4 de julho de 2008

Trovador Solitário exuma pré-história de Russo

A morte precoce de Renato Russo (1960 - 1996), aos 36 anos, em outubro de 1996, acentuou o caráter mítico de sua música e personalidade. Além de ter provocado, desde então, a exumação periódica e contínua de sua obra. Com lançamento agendado para 13 de julho, Dia Mundial do Rock, o CD O Trovador Solitário vem se juntar a uma série de lançamentos póstumos que já inclui O Último Solo (1997), Presente (2003), o tributo Renato Russo - Uma Celebração (2005) e o DVD Entrevistas MTV (2006). Contudo, de todos os títulos póstumos, O Trovador Solitário é o que tem maior valor histórico e documental por revelar inéditas gravações acústicas registradas por Russo em fita cassete, em 1982, entre o fim da banda Aborto Elétrico (1978 - 1982) e a formação da Legião Urbana (1982 - 1996). Encontradas em Brasília (DF) pela irmã do cantor, Carmen Manfredini, as fitas foram digitalizadas sob a supervisão do pesquisador musical Marcelo Fróes - que administra o acervo de Russo com aval da família do artista - para edição em CD por seu selo Discobertas, que é distribuído pela gravadora carioca Coqueiro Verde. O disco reproduz fotos, desenhos e manuscritos de Russo no farto encarte.
Com 11 faixas, o disco apresenta registros de aura lendária, a rigor muito mais falados do que propriamente ouvidos. E nem poderia ser diferente, já que as poucas cópias da fita circularam somente entre os amigos mais próximos de Russo quando ele morava em Brasília e vivia toda a agitação roqueira da Capital Federal. Ao sair do Aborto Elétrico, Russo encarnou durante algum tempo a figura do Trovador Solitário em palcos brasilienses. Com sua voz e seu violão, ele cantava, em estilo folk, adaptações de músicas do repertório punk do Aborto Elétrico e apresentava temas que ainda seriam conhecidos em todo o Brasil ao serem incorporados ao cancioneiro da Legião - criada logo depois destes shows solitários.
Das músicas do CD O Trovador Solitário, duas permaneceram inéditas na voz de Russo. Trata-se de Veraneio Vascaína e de Anúncio de Refrigerante - hits undergrounds do Aborto Elétrico que foram parar em álbuns do Capital Inicial, em 1986 e em 2005, respectivamente. Outras duas, Dado Viciado (que nada alude a Dado Villa-Lobos, embora seu título faça supor o contrário) e Marcianos Invandem a Terra, acabaram lançadas em Uma Outra Estação (1997), o primeiro disco póstumo da Legião Urbana. Para legionários órfãos, a propósito, o álbum permite conhecer sucessos do grupo em suas versões iniciais. Eduardo e Mônica, Eu Sei (que então se chamava 18 e 21), Geração Coca-Cola e Faroeste Caboclo aparecem no disco sob a ótica solitária do sedutor trovador, então uma espécie de Bob Dylan do Cerrado.
Completam o disco Boomerang Blues - música que já aparecia no CD Presente (2003) e que fora lançada pelo Barão Vermelho - e, como bônus, demo de Que País É Este? (de 1978) e o cover ao vivo de Summertime (George e Ira Gershwin) feito por Russo em 1984 com Cida Moreira, cantora que iniciou sua carreira em Brasília. O Trovador Solitário exuma a pré-história de Renato Russo. Ao cair nas mãos de Jorge Davidson, então diretor artístico da gravadora EMI-Odeon, a fita com essas gravações de 1982 faria brotar o interesse do executivo pelo trovador. E aí, então, iniciou-se uma das mais bem-sucedidas Histórias do rock made in Brasil...

11 Comments:

Anonymous Anônimo said...

olha, sei que visam o lucro, mas confesso que tô morto de vontade de ouvir esse disco, é o começo de tudo, é um momento específico da carreira do renato. esse disco me parece que tem um sentido histórico, não é sobra de material

4 de julho de 2008 às 12:46  
Anonymous Anônimo said...

Renato Russo já deve ter mais discos póstumos do que em vida.
Como diria o Patu Fu: A necrofilia da arte tem adeptos em toda parte.

Jose Henrique

4 de julho de 2008 às 14:24  
Anonymous Anônimo said...

