7 de março de 2009

Em vibrante forma, Hucknall revive hits no Rio

Resenha de Show
Título: Simply Red 25 - The Greatest Hits Tour
Artista: Simply Red
Local: Citibank Hal (RJ)
Data: 6 de março de 2009
Cotação: * * * *
Foto: Divulgação Media Mania / Marcelo Rossi

Não foi um Simply Red decadente que subiu ao palco do Citibank Hall na noite de sexta-feira, 6 de março de 2009, para fazer para seus fãs cariocas o show da The Greatest Hits Tour. Por conta da excelente forma vocal de Mick Hucknall, que reproduziu ao vivo os tons alcançados nos discos gravados pela banda ao longo de seus 25 anos de carreira, o que se viu foi um grande show. Nem parecia uma turnê de despedida que anuncia o fim do Simply Red para que Hucknall possa se dedicar à carreira solo. Durante uma hora e meia, o vocalista empilhou hits de seu grupo com frescor e ânimo. "Vocês foram realmente incríveis esta noite. Obrigado pela noite! Maravilhoso!", saudou Hucknall ao fim do segundo bis, dado com a balada If You Don't Know me by Now, cantada em vibrante coro pelo público que encheu a pista e os camarotes da casa. Dez!!

Mich Hucknall não estava fazendo média. O público - quarentão, em sua maioria - fez sua parte e ajudou a dar o tom entusiasmado do show. Desde o primeiro dos 21 números, It's Only Love, ficou claro que seria fácil para o Simply Red ganhar o jogo e a platéia. "Obrigado", já disse cantor, em português, ao perceber já nessa primeira música a recepção calorosa. Compositor subestimado na cena mundial, Hucknall mostrou, ao recordar hits como A New Flame, que domina bem o idioma pop. Sua música é sedutora, não abre mão de um refrão e flerta com o soul e o r & b na medida certa para não afugentar seu público habituado a ouvir um pop de tonalidade branca. Feliz, esse público ouviu músicas como Never Never Love e Your Mirror. Os hits, claro, dominaram o roteiro. Posicionada logo na primeira metade do show, uma seqüência matadora com For your Babies (com arranjo idêntico ao da gravação original), Holding Back the Years (com direito a breve solo do saxofone de Ian Kirkham e floreios vocais de Hucknall no fim) e You Make me Feel Brand New (a setentista balada-baba do repertório do grupo The Stylistics, revivida pelo Simply Red em 2003) eletrizou os fãs, que acompanharam as músicas em alto e bom som. Surpreendido pelo calor da público, Hucknall até virou o microfone para os seus fãs a fim de incentivar o coro popular (coisa rara nas formais platéias européias). E o fato é que, com ou sem coro, Hucknall em nenhum momento baixou o tom. No citado sucesso do Stylistics, alternou timbres graves e agudos, provando que a sua artilharia vocal é a mesma dos tempos áureos da banda.

Sim, é fato que o melhor repertório do Simply Red se concentra no período 1985-1991. Ao longo dos anos 90, a banda entrou em processo de decadência que - verdade seja dita - não é perceptível no show. O roteiro é bem enxuto e mescla diversos climas. A primeira mudança vem com o reggae Night Nurse, da seara da dupla jamaicana Sly and Robbie. Na seqüência, The Air that I Breathe - música do conterrâneo The Hollies, saudado em cena por Hucknall como "a primeira grande banda de Manchester" - mostrou que, ao vivo ou no estúdio, o Simply Red sabe se apropriar bem de material alheio. Um terceiro número - o de Go Now, tema da banda britânica The Moody Blues, regravado pelo Simply Red em 2008 para a coletânea dupla The Greatest Hits, recém-lançada no Brasil via Som Livre - fechou o bloco de covers.

Sim, é fato também que, em músicas como Fake e Thrill me, a apresentação carioca da The Greatest Hits Tour deu ligeira caída para retomar logo o pique com Stars (número de efeito quase catártico), Come to my Aid e The Right Thing, música em que Hucknall ensaiou alguns trejeitos e passos mais erotizados. Na seqüência, vieram Sunrise e Something Got me Started, outro número em que a temperatura subiu no palco e na platéia. Um primeiro bis aquém do pique do show - com Fairground e Money's Too Tight (to Mention) - sugeriu um anticlímax. Até que Hucknall e Cia. voltaram à cena para fechar com chave de ouro (isto é, com o hit You Don't Know me by Now) um grande show de uma banda eficiente que - ao contrário do que pode fazer supor seu atual momento revisionista, típico do anunciado fim de carreira - não se portou em cena de maneira anêmica, burocrática ou melancólica.

