6 de julho de 2009

Diogo evolui em oscilante show de boa produção



Resenha de Show
Título: Tô Fazendo a Minha Parte
Artista: Diogo Nogueira (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Canecão (RJ)
Data: 5 de julho de 2009
Cotação: * * *
Na (imediata) sequência do lançamento de seu segundo álbum, Tô Fazendo a Minha Parte, Diogo Nogueira deu a partida no Canecão, no Rio de Janeiro (RJ), na turnê nacional de um novo show baseado no álbum. Tô Fazendo a Minha Parte é o show mais bem-produzido do artista. Trocas de figurinos - uma delas feita atrás do cenário, entre sombras, em momento a la Ney Matogrosso que eletriza o séquito feminino que acompanha as apresentações de Diogo - e cenários de Hélio Eichbauer (o painel do bloco inicial - com símbolos como a bola de futebol e a pipa - é o mais bonito) atestam o crescimento do filho de João Nogueira no mercado da música. Diogo faz sua parte, mostrando evolução cênica e jogando charme para suas fãs. Contudo, o deslocado bis em que Diogo tenta reproduzir o suingue único de Jorge Ben Jor na voz e na guitarra, emendando sucessos como Taj Mahal e Fio Maravilha, sinaliza que o show ainda precisa de ajustes no roteiro. Há ênfase excessiva no repertório do novo disco (leia a crítica do CD no post abaixo) e o fato é que esse repertório ainda é irregular.
O show começa bem. Há empolgação no bloco inicial, sobretudo em Fé em Deus - sucesso do disco anterior de Diogo - e em Tô te Querendo, destaque da safra de inéditas do CD Tô Fazendo a Minha Parte. Mas, por mais que o cantor esteja se apresentando com maior desenvoltura, nem sempre o pique é mantido em cena. E, por mais que Diogo esteja em evolução como cantor, fica difícil ouvir na sua voz um samba como Vazio (Está Faltando uma Coisa em mim) sem mentalizar o registro soberano de Roberto Ribeiro (1940-1996). É que, ao vivo, o canto de Diogo às vezes sai do tom.
No segundo bloco, que evoca o universo da Lapa (bairro carioca celebrizado pela atmosfera de samba e boemia), Diogo encarna o malandro com figurino impecável. A mudança de clima é sinalizada com o número de dança feito por Diogo com a bailarina que surge da platéia num interessante jogo de cena. A banda toca Homenagem ao Malandro (Chico Buarque) e Diogo baila pelo palco em momento Carlinhos de Jesus. E o próprio entra em cena instantes depois na continuidade do descontraído bloco - aliás, bem apropriado para a apresentação de Malandro É Malandro, Mané É Mané e de Sou Eu, o samba de Chico Buarque e Ivan Lins que evoca o universo das gafieiras. Na sequência, Lama das Ruas, parceria de Almir Guineto com Zeca Pagodinho, se torna infalível na hora do inspirado refrão (acompanhado em coro pelo público).
Findo o tributo à malandragem da Lapa, vem a pior parte do show. A sequência com sambas novos como Amor Imperfeito e Chegou o Amor chega a ser enfadonha porque eles não estão à altura do show. A inclusão de um clássico do pagode deixaria o roteiro mais azeitado e impediria a queda brusca do pique. Recuperado na sequência final com Água de Chuva no Mar, Cai no Samba e Portela na Avenida, número em que Carlinhos da Jesus volta à cena para encarnar o Mestre-Sala que baila e corteja a dançarina fantasiada de Porta-Bandeira. Enfim, um bom show, no todo. Mas ainda com acertos a serem feitos na parte que cabe ao roteirista...

