22 de setembro de 2010

Amelinha brilha nas frestas de Janelas do Brasil

Resenha de Show
Título: Janelas do Brasil
Artista: Amelinha (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Rival (RJ)
Data: 21 de setembro de 2010
Cotação: * * *
Foi na sacada de uma janela que, em 1977, Amelinha posou para a foto que estampa a capa de seu primeiro LP, Flor da Paisagem, lançado naquele ano pela extinta gravadora CBS com repertório que incluía o xote Cintura Fina (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950). Passados 33 anos, a cantora cearense - uma das vozes firmes que se fizeram ouvir em escala nacional na corrente migratória que deslocou nordestinos para o eixo Rio-São Paulo ao longo da década de 70 - roda o Brasil com um show intitulado Janelas do Brasil e que inclui, já no bis, a já sessentona Cintura Fina. O nome do show - como contou a falante artista ao público que conferiu a simpática apresentação feita no Teatro Rival (RJ) na noite de 21 de setembro de 2010 - foi inspirado no comentário recente de um fã que, ao ouvir a voz de Amelinha, sentenciou que a artista deveria cantar em todas as janelas do Brasil. De fato, a voz da cantora ainda guarda a beleza que encantou o país na virada dos anos 70 para os 80. Sua interpretação sensível de Sol de Primavera (Beto Guedes, 1980) atesta a boa forma vocal da intérprete. O que não elimina os problemas do show. A rigor, Amelinha brilha pelas frestas de Janelas do Brasil. Para perceber esse brilho, é preciso ignorar um tema menor de Gonzaguinha (1945 - 1991) - Que Coisa Bonita, de tom solar - e os excessos de teclados da balada Água e Luz (Tavito, Ricardo Magno e Tavinho Paes), cujo arranjo remete ao som pasteurizado que diluiu a força da música brasileira nos anos 80. Já em Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor (Zé Ramalho) os excessos são do discurso de Amelinha, que se perde em louvações aos atributos femininos enquanto conta que seu maior sucesso foi composto com inspiração em um mote do cantador Zé de Cazuza Nunes. Neste número, o quarteto que acompanha a cantora em cena consegue reproduzir o clima épico do arranjo da gravação original de 1982. Momentos antes, com êxito quase igual, Pedro Braga evoca no violão a batida veloz do Galope Rasante, outro tema de Zé Ramalho associado à voz de Amelinha. Após deslocado medley com três sucessos dos festivais da década de 60 (Alegria Alegria, A Banda e Pra Não Dizer que Não Falei de Flores), a cantora faz pungente interpretação de Penas do Tiê (Hekel Tavares e Nair Mesquita), clássico do cancioneiro ruralista revivido apenas com sua voz emotiva e o citado violão de Pedro Braga. Na sequência, Amelinha apresenta bonito tributo de Caio Sílvio ao universo carioca, Noites do Rio, antes de cair com menos elegância em set forrozeiro de tom pasteurizado. Doido pra te Amar (Nando Cordel e Dominguinhos) e a agalopada Periga Ser (Robertinho de Recife e Fausto Nilo) batem ponto nesse bloco mais animado que culmina obviamente com o Frevo Mulher, número em que o tecladista Ricardo Rito mostra que se garante na sanfona. No bis, ao sair de cena, Amelinha volta ao começo, ou seja, repete Foi Deus que Fez Você (Luiz Ramalho) com o coro do público. Sua real emoção ao recordar a bela música é mais uma fresta de Janelas do Brasil pela qual se vê uma cantora em forma - ainda sensível e sedutora.

