18 de março de 2009

Tetê conduz boa viagem pela música pantaneira


Resenha de Show
Título: Música Pantaneira - Da Tradição à Renovação
Artista: Tetê Espíndola (em fotos de Mauro Ferreira)
Convidados: Alzira E, Jerry Espíndola e Lucina
Local: Caixa Cultural - Teatro Nelson Rodrigues (RJ)
Data: 17 de março de 2009
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz até quarta-feira, 18 de março, às 19h30m
A viagem era pelos ritmos do Centro-Oeste do Brasil, em especial pela música pantaneira, mas, ao fim do bis do show que a trouxe de volta ao Rio de Janeiro (RJ), Tetê Espíndola teve que fazer escala urbana no pop romântico para cantar Escrito nas Estrelas (1985). Foi pedido do público que foi ao Teatro Nelson Rodrigues na noite de terça-feira, 17 de março de 2009, para embarcar nessa viagem pelos sons ruralistas que se ouve em Estados como Mato Grosso e Goiás. Tetê conduziu o barco pelas águas pantaneiras com a segurança de que tem intimidade com a música da região. A tripulação - Alzira E, Lucina, Jerry Espíndola e Iara Rennó (participação especial nas duas apresentações agendadas no Rio de Janeiro) - atravessou até as fronteiras nacionais, encerrando o show com a versão original - cantada num castelhano misturado com Tupi Guarani - de Galopeira, tema paraguaio que ainda ecoa no Centro-Oeste brasileiro. A turma tropeçou na letra caudalosa...
A intenção do show é entrelaçar clássicos sertanejos da região - como o número de abertura, A Matogrossense (Carlito ,Lourival dos Santos e Tião Carreiro) - com temas mais contemporâneos para enfatizar a continuidade da produção musical inspirada nesse universo regional. No primeiro bloco, na craviola, Tetê conduz a viagem com clássicos como Chalana (Arlindo Pinto e Mário Zan) e Meu Primeiro Amor (a consagrada versão de José Fortuna e Pinheirinho Junior para Lejania, de Hermíno Gimenez). De início, já se percebe a harmonia das vozes e a interação dos cantores. Aos poucos, entram as músicas mais recentes, da lavra de Tetê e de seus amigos. Com Iará Rennó na guitarra, Tetê sola Águas Irreais, parceria sua com Arnaldo Black, cuja letra é um flash panorâmico do cenário do Pantanal. Com sons mais urbanos, Jerry Espíndola enfatiza nos versos de Beijo Prata as belezas naturais dessa região.
Parte da produção autoral da turma foi gerada em 2006 numa viagem da barco pelas águas pantaneiras. Em 20 dias, foram compostas cerca de 15 músicas. Novos ou antigos, alguns temas se impõem no roteiro pela maior inspiração. Quyquyho (Geraldo Espíndola) - apresentado num dueto de Lucina com Jerry - é um deles. Também conhecida como Kikiô, a música já foi gravada tanto por Tetê quanto por Almir Sater. Sozinha, Lucina reafirma seu talento de intérprete ao reviver com sua voz grave Bandolero, sucesso na voz de Ney Matogrosso (presença ilustre na platéia). Na seqüência, o show segue curso mais pop quando Alzira E assume o leme para cantar músicas como Chega Disso (lançada por Zélia Duncan) e Ramagens (parceria de Alzira com a poeta Carol Ribeiro, outra tripulante da viagem de barco feita em 2006).
Ao voltar ao palco, de exótico óculos vermelho, Tetê faz seu belo número performático ao cantar Adeus Pantanal, pioneiro alerta ecológico de Itamar Assumpção (1949 - 2003) sobre a crescente devastação da região. O número, de tom histriônico, é veículo para Tetê elevar seus agudos. Na sequência, mais plácida, a artista saúda em dueto com Lucina a Água dos Matos, parceria das duas. Em seguida, Lucina faz outro dueto - desta vez, com Alzira E - em Povo de Beira de Rio. Já com Tetê de volta à cena, vem então momento já tradicional nos shows da artista: é quando ela imita o canto de pássaros e convida a platéia a repetir os sons. Dá para perceber que todos os pássaros ainda habitam a garganta de Tetê.
Já no fim, a seqüência que emenda Trem do Pantanal (Geraldo Roca e Paulo Simões), Siriema (Nhô Pai e Mário Zan) e Pra Corumbá (Lucina e Jerry Espíndola) soa especialmente cativante e repõe nos trilhos o show, encerrado com Tan Tan Pantanal (Jerry Espíndola, Lucina e Alzira E). É fato que nem sempre a produção pantaneira mais recente faz frente à antiga, mas, no todo, o show cumpre bem sua intenção de levar o espectador para regiões musicais ainda pouco exploradas - a rigor, até ignoradas - nos grandes centros urbanos do Brazil que não conhece o Brasil...

