4 de agosto de 2009

Talk-show 'trash' acentua aura 'kitsch' de Perla

Resenha de Show
Título: Terças Musicais Light
Artista: Perla (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Teatro do Centro Cultural Light
Data: 4 de agosto de 2009
Cotação: * *

Era para ser um show, mas, a rigor, foi quase um talk-show. Entre um número e outro, Perla contou várias histórias, afagou o ego do público e terminou falando mais do que cantando. Mas nada pareceu importar para a platéia que fez fila no Centro Cultural Light para assistir à bissexta apresentação da cantora no Rio de Janeiro (RJ), feita às 12h30m desta terça-feira, 4 de agosto de 2009, dentro do projeto Terças Musicais Light. A aura kitsch que cerca Perla - "a mais brasileira das cantoras paraguaias", como sintetizou a fala dita em off pelo locutor que apresentou o show - foi acentuada pelo caráter de sua apresentação. A rigor, quase amador. Se a voz ainda está em boa forma (como comprovaram as notas prolongadas de maneira exibicionista em Galopeira e em Cucurucucu Paloma), a produção deixou a desejar. Um simplório teclado (daqueles utilizados por músicos de barzinhos) e uma guitarra eram os únicos instrumentos em cena. Mas nada pareceu importar, repita-se. Na primeira fila, uma senhora debulhou-se em lágrimas enquanto Perla cantava seu hit Fernando, a versão do homônimo sucesso do grupo sueco ABBA que lhe deu projeção nos anos 70. Outras senhoras foram até a beira do palco beijar a mão de Perla e tirar foto com a artista. Que incentivou a interação calorosa (e excessiva) entre público e a cantora. A ponto de um senhor que acabara de comprar o CD de Perla posto à venda na porta do teatro, Minhas Preferidas, ter sido convidado a subir ao palco para ganhar um beijo de sua musa. Na hora de Pequenina (versão de outro hit do ABBA, Chiquitita), foi a vez de Perla chamar uma mulher que trazia sua filha ao colo. Ao pegar e acarinhar a menina nos braços, Perla parou momentaneamente de cantar enquanto continuou a tocar a gravação de Pequenina, evidenciando o uso do playback. Nada pareceu importar, diga-se mais uma vez. Entre bolero (La Distancia), clássico paraguaio (Índia, entoada em castelhano) e canção de Peninha (Sonhos, com direito a caras e bocas), Perla rememorou seu encontro com Roberto Carlos, saudou a mãe já octagenária, lembrou do pai já falecido e se entendeu com seu público em (talk-)show de tom trash. Até um globo espelhado despencou do cenário no palco, atrás da cantora. Mas nada pareceu importar para quem estava ali para reverenciar Perla, "a mais brasileira das cantoras paraguaias".

32 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Era para ser um show, mas, a rigor, foi quase um talk-show. Entre um número e outro, Perla contou várias histórias, afagou o ego do público e terminou falando mais do que cantando. Mas nada pareceu importar para a platéia que fez fila no Centro Cultural Light para assistir à bissexta apresentação da cantora no Rio de Janeiro (RJ), feita às 12h30m desta terça-feira, 4 de agosto de 2009, dentro do projeto Terças Musicais Light. A aura kitsch que cerca Perla - "a mais brasileira das cantoras paraguaias", como sintetizou a fala dita em off pelo locutor que apresentou o show - foi acentuada pelo caráter de sua apresentação. A rigor, quase amador. Se a voz ainda está em boa forma (como comprovaram as notas prolongadas de maneira exibicionista em Galopeira e em Cucurucucu Paloma), a produção deixou a desejar. Um simplório teclado (daqueles utilizados por músicos de barzinhos) e uma guitarra eram os únicos instrumentos em cena. Mas nada pareceu importar, repita-se. Na primeira fila, uma senhora debulhou-se em lágrimas enquanto Perla cantava seu hit Fernando, a versão do homônimo sucesso do grupo sueco ABBA que lhe deu projeção nos anos 70. Outras senhoras foram até a beira do palco beijar a mão de Perla e tirar foto com a artista. Que incentivou a interação calorosa (e excessiva) entre público e a cantora. A ponto de um senhor que acabara de comprar o CD de Perla posto à venda na porta do teatro, Minhas Preferidas, ter sido convidado a subir ao palco para ganhar um beijo de sua musa. Na hora de Pequenina (versão de outro hit do ABBA, Chiquitita), foi a vez de Perla chamar uma mulher que trazia sua filha ao colo. Ao pegar e acarinhar a menina nos braços, Perla parou momentaneamente de cantar enquanto continuou a tocar a gravação de Pequenina, evidenciando o uso do playback. Nada pareceu importar, diga-se mais uma vez. Entre bolero (La Distancia), clássico paraguaio (Índia, entoada em castelhano) e canção de Peninha (Sonhos, com direito a caras e bocas), Perla rememorou seu encontro com Roberto Carlos, saudou a mãe já octagenária, lembrou do pai já falecido e se entendeu com seu público em (talk-)show de tom trash. Até um globo espelhado despencou do cenário no palco, atrás da cantora. Mas nada pareceu importar para quem estava ali para reverenciar Perla, "a mais brasileira das cantoras paraguaias".