15 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Na (imediata) sequência do lançamento de seu segundo álbum, Tô Fazendo a Minha Parte, Diogo Nogueira deu a partida no Canecão, no Rio de Janeiro (RJ), na turnê nacional de um novo show baseado no álbum. Tô Fazendo a Minha Parte é o show mais bem-produzido do artista. Trocas de figurinos - uma delas feita atrás do cenário, entre sombras, em momento a la Ney Matogrosso que eletriza o séquito feminino que acompanha as apresentações de Diogo - e cenários de Hélio Eichbauer (o painel do bloco inicial - com símbolos como a bola de futebol e a pipa - é o mais bonito) atestam o crescimento do filho de Diogo Nogueira no mercado da música. Diogo faz sua parte, mostrando evolução cênica e jogando charme para suas fãs. Contudo, o deslocado bis em que Diogo tenta reproduzir o suingue único de Jorge Ben Jor na voz e na guitarra, emendando sucessos como Taj Mahal e Fio Maravilha, sinaliza que o show ainda precisa de ajustes no roteiro. Há ênfase excessiva no repertório do novo disco (leia a crítica do CD no post abaixo) e o fato é que esse repertório ainda é irregular.
O show começa bem. Há empolgação no bloco inicial, sobretudo em Fé em Deus - sucesso do disco anterior de Diogo - e em Tô te Querendo, destaque da safra de inéditas do CD Tô Fazendo a Minha Parte. Mas, por mais que o cantor esteja se apresentando com maior desenvoltura, nem sempre o pique é mantido em cena. E, por mais que Diogo esteja em evolução como cantor, fica difícil ouvir na sua voz um samba como Vazio (Está Faltando uma Coisa em mim) sem mentalizar o registro soberano de Roberto Ribeiro (1940-1996). É que, ao vivo, o canto de Diogo às vezes sai do tom.
No segundo bloco, que evoca o universo da Lapa (bairro carioca celebrizado pela atmosfera de samba e boemia), Diogo encarna o malandro com figurino impecável. A mudança de clima é sinalizada com o número de dança feito por Diogo com a bailarina que surge da platéia num interessante jogo de cena. A banda toca Homenagem ao Malandro (Chico Buarque) e Diogo baila pelo palco em momento Carlinhos de Jesus. E o próprio entra em cena instantes depois na continuidade do descontraído bloco, aliás bem apropriado para a apresentação de Malandro É Malandro, Mané É Mané e de Sou Eu, o samba de Chico Buarque e Ivan Lins que evoca o universo das gafieiras. Na sequência, Lama das Ruas, parceria de Almir Guineto com Zeca Pagodinho, se torna infalível na hora do inspirado refrão (acompanhado em coro pelo público).
Findo o tributo à malandragem da Lapa, vem a pior parte do show. A sequência com sambas novos como Amor Imperfeito e Chegou o Amor chega a ser enfadonha porque eles não estão à altura do show. A inclusão de um clássico do pagode deixaria o roteiro mais azeitado e impediria a queda brusca do pique. Recuperado na sequência final com Água de Chuva no Mar, Cai no Samba e Portela na Avenida, número em que Carlinhos da Jesus volta à cena para encarnar o Mestre-Salba que baila com a dançarina fantasiada de Porta-Bandeira. Enfim, um bom show, no todo. Mas ainda com acertos a serem feitos na parte que cabe ao roteirista...

6 de julho de 2009 11:55  
Anonymous pedrão said...

Este cara é muito sensual.

6 de julho de 2009 13:04  
Anonymous fabio braga said...

Mauro, no fianl do seu texto está escrito: Mestra Salba, seria "Mestre Salla"?

6 de julho de 2009 14:12  
Blogger Edivaldo said...

muito alarde pra pouco artista.

Diogo Nogueira ainda é MUITO difícil de engolir.

6 de julho de 2009 14:13  
Blogger Mauro Ferreira said...

Grato, Fábio, por apontar o erro de digitação. Abs, MauroF

6 de julho de 2009 14:43  
Anonymous Anônimo said...

Não dura 10 anos...

6 de julho de 2009 18:37  
Anonymous Anônimo said...

Sai do tom mesmo, Mauro!
E voês dão muita asa pra ele. Muita mídia, muita produção e pouco talento

7 de julho de 2009 03:17  
Blogger Dido Borges said...

