1 de junho de 2010

Zé, às vezes, consegue ser rei ao cantar Jackson

Resenha de CD
Título: Zé Ramalho Canta
Jackson do Pandeiro
Artista: Zé Ramalho
Gravadora: Discobertas
Cotação: * * * 1/2

O disco Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro é uma coletânea que corteja o status de álbum por apresentar seis gravações inéditas entre seus 12 fonogramas. Rei do ritmo na Nação Nordestina, Jackson do Pandeiro (1919 - 1982) foi mestre no manejo do pandeiro e nas divisões com que encarava xaxados, cocos e xotes. Paraibano como Jackson, Ramalho nunca teve tal traquejo vocal, mas tem intimidade com o repertório e descende da linhagem nobre dos cantadores nordestinos. E é, aliás, como cantador que ele faz seu Lamento Cego (Jackson do Pandeiro e Nivaldo S. Lima), abrindo o disco com certa melancolia e sem a efervescência rítmica que se espera de um tributo a Jackson. A propósito, Lamento Cego é uma das quatro gravações produzidas em março de 2010 para a compilação ao lado de Quadro Negro, (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro), Cabeça Feita (Sebastião Batista da Silva e Jackson do Pandeiro) e Lá Vai a Boiada (Manoel Pedro e Jackson do Pandeiro). Destaque do lote de 2010, Lá Vai a Boiada fecha o disco em tom igualmente lamentoso, remetendo ao aboio contido em Admirável Gado Novo, o maior hit de Ramalho.

Característica primordial do cancioneiro arretado de Jackson, a tal efervescência rítmica começa a saltar aos ouvidos no Forró de Surubim (José Batista e Antonio Barros) - faixa em que figura o acordeom soberano de Dominguinhos - e no Forró da Gafieira (Rosil Cavalcanti). Feitas no Rio de Janeiro (RJ) em 2005, ambas as gravações eram até então inéditas em disco. São dois registros corretos, mas que não roçam a pulsação de fonogramas mais antigos como O Canto da Ema (Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale), produzido por José Milton em 1994 para João Batista Vale, tributo ao compositor maranhense de clássicos como Peba na Pimenta. A ema geme na gravação que contou com o acordeom e o arranjo de Sivuca (1930 - 2006). Já no medley que junta os hits Sebastiana (Rosil Cavalcanti), Um a Um (Edgard Ferreira) e Chiclete com Banana (Gordurinha e Almira Castilho) - gravado em 1992 para Brasil Nordeste, quarto volume da série Academia Brasileira de Música - é a sanfona de Genaro que comanda a festa, entrosada com a viola tocada pelo próprio Zé Ramalho. Chiclete com Banana, aliás, fica ainda mais saboroso no registro feito por Ramalho em 2002 para disco do sanfoneiro Waldonys. Completam o repertório Ele Disse (Edgard Ferreira), Casaca de Couro (Rui de Moraes e Silva) e Cantiga do Sapo (Buco do Pandeiro e Jackson do Pandeiro) em gravações feitas em 2000, 1999 e 2003, respectivamente. Enfim, Zé Ramalho não é um rei do ritmo como Jackson do Pandeiro, mas encara com desenvoltura o repertório do mestre por também ocupar lugar de honra na Nação Nordestina. E, por vezes, consegue até ser rei ao cantar Jackson...

3 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

O disco Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro é uma coletânea que corteja o status de álbum por apresentar seis gravações inéditas entre seus 12 fonogramas. Rei do ritmo na Nação Nordestina, Jackson do Pandeiro (1919 - 1982) foi mestre no manejo do pandeiro e nas divisões com que encarava xaxados, cocos e xotes. Paraibano como Jackson, Ramalho nunca teve tal traquejo vocal, mas tem intimidade com o repertório e descende da linhagem nobre dos cantadores nordestinos. E é, aliás, como cantador que ele faz seu Lamento Cego (Jackson do Pandeiro e Nivaldo S. Lima), abrindo o disco com certa melancolia e sem a efervescência rítmica que se espera de um tributo a Jackson. A propósito, Lamento Cego é uma das quatro gravações produzidas em março de 2010 para a compilação ao lado de Quadro Negro, (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro), Cabeça Feita (Sebastião Batista da Silva e Jackson do Pandeiro) e Lá Vai a Boiada (Manoel Pedro e Jackson do Pandeiro). Destaque do lote de 2010, Lá Vai a Boiada fecha o disco em tom igualmente lamentoso, remetendo ao aboio contido em Admirável Gado Novo, o maior hit de Ramalho.

Característica primordial do cancioneiro arretado de Jackson, a tal efervescência rítmica começa a saltar aos ouvidos no Forró de Surubim (José Batista e Antonio Barros) - faixa em que figura o acordeom soberano de Dominguinhos - e no Forró da Gafieira (Rosil Cavalcanti). Feitas no Rio de Janeiro (RJ) em 2005, ambas as gravações eram até então inéditas em disco. São dois registros corretos, mas que não roçam a pulsação de fonogramas mais antigos como O Canto da Ema (Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale), produzido por José Milton em 1994 para João Batista Vale, tributo ao compositor maranhense de clássicos como Peba na Pimenta. A ema geme na gravação que contou com o acordeom e o arranjo de Sivuca (1930 - 2006). Já no medley que junta os hits Sebastiana (Rosil Cavalcanti), Um a Um (Edgard Ferreira) e Chiclete com Banana (Gordurinha e Almira Castilho) - gravado em 1992 para Brasil Nordeste, quarto volume da série Academia Brasileira de Música - é a sanfona de Genaro que comanda a festa, entrosada com a viola tocada pelo próprio Zé Ramalho. Chiclete com Banana, aliás, fica ainda mais saboroso no registro feito por Ramalho em 2002 para disco do sanfoneiro Waldonys. Completam o repertório Ele Disse (Edgard Ferreira), Casaca de Couro (Rui de Moraes e Silva) e Cantiga do Sapo (Buco do Pandeiro e Jackson do Pandeiro) em gravações feitas em 2000, 1994 e 2003, respectivamente. Enfim, Zé Ramalho não é um rei do ritmo como Jackson do Pandeiro, mas encara com desenvoltura o repertório do mestre por também ocupar lugar de honra na Nação Nordestina. E, por vezes, consegue até ser rei ao cantar Jackson...

1 de junho de 2010 21:25  
Blogger Geraldo said...

Casaca de Couro não é 1994, mas do cd produzido por José Milton em homenagem a Jackson do Pandeiro. Este disco foi lançado no final dos anos 90.

1 de junho de 2010 23:32  
Blogger Mauro Ferreira said...

Tem razão, Geraldo, só que a ficha técnica do disco informa que o registro é de 1994/1999. Por isso, escrevi 1994. Mas ponderei e concluí que vale mesmo o ano de lançamento.
abs, MauroF

2 de junho de 2010 09:25  

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