7 de julho de 2009

Crônica de uma morte anunciada, mas sentida

Não foi exatamente um velório, mas um tocante tributo de corpo presente. Pontuada por discursos de tom superlativo e números musicais, a cerimônia em homenagem a Michael Jackson (1958 - 2009) - que fez os olhos do mundo se voltarem para o ginásio Staples Center, em Los Angeles (EUA), nesta terça-feira, 7 de julho de 2009 - realimentou o culto ao astro e reanimou o assunto na mídia quando já havia poucos fatos consistentes a acrescentar no noticiário diário sobre a repentina saída de cena do rei, agora definitivamente entronizado no olimpo pop. O circo midiático está armado, mas os corações se desarmaram frente à grandeza do pop de Jackson. Não pareceram fabricadas as lágrimas de Usher em Gone to Soon, a sensibilidade de Stevie Wonder (em foto de Paul Buck, da AP) na escolha de I Never Dreamed You'd Leave in Summer e a emoção de Jermanie Jackson em Smile - a música de Charles Chaplin (1889 - 1977) que, como revelou a atriz Brookie Shields, amiga de Michael, era a preferida do astro. Se houve hipocrisia na postura do pai do cantor (Joe Jackson, carrasco cruel na fase inicial da carreira do filho, sentado na primeira fila como um pai enlutado), houve também sinceridade na exposição da grandeza artística de Michael, enfatizada nos vários discursos. Cantores como Mariah Carey (I'll Be There), Lionel Richie (Jesus Is Love) e Jennifer Hudson (emocionante em Will You Be There) passaram a impressão de que estavam realmente sentindo a morte de Michael. Podem não ter convivido com ele, como Hudson, mas também lamentavam sua partida precoce. Como os fãs nos quatro cantos do mundo. Sim, há uma sensação estranha no ar por conta da morte do astro. E esses sentimentos não são produtos da mídia ávida pelo desenrolar da trama armada com o desaparecimento do Rei do Pop. Eles são frutos da memória afetiva dos fãs. A música de Michael Jackson está bem enraizada no inconsciente coletivo do pop e lá permanecerá quando o circo for desarmado...

22 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Não foi exatamente um velório, mas um justo tributo de corpo presente. Pontuada por discursos de tom superlativo e números musicais, a cerimônia em homenagem a Michael Jackson (1958 - 2009) - que fez os olhos do mundo se voltarem para o ginásio Staples Center, em Los Angeles (EUA), nesta terça-feira, 7 de julho de 2009 - realimentou o culto ao astro e reacendeu o assunto na mídia quando já havia poucos fatos consistentes a acrescentar no noticiário diário sobre a repentina saída de cena do rei, agora definitivamente entronizado no olimpo pop. O circo midiático está armado, mas os corações se desarmaram frente à grandeza do pop de Jackson. Não pareceram fabricadas as lágrimas de Usher em Gone to Soon, a sensibilidade de Stevie Wonder (em foto de Paul Buck, da AP) na escolha de I Never Dreamed You'd Leave in Summer e a emoção de Jermanie Jackson em Smile - a música de Charles Chaplin (1889 - 1977) que, como revelou a atriz Brookie Shields, amiga de Michael, era a preferida do astro. Se houve hipocrisia na postura do pai do cantor (Joe Jackson, carrasco cruel na fase inicial da carreira do filho, sentado na primeira fila como um pai enlutado), houve também sinceridade na exposição da grandeza artística de Michael, ressaltada em todos os discursos. Cantores como Mariah Carey (I'll Be There), Lionel Richie (Jesus Is Love), Jennifer Hudson (Will You Be There) passaram a impressão de que estavam realmente sentindo a morte de Michael. Podem não ter convivido com ele, como Hudson, mas também lamentavam sua partida precoce. Como os fãs nos quatro cantos do mundo. Sim, há uma sensação estranha no ar por conta da morte do astro. E esses sentimentos não são produtos da mídia ávida pelo desenrolar da trama armada com o desaparecimento do Rei do Pop. Eles são frutos da memória afetiva dos fãs. A música de Michael Jackson está bem enraizada no inconsciente coletivo do pop e lá permanecerá quando o circo for desarmado...

7 de julho de 2009 18:25  
Blogger MAXXX said...