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Não foi um Simply Red decadente que subiu ao palco do Citibank Hall na noite de sexta-feira, 6 de março de 2009, para fazer para seus fãs cariocas o show da The Greatest Hits Tour. Por conta da excelente forma vocal de Mick Hucknall, que reproduziu ao vivo os tons alcançados nos discos gravados pela banda ao longo de seus 25 anos de carreira, o que se viu foi um grande show. Nem parecia uma turnê de despedida que anuncia o fim do Simply Red para que Hucknall possa se dedicar à carreira solo. Durante uma hora e meia, o vocalista empilhou hits de seu grupo com frescor e ânimo. "Vocês foram realmente incríveis esta noite. Obrigado pela noite! Maravilhoso!", saudou Hucknall ao fim do segundo bis, dado com a balada If You Don't Know me by Now, cantada em vibrante coro pelo público que encheu a pista e os camarotes da casa. Dez!!

Mich Hucknall não estava fazendo média. O público - quarentão, em sua maioria - fez sua parte e ajudou a dar o tom entusiasmado do show. Desde o primeiro dos 21 números, It's Only Love, ficou claro que seria fácil para o Simply Red ganhar o jogo e a platéia. "Obrigado", já disse cantor, em português, ao perceber já nessa primeira música a recepção calorosa. Compositor subestimado na cena mundial, Hucknall mostrou, ao recordar hits como A New Flame, que domina bem o idioma pop. Sua música é sedutora, não abre mão de um refrão e flerta com o soul e o blues na medida certa para não afugentar seu público habituado a ouvir um pop de tonalidade branca. Feliz, esse público ouviu músicas como Never Never Love e Your Mirror. Os hits, claro, dominaram o roteiro. Posicionada logo na primeira metade do show, uma seqüência matadora com For your Babies (com arranjo idêntico ao da gravação original), Holding Back the Years (com direito a breve solo do saxofone de Ian Kirkham e floreios vocais de Hucknall no fim) e You Make me Feel Brand New (a balada setentista do repertório do grupo The Stylistics, revivida pelo Simply Red em 2003) eletrizou os fãs, que acompanharam as músicas em alto e bom som. Surpreendido pelo calor da platéia, Hucknall até virou seu microfone para a platéia a fim de incentivar o coro popular (coisa rara nas formais platéias européias). E o fato é que, com ou sem coro, Hucknall em nenhum momento baixou o tom. No citado sucesso do Stylistics, alternou timbres graves e agudos, provando que a sua artilharia vocal é a mesma dos tempos áureos da banda.

Sim, é fato que o melhor repertório do Simply Red se concentra no período 1985-1991. Ao longo dos anos 90, a banda entrou em processo de decadência que - verdade seja dita - não é perceptível no show. O roteiro é bem enxuto e mescla vários climas. A primeira mudança vem com o reggae Night Nurse, da seara da dupla jamaicana Sly and Robbie. Na seqüência, The Air that I Breathe - música do conterrâneo The Hollies, saudado em cena por Hucknall como "a primeira grande banda de Manchester" - mostrou que, ao vivo ou no estúdio, o Simply Red sabe se apropriar bem de material alheio. Um terceiro número - o de Go Now, tema da banda britânica The Moody Blues, regravado pelo Simply Red em 2008 para a coletânea dupla The Greatest Hits, recém-lançada no Brasil via Som Livre - fechou o bloco de covers.

Sim, é fato também que, em músicas como Fake e Thrill me, a apresentação carioca da The Greatest Hits Tour deu ligeira caída para retomar logo o pique com Stars (número de efeito quase catártico), Come to my Aid e The Right Thing, música em que Hucknall ensaiou alguns trejeitos e passos mais erotizados. Na seqüência, vieram Sunrise e Something Got me Started, outro número em que a temperatura subiu no palco e na platéia. Um primeiro bis aquém do pique do show - com Fairground e Money's Too Tight (to Mention) - sugeriu um anticlímax. Até que Hucknall e Cia. voltaram à cena para fechar com chave de ouro (isto é, com o hit You Don't Know me by Now) um grande show de uma banda eficiente que - ao contrário do que pode fazer supor seu atual momento revisionista, típico do anunciado fim de carreira - não se portou em cena de maneira anêmica, burocrática ou melancólica.

7 de março de 2009 14:07  
Anonymous feroli said...

Foi exatamente o que aconteceu: um grande show de uma banda longe da decadência.

The Air That I Breath e Go Now, em seqüência, foram escolhas mortais e certeiras..

7 de março de 2009 22:10  
Anonymous Anderson Nascimento said...

É uma pena que o Simply Red esteja mesmo acabando. Acredito que o Mick Hucknall deverá lançar algumas coisas que não dá para fazer com o Simply Red, e depois reativar a banda...o legado é grande e os fãs mais ainda.

8 de março de 2009 11:05  
Anonymous Anônimo said...

Viajei 2.000 km para ver esse show. Valeu a pena, foi espetacular!

9 de março de 2009 22:16  
Anonymous Anônimo said...

Quisera eu ter viajado 4.000 km para ver esse show... (snif, snif)

Welerson André

10 de março de 2009 12:16  
Anonymous Anônimo said...

alguém filmou night nurse no show do citibank hall?

se puder me mandar o link...

celuxarj@yahoo.com.br


abraços

12 de março de 2009 15:33  

Postar um comentário

<< Home