10 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Foi na sacada de uma janela que, em 1977, Amelinha posou para a foto que estampa a capa de seu primeiro LP, Flor da Paisagem, lançado naquele ano pela extinta gravadora CBS com repertório que incluía o xote Cintura Fina (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950). Passados 33 anos, a cantora cearense - uma das vozes firmes que se fizeram ouvir em escala nacional na corrente migratória que deslocou nordestinos para o eixo Rio-São Paulo ao longo da década de 70 - roda o Brasil com um show intitulado Janelas do Brasil e que inclui, já no bis, a já sessentona Cintura Fina. O nome do show - como contou a falante artista ao público que conferiu a simpática apresentação feita no Teatro Rival (RJ) na noite de 21 de setembro de 2010 - foi inspirado no comentário recente de um fã que, ao ouvir a voz de Amelinha, sentenciou que a artista deveria cantar em todas as janelas do Brasil. De fato, a voz da cantora ainda guarda a beleza que encantou o país na virada dos anos 70 para os 80. Sua interpretação sensível de Sol de Primavera (Beto Guedes, 1980) atesta a boa forma vocal da intérprete. O que não elimina os problemas do show. A rigor, Amelinha brilha pelas frestas de Janelas do Brasil. Para perceber esse brilho, é preciso ignorar um tema menor de Gonzaguinha (1945 - 1991) - Que Coisa Bonita, de tom solar - e os excessos de teclados da balada Água e Luz (Tavito, Ricardo Magno e Tavinho Paes), cujo arranjo remete ao som pasteurizado que diluiu a força da música brasileira nos anos 80. Já em Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor (Zé Ramalho) os excessos são do discurso de Amelinha, que se perde em louvações aos atributos femininos enquanto conta que seu maior sucesso foi composto com inspiração em um mote do cantador Zé de Cazuza Nunes. Neste número, o quarteto que acompanha a cantora em cena consegue reproduzir o clima épico do arranjo da gravação original de 1982. Momentos antes, com êxito quase igual, Pedro Braga evoca no violão a batida veloz do Galope Rasante, outro tema de Zé Ramalho associado à voz de Amelinha. Após deslocado medley com três sucessos dos festivais da década de 60 (Alegria Alegria, A Banda e Pra Não Dizer que Não Falei de Flores), a cantora apresenta pungente interpretação de Penas do Tiê (Venâncio e Corumbá), clássico do cancioneiro ruralista revivido apenas com sua voz emotiva e o citado violão de Pedro Braga. Na sequência, Amelinha apresenta bonito tributo de Caio Sílvio ao universo carioca, Noites do Rio, antes de cair com menos elegância em set forrozeiro de tom pasteurizado. Doido pra te Amar (Nando Cordel e Dominguinhos) e a agalopada Periga Ser (Robertinho de Recife e Fausto Nilo) batem ponto nesse bloco mais animado que culmina obviamente com o Frevo Mulher, número em que o tecladista Ricardo Rito mostra que se garante na sanfona. No bis, ao sair de cena, Amelinha volta ao começo, ou seja, repete Foi Deus que Fez Você (Luiz Ramalho) com o coro do público. Sua real emoção ao recordar a bela música é mais uma fresta de Janelas do Brasil pela qual se vê uma cantora em forma - ainda sensível e sedutora.

22 de setembro de 2010 21:57  
Blogger CLAUDIO said...

Fico feliz pelo reaparecimento de Amelinha.
Uma excelente intérprete da música brasileira. Espero que seus discos Água e Luz, Caminho do sol e 1987 (Mistérios do amor) sejam lançados em CDs.

22 de setembro de 2010 22:11  
Blogger Renato Vieira said...

Penas do Tiê é do Hekel Tavares, não?Musica que na verdade se chama "Você" e que o Fagner renomeou naquele primeiro LP dele

22 de setembro de 2010 22:25  
Blogger Mauro Ferreira said...

Tem toda razão, Renato. Grato pela colaboração.

22 de setembro de 2010 22:48  
Blogger Geraldo said...

É muito bom saber que ela está de volta. Mereceria um DVD com este show. Alguém sabe sobre os próximos lugares em que ela se apresentará?

23 de setembro de 2010 08:17  
Blogger lurian said...

Amelinha que teve uma brilhante inicial carreira, chegou a receber música de Vinícius de Moraes, mas infelizmente foi relegada pela mídia nas fatídicas décadas 80-90 quando praticamente desaparece do cenário. Bom que ela esteja de volta com certa visibilidade pois é uma artista que já nos brindou com boas interpretações e que tem muito a nos proporcionar ainda.

23 de setembro de 2010 11:08  
Blogger lurian said...

Em tempo: Mauro não considero o medley de músicas dos fesitivais "deslocado", creio que esteja presente paa lembrar que Amelinha ficou em 2º lugar num Festival da MPB em 1980 com "Foi Deus ue fez você", música que fez mais sucesso que a 1ª colocada (Agonia - Oswaldo Montenegro) e veio a dar ainda mais visibilidade à sua carreira naquela época.

23 de setembro de 2010 21:17  
Blogger lurian said...

Mauro, Não considerei "Deslocado" o medley com músicas dos festivais, creio que a idéia de Amelinha é fazer menção ao fato de em 1980 ter ficado em 2º lugar no Festival da MPB com "Foi Deus que fez você", música que fez mais sucesso que a 1ª colocada (Agonia - Oswaldo Montenegro), vindo dar uma maior visibilidade à sua carreira na época.

23 de setembro de 2010 21:21  
Blogger ricardo said...

MARAVILHOSA!!! SEMPRE ENVOLVENTE COM TIMBRE PURO E CRISTALINO . . . ESSA E A NOSSA AMELINHA . . . CANTORA DE ONTEM , HOJE E AMANHA; DE SEMPRE!!!! REPERTORIO QUE PASSEIA POR VARIOS ESTILOS SEMPRE COM A MARCA AMELINHA ;DIVULGUEM A NOSSA MUSA DA MPB!!!

23 de setembro de 2010 22:49  
Blogger Edu César said...

Eu seria eternamente grato, se alguem me avisa-se,quando a cantora
Amelinha se aprrsentar aqui em São
Paulo, pois é um sonho antigo ouvila ao vivo.
Obrigado
Eduardo.
aoceduardo@gmail.com

14 de novembro de 2010 01:12  

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