9 de dezembro de 2008

Martinho expõe vida, filosofia e samba em DVD

Resenha de DVD + CD
Título: O Pequeno Burguês
Artista: Martinho da Vila
Gravadora:
MZA Music

Cotação: * * * *

O show autobiográfico registrado por Martinho da Vila no DVD O Pequeno Burguês é - na exata definição dada em cena pelo próprio Martinho - uma "conversa musicada". A idéia foi contar ao público que o ouvia na platéia do Teatro Fecap (SP) - e, por extensão, ao espectador do DVD ora lançado pela MZA Music em edição dupla que engloba CD com 14 das 20 músicas do roteiro - um pouco da trajetória do compositor que completou 70 anos em 2008, dono de uma das obras mais vastas e pessoais da história do samba que, em alguns momentos, se confunde com a história do próprio Martinho. Apresentado num clima aconchegante, como se o palco do Teatro Fecap fosse a sala da casa do artista, o roteiro flui muito bem porque Martinho sabe entreter seu público com seus causos, porque o repertório é da melhor qualidade e porque a voz do cantor está em ótima forma. Tanto que Martinho abre o show cantando, a capella, músicas de cunho autobiográfico como Depois Não Sei, Linha do Ão e Meu Off Rio. Na seqüência, ele pega o pandeiro e recorda Menina Moça, o partido alto que causou sensação em 1967 ao ser apresentado em festival e que deu o pontapé inicial na carreira deste compositor que renovou o samba-enredo e o próprio partido alto, inserido no cotidiano da classe média brasileira pela voz de Martinho. À medida que músicos como o percussionista Ovídio Moreira e o cavaquinista Wanderson Martins vão entrando em cena, Martinho dá breves pinceladas de suas quatro décadas de sambas, modas e costumes. Lembra os grandes sambas-enredos que compôs para sua escola Unidos de Vila Isabel, revive alguns sucessos como Ex-Amor (solado pelo violão de Gabriel de Aquino) e, na parte final, aborda as conexões internacionais experimentadas nos álbuns editados pela gravadora MZA Music. De quebra, o compositor apresenta um delicioso samba inédito - Filosofia de Vida, uma parceria com Marcelinho Moreira e Fred Camacho que abre o CD e aparece nos extras do DVD - que sintetiza sua visão de mundo e sinaliza que Martinho da Vila nem precisa se escorar no seu passado de glória, pois ainda há inspiração para futuros sambas. A história continua.

10 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

O show autobiográfico registrado por Martinho da Vila no DVD O Pequeno Burguês é - na definição dada em cena pelo próprio Martinho - uma "conversa musicada". A idéia foi contar ao público que o ouvia na platéia do Teatro Fecap (SP) - e, por extensão, ao espectador do DVD ora lançado pela MZA Music em edição dupla que engloba CD com 14 das 20 músicas do roteiro - um pouco da trajetória do compositor que completou 70 anos em 2008, dono de uma das obras mais vastas e pessoais da história do samba que, em alguns momentos, se confunde com a história do próprio Martinho. Apresentado num clima aconchegante, como se o palco do Teatro Fecap fosse a sala da casa do artista, o roteiro flui muito bem porque Martinho sabe entreter seu público com seus causos, porque o repertório é da melhor qualidade e porque a voz do cantor está em ótima forma. Tanto que Martinho abre o show cantando, a capella, músicas de cunho autobiográfico como Depois Não Sei, Linha do Ão e Meu Off Rio. Na seqüência, ele pega o pandeiro e recorda Menina Moça, o partido alto que causou sensação em 1967 ao ser apresentado em festival e que deu o pontapé inicial na carreira deste compositor que renovou o samba-enredo e o próprio partido alto, inserido no cotidiano da classe média brasileira pela voz de Martinho. À medida que músicos como o percussionista Ovídio Moreira e o cavaquinista Wanderson Martins vão entrando em cena, Martinho dá breves pinceladas de suas quatro décadas de sambas, modas e costumes. Lembra os grandes sambas-enredos que compôs para sua escola Unidos de Vila Isabel, revive alguns sucessos como Ex-Amor (solado pelo violão de Gabriel de Aquino) e, na parte final, aborda as conexões internacionais experimentadas nos álbuns editados pela gravadora MZA Music. De quebra, o compositor apresenta um delicioso samba inédito - Filosofia de Vida, uma parceria com Marcelinho Moreira e Fred Camacho que abre o CD e aparece nos extras do DVD - que sintetiza sua visão de mundo e sinaliza que Martinho da Vila nem precisa se escorar no seu passado de glória, pois ainda há inspiração para futuros sambas. A história continua.

9 de dezembro de 2008 11:00  
Anonymous Anônimo said...

