1 de novembro de 2009

Coletivo traz o fado de Amália para dias de hoje

Resenha de CD
Título: Amália Hoje
Artista: Hoje
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * 1/2

Dez anos após sua morte, Amália Rodrigues (1920 - 1999) voltou a liderar as paradas de Portugal. Não por conta de alguma coletânea de sucessos ou do filme de tom novelesco - Amália - lançado com pompa nos cinemas lusitanos. O responsável por reviver a aura da maior fadista foi um coletivo moderníssimo, Hoje, que agrega os cantores do duo The Gift (Nuno Gonçalves e Sónia Tavares), Paulo Praça (egresso da banda Plaza) e Fernando Ribeiro (Moonspell). O coletivo deu lufada de ar fresco no repertório tristonho da cantora e compositora em Amália Hoje, CD ainda inédito no Brasil que galgou rapidamente as paradas da Terrinha desde que foi lançado, em fins abril de 2009. O sucesso é justíssimo. O quarteto aborda o repertório associado a Amália de forma contemporânea. Músicas como Medo e Gaivota ganharam grandiosos arranjos orquestrais que os envolve em atmosfera épica sem prejuízo das melodias. Não há guitarras portuguesas. Não há devoção às tradições do fado, embora haja reverência a esse belo repertório embebido em melancolia. O grupo eventualmente até soa modernoso, como na releitura eletrônica de Formiga Bossa Nova - a pérola que Adriana Calcanhotto pescou ao juntar repertório para o primeiro álbum de seu heterônimo infantil Adriana Partimpim. Mas, no geral, quase tudo funciona em Amália Hoje, beirando o sublime no Fado Português, na supra-citada Gaivota e em Foi Deus. Este clássico de Alberto Janes é entoado num registro inicialmente sussurrante - feito sem o melodrama habitualmente conferido ao tema - que vai ganhando intensidade na medida em que a faixa avança. E é assim, situado entre a grandiosidade e a delicadeza (perceptível na ornamentação meio lúdica de L'Important C'est la Rose), que Hoje acerta ao trazer Amália para os dias de hoje. Ouça!

9 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Dez anos após sua morte, Amália Rodrigues (1920 - 1999) voltou a liderar as paradas de Portugal. Não por conta de alguma coletânea de sucessos ou do filme de tom novelesco - Amália - lançado com pompa nos cinemas lusitanos. O responsável por reviver a aura da maior fadista foi um coletivo moderníssimo, Hoje, que agrega os cantores do duo The Gift (Nuno Gonçalves e Sónia Tavares), Paulo Praça (egresso da banda Plaza) e Fernando Ribeiro (Moonspell). O coletivo deu lufada de ar fresco no repertório tristonho da cantora e compositora em Amália Hoje, CD ainda inédito no Brasil que galgou rapidamente as paradas da Terrinha desde que foi lançado, em fins abril de 2009. O sucesso é justíssimo. O quarteto aborda o repertório associado a Amália de forma contemporânea. Músicas como Medo e Gaivota ganharam grandiosos arranjos orquestrais que os envolve em atmosfera épica sem prejuízo das melodias. Não há guitarras portuguesas. Não há devoção às tradições do fado, embora haja reverência a esse belo repertório embebido em melancolia. O grupo eventualmente até soa modernoso, como na releitura eletrônica de Formiga Bossa Nova - a pérola que Adriana Calcanhotto pescou ao juntar repertório para o primeiro álbum de seu heterônimo infantil Adriana Partimpim. Mas, no geral, quase tudo funciona em Amália Hoje, beirando o sublime no Fado Português, na supra-citada Gaivota e em Foi Deus. Este clássico de Alberto Janes é entoado num registro inicialmente sussurrante - feito sem o melodrama habitualmente conferido ao tema - que vai ganhando intensidade na medida em que a faixa avança. E é assim, situado entre a grandiosidade e a delicadeza (perceptível no registro quase lúdico de L'Important C'est la Rose), que Hoje acerta ao trazer Amália para os dias de hoje. Ouça!

1 de novembro de 2009 00:04  
Blogger Mauro Ferreira said...

Aproveito o aniversário do blog e o post para agradecer ao lusitano Pedro Kapa, leitor de primeira hora de Notas Musicais, pelo envio generoso do disco Amália Hoje que possibilitou a postagem da resenha deste disco que tanto me encantou. Abs, obrigado, MauroF

1 de novembro de 2009 00:05  
Blogger Pedro k. said...

Mauro,

Obrigado Eu, pelo prazer de de ler seu blog.

Pedro k(apa).

1 de novembro de 2009 02:38  
Anonymous Anônimo said...

Que bom encontrar um review desse album num blog brasileiro! um bem haja a você Mauro por receber e críticar musicas de todo o mundo sem qualquer tipo de preconceito! :)

Já agora, existe uma colectânea nova da Amália (Coração Independente) que está em #3 em Portugal... ela ainda é muito amada por cá e o seu contributo (eu diria revolução) para o fado ainda hoje é sentido!

1 de novembro de 2009 13:43  
Blogger Carlos Lopes said...

Gosto do disco e vi o show no Coliseu de Lisboa. Ambos (show e cd) tiveram o efeito de levar Amália a um público jovem, e isso já é muito positivo.

A versão de Gaivota é magnífica!

1 de novembro de 2009 18:06  
Blogger Edu Guimarães said...

Lindo ouvir o Fernando Ribeiro, com toda sua experiência na cena Death Metal / Gótica cantando a bela "Grito"!

3 de novembro de 2009 13:46  
Anonymous Diogo ! said...

Não ouvi. Nem vi os filmes sobre Amália e sobre fados,do Saura. Pretendo!

Tenho ouvido muito fados nos últimos dias e fico feliz em ler posts do Mauro sobre a música feita na terrinha.

4 de novembro de 2009 16:10  
Anonymous Anônimo said...

Olá
"Coração Independente" é também o título das duas exposições sobre Amália Rodrigues que estão patentes no Museu da Eletricidade e no Museu Coleção Berardo, em Lisboa, com grande possibilidade de vir até ao Brasil no decorrer de 2010.Amália tem tudo a ver com o Brasil, aqui viveu, gravou o seu primeiro disco. E Olympias à parte, o Canecão foi o seu palco de excelência.Até o seu Coração, por ser Independente, é mais brasileiro do que português.
Mauro, parabéns pelo aniversário do seu blog, uma referência para os que apreciam boa música ou aprendem a olhar melhor para ela,graças a voce.
Abraço,
Eulalia
Capital- São Paulo

4 de novembro de 2009 21:47  
Blogger MAXXX said...

Poxa que bacana. Primeiro foi o belo filme "Fados" do Carlos Saura e agora esse "Amélia", que pelo trailer deve ser belíssimo. E só por saber que tem o dedo do pessoal do The Gift, ótima banda portuguesa, já fiquei bastante empolgado.

14 de novembro de 2009 23:00  

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