4 de agosto de 2009 16:04  
Anonymous Anônimo said...

Que tosquera manera...
Vai ter mais shows dela?

4 de agosto de 2009 16:51  
Anonymous Anônimo said...

Gosto muito de Perla e fico feliz com uma resenha a seu respeito neste blog. Aguardo lançamento de CD novo.
Eu só imagino os comentários que surgirão aqui sobre sua música, pois sendo ela enquadrada como brega e este blog visitado principalmente pelos "elitistas da música", já sou capaz de prever o que virá.
Mas sei que Perla num tá nem aí. Continua bonita e cantando bem.

4 de agosto de 2009 17:04  
Anonymous Anônimo said...

Seu melhor texto!!! Alegrou meu dia.

4 de agosto de 2009 17:53  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, fostes assistir isso aí ?
Tu és profissional mesmo.

4 de agosto de 2009 18:03  
Anonymous lu inácio said...

ah, maurinho, deve ter sido foférrimo.
adoro este aparide kitch...desde que assisti aos primeiros filmes do almodovar. longe de ser brega, de mau gosto, o kitch é caliente, aconchegante, lilá, uterino, fala aos sentidos.

será que virá a são paulo???

4 de agosto de 2009 18:13  
Anonymous Anônimo said...

Eu aprendi a gostar do ABBA, mas já tô velho para aprender a gostar da Perla. SEM CHANCE.

Anônimo, o elitista (apesar do ABBA).

4 de agosto de 2009 18:20  
Anonymous Anônimo said...

Deve ter sido quase um programa humorístico... Deve ter sido o MÁXIMO!!!!

4 de agosto de 2009 18:33  
Anonymous Anônimo said...

Hahahaha! Um dos melhores textos do ano!!!

Inspiradíssimo!!!

4 de agosto de 2009 19:30  
Anonymous Diogo ! said...

Que engraçado, pois ontem mesmo ela esteve no quadro " Top Five " -do Programa 'CQC '- e comentei com meu irmão que ela continua com uma impressionante extensão vocal. E é sim " a mais brasileira das cantoras paraguaias " além de referência para a (hoje) globalizada Shakira.


Nota 10 para essa sua resenha Mauro. E que saudades das minha idas ao Centro Cultural Light!.


PS : Quando você diz " a platéia que fez fila " significa que o teatro estava lotado ?


Um abraço a todos!
Diogo Santos

4 de agosto de 2009 20:06  
Anonymous Anônimo said...

Nossa esse deve ter sido memorável. Adoraria ter estado lá também. Já imaginaram aquele suiço que está gravando (agora) um filme sobre a Nana - (G Gachot) - assistindo? Ele ficaria impressionadíssimo!!! Meus sais!

4 de agosto de 2009 21:51  
Anonymous Anônimo said...

Texto maravilhoso,rico em detalhes!
Adorei!Ainda bem que não fui.Deus me livre,não tenho condições emocionais para ver e ouvir o que vc tão bem mostrou aqui.Mauro,vc merece centavo que ganha!Parabéns!

4 de agosto de 2009 22:26  
Anonymous Anônimo said...

Mauro,duas estrelas?
Uma estrela estava ótimo! E Ponto!

4 de agosto de 2009 22:32  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, é impressão minha mas "trash", "kitsch" são subterfúgios para disfarçar a "essência" da crítica ?

5 de agosto de 2009 00:31  
Anonymous Anônimo said...

A-D-O-R-O!

Saudade de Perla, de suas longas madeixas (teriam inspirado Bethânia?!), saudade da descontração, dos arroubos, dos amores expressos, os beijos molhados, as cartas rasgadas...
La Passion!!!

