2 de maio de 2009

Ataulfo 100 Anos: a cadência original do bamba

Morto há 40 anos, em 20 de abril de 1969, em decorrência de complicações originadas de uma úlcera, Ataulfo Alves completaria 100 anos neste sábado, 2 de maio de 2009. Algumas páginas de sua obra autoral - Na Cadência do Samba, Mulata Assanhada e, claro, Ai... que Saudades da Amélia! - já são suficientes para garantir ao compositor um lugar de honra na história do samba. Contudo, o fato é que o cancioneiro de Ataulfo Alves - a rigor, de todo ainda bem pouco conhecido pelas novas gerações - extrapola o samba. Mineiro de Miraí, pacata cidade interiorana que evocou em temas nostálgicos como Meus Tempos de Criança e Saudades da Professorinha, Ataulfo - impregnado da cadência ruralista das Geraes - se aventurou também por outros ritmos no ofício da composição, iniciado por ele ainda nos anos 20. Com maestria, ele fez inclusive as inevitáveis incursões pelo universo do samba-canção, garantindo sucessos para cantores-medalhões de sua época com Orlando Silva (Errei, Erramos) e Dalva de Oliveira (Errei Sim). Dentro da cadência do samba mais tradicional, Ataulfo soube imprimir grife de marca pessoal. Muitos de seus sambas têm levada ligeiramente mais lenta - influência provável da música mineira - sem tangenciar os contornos típicos do samba-canção. Enfim, um estilista dos finos. Que merecia ser mais lembrado pela indústria fonográfica no ano de seu centenário de nascimento. A cadência do samba de Ataulfo foi muito original.

12 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Morto há 30 anos, em 20 de abril de 1969, em decorrência de complicações originadas de uma úlcera, Ataulfo Alves completaria 100 anos neste sábado, 2 de maio de 2009. Algumas páginas de sua obra autoral - Na Cadência do Samba, Mulata Assanhada e, claro, Ai... que Saudades da Amélia! - já são suficientes para garantir ao compositor um lugar de honra na história do samba. Contudo, o fato é que o cancioneiro de Ataulfo Alves - a rigor, de todo ainda bem pouco conhecido pelas novas gerações - extrapola o samba. Mineiro de Miraí, pacata cidade interiorana que evocou em temas nostálgicos como Meus Tempos de Criança e Saudades da Professorinha, Ataulfo - impregnado da cadência ruralista das Geraes - se aventurou também por outros ritmos no ofício da composição, iniciado por ele ainda nos anos 20. Com maestria, ele fez inclusive as inevitáveis incursões pelo universo do samba-canção, garantindo sucessos para cantores-medalhões de sua época com Orlando Silva (Errei, Erramos) e Dalva de Oliveira (Errei Sim). Dentro da cadência do samba mais tradicional, Ataulfo soube imprimir grife de marca pessoal. Muitos de seus sambas têm levada ligeiramente mais lenta - influência provável da música mineira - sem tangenciar os contornos típicos do samba-canção. Enfim, um estilista dos finos. Que merecia ser mais lembrado pela indústria fonográfica no ano de seu centenário de nascimento. A cadência do samba de Ataulfo foi muito original.

2 de maio de 2009 17:54  
Anonymous Anônimo said...

Noite Ilustrada cantando Ataulfo é o que há.


Jose Henrique

2 de maio de 2009 17:56  
Blogger Janio Alcantara said...

(Mauro, "Morto há 40 anos...")

Recomendo irem atrás de conhecerem as versões do grande Itamar Assumpção para 20 músicas de Ataulfo. Mesmo sendo vanguarda, Itamar respeitou cada melodia original, embora os arranjos sejam fantasticamente itamarianos.
Disco tem o seguinte título: ATAULFO ALVES POR ITAMAR ASSUMPÇÃO -PRÁ SEMPRE AGORA. É de 1996, selo Paradoxx.

2 de maio de 2009 19:22  
Anonymous Diogo ! said...

Mauro, se me permite ...

Nunca fui bom em matemática mas se Ataulfo morreu em 1969 então são 40 anos de saudades e não 30 anos. Certo ?

2 de maio de 2009 19:31  
Anonymous Anônimo said...

Ataulfo não teve em vida a atenção merecida em detrimento a Cartola, Nelson Cavaquinho ou Ismael Silva.
Muito bamba, não ?
É sempre tempo de consertar os erros do passado e fazer desta data um "feriado musical" deste bamba do samba e melodias ricas seja para "bambar" seja para amar.
Viva Ataulfo. "Ai que saudade de Ataulfo".

2 de maio de 2009 19:33  
Anonymous Anônimo said...

Janio tem razão. Um bamba a serviço de outro. A Modernidade a serviço da Tradição e sem briga, só beleza. Um discaço!

2 de maio de 2009 20:57  
Blogger Mauro Ferreira said...

Grato pela observação matemática, Jânio e Diogo. Obrigado.

2 de maio de 2009 21:04  
Anonymous Anônimo said...

Nunca entendi o ostracismo pelo qual tem passado a obra de Ataulfo.
Ouço este senhor desde minha infância. Meu pai sempre teve o bom gosto de reverenciá-lo.

3 de maio de 2009 02:08  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, "Meu tempo de criança" e "Saudade da Professorinha" são as mesmas música. A única diferença é que a primeira opção é o nome correto da música.

3 de maio de 2009 03:09  
Anonymous Anônimo said...

Ataulfo é um mestre.Li na sua coluna que vem um disco em sua homenagem com vários artistas.Estou esperando pra comprar.Nos avise por favor,pois não conheço muito bem a obra do grande mestre.Conheço as músicas mais famosas.Acho que o CD sai pela Lua Discos.

4 de maio de 2009 00:50  
Anonymous Paulo Assis said...

Ataulfo é um injustiçado. A geração atual de músicos e cantores está em dívida com ele. Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Ismael Silva e Zé Ketti são muito mais regravados do que Ataulfo, que não fica devendo em nada a ele. Aqui em Minas mesmo só ouvi um especial sobre o Ataulfo na rádio Inconfidência mesmo. De resto passou em branco.

4 de maio de 2009 10:48  
Anonymous Thais Matatazzo said...

Boa tarde, gostei muito de ler o post sobre o Ataulfo, tb sou amante da boa música brasileira, uma amiga me indicou o blog por causa de uma crítica sobre um Cd da Dolores Duran. Parabéns! Tb tenho um blof onde tento resgatar um pouco da memória da nossa música da velha guarda e seus artistas. Um abraço

6 de maio de 2009 14:25  

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