12 de dezembro de 2006

Roberto Carlos reafirma convicções em duetos

Resenha de CD / DVD
Título: Duetos
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Sony BMG
Cotação: * *

A rigor uma coletânea de gravações antigas, todas extraídas dos encontros promovidos por Roberto Carlos com astros da MPB em programas natalinos, Duetos remonta o painel conservador da obra do artista em colagem que soa estranha até pelas diferenças técnicas entre registros recentes (como o emotivo duo feito com Ivete Sangalo em 2004 na canção Se Eu Não te Amasse Tanto Assim) e antigos, caso do pot-pourri de hits de Elvis Presley gravado com o amigo Erasmo Carlos em 1977 (com direito a figurinos espalhafatosos!!).

Há encontros que mereciam de fato um registro duradouro em DVD. O dueto de 1978 com Tom Jobim em Lígia - em que Roberto se surpreende quando o maestro e compositor entoa versos da letra menos conhecida da canção - é um deles. Em contrapartida, a seleção do dueto de Maria Bethânia - Amiga, de 1982 - foi infeliz. Bethânia já tinha participado dos especiais do cantor com músicas bem mais interessantes, como Fera Ferida, revivida em 1993, ano em que dedicou um disco às canções de Roberto e Erasmo Carlos. Seja como for, o clipe (kitsch) de Amiga entrou somente no DVD.

Roberto Carlos sempre convidou para seus programas artistas que estavam em especial evidência no ano da gravação. É por isso que Caetano Veloso recordou sua Alegria, Alegria em 1992, o ano da minissérie Anos Rebeldes, cuja abertura era apresentada ao som do tema do compositor baiano. Do mesmo jeito, o hino Coração de Estudante foi interpretado por Roberto no especial de 1985 - com os auxílios luxuosos dos vocais de Milton Nascimento (então em boa forma) e do piano de Wagner Tiso - no rastro da comoção popular causada pela eleição, agonia e morte de Tancredo Neves.

Infelizmente, os arranjos padronizados dos especiais do Rei são capazes de descaracterizar músicas como Mucuripe (com Fagner, em 1991). São orquestrações muito mais adequadas para o tom breganejo de Se Você Quer (com Fafá de Belém, em 1991) e para a sensualidade familiar de Desabafo (com Ângela Maria, em 1995). Escapam da uniformização a moda de viola O Rei do Gado (com Almir Sater e Sérgio Reis, 1996) e o soul Além de Horizonte (com Jota Quest em arranjo de pegada roqueira, 2005). Mas o que dizer do pot-pourri cantado com Rosana em 1988???!!! Era dispensável.

Em essência, Duetos reafirma convicções musicais e ideológicas de Roberto Carlos. Se a consciência ecológica brota na enjoativa Amazônia (com Chitãozinho & Xororó, 1991), o fiel romantismo norteia Sua Estupidez (com cordas e a voz de Gal Costa, 1997) e Ternura (com Wanderléa, 1991). Já a eterna exaltação da Jovem Guarda é feita em Jovens Tardes de Domingo (com os colegas do movimento, 1995). Enfim, cânones de Rei sempre conservador...

19 Comments:

Anonymous Anônimo said...

MARIA BETHANIA FICOU DE FORA DO CD POR 2 MOTIVOS: O DUETO ESCOLHIDO PELO PUBLICO JA FOI EDITADO EM DISCO E NO DVD ENTRA COMO APELO COMERCIAL EXCLUSIVO DO MESMO.

12 de dezembro de 2006 11:45  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, vc acha q se o dvd for sucesso de vendas, a gravadora fará outros volumes??
abs

12 de dezembro de 2006 14:58  
Anonymous Anônimo said...

O Roberto Carlos me dá angústia.

12 de dezembro de 2006 16:23  
Anonymous Anônimo said...

Só faltou o dueto com Daniela Mercury! Cantaram juntos numa maravilhosa gravação que assisto até hoje! Infelizmente, o Rei "não anda bem das pernas" (desculpem o trocadilho) em vendas e acabou por incluir o péssimo dueto com Ivete Sangalo. Cantora que, na minha opinião, é um fenômeno de vendas sim, mas sem nenhuma qualidade! Entretanto está no topo das paradas e até Roberto quer pongar nesse sucesso.
Lamentável!

12 de dezembro de 2006 21:28  
Anonymous Anônimo said...

Não deixa de ser decepcionante a escolha dos duetos... Roberto Carlos dividiu uma bela versão de "O Que Será" com Chico Buarque e com Bethânia ela gravou, só para a TV, uma versão de "Desabafo" - que nunca ganhou registro fonográfico - que é histórica... Por que não incluir esse encontro? Sei que Angela Maria está cantando a mesma canção com o Rei, mas a versão de Bethânia é de arrepiar...

13 de dezembro de 2006 14:56  
Blogger Alex Abreu said...

Eu não entendo é essa pegação no pé da cantora Rosana. Fiquei muito feliz em saber que a sua participação (então no auge do "Amor e o Poder") foi lembrada, sobretudo porque para mim foi mesmo uma das melhores apresentações de convidados no especial do Rei (achei muito feliz o "diálogo" que ambos travam em clássicos como "Olha", "Proposta" e "Outra Vez"; aqui realmente a orquestra do rei saiu do tom burocrático que costuma imprimir nos duos).

Enfim, um belo encontro de dois grandes intérpretes que não tem pudores em cantar as "coisas do amor". E após rever esse duo, fica a pergunta de como o Brasil se dá ao luxo de dispensar uma intérprete do quilate da Rosana...

