19 de maio de 2009

Flávio foge do lugar comum no palco e em casa

Resenha de CD / DVD
Título: Não se Apague
Esta Noite
Artista: Flávio
Venturini
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * *

Compositor dono de obra enraizada nas tradições da canção mineira (porém já bem influenciada pelo pop e pelos sons progressivos que moldaram a produção - inicial - do autor), Flávio Venturini já revisou esse fino cancioneiro em DVD anterior. Em Não se Apague Esta Noite, gravado com direção de Ronaldo Bastos e Leonel Pereda, o artista tenta fugir da fórmula meramente retrospectiva. Inéditas como Recomeçar (parceria de Venturini com Bastos) foram salpicadas no roteiro do bom show - captado em junho de 2008 no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte (MG) - ao lado de músicas já gravadas, mas ainda desconhecidas. Aliás, da safra de músicas obscuras e recentes (a maioria é de 2003, do CD Porque Não Tínhamos Bicicleta), a melodiosa Minha Estrela - outra de Venturini com Bastos - é a que mais brilha e Alma de Balada é a que mais explicita a influência do pop universal na obra mineiríssima do compositor. Contudo, o DVD não se limita a registrar o show que contou com adesões de Marina Machado (em Noites com Sol) e de Luiza Possi (em Beija-Flor). O DVD intercala números do show com músicas gravadas na sala da casa mantida pelo artista na capital mineira. Sem a habitual espontaneidade, Mart'nália não chega a dizer a que veio no samba Pierrot. Já o dueto de vozes e violões feito por Flávio com o mano Claudio Venturini resulta harmonioso. Os irmãos entoam a bela canção Romance, já gravada pelo 14 Bis, grupo que deu projeção nacional a Flávio na virada dos anos 70 para os 80, depois de breve passagem do artista pelo conjunto progressivo O Terço, cujo maior hit underground, Criaturas da Noite, é revivida no show em número de voz-e-piano. Nos extras, dois takes captados fora das fronteiras de Minas Gerais valorizam o material oferecido como bônus. Com Milton Nascimento, com quem trava papo artificial no estúdio, Flávio reverencia a deusa música em tema intitulado... Música. Gravado em julho de 2008 em Paris, na França, o registro dessa linda parceria de Bituca e Venturini é rebobinada com o auxílio luxuoso do piano de André Mehmari, músico também convocado para a boa regravação de Nascente, feita em agosto de 2008, em São Paulo, com a guitarra sempre virtuosa de Toninho Horta. Enfim, urdidos com direção musical de Chico Neves e do próprio Flávio Venturini, o CD e DVD Não se Apague Esta Noite - a faixa-título é parceria de Lô e Márcio Borges, tendo sido pinçada do cultuado disco do tênis lançado por Lô na década de 70 - não caem na vala comum que abriga muitos registros de shows. Há um capricho na produção e nos arranjos que estão em sintonia com o apuro da música de Flávio Venturini.

8 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Compositor dono de obra enraizada nas tradições da canção mineira (porém já bem influenciada pelo pop e pelos sons progressivos que moldaram a produção - inicial - do autor), Flávio Venturini já revisou esse fino cancioneiro em DVD anterior. Em Não se Apague Esta Noite, gravado com direção de Ronaldo Bastos e Leonel Pereda, o artista tenta fugir da fórmula meramente retrospectiva. Inéditas como Recomeçar - parceria de Venturini com Bastos - foram salpicadas no roteiro do bom show captado em junho de 2008 no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). A propósito, da mediana safra de músicas novas, a melodiosa Minha Estrela - outra de Venturini com Bastos - é a que mais brilha e Alma de Balada é a que mais explicita a influência do pop universal na obra mineiríssima do compositor. Contudo, o DVD não se limita a registrar o show que contou com adesões de Marina Machado (em Noites com Sol) e de Luiza Possi (em Beija-Flor). O DVD intercala números do show com músicas gravadas na sala da casa mantida pelo artista na capital mineira. Sem a habitual espontaneidade, Mart'nália não chega a dizer a que veio no samba Pierrot. Já o dueto de vozes e violões feito por Flávio com o mano Claudio Venturini resulta harmonioso. Os irmãos entoam a bela canção Romance, já gravada pelo 14 Bis, grupo que deu projeção nacional a Flávio na virada dos anos 70 para os 80, depois de breve passagem do artista pelo conjunto progressivo O Terço, cujo maior hit underground, Criaturas da Noite, é revivida no show em número de voz-e-piano. Nos extras, dois takes captados fora das fronteiras de Minas Gerais valorizam o material oferecido como bônus. Com Milton Nascimento, com quem trava papo artificial no estúdio, Flávio reverencia a deusa música em tema intitulado... Música. Gravado em julho de 2008 em Paris, na França, o registro dessa linda parceria de Bituca e Venturini é rebobinada com o auxílio luxuoso do piano de André Mehmari, músico também convocado para a boa regravação de Nascente, feita em agosto de 2008, em São Paulo, com a guitarra sempre virtuosa de Toninho Horta. Enfim, urdidos com direção musical de Chico Neves e do próprio Venturini, o CD e DVD Não se Apague Esta Noite - a faixa-título é parceria de Lô e Márcio Borges, tendo sido pinçada do cultuado disco do tênis lançado por Lô na década de 70 - não caem na vala comum que abriga muitos registros de shows. Há um capricho na produção e nos arranjos que estão em sintonia com o apuro da música de Flávio Venturini.

19 de maio de 2009 16:54  
Anonymous Anônimo said...

capa maravilhosa!

19 de maio de 2009 16:55  
Anonymous Anônimo said...

TUDO MARAVILHOSO. É A BELEZA DE MINAS GERAIS. MAIS UM HERDEIRO DO "CLUBE".

19 de maio de 2009 18:30  
Anonymous Anônimo said...

Ô terra abençoada sô... Por essas e outras não me canso de dizer que é bom demais ser mineiro.

Flávio Venturini é um dos melhores das Minas Gerais.


Welerson André.

20 de maio de 2009 12:39  
Anonymous Anônimo said...

O que desanima num trabalho primoroso como esse, onde se encontra Milton Nascimento, Toninho Horta e outros grandes musicos é a fora do ninho Mart'Nália, que pra mim é uma enganação do tamanho da Bebel Gilberto. É o tal do mais um filho de peixe que jamais disse ao que veio. Desperdício essa pseudo cantora num DVD classudo como esse me parece ser.

21 de maio de 2009 01:34  
Anonymous Anônimo said...

Infeliz, muito infeliz prezado anônimo. Só sinto por você perder o talento único de Mart'nália.
Quanto à Bebel concordo mas tem outras "herdeiras" para usar como comparação. MART'NÁLIA NÃO!

22 de maio de 2009 22:57  
Anonymous Anônimo said...

O Máximo em Flávio é que não canta nada e mesmo assim é demais. Foi vocalista do belo 14 Bis e emplacou muito sucesso solo com aqueles agudos esquisitos. É PRA QUEM PODE. E ELE PODE!

22 de maio de 2009 23:17  
Anonymous Anônimo said...

É o Rei do falsete, anônimo. Desde o Terço até a definitiva carreira-solo. Canto em barzinho e "falsetear" não é mole não.

23 de maio de 2009 12:15  

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