12 de agosto de 2007

Clara expõe meandros do amor em CD delicado

Resenha de CD
Título: Cassiopéia
Artista: Clara Sandroni
Gravadora: Independente
Cotação: * * * *

Sem lançar disco solo desde 1989, Clara Sandroni volta à cena com um de seus mais belos trabalhos. Batizado com o nome de sedutora canção de Silvio Rodriguez, expoente da já veterana Nueva Trueva Cubana, Cassiopéia reitera a capacidade da artista de transitar com rara inteligência pelas vias alternativas da música brasileira. O time de compositores reunidos no CD - Luiz Tatit, Mathilda Kovak, Carlos Fuchs, Paulo Baiano - já dá a pista do tom deste álbum de delicada e minimalista sonoridade que expõe nuances e meandros do amor em todas suas formas. A delicadeza está em (fina) sintonia com o espírito de canções como Louco por Você, de Ivan Zigg, e Brinde à Solidão, pérola melancólica extraída do álbum Fossa Nova, de Marcos Sacramento e Carlos Fuchs - a propósito, produtor do CD.

Cassiopéia não rima apenas amor com dor. Como seu título já entrega, Amor É Sacanagem (Luis Capucho) realça a face carnal da paixão. Mary Sheley (de Mathilda Kovak) também traça sem romantismo o perfil do homem idealizado. "Cansei desse seu gênio poeta / O meu negócio agora é atleta", avisa a autora, mordaz, na voz elegante de Clara. Entre valsa (High and Low, de Paulo Baiano com a mesma Mathilda Kovak) e samba (Sempre te Amei, de Paulo Malaguti), Clara revitaliza um clássico batido como Paula e Bebeto (sobretudo por conta da participação contagiante do grupo vocal Equale), rebobina um Chico Buarque menos óbvio (Uma Palavra), une vozes com o Arranco de Varsóvia na sensível balada Música e entoa graciosa canção em francês (Parlez Moi D'Amour, composta em 1926 por Jean Lenoir e gravada por Lucienne Boyer). Enfim, é um lindo disco que, com toda sua delicadeza e precisão de sons e timbres, mostra o sobe- e- desce da gangorra emocional em que vivem os apaixonados. E, bem lá no alto, repousa este bem-vindo trabalho solo de Clara Sandroni. Há vida inteligente na MP do B...

5 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Boa nova! Clara é uma das boas cantoras brasileiras que merecem ser conhecidas por um público mais amplo (que goste de MPB, claro), como, por exemplo, Jussara Silveira e Ná Ozzetti, para ficar em dois exemplos de sua geração. Clara sempre uniu bom repertório, competência vocal e sensibilidade musical, desde seu 1º disco solo, lá no começo dos anos 80.

12 de agosto de 2007 20:37  
Anonymous Anônimo said...

quem vai distribuir este disco fora do rio?

13 de agosto de 2007 04:51  
Anonymous Denilson said...

Mauro,

Que felicidade ler sua crônica sobre a Clara Sandroni. Recebi o disco dela há alguns dias e pensei logo que você iria gostar...

Você falou tudo e belissimamente sobre o disco, um dos mais belos que escutei nos últimos tempos.

Faltou só dizer os autores da linda balada "Música" (Maria Olívia / Ivanilson /Valdomiro) e que na música "Parlez Moi D'Amour" ela faz dueto com sua mãe, Laura Sandroni.

A Clara vai gravar o programa "Conversa Afinada" por esses dias, para quem quiser conhecer melhor o trabalho dela.

O site dela é www.clarasandroni.com.br, onde pode-se consultar a agenda de lançamento do disco, que é independente.

Mauro, abração e parabéns

Denilson

13 de agosto de 2007 10:14  
Anonymous Anônimo said...

A resenha do CD ficou tão boa e sensível quanto o CD e a cantora!!!

13 de agosto de 2007 11:25  
Anonymous Anônimo said...

Clara é uma das figuras que mereciam brilhar mais no cenário da mpb.
Sua voz não é de fácil assimilação, mas assim como a voz de Olívia Bygton, é uma voz coerente com seu repertório. Ao mesmo tempo um disco novo de Clara e um novo de Olívia é um respiro. Ambas tem mais tempo de carreira ques por exemplo, Roberta Sá tem de idade. Que bom que Roberta Sá é nova, tem um bom disco, e é fruto de um programa no perfil do Fama.
O nosso grande problema é que as rádios abertas, mesmo as que tocam MPB, não são abertas o suficiente para deixar essas cantoras subirem para as listas dos dez mais.
Ivete, mesmo contra o gosto de alguns, canta bem. Assim como Maria Rita e Marisa Monte. Mas, nesse universo paralelo que é a mpb feminina há muitas vozes que merecem brilhar no dia. E, Clara, com certeza é uma dessaa.
Vamos todos pedir em nossas rádios prediletas para Olívia, Roberta e Clara tocarem no rádio.
Parafraseando o ministro Gil : essas são para tocarem no rádio, para os queridos ouvintes do interior e das capitais.

Anônimo das 16h05

14 de agosto de 2007 16:05  

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