Eu tenho 34 anos, e me chamo Maicon (aportuguesado por um erro do cartório) por causa desse cara. E quando soube disso, ainda criança, passei a admirá-lo mais. Seguiu minha infância, minha adolescência e minha fase adulta. Veio o declínio da carreira, mas mesmo assim continuei a admirá-lo.
Há mesmo como vc bem disse Mauro, uma sentimento estranho no ar. Difícil acreditar. Esperava que por um momento fosse uma daquelas jogadas de marketing geniais. Mas, infelizmente não foi. Poderia ser mais uma bricandeira do "Peter Pan" Michael Jackson.

7 de julho de 2009 19:06  
Anonymous Anônimo said...

Caro Mauro,

Por favor, não vete o meu comentário. Eu fiquei impressionado como alguns que se dizem críticos não entendem ao menos lhufas de discografia.
Eu queria ver o tributo ao Michael e deixei programado no dvd. Antes do começo do memorial, vendo uma entrevista do Sr. João Marcelo Boscoli, pessoa que eu admiraVA, ele declara no canal Globonews que Mariah Carey não tinha NADA A VER com Michael Jackson? Como assim? Eu sou apreciador de samba, tenho uma irmã apaixonada pela cantora, e é de uma ignorância tremenda desse senhor que desconhece a carreira da cantora sendo que a mesma regravou I'll be there, no seu disco MTV Unplugged, sem contar as inúmeras vezes que a ouvi/vi cantar nos shows e dvd's. Abraços,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

PS: O crítico em questão deve estar mais preocupado escutando os DEDINHOS da sua atual namorada.
PS2: Emocionante o show!

7 de julho de 2009 19:48  
Anonymous Anônimo said...

Não vi nenhum circo Mauro, vi realmente pessoas emocionadas, achei que iria descambar para o mal gosto mas foi uma despedida digna inclusive pontuado pelo discurso do irmão mais velho sobre o mesmo finalmente ter descanso da ridicularização da mídia e os inúmeros ataques( racismo- por ficar mais claro e plásticas, pedofilia- não valeu para ele inocente até provem o contrário)...ver a filha falar emocionada...vi o quanto fui preconceituoso por não conhecer ou não deixarem conhecer a outra história dele, quanto ao circo,ah sim, em vida esse cara sofreu muito com o tal circo midiático.

7 de julho de 2009 20:07  
Anonymous Anônimo said...

retificação 1: .... ele me manda uma infeliz declaração de que Mariah Carey não tinha nada ver com Michael Jackson. Como assim?
retificação 2: desconhece a carreira da cantora , sendo ....
Abs,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

7 de julho de 2009 20:11  
Anonymous Anônimo said...

Anunciada com certeza, Mauro. Mas eu trocaria para (res)sentida.
Abraços.

7 de julho de 2009 22:13  
Blogger Thiago Augusto Corrêa said...

Não gostei muito não. Seria mais bonito se fosse um enterro em que todos os fãs cantassem em um coro do que essa homenagem padrão que vira dvd depois onde um famoso fala, vem uma música e etc.

Concordo que acaba virando um pouco de circo sim. Evidente que a morte do astro será sentida. Mas para não dar um ar "feliz" a apresentação, evitar cantar seus fonogramas dançantes, ficou estranho, já que em muitos discursos o pessoal da platéia estava rindo.

E o pai de Jacko, sem comentários, parecia que estava de férias no Caribe.

Mas achei comovente o depoimento da filha de Michael. Quem pensava - como eu pensava - que ele parecia um pai estranho, ao menos não deixou de dar amor a seus filhos e uma pena que somente após sua morte podemos ver - observar e literalmente conhecer seus filhos, agora sem os veus - o quão bom pai - nas palavras de Paris - ele era.

7 de julho de 2009 23:00  
Anonymous Anônimo said...

Com com o João Marcelo, nada a ver mesmo.
Achei o funeral bonito e digno.

7 de julho de 2009 23:40  
Blogger Vinny said...

Apesar da Emoção, vi uma certa forçação de barra dos Irmãos Jackson, sim! Eles não precisavam de luvinhas brancas, nem de abraçar todos os convidados. Janet (super digna), se manteve serena, assim como a sua mãe.

Ah! Usher, Stevie Wonder, Brooke Shields, Jennifer Hudson conseguiram me emocionar... coisa que Mariah com aqueles gritinhos e aquele semi-sorriso não conseguiu.

Um velório digno de Michael, com muita emoção e honrarias. Ele merece!

8 de julho de 2009 02:48  
Blogger Flávia Azevedo said...

Sua carreira e seu brilhantismo deixaram saudades em todos... seu jeito era algo cativante, pena que sua vida sempre foi tão solitária, e perseguida pela mídia,e até infelizmente cheia de pessoas que queriam tirar proveito de seu sucesso. Um ser - humano que fechou mais um capítulo da história da sua vida. A nós, nos resta desejar que ele encontre a Paz. Sabemos que a cortina se fechou para vida, mas sua brilhante obra e legado perpetuaram por toda existência da humanidade, nunca mais haverá alguém como ele...

