30 de novembro de 2008

'Labiata' de Lenine demora a florescer no palco

Resenha de Show
Título: Labiata
Artista: Lenine (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Vivo Rio (RJ)
Data: 29 de novembro de 2008
Cotação: * * *
Agenda da turnê Labiata em dezembro de 2008:
* 5 de dezembro - Sesc Ribeirão Preto (SP)
* 6 de dezembro - Sesc São José dos Campos (SP)
* 10 de dezembro - Teatro Guaíra - Curitiba (PR)
* 11 de dezembro - Floripa Music Hall - Florianópolis (SC)
* 12 de dezembro - Bourbon Shopping Country - Porto Alegre (RS)

Se algum espectador retardatário tivesse chegado no primeiro ou no segundo bis da única apresentação carioca da turnê Labiata na noite de sábado, 29 de novembro de 2008, ficaria com a impressão errada de que o novo show de Lenine reedita o caráter explosivo de espetáculos anteriores do artista. Na realidade, Labiata demora a florescer no palco. Na apresentação que lotou a casa Vivo Rio, o show somente começou a esquentar no segundo bloco, quando Lenine volta ao palco - então generosamente cedido a Pantico Rocha para que o baterista apresente a música A Visita - para cantar a balada É o que Interessa, sucesso da trilha sonora da novela A Favorita e, por isso mesmo, a música mais conhecida do repertório do sexto CD solo do cantor e compositor.

A partir da volta de Lenine à cena, o show engrena. Músicas como Lavadeira do Rio - turbinada com o peso da guitarra de Jr. Tostoi, também responsável pelas programações eletrônicas - conseguem manter o pique num bloco que vai crescendo com Do It (o tema propagado na abertura da novela Belíssima, reconhecível já no riff inicial) e O Céu É Muito (parceria de Lenine com Arnaldo Antunes, cuja letra poética é encoberta pela atmosfera roqueira do excelente número). O fim, belíssimo, é feito num anticlímax. Sozinho em cena, após apresentar os músicos que vão deixando o palco, Lenine entoa os versos de Continuação, reeditando a ambiência etérea da gravação que fecha o álbum Labiata. Quando retorna, para fazer o bis com as músicas pedidas pelo público em votação na internet, o show retoma o clima explosivo em O Atirador, Alzira e a Torre e Hoje Eu Quero Sair Só - as duas últimas com a intensa e espontânea participação do público predominantemente jovem que ocupou a pista e as mesas da casa Vivo Rio (o patrocínio para a turnê, obtido dentro do projeto Natura Musical, tem viabilizado a realização dos shows com preços acessíveis). No segundo bis, a balada Paciência envolve a platéia e consolida o fim redentor de show que começa sem pique.

A rigor, Labiata é o álbum de Lenine que soa mais irregular por conta do repertório menos inspirado. Ainda assim, os arranjos valorizam as músicas. No show, o cantor nem sempre reedita a contundência do CD. O roteiro soa especialmente anênico nos primeiros números. Martelo Bigorna, Lá e Lô, Magra e Samba e Leveza (a parceria póstuma de Lenine com Chico Science) não conseguem empolgar. Talvez pela pegada excessivamente suave que contrasta com o peso quase metaleiro de shows anteriores do artista, em especial Falange Canibal. No caso de É Fogo e de A Mancha, os registros ao vivo não contam com o reforço da Parede que sustenta as gravações de estúdio. Em contrapartida, Lá Vem a Cidade - o primeiro grande momento do show - consegue ampliar a pulsação épica do disco. É número que Lenine valoriza com gestual intenso. O canto é feito também com o corpo. Já Nem Sol, Nem Lua, Nem Eu brilha menos com a levada de reggae imposta pelo baixo de Guila. Da mesma forma que, no palco, a Ciranda Praieira morre na praia. Entre altos e baixos, paira a sensação de que a música de Lenine já resultou mais envolvente em cena. Basta comparar o atual espetáculo com o requintado Acústico MTV apresentado em 2006 pelo artista. Contudo, pode ser que, ao longo da turnê que vai se estender por 2009, Labiata enfim desabroche com mais força e faça jus ao histórico de belos shows da carreira solo de Lenine. Para tal, é preciso (re)ajustar o roteiro.

5 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Se algum espectador retardatário tivesse chegado no primeiro ou no segundo bis da única apresentação carioca da turnê Labiata na noite de sábado, 29 de novembro de 2008, ficaria com a impressão errada de que o novo show de Lenine reedita o caráter explosivo de espetáculos anteriores do artista. Na realidade, Labiata demora a florescer no palco. Na apresentação que lotou a casa Vivo Rio, o show somente começou a esquentar no segundo bloco, quando Lenine volta ao palco - então generosamente cedido a Pantico Rocha para que o baterista apresente a música A Visita - para cantar a balada É o que Interessa, sucesso da trilha sonora da novela A Favorita e, por isso mesmo, a música mais conhecida do repertório do sexto CD solo do cantor e compositor.

A partir da volta de Lenine à cena, o show engrena. Músicas como Lavadeira do Rio - turbinada com o peso da guitarra de Jr. Tostoi, também responsável pelas programações eletrônicas - conseguem manter o pique num bloco que vai crescendo com Do It (o tema propagado na abertura da novela Belíssima, reconhecível já no riff inicial) e O Céu É Muito (parceria de Lenine com Arnaldo Antunes, cuja letra poética é encoberta pela atmosfera roqueira do excelente número). O fim, belíssimo, é feito num anticlímax. Sozinho em cena, após apresentar os músicos que vão deixando o palco, Lenine entoa os versos de Continuação, reeditando a ambiência etérea da gravação que fecha o álbum Labiata. Quando retorna, para fazer o bis com as músicas pedidas pelo público em votação na internet, o show retoma o clima explosivo em O Atirador, Alzira e a Torre e Hoje Eu Quero Sair Só - as duas últimas com a intensa e espontânea participação do público predominantemente jovem que ocupou a pista e as mesas da casa Vivo Rio (o patrocínio para a turnê, obtido dentro do projeto Natura Musical, tem viabilizado a realização dos shows com preços acessíveis). No segundo bis, a balada Paciência envolve a platéia e consolida o fim redentor de show que começa sem pique.

A rigor, Labiata é o álbum de Lenine que soa mais irregular por conta do repertório menos inspirado. Ainda assim, os arranjos valorizam as músicas. No