Onde foram parar essas deusas, Senhor? Em tempos de mulheres-frutas ainda há espaço para mulheres-abajur-lilás.

Maravilhosa!!!

5 de agosto de 2009 09:28  
Anonymous Anônimo said...

Mano Freire disse..

Sinceramente sou daqueles que vive enfurnado na tal MPB. Mas as vezes dá vontade de sair de casa para ver gente como Perla e Lady Zu. Sabe o motivo? As vezes é insuportável se repetir com Marisa Monte, Zélia Duncan e Adriana Calcanhoto, só para ilustrar. Então, para que preconceito com a senhora Perla. Ela sempre foi cult. Cantou em circo, boate, teartro, casa de shows de A a Z. Tem gente para tudo. Se hoje na minha cidade tivesse no mesmo horário Ana Carolina e Perla. Ia ao show da segunda. E pronto.
Ora ele já rola há mais de 35 anos, sem enrolar. E chega ao povão sem frescuras. Eno show dela os fãs não ficam posando , fazendo caras e bocas de pseudointelectuais. Quando vejo isso no público de Calcanhoto, fico pra vomitar...

5 de agosto de 2009 09:54  
Anonymous Anônimo said...

A maioria diz que não gosta de Perla. Acho que é uma coisa meio mascarada. Afinal, se não gostam deixem para os que gostam.
Adoro Perla. Amo sua música. E sei que muita gente gosta. Já são 35 anos de carreira em um pais que não o de sua naturalidade. Se isso acontece é porque muita gente adora. Viva a MPB! Viva a mais brasileira das paraguaias! Viva Perla!

5 de agosto de 2009 20:51  
Blogger Luanda said...

eu menina,só queria aqueles cabelos...adorava!
beijos gerais,
luanda!

5 de agosto de 2009 22:14  
Anonymous Bruna said...

Você realmente foi a só um show deste belíssimo projeto e não têm noção do que esta falando,
este projeto já acontece há quase 3 anos todas as terças, já passaram quase todos os artistas do cenário musical.
E porque você incomodou com um duo acompanhando a Perla?
Engraçado que artistas como Moraes Moreira, Leoni se apresentaram com voz e violão.
Outros como Banda Celebrare, Dudu Nobre, Alcione e muitos levaram sua banda completa.
Qual a diferença entre estes artistas e a Perla?
Se o Caetano Velozo tivesse contado suas histórias ele seria Cult e a Perla é Trash ?
Você é um ridículo, o show foi lindo e você só viu o que você quis ver!!!

5 de agosto de 2009 23:46  
Anonymous Karla said...

Bom, cada um com sua opinião... Mas fiquei impressionada com sua crítica. Tenho 19 anos, confesso que quase não conheço as músicas da Perla, mas o show foi maravilhoso! Também não entendi o que há de errado com as histórias dela.O público ADORA conhecer melhor o artista... E sinceramente, você foi muito infeliz com o comentário sobre a produção. Você não vê que pode prejudicar um projeto que já teve centenas de apresentações de artistas consagrados? E ainda por cima que doa toda a sua renda para a instituição Viva Cazuza.
Acho que você deveria refletir melhor sobre o que escreveu..

Minha avó e a amiga dela que estão em todos os shows adoraram e tenho que certeza que a maioria das que estavam lá também. O globo parecia um efeito no meio daquilo tudo...

5 de agosto de 2009 23:50  
Anonymous Anônimo said...

"o globo parecia um efeito..." DEIXA PRA LÁ.

6 de agosto de 2009 12:22  
Anonymous Anônimo said...

Quando caiu então foi efeito especial ?
Ai, ai, tá divertido isso aqui.

6 de agosto de 2009 12:55  
Anonymous Anônimo said...

A Perla é demais!
Maravilha!

6 de agosto de 2009 14:50  
Anonymous Anônimo said...

Perla inspirando a Bethânia??
Ah, dá licença!
E uma coisa é ver o Moraes Moreira tocando violão (e ele é BOM mesmo no violão), ou o Leoni (também ótimo), mas a Perla com tecladinho (ou seu mais atual similar, o midi) e playback... incomoda sim, principalmente pra quem saber ver a apresentação como um todo.
Parabéns, Mauro, pelo texto muito bem escrito (a ironia e o bom humor foram surpresas providenciais) e pelo HEROÍSMO de assistir a esse show, em nome da arte!!!

7 de agosto de 2009 09:10  
Anonymous Anônimo said...