Esse disco tem umas gravações que circulam por aí desde muito tempo... É o Renato gravando as músicas sozinho, como se fosse num programa de rádio (por isso dá pra encontrar o disco para download por aí com o título "Rádio Brasília"). Mas na net a qualidade está horrososa. O negócio é esperar o lançamento em CD pra poder curtir melhor.

Mas já adianto, a versão do Renato sozinho pra "Anúncio De Refrigerantes" é bem melhor que a do Capital!

É necrofilia da arte, mas certamente vai emocionar muita gente.
E há maneiras bem piores de se jogar dinheiro fora!

5 de julho de 2008 às 01:36  
Anonymous Anônimo said...

"Exuma", Mauro ?
Me poupe !

5 de julho de 2008 às 02:22  
Blogger Jael Soares said...

Sim, Renato Russo tem mais CD's solos póstumos do que em vida. Ele gravou apenas dois solos (Equilíbrio Distante e The Stonewall Concert Cellebration). E o que tem o c* a ver com as calças?

Se eles lançam, por causa do lucro, é porque vende e Renato ainda não morreu musicalmente. E se a gravadora ou a família dele tem coisas inéditas têm mais que vender mesmo. Outra: se o Pato Fu levasse a sério tudo o que diz, a Fernanda Takai não teria desinterrado Nara Leão!

Uma coisa que eu acho ruim é dar mais de 20 reais num CD com 11 faixas... É lasca. Mas fazer o quê?!

5 de julho de 2008 às 03:47  
Anonymous Anônimo said...

No site da Americanas tá 19,90. E Renato Russo eu pago até 100 por um cd com 5 músicas. É o único artista/banda que tenho tudo original. Quando a banda é boa, vale a pena.

8 de julho de 2008 às 16:08  
Blogger Pedro Progresso said...

Acho esses cd's póstumos interessantes só pras pessoas que sentem orgulho em ter decorad ofaroeste caoclo (e querem insistentemente mostrar esse dom em todos os lugares).

9 de julho de 2008 às 11:22  
Anonymous Anônimo said...

Na boa? Renato Russo está morto, sim... musicalmente também, claro. (Afinal, onde estão os filhos da Legião Urbana? Quais são as bandas influenciadas por eles?) O problema é o que todos os críticos de música popular já escreveram zilhões de vezes: aqui, as coisas simplesmente não terminam. Embora o país não faça questão nenhuma de manter a sua história, quando o assunto é música popular, a atitude é outra. E aí, dá-lhe "novos" discos de Roberto Carlos (argh!) a cada fim de ano, "novos" discos ao vivo do show do disco do show, "novos" discos da Legião tocando a mesma meia-dúzia de canções de sempre... e que vão ser sempre a mesma meia-dúzia, já que o cara morreu e a banda não seguiu em frente sem ele. Parece Joy Division, que tem n discos ao vivo lançados, com um repertório ainda menor. A única coisa que nos salva de uma enxurrada de discos da Legião é que eles não fizeram tantos shows assim, graças a Deus. Caso contrário, estaríamos esperando "ansiosamente" pelo 3º box de 10 CDs "Legião ao Vivo... Para Sempre". Teria sido tão mais fácil - e honesto - simplesmente lançar um CD final duplo ou triplo com todas as inéditas, mas é mais lucrativo lançar milhares de coletâneas com uma ou duas inéditas; o galho é que hoje em dia, todo mundo baixa da internet, mas apesar disso eles insistem.

12 de julho de 2008 às 02:18  
Anonymous Anônimo said...

e meudeusdocéu! desde quando a Cida Moreira iniciou sua carreira em Brasília???!!!

14 de julho de 2008 às 15:24  
Blogger Samuel said...

mais de 20 reais ?

voce pagou quanto no cd ?

eu paguei 19,90 nas lojas americanas

16 de julho de 2008 às 12:10  
Anonymous Anônimo said...

ola galera!!!concordo com o cara ai que falou sobre a pirataria!!eu tenho tudos os cds da banda e do Renato,eu acho o seguinte!!se o material é bom ,se as músicas são boas tem que ter o produto original simmmm.e se tratando de Legião tudo vem ser lançado é muito bacana para os fãs ter!!1

22 de novembro de 2009 às 08:55  

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