14 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

A viagem era pelos ritmos do Centro-Oeste do Brasil, em especial pela música pantaneira, mas, ao fim do bis do show que a trouxe de volta ao Rio de Janeiro (RJ), Tetê Espíndola teve que fazer escala urbana no pop romântico para cantar Escrito nas Estrelas (1985). Foi pedido do público que foi ao Teatro Nelson Rodrigues na noite de terça-feira, 17 de março de 2009, para embarcar nessa viagem pelos sons ruralistas que se ouve em Estados como Mato Grosso e Goiás. Tetê conduziu o barco pelas águas pantaneiras com a segurança de que tem intimidade com a música da região. A tripulação - Alzira E, Lucina, Jerry Espíndola e Iara Rennó (participação especial nas duas apresentações agendadas no Rio de Janeiro) - atravessou até as fronteiras nacionais, encerrando o show com a versão original - cantada num castelhano misturado com Tupi Guarani - de Galopeira, tema paraguaio que ainda ecoa no Centro-Oeste brasileiro. A turma tropeçou na letra caudalosa...
A intenção do show é entrelaçar clássicos sertanejos da região - como o número de abertura, A Matogrossense (Carlito ,Lourival dos Santos e Tião Carreiro) - com temas mais contemporâneos para enfatizar a continuidade da produção musical inspirada nesse universo regional. No primeiro bloco, ao violão, Tetê conduz a viagem com clássicos como Chalana (Arlindo Pinto e Mário Zan) e Meu Primeiro Amor (a consagrada versão de José Fortuna e Pinheirinho Junior para Lejania, de Hermíno Gimenez). De início, já se percebe a harmonia das vozes e a interação dos cantores. Aos poucos, entram as músicas mais recentes, da lavra de Tetê e de seus amigos. Com Iará Rennó na guitarra, Tetê sola Águas Irreais, parceria sua com Arnaldo Black, cuja letra é um flash panorâmico do cenário do Pantanal. Com sons mais urbanos, Jerry Espíndola enfatiza nos versos de Beijo Prata as belezas naturais dessa região.
Parte da produção autoral da turma foi gerada em 2006 numa viagem da barco pelas águas pantaneiras. Em 20 dias, foram compostas cerca de 15 músicas. Novos ou antigos, alguns temas se impõem no roteiro pela maior inspiração. Quyquyho (Geraldo Espíndola) - apresentado num dueto de Lucina com Jerry - é um deles. Também conhecida como Kikiô, a música já foi gravada tanto por Tetê quanto por Almir Sater. Sozinha, Lucina reafirma seu talento de intérprete ao reviver com sua voz grave Bandolero, sucesso na voz de Ney Matogrosso (presença ilustre na platéia). Na seqüência, o show segue curso mais pop quando Alzira E assume o leme para cantar músicas como Chega Disso (lançada por Zélia Duncan) e Ramagens (parceria de Alzira com a poeta Carol Ribeiro, outra tripulante da viagem de barco feita em 2006).
Ao voltar ao palco, de exótico óculos vermelho, Tetê faz seu belo número performático ao cantar Adeus Pantanal, pioneiro alerta ecológico de Itamar Assumpção (1949 - 2003) sobre a crescente devastação da região. O número, de tom histriônico, é veículo para Tetê elevar seus agudos. Na sequência, mais plácida, a artista saúda em dueto com Lucina a Água dos Matos, parceria das duas. Em seguida, Lucina faz outro dueto - desta vez, com Alzira E - em Povo de Beira de Rio. Já com Tetê de volta à cena, vem então momento já tradicional nos shows da artista: é quando ela imita o canto de pássaros e convida a platéia a repetir os sons. Dá para perceber que todos os pássaros ainda habitam a garganta de Tetê.
Já no fim, a seqüência que emenda Trem do Pantanal (Geraldo Roca e Paulo Simões), Siriema (Nhô Pai e Mário Zan) e Pra Corumbá (Lucina e Jerry Espíndola) soa especialmente cativante e repõe nos trilhos o show, encerrado com Tan Tan Pantanal (Jerry Espíndola, Lucina e Alzira E). É fato que nem sempre a produção pantaneira mais recente faz frente à antiga, mas, no todo, o show cumpre bem sua intenção de levar o espectador para regiões musicais ainda pouco exploradas - a rigor, até ignoradas - nos grandes centros urbanos do Brazil que não conhece o Brasil.

