5 de fevereiro de 2009

Alceu se orienta pela leveza ao recriar 'lados B'

Resenha de CD
Título: Ciranda Mourisca
Artista: Alceu Valença
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Na contramão da eletricidade que pontua boa parte de sua vivaz discografia áurea, Alceu Valença se orienta pela leveza acústica ao recriar lados B de sua obra em Ciranda Mourisca, CD que marca sua estréia na gravadora Biscoito Fino. A idéia de dar um sotaque oriental às releituras para realçar afinidades entre as músicas árabe e nordestina resulta clara somente em poucas faixas como Deusa da Noite (Dia Branco), tema do primeiro álbum solo de Alceu, Molhado de Suor (1974), cuja música-título também entra na ciranda mourisca do artista. Tampouco o disco se pauta realmente pelo universo rítmico das cirandas, "aboios litorâneos, música de beira de praia", como conceitua Alceu no texto enviado aos jornalistas como o disco. Contudo, por mais que seu conceito se revele frouxo, Ciranda Mourisca se revela firme porque há afinidades poéticas e irmandades musicais entre as 12 composições selecionadas. Jóias que jaziam no baú de Alceu - à espera de uma segunda chance. Ciranda Mourisca dá a músicas como Chuva de Cajus (do álbum Estação da Luz, de 1985), Íris (de Leque Moleque, de 1987) e Pétalas (de Maracatu, Batuques e Ladeiras, de 1994) a oportunidade de serem (re)descobertas pelos fãs do cantor - único público-alvo deste disco que provavelmente não vai tocar em rádios e trilhas de novelas. Todos os lados B revividos estão à altura dos lados A da discografia do artista, que, ao produzir e arranjar o disco na função de diretor musical, priorizou os violões nas orquestrações pautadas por uma suavidade que desarticula a vivacidade pop detectada em grande parte da obra fonográfica do cantor. No entanto, tal leveza é ideal para realçar as referências poéticas e cinematográficas que se espraiam nos versos de músicas como Maracajá (outra do álbum Maracatu, Batuques e Ladeiras). As regravações são diferentes dos ótimos registros originais, mas reeditam o padrão de qualidade de Alceu, que somente não havia gravado a Ciranda da Rosa Vermelha (tema folclórico já usado por ele, a rigor, como citação em faixa do disco Sol e Chuva, de 1997). Enfim, Ciranda Mourisca preserva a integridade da discografia de Alceu Valença. Não é o álbum de inéditas que seu público espera, mas tampouco patina no terreno movediço das regravações inócuas que aniquilam a maioria dos discos atuais. Elétrico ou acústico, Alceu Valença não costuma morrer na praia.

5 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Na contramão da eletricidade que pontua boa parte de sua vivaz discografia áurea, Alceu Valença se orienta pela leveza acústica ao recriar lados B de sua obra em Ciranda Mourisca, CD que marca sua estréia na gravadora Biscoito Fino. A idéia de dar um sotaque oriental às releituras para realçar afinidades entre as músicas árabe e nordestina resulta clara somente em poucas faixas como Deusa da Noite (Dia Branco), tema do primeiro álbum solo de Alceu, Molhado de Suor (1974), cuja música-título também entra na ciranda mourisca do artista. Tampouco o disco se pauta realmente pelo universo rítmico das cirandas, "aboios litorâneos, música de beira de praia", como conceitua Alceu no texto enviado aos jornalistas como o disco. Contudo, por mais que seu conceito se revele frouxo, Ciranda Mourisca se revela firme porque há afinidades poéticas e irmandades musicais entre as 12 composições selecionadas. Jóias que jaziam no baú de Alceu - à espera de uma segunda chance. Ciranda Mourisca dá a músicas como Chuva de Cajus (do álbum Estação da Luz, de 1985), Íris (de Leque Moleque, de 1987) e Pétalas (de Maracatu, Batuques e Ladeiras, de 1994) a oportunidade de serem (re)descobertas pelos fãs do cantor - único público-alvo deste disco que provavelmente não vai tocar em rádios e trilhas de novelas. Todos os lados B revividos estão à altura dos lados A da discografia do artista, que, ao produzir e arranjar o disco na função de diretor musical, priorizou os violões nas orquestrações pautadas por uma suavidade que desarticula a vivacidade pop detectada em grande parte da obra fonográfica do cantor. No entanto, tal leveza é ideal para realçar as referências poéticas e cinematográficas que se espraiam nos versos de músicas como Maracajá (outra do álbum Maracatu, Batuques e Ladeiras). As regravações são diferentes dos ótimos registros originais, mas reeditam o padrão de qualidade de Alceu, que somente não havia gravado a Ciranda da Rosa Vermelha (tema folclórico já usado por ele, a rigor, como citação em faixa do disco Sol e Chuva, de 1997). Enfim, Ciranda Mourisca preserva a integridade da discografia de Alceu Valença. Não é o álbum de inéditas que seu público espera, mas tampouco patina no terreno movediço das regravações inócuas que aniquilam a maioria dos discos atuais. Elétrico ou acústico, Alceu Valença não costuma morrer na praia.

5 de fevereiro de 2009 20:20  
Anonymous OLIVEIRA said...

Já disse o que tinha de dizer. A diferença é que já ouvi e É UMA BELEZA. CADA FAIXA/REGRAVAÇÃO É UMA NOVA PÉROLA REDESCOBERTA. PARECEM NOVAS AS CANÇÕES. ALGUMAS ATÉ CONSEGUIRAM FICAR MELHORES.

VIVA ALCEU.

5 de fevereiro de 2009 20:23  
Anonymous Anônimo said...

Emanuel Andrade disse

Alceu é muito bom, conheço seu trabalho, desde o imensurável Espelho Cristalino. É um poeta apaixonado pelo que faz. Bom músico. Só precisa deixar de ser chato nos shows e para com os fãs.

PS. Mauro ou alguém sabe dizer se os discos Cinco Sentidos e Mágico já saíram em CD?

6 de fevereiro de 2009 00:25  
Anonymous Eduardo Caffaro said...

Comprei faz dois dias e não parei de ouvir. Está muito bonito, leve, tranquilo, um CD que deixa qualquer ambiente agradável. Eu sempre gostei das versões originais, e Alceu conseguiu dar novos ares a todas elas. Eu tb procuro saber se os albuns: Mágico e Anjo Avesso foram lançados em CD. São dois grandes albuns que eu tenho só em vinil.

Eduardo Cáffaro - abc

6 de fevereiro de 2009 10:38  
Anonymous OLIVEIRA said...

Eduardo e Emanuel: "neca de pitibiribis". Nem "Anjo Avesso"; nem "Mágico"; nem "Cinco Sentidos".
Da Ariola/Barclay/Polygram - atual Universal - só "Coração Bobo"; "Ao Vivo (em Montreux)" e "Cavalo de Pau" - e este último já virou raridade: relançado uma única vez; só em sebo.
Abraços.

6 de fevereiro de 2009 19:42  

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