6 de junho de 2009

Erasmo celebra rock e mulheres em disco jovial

Resenha de CD
Título: Rock'n'Roll
Artista: Erasmo Carlos
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * *

Aos recém-completados 68 anos, Erasmo Carlos ainda é uma criança inebriada com o rock e as mulheres, paixões celebradas neste seu jovial álbum de inéditas, Rock'n'Roll, produzido com eficiência por Liminha. Não é um disco inteiramente de rock como faz supor seu título direto. Várias baladas - como Chuva Ácida, parceria com Nelson Motta - também foram salpicadas entre as 12 inéditas autorais. Mas é o espírito do rock que move o disco. Já na abertura Jogo Sujo - um dos destaques do repertório - entrega o jogo ao expor a predominância das guitarras com arranjo que tem algo de blues e de country, ritmos que estão na formação básica do rock'n'roll. O rock seminal dos anos 50, evocado na guitarra de Cover, faixa cuja introdução já desencava a raiz bluesy do gênero.
Rock'n'Roll não é disco saudosista, embora uma certa nostalgia da juventude e das ilusões roqueiras pontuem os versos de Noite Perfeita (Uma Farra no Tempo), parceria de Erasmo com Chico Amaral. A faixa expõe outra marca registrada do disco: os vocais de Pedro Dias e Luiz Lopez, da banda Filhos de Judith. O mesmo Chico Amaral contribui com outra letra que se impõe na safra atual do Tremendão: A Guitarra É uma Mulher, canção pontuada pelos solos da guitarra de Billy Brandão. A celebração feminina é feita com mais poesia nesta faixa do que em Olhar de Mangá, tema menos inspirado em que o Tremendão relaciona na letra extenso escrete feminino que vai de Sharon Stone a Bibi Ferreira, passando por Frida Khalo, Gal Costa, Capitu, Marisa Monte e Maria Bethânia.
Entre petardos como Um Beijo É um Tiro, parceria com Nando Reis, Rock'n'Roll expõe ruídos na calorosa Mar Vermelho (outra com Nando), roça clima bossa-novista na balada Noturno Carioca (parceria com Nelson Motta), pisa em terrenos mais densos em Vozes da Solidão - faixa em que Erasmo revolve tempos escuros sob ótica pessoal - e destila acidez em Celebridade, rock feito com Liminha e Patrícia Travassos que alveja o circo das estrelas fakes que gravitam na mídia. Há na faixa a mesma ironia que pontua o pop rock Encontro às Escuras. Enfim, um grande disco que exibe o vigor que escasseou no último álbum de inéditas do Tremendão, Santa Música (2004). A união tardia com o produtor Liminha resultou feliz. Erasmo Carlos é uma criança, mas já entende tudo...

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Resenha de CD
Título: Rock'n'Roll
Artista: Erasmo Carlos
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * *


Aos recém-completados 68 anos, Erasmo Carlos ainda é uma criança inebriada com o rock e as mulheres, paixões celebradas neste seu jovial álbum de inéditas, Rock'n'Roll, produzido com eficiência por Liminha. Não é um disco inteiramente de rock como faz supor seu título direto. Várias baladas - como Chuva Ácida, parceria com Nelson Motta - também foram salpicadas entre as 12 inéditas autorais. Mas é o espírito do rock que move o disco. Já na abertura Jogo Sujo - um dos destaques do repertório - entrega o jogo ao expor a predominância das guitarras com arranjo que tem algo de blues e de country, ritmos que estão na formação básica do rock'n'roll. O rock seminal dos anos 50, evocado na guitarra de Cover, faixa cuja introdução já desencava a raiz bluesy do gênero.
Rock'n'Roll não é disco saudosista, embora uma certa nostalgia da juventude e das ilusões roqueiras pontuem os versos de Noite Perfeita (Uma Farra no Tempo), parceria de Erasmo com Chico Amaral. A faixa expõe outra marca registrada do disco: os vocais de Pedro Dias e Luiz Lopez, da banda Filhos de Judith. O mesmo Chico Amaral contribui com outra letra que se impõe na safra atual do Tremendão: A Guitarra É uma Mulher, canção pontuada pelos solos da guitarra de Billy Brandão. A celebração feminina é feita com mais poesia nesta faixa do que em Olhar de Mangá, tema menos inspirado em que o Tremendão relaciona na letra extenso escrete feminino que vai de Sharon Stone a Bibi Ferreira, passando por Frida Khalo, Gal Costa, Capitu, Marisa Monte e Maria Bethânia.
Entre petardos como Um Beijo É um Tiro, parceria com Nando Reis, Rock'n'Roll expõe ruídos na calorosa Mar Vermelho (outra com Nando), roça clima bossa-novista na balada Noturno Carioca (parceria com Nelson Motta), pisa em terrenos mais densos em Vozes da Solidão - faixa em que Erasmo revolve tempos escuros sob ótica pessoal - e destila acidez em Celebridade, rock feito com Liminha e Patrícia Travassos que alveja o circo das estrelas fakes que gravitam na mídia. Há na faixa a mesma ironia que pontua o pop rock Encontro às Escuras. Enfim, um grande disco que exibe o vigor que escasseou no último álbum de inéditas do Tremendão, Santa Música (2004). A união tardia com o produtor Liminha resultou feliz. Erasmo Carlos é uma criança, mas já entende tudo...

6 de junho de 2009 17:02  
Anonymous Anônimo said...

Pergunta que não quer calar.
Quem, afinal, é o rei?

6 de junho de 2009 17:27  
Anonymous Anônimo said...

O "Rei" da mídia parou no tempo. Esse seu parceiro aí NÃO! Sempre buscando renovar sua obra, colocando seu talento em teste. Erasmo é grande compositor, cantor mediano e músico competente. Que venha mais e que nunca pare no tempo - ou se parar, que se aposente de vez e não perturbe o ouvido alheio. Mas com Erasmo: DUVIDO!

6 de junho de 2009 17:32  
Anonymous Anônimo said...

Meu Rei é Chico Buarque, mas se for para votar em Roberto ou Erasmo: Erasmo no 1º turno.

6 de junho de 2009 18:22  
Anonymous Anônimo said...

Roberto era o romântico, Erasmo o MPbista e Pop singer. Hoje Roberto é... sei lá... e Erasmo continua com seu talento intacto. Alguém ainda duvida se o cetro passou de mão ?

6 de junho de 2009 19:01  
Blogger osvaldo.barros said...

Só nos resta esperar para que os canais de TV abram espaço para que o Tremendão mostre com quantos acordes se faz um belo álbum de rock.

8 de junho de 2009 01:20  

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