18 de março de 2009 11:19  
Anonymous Anônimo said...

Tetê tinha que deixar de lado um pouco essas raízes e essa música regional e trabalhar seu lado intérprete como fez num lindo disco chamado SÓ TETÊ. Ela cantando Djavan, Tom e Lupicinio ficou maravilhoso.

18 de março de 2009 11:41  
Anonymous Denilson said...

Que grupo de artistas maravilhoso.

Pena que não pude assistir a esse show.

Sou fã da Lucina, da Tetê e da Alzira.

Hoje 18/03 tem show do Paulinho Pedra Azul no Teatro Rival, junto com o Tunai. Você vai Mauro?

abração,
Denilson

18 de março de 2009 11:45  
Anonymous OLIVEIRA said...

Eu vou, Denilson. É ruim que não, hein ? Aliás, tô saindo.

18 de março de 2009 18:42  
Anonymous Markinho said...

Tetê é absoluta em tudo que faz. Artista de primeira grandeza de nossa MPB... Deve reverenciar e valorizar sim sua música regional... pois já há tantas outras cantando djavan e cia... Aliá, Tetê canta o que quiser... E tudo fica lindo.

19 de março de 2009 01:03  
Anonymous Anônimo said...

Tetê Espíndola é única há muitos anos. Plural , ousada, especial. Fez um disco sobre sons de pássaros, todo sem letra, gravou outro com Kadosceh , músico francês, que também é experimental, enfim, trafega por várias vertentes. Que maravilha a Caixa ter acolhido este seu belo projeto que irá a Salvador, Curitiba e Brasília e ainda traz Jerry , Iara Rennó e Alzira, que são incríveis, e a belíssima Lucina. Só um detalhe, Mauro: Tetê toca craviola e não violão. Parabéns pelo registro digno e muita luz a Tetê e sua trupe.

19 de março de 2009 07:57  
Anonymous Denilson said...

Oi, Oliveira.

Eu não resisti e fui assistir ao show da Tetê, Lucina, Alzira e Jerry.

Infelizmente, terei que ir em Minas assistir ao Paulinho Pedra Azul.

abração,
Denilson (thenewson@hotmail.com)

19 de março de 2009 08:39  
Anonymous Anônimo said...

Disacordo em parte do Anônimo das 11:41. O Só Tetê é um disco maravilhoso, mas por outro lado, o Gaiola, o seu disco mais urbano, é o mais fraco que ela gravou na carreira (apesar de ter no repertórioa a lindíssima "Na Chapada").

Tetê é uma artista de personalidade, sempre colocou isso muito acima de exigências comerciais e mercadológicas, nunca deixou de dar sua cara a tapa em nome da popularidade. Seus agudos raros e estranhos são a maior prova disso: Tetê tem público seleto e fiel, mas quem não adora, ODEIA, e ela sabe disso. Por que então não cantar sempre o que é mais verdadeiro nela, suas origens, só para poder ser mais palatável ao público urbano?? Tetê é uma das artistas que mais fazem o que querem nesse país, embora medalhonas alardeiem isso o tempo todo.

Tetê é única (OK, a Kate Bush é bem parecida), maravilhosa e verdadeira. Mais que uma cantora: uma grande artista.

19 de março de 2009 10:06  
Anonymous OLIVEIRA said...

