emocionada no funeral do Michael por causa da voz que não saiu. Madonna é única....depois dessa o Pop morre. A mesma coisa aqui. Depois de Caetano, Bethania, todos esses diamantes da MPB, o que será de nossa música? Fresno? Banda Cine? URGH URGH URGH....salve a rainha do Pop!!!

2 de novembro de 2009 11:54  
Anonymous fernando said...

Caro colunista, me permita uma observação: nunca houve clipe de Holiday. Abraço.

2 de novembro de 2009 13:09  
Blogger Bruno Cavalcanti said...

Fernando, houve sim um clipe de "Holiday" que foi exibido apenas nos EUA e, depois, foi renegado tanto pela Madonna quanto pela Warner (a produção era ainda mais amadora que a de "Everybody"). E sobre o caso Mariah x Madonna...

Madonna se reinventa, consegue fazer músicas que são ATEMPORAIS! Mariah fica presa a uma formula já batida. Particularmente não vejo NENHUMA diferença entre Mariah e Beyoncé.

A garota não se reinventa, não tem nada de novo, e sua voz é irritante. Madonna consegue fazer música pra dançar, cantar, algumas com letras despojadas, outras com letras densas (ouçam discos como "Ray of Light" e até no último, "Hard Candy", há faixas interessantes, feitas para se pensar).

Aqueles que afirmam que Mariah é melhor que Madonna REALMENTE não tem o MENOR senso crítico.

2 de novembro de 2009 14:54  
Blogger Athos said...

Mauro.

Vc resenhou como poucos em boas linhas e palavras a importância dessa coletãnea não só para a artista e vearias gerações ,mas sim para o cenário da música POP e assim ocidental.

Muito bem dito !

FV

3 de novembro de 2009 08:31  
Anonymous Jansen said...

Mauro, sua resenha não podia ser diferente... Madonna é uma Diva e esta coletânea é uma verdadeira celebração!!!!!! Digna dos melhores comentários mesmo!!!!! Ela é a verdadeira rainha POP... Não tem pra Michael Jackson nem p/ ninguém!!!!!!

4 de novembro de 2009 15:59  
Anonymous Anônimo said...

Só não entendi o comentário do Mauro em relação À Vogue ser o início de uma outra fase de Madonna quando ela já tinha usado de erotismo, mas o erotismo veio depois de Vogue, Erótica é de 1992, na mesma fase de Vogue, só houve Justify my love, esse sim foi o início do erotismo que só terminou em 1994 com o lançamento de Bedtime Stories. Ou eu entendi mal, algo na resenha não está batendo, eu estou louco, alguém explique por favor?!
Obrigado!!!

5 de novembro de 2009 20:06  

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