Mauro apenas ouço música, no meu blog falo de música opor gostar, mas não sou critica e nem tenho tal pretensão!

Confesso que vir sempre por aqui beber agua nesta fonte de teus textos maravilhosos.É tudo!

Parabéns

8 de julho de 2009 04:13  
Anonymous Anônimo said...

A " emoção" da "filha" do Wacko Jacko não me emocionou.. na cara que estava bem treinada. Os " filhos" estavam meio assim que espantados.. tudo muito estranho..
CORPO PRESENTE??? Mauro, como assim? Já estão falando que o corpo dele não estava lá... gente estranha muito mesmo. Esse cara devia ter sido interditado faz é tempo.. o que a gente sabe é que aquelas crianças não devem mesmo ter mãe... se tivessem não tinham ficado com ele.. PAZ PRÁ SUA ALMA... ele já tinha morrido faz é tempo

Marco Luchesi
Vila Mariana- Capital-SP

8 de julho de 2009 10:47  
Anonymous Luc said...

Homenagem digna, dentro do possível.

Oportunidade também para perceber que está na hora de os cantores pop e R&B ouvirem Michael Jackson atentamente e entenderem que o excesso de melismas atrapalha a comunicação musical. Michael era inteligente nesse particular. Usava os recursos necessários e ponto final.

Tenho problemas também com a emissão estridente desses cantores. É um estilo ou um cacoete? Não confio em gente que canta com as veias do pescoço saltando.

8 de julho de 2009 10:56  
Anonymous Anônimo said...

Parabéns, anônimo! Até eu já estou convencido de que o João Marcelo Bôscoli tem razão. Ele poderia sugerir um dueto com a Eliana, combinaria bem mais ou com a Sandy e o Junior, que fizeram aquela versão horrenda da música! Quem sabe Michael não está cantando I'll be there com Elis lá no céu? É pau, é pedra, é o fim do caminho. Abs,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

8 de julho de 2009 13:17  
Blogger Thelonius said...

Este comentário foi removido pelo autor.

8 de julho de 2009 18:03  
Anonymous Anônimo said...

Um circo de hipocrisia. Como o ser-humano precisa de deuses "palpáveis"...

8 de julho de 2009 19:03  
Anonymous Anônimo said...

Um funeral que na verdade é mais um espetáculo do ridículo da Humanidade. Deve ser lançado em DVD...

8 de julho de 2009 19:09  
Anonymous Anônimo said...

Estava na estrada viajando sozinho para Minas Gerais quando veio um daqueles plantões de notícia informando sobre a morte de nosso Maestro Soberano Antônio Carlos Jobim. Chorei ali mesmo e ainda tive de parar no acostamento para evitar outras possíveis mortes.
Me senti ridículo mas lendo e acompanhando todo esse "espetáculo" aí é que percebo que sou é humano. Muito humano.

8 de julho de 2009 20:14  
Anonymous Anônimo said...

Oh my god... agora o assunto é: onde estaria o corpo de Michael Jackson - acabou de aparecer no Jornal Nacional.
Oh my god... até o Jornal nacional!

Imagina o que virá mais tarde na Luciana Gimenez: "foi abduzido", "ressucitou"...

Oh my god!!!

8 de julho de 2009 20:43  
Blogger Thelonius said...

Acredito que muitas pessoas não percebem a dimensão do maior ícone pop do século e seu legado. A dimensão se dá ao fato de como todos gênios musicais de não justificar nem explicar suas atitudes e sempre contrariar as expectativas geradas.Se abre uma era de platéias menores para uma diversidade musical. O maior ícone pop do século se foi.

9 de julho de 2009 08:18  
Anonymous Anônimo said...

Volto a repetir: um ícone POP que precisou morrer para voltar a ser ícone.
Quanto a ser o maior do século (vivo ou morto) há controvérsias.

9 de julho de 2009 20:20  
Anonymous Anônimo said...

"A dimensão do maior ícone" eu meço de sua infância à "Thriller".
De resto, nem mediano era. As superproduções é que chamavam a atenção mas música mesmo: "bad"...

9 de julho de 2009 20:30  
Blogger Thelonius said...

Mauro eu sei que sua coluna é democrática mas comentários vazios sem argumentação cansam não é mesmo?

10 de julho de 2009 07:36  

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