PQP, Denilson. Quem disse que eu consegui chegar com o dilúvio que caiu por aqui. Vou te contar... Esses dilúvios não caem no dia do show dos Ricks Vallens da vida.
Também vou ter que ver em Minas.
Tô P da vida até agora - e olha que eu gosto de chuva.
Abraços também.

19 de março de 2009 17:38  
Anonymous Markynho said...

Falar que "gaiola" é o disco "mais fraco" de TetÊ é até injustiça. Claro que é um trabalho totalmente diferente dos anteriores que tinham uma vertente mais telúrica. Gaiola é uma obra prima de arranjos, composições e interpretação. É elétrico, sim, mas isso não tira o mérito dos grandes profissionais que atuaram naquele trabalho, como Hermeto Paschoal e outros... A escorregada que eu acho que a Tetê deu é no cd "Zencinema" que é um trabalho mais recente... O que foi prontamente consertado com o cd "e va por ar" gravado ao vivo magistralmente. Também não consigo (e nem quero) ver relações entre Tetê e Kate Bush... É que sempre tentam relacionar alguém com outro alguém... As vertentes de Tetê passam antes por Meredith Monk, Yma SUmac e outras...

20 de março de 2009 10:24  
Anonymous Anônimo said...

Markynho conhece muito bem o trabalho da Tetê. Concordo em relação ao Gaiola e ao Zen Cinema, este sim, o mais fraco. Gosto das composições do Arnaldo Black, em particular, "Balanço" (com Tetê no disco Gaiola) e um blues chamado "Lugar", que Carlos Navas lançou em seu primeiro CD, de 97, em duo cortante com Tetê, mas não sinto que sua (boa) obra autoral sustente um disco inteiro. Quanto a Kate Bush, vejo semelhança de trajetória: estranheza, experiências acústicas e eletrônicas e o fato de ambas terem conseguido furar o cerco e terem feito sucesso popular em determinado momento. Mas Yma Sumac e Meredith Monk, assim como Cascatinha e Inhana e Janis Joplin têm mais a ver com ela, a nível de influência e inspiração. Já indaguei a Tetê sobre a Kate e ela a ouviu muito pouco, embora admire. Acho que quem piraria com o som da Tetê seria a Bjork. Vem aí mais um cd experimental da Tetê com o francês Phillipe Kadosch e curto muito as parts recentes em outros cd´s, como no disco que o Carlos Navas dedicou ao Mario Reis, onde eles arrasam em "Joux Jouxe Balagandans" e no álbum tributo a Dolores Duran, em que ela releu como ninguém a eterna "Estrada do Sol". Sou de Porto Alegre e a assisti aqui em jan/08 em duo com Navas no Santander Cultural. Foi de arrasar! Alexandre/ POA

Mauro, você tem alguma noticia da Dianna Pequeno?

20 de março de 2009 18:54  
Anonymous Anônimo said...

Não é semlehança entre o TRABALHO de Tetê e Kate, há semelhança de TIMBRE de voz.

Não acho Gaiola um disco ruim. Dentre os bons discos gravados por Tetê, acho ele o mais fraco pq o arranjos elétricos dele não harmonizam com a voz de Tetê, já po si só estridente. Acho que a voz dela combina melhor com o instrumental acústico. Não disse que o Gaiola é um disco ruim.

21 de março de 2009 09:44  
Anonymous Anônimo said...

a culpa do gaiola, é da produção eletrônica do mazola, que tambem cometeu o mesmo crime na maioria dos discos do ney dos anos 80, em ambos os casos os discos tem um som datado, uma pena

22 de março de 2009 07:51  
Anonymous OLIVEIRA said...

Pessoal, não culpemos só Mazzola ou quem quer que seja. Tetê é uma artista que não pára quieta, está sempre reinventado-se e procurando novas sonoridades para seus trabalhos - O QUE É MUITO BOM!
Quem conhece a discografia e pelo que li tem gente aqui que conhece deve saber do que estou falando.
Um disco NUNCA é igual - se quer parecido com o outro - coisa rara e repito: MUITO BOA.
Abraços aos ouvintes de bom gosto.
PS: nunca gravou "Sullivan & Massadas", sinal de que não é do tipo que obedece gravadora nem dá a famosa desculpa de que está reinventando o brega.

22 de março de 2009 12:01  

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