Salve Diogo!!!

7 de julho de 2009 09:39  
Anonymous Anônimo said...

Ele tem muito chão a percorrer. Espero que ele chegue onde chegou seu pai. O samba precisa de novos talentos ... E Diogo, apesar dos deslizes, tem tudo pra ser mais um grande sambista.

Luiz Leite - Belém/PA

8 de julho de 2009 09:50  
Blogger renatastortti said...

O cara é muito bom e está traçando o caminho dele. Certamente veio pra ficar.

9 de julho de 2009 08:16  
Blogger Jorge Reis said...

Branco no Samba sempre faz sucesso no Brasil, se tiver olho azul então... Mesmo que o pai tenha sido mulato....
Vou ouvir o CD e ver se esse moço me convence cantando, ainda que se pese a participação de CHICO BUARQUE...

10 de julho de 2009 17:07  
Anonymous Anônimo said...

Para fazer sucesso no samba tem cor de pele é ? Olha que isso aí é crime hein, rapaz ?

MILTON É DOS 3 MELHORES DA MPB 70.

EMÍLIO SANTIAGO É NOSSO MELHOR INTÉRPRETE MASCULINO.

CARTOLA E PIXINGUINHA SÃO OS MELHORES DA "CLÁSSICA" MPB.

TIM MAIA E JORGE BEN SÃO OS MELHORES DA "SOUL MUSIC BRAZUCA".

SAMBA ? MARTINHO, PAULINHO DA VIOLA, D. IVONE LARA, DUDU NOBRE, FUNDO DE QUINTAL, LECI...

Perdi alguma coisa ou é falta do que falar mesmo ? Música é SOM, tem nada a haver com cor de pele não, aliás, como NADA. Em boca fechada não entra mosca.

11 de julho de 2009 03:10  
Anonymous Anônimo said...

Música é SOM, tem nada a haver com cor de pele não, aliás, como NADA. Em boca fechada não entra mosca (2)

11 de julho de 2009 15:30  
Blogger Jorge Reis said...

CONTINUEM ALIENADOS E VEJAM O TRATAMENTO DADO A ZECA PAGODINHO E PAULINHO DA VIOLA, DANIELA MERCURY E MARGARETH MENEZES, BETH CARVALHO E DONA IVONE LARA, É SÓ COMPARAR É CLAROP QUE PARA TODA REGRA EXISTE EXCESSÃO(MILTON), E A MAIORIA DOS ARTISTAS RELACIONADOS VIVEM E SOBREVIVEM EM QUETOS, DIFICILMENTE RECEBERÃO O MARKETING DE UMA GRAVADORA MAJOR PARA ESTOURAR NACIONALMENTE.
JÁ PARARAM PARA PENSAR PORUQE A MADRINHA DO SAMBA PÉ RUIVA, A RAINHA DO AXÉ É BRANCA, E O MAIS NOVO PRINCIPE DO SAMBA TEM OS OLHOS AZUIS.
NÃO ESTOU FALANDO DE FALTA DE TALENTO, EM ALGUNS CASOS, MAS NO TRATAMENTO DIFERENCIADO DADO PELA MÍDIA AOS CANTORES NEGROS.
FALANDO EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA, ACHO QUE MANTENDO-A FECHADA NÃO NOS FAZEMOS ENTENDER...
DESCULPE SE FUI MAL INTERPRETADO...
ABRAÇOS!

12 de julho de 2009 09:34  
Anonymous Anônimo said...

Jorge, esquenta a cabeça não. EU entendi o recado. Só discordo é com relação à gravadora HOJE EM DIA "fazer" algum artista. Elas estão morimbundas. A Geração Ivete Sangalo foi a última. As próximas terão de provar talento mesmo.
E o Diogo, apesar dos olhos, nem tempo teve ainda. É muita gente julgando o rapaz antes do crime ou do heroísmo. Deixemos o barco correr que o tempo dirá.
Abraços.

12 de julho de 2009 11:23  

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