Esse vai virar presente de Natal. Mas o Martinho precisa esquecer esses discos feitos só para ganhar Grammy Latino (os últimos da MZA que mistura francês, espanhol e português). Só gosto do Brasilatinidade ao vivo, o resto eu prefiro nem lembrar!
Gostei mais ainda da informação de Meu off Rio lançado no MARAVILHOSO cd de 94, Ao Rio de Janeiro. Na minha opinião um dos grandes últimos discos feitos por ele.
E espero que tenha os grandes sambas da Vila Isabel que ele fez: Pra tudo se acabar na quarta-feira (84), Quatro Séculos de Modas e Costumes (68), Gbala, viagem ao templo da criação(93), Raízes (87), Sonho de um sonho (80), Iaiá do Cais Dourado (69) etc. Tem muito samba bom tanto na Vila quanto na Aprendizes da Boca do Mato. Grande abraço,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

9 de dezembro de 2008 11:45  
Anonymous Anônimo said...

Só foi eu reclamar no tópico do Roberto! Obrigado Mauro!

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

E que saudades quando enumerei os sambas-enredos do Martinho! E pensar que os ídolos do gênero hoje em dia estão a mercê dos escritórios do samba e cada vez mais bitolados nas sinopses dos carnavalescos (alguns profissionais nem tão brilhantes). Outros tempos, infelizmente!

9 de dezembro de 2008 11:47  
Anonymous Anônimo said...

Que coisa boa : um senhor de 70 anos em pleno frescor, produzindo, criando, sendo ele mesmo.
Blz pura !

9 de dezembro de 2008 11:48  
Anonymous Anônimo said...

O samba que mais gosto do Martinho é o "Onde o Brasil aprendeu a liberdade", não sei bem o porquê disso. :>)

PS: Marcelo, tem essa música num cd da Beth chamado "Pérolas, 25 anos de samba".
Esse disco só tem clássicos, discaço, óbvio que deve ter.

Ahhhhhhh, não esqueça o novo do Nelson Sargento, mas pode esquecer o disco de sambas-enrredo, cara.
Vc ainda liga pra isso?!?!?!

Jose Henrique

9 de dezembro de 2008 15:15  
Anonymous Anônimo said...

Tenho esse cd Zé! Eu esqueci desse clássico do Martinho que canta em dueto com a Beth.
E quanto ao cd dos sambas-enredo eu espero a crítica do Mauro até mesmo para saber se tivemos as mesmas impressões. Eu já até os decorei (fora os do Acesso: Lesga e Rio de Janeiro I)! E nesse ano estarei mais uma vez defendendo o pavilhão da minha verde, branca e ouro da Leopoldina. Abraços,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

PS: Ainda mais que a minha escola prestará uma homenagem ao meu bairro, ao Grupo Fundo de Quintal e aos 50 anos de Imperatriz (e no contexto do Bairro a Beth, o Fundo e o Cacique tiveram papéis fundamentais na sua divulgação). Aliás, ela não me escapará! Minha ala ficará bem próxima ao carro que eles desfilarão. 2009 na Marquês de Sapucaí PROMETE!!! rsrsrs

9 de dezembro de 2008 19:16  
Anonymous Anônimo said...

Martinho é Mestre, acima do bem e do mal. Pode gravar qualquer coisa que eu tô comprando. Pode gravar até em tailandês que eu decoro.

9 de dezembro de 2008 20:13  
Anonymous Anônimo said...

Já decorou? ehehehehee
O último disco de sambas-enrredo que ouvi e gostei muito foi o de 1988(o centenário da abolição).
Era adolescente, putz, quase todos os sambas eram bons, bem diferente de hoje.
"O negro samba, o negro joga capoeira, ele é o rei na verde e rosa da mangueira"
Muito bom!
Mas para ser rei mesmo tem que cantar samba na universidade, como cantou lindamente o genial Candeia
na não clássica "Dia de Graça".

PS: Cuidado para não se descontrolar e "atacar" a Beth na hora do desfile.
Cuidado para não tirar ponto da escola, meu irmão! :>)

Um abraço

Jose Henrique

10 de dezembro de 2008 00:54  
Anonymous Anônimo said...

Nada Zé! Eu não suporto esse tipo de atitude de fã. Beira a escrotidão. Só quero tirar outras fotos.
Mas você não deixa de ter razão, os anos 80 foram férteis no gênero, hoje em dia, é tudo massificado. Mas se servir de consolo esse ano terá a reedição do belo samba do Império: A Lenda das Sereias do Mar (76) que a Marisa Monte registrou no seu cd MM. Abs,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

10 de dezembro de 2008 10:19  
Anonymous Anônimo said...

Põe belo nisso!
E a versão da Marisa da Monte é linda também.

PS: Em jornal daqui de Recife hoje, o Dvd do Martinho foi capa do caderno cultural, grandes elogios.

Jose Henrique

10 de dezembro de 2008 14:51  

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