13 de dezembro de 2006 16:50  
Anonymous Anônimo said...

como lamentei a exclusão de desabafo com ele e bethania. a cara da época. bethânia num figurino mais anos 70 impossível. o rei carinhooso e sedutor, como sempre. quem viu não esqueceu.

13 de dezembro de 2006 16:55  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, eu respeito muito sua opinião, ainda não assisti ao DVD mas fiquei em dúvida, o encontro de Bethânia e Roberto cantando Amiga é um em Roberto interpreta um garçon que encontra uma amiga, Bethânia, e vão para um bar? Se é esse número, só posso falar uma coisa, é lindísssimo, maravilhoso, os dois estão arrasando, cantando lindo e interpretando divinamente.

13 de dezembro de 2006 22:24  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, só vendo (ouvindo) pra crer no belo dueto com a Ivete Sangalo nesta música. A melô é CHATÍSSIMA, metida a qualquer coisa e a Ivete tentando cantar "MPB" é do nível da Sandy tentando levar um blues. A gente não sabe se é pra rir ou pra chorar (eu mesmo reajo nestas cenas de acordo com meu estado de espírito no dia). Robertão aprecia uma mulher bonita, claro, e neste sentido se justifica o dueto (duelo?) com a baiana que, neste quesito, está bem servida, sim senhor.

13 de dezembro de 2006 23:15  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, só vendo (ouvindo) pra crer no belo dueto com a Ivete Sangalo nesta música. A melô é CHATÍSSIMA, metida a qualquer coisa e a Ivete tentando cantar "MPB" é do nível da Sandy tentando levar um blues. A gente não sabe se é pra rir ou pra chorar (eu mesmo reajo nestas cenas de acordo com meu estado de espírito no dia). Robertão aprecia uma mulher bonita, claro, e neste sentido se justifica o dueto (duelo?) com a baiana que, neste quesito, está bem servida, sim senhor.

13 de dezembro de 2006 23:15  
Anonymous Anônimo said...

Alex Abreu, não sei como esse assunto da Rosana entrou aqui, mas para quem pega no pé da cantora, recomendo ouvir a interpretação de 'Sabe Você', que está no songbook do Carlinhos Lyra. É uma grata surpresa.
No violão, Roberto Menescal.

14 de dezembro de 2006 12:42  
Anonymous Anônimo said...

Rosana cantando qualquer coisa é fake, jeca, brega. So sorry.
Esta canção da Ivete é o ó: pretensiosa, redundante, babaca e a gata tentando interpretar faz gemer a mumia do Ramses II.
Roberto, artista genial, escolheu mal estes duetos.
Minha modestíssima opinião.

15 de dezembro de 2006 10:02  
Blogger Alex Abreu said...

Oi Luc, o tema Rosana entrou aqui porque o próprio Mauro a cita nesta resenha como um mal momento do DVD, como de quebra 99,99% dos críticos. É sair um songbook, um "Casa da Bossa" da vida e pronto, lá vão todos os críticos detacar a participação da Rosana como o mal momento do projeto (não deve ser à toa que ela está alijada das gravadoras, com essa "força" que os críticos lhe dão...).

Mas Luc, dentre as participações nos songbooks do Almir Chediak, para mim a mais impressionante é a do Dorival Caymmi, em que ela canta "Tão Só". Comedida na interpretação (sem o acento "soul over" que a muitos incomoda, e que justamente me faz admirá-la tanto), Rosana mostra o quão eclética pode ser. Ah se eu fosse um produtor...
Abraços!

15 de dezembro de 2006 11:02  
Anonymous Anônimo said...

Alex, estou contigo. Eu gosto da Rosana. Pronto, saí do armário. E pode vir o nescau da galera.
Obrigado pela dica do Dorival Caymmi. Vou conferir.

15 de dezembro de 2006 11:41  
Anonymous Anônimo said...

A gravadora do Rei excluiu o samba e esqueceu do duetos com Zeca Pagodinho e com a Turma do Cacique (Roberto cantando nos anos 80 com Fundo de Quintal, Jovelina Pérola Negra e Almir Guineto). Pelo menos economizo grana! rsrsrs
Tô ansioso para vê-lo cantar amanhã com a 3M's: Marisa Maravilhosa Monte em seu especial! Um abraço a todos.

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

15 de dezembro de 2006 22:37  
Anonymous Anônimo said...

Alex Abreu e Luc, concordo ao "pé da letra" com seus comentários, pois na minha opinião o DVD do Rei está belíssimo. Acompanho a carreira da ROSANA há mais de 20 anos, portanto reconheço o enorme talento desta artista que não poderia receber um presente maior nos seus 20 anos de carreira completados esse ano, que integrar uma das faixas do DVD do Roberto Carlos, agora só o Mauro que não enxerga isso! Lamentável...
Convido para vocês acessarem ao website oficial desta magnífica cantora no qual sou responsável: www.rosananet.com
Abç

18 de dezembro de 2006 00:30  
Anonymous Anônimo said...

Alex Abreu, realmente acho as interpretações margistrais da ROSANA nos songsbooks! Perfeita, eclética...

18 de dezembro de 2006 00:38  
Anonymous Anônimo said...

Euler, agradeço a dica.

18 de dezembro de 2006 11:34  
Anonymous Anônimo said...

cade as resenhas das musicas de dueto

30 de novembro de 2008 20:01  

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