Violão, tecladinho e guitarra, compra-se em qualquer loja de instrumento musical, o que não se acha por aí é o vozeirão e o cantar dessa simpática cantora.
Esse povo que está criticando a paraguaia deve ser o mesmo povo que vai aos shows da Perla carioca.

7 de agosto de 2009 15:09  
Blogger RITA DE CÁSSIA said...

O brega de hoje é um cult de amanhã. Quem sabe daqui a uns 30 anos as Bandas de Axé, Calipso e similares serão cultuadas por "intelectuais"?.

(Será que o nome da Perlla funkeira foi inspirado na Perla paraguaia?)rs.

8 de agosto de 2009 09:24  
Blogger CeliMárcio said...

Perla é mais que uma cantora.
É ícone, e deve ser tratada (e respeitada) como tal, em detrimento de nosso "gosto intelectualizado"...
Gostei de saber que ela está na ativa, pois ela embalou muito minha infância e adolescência.

Estamos mesmo muito capacitados pra falar em trash e kitsch hoje em dia...

8 de agosto de 2009 23:29  
Anonymous Anônimo said...

Sinceramente não entendo a forma como Perla foi tratada aqui neste conceituado blog. Até entendo que ela, como qualquer pessoa, não consiga agradar a todos mas digo que a todos aos que ela agrada, consegue agradar muito.
Não é qualquer artista que consegue prender o público com baixa produção. Com apenas um teclado e uma guitarra. Lembro de um show que assisti de Guilherme Arantes onde ele estava apenas com teclado (neste caso não tinha nem a guitarra) mas com sua capacidade conseguiu prender o público por quase 2 horas. Lembro também de Belchior apenas com 1 violão que também prendeu a platéia por quase 2 horas. Talvez cantores bastante cultuados por grande parte dos que frequentam este blog não sejam capazes de segurar uma platéia com pouca produção de palco.
Respeitem Perla. Ela merece!!!

10 de agosto de 2009 17:55  
Anonymous Anônimo said...

Perla foi descoberta no proprio Rio de Janeiro pela critica nata da época em 1975, nada menos do que Nelson Rodrigues que estava na casa Bigode Do Meu Tio e viu a india Perla cantando e profetizou: Esta india paraguaya vai ior alem das fronteiras do Brazil e Paraguay. Ele tinha razao, Perla é hoje um nome consagrado em todos os paises de lingua espana. Pena que as gravadoras atuais nao dao cobertura a esta fantastica historia de sucesso que já chega aos 40 anos de Brasil. O Rio de Janeiro deve agradecer por Perla ter se apresentado aí, pois Perla no inicio de carreira viveu 18 anos no rio de janeiro, morava no Leblon. Foi uma das maiores vendedoras de discos da RCA (hoje sony/bmg). Parabens aos contratantes e Parabens a verdadeira Perla!!!

22 de agosto de 2009 17:34  
Blogger Rodrigo De said...

Perla faz parte de um numero pequeno de artistas que nem precisa de banda, tamanho sua força no palco, tanto de carisma e voz....comparo a angela roro, fafa de belem, alcione,maria alcina, jair rodrigues, simonal ..nao precisa estar tudo certinho no palco..ela sabe transformar qquer problema no palco numa atraçao a parte....Ja vi show dela com banda, festival e playback

Parabens aos contratents q foram contra o preconceito da engessada e velha tradicional mpb!

23 de agosto de 2009 04:19  
Blogger João said...

Que pena! ainda existem críticos como vc! Sr Mauro, estou atrasado nesse comentário mas vale lembrar que pessoas como vc não deveriam ter um espaço aberto em qualquer veículo de comunicação, afinal detonar com um artista assim não é nada cultural...
Perla hj já esta fora da mídia, apenas está fora dos grandes veículos de comunicação, mas procura em qualquer loja de cds ou mesmo nessas lojas que ainda vedem vinil,não existe nada nas prateleiras da Perla, pq vende... o povo ainda conhece a Perla o povo gosta, eu tenho 23 anos e sou fã dela desde que me entendo por gente... sucesso pra vc! e tome cuidado com o que escreve pra fazer bonito para os outros vc não precisa pisar em ninguém... certo a idade chegará pra vc tambem e o que hj lhe parece legal amanhã será ridiculo tambem!!!

11 de janeiro de 2011 13:26  
Blogger Medinho said...

Perla dispensa co menários, sua voz, sua beleza, já basta

12 de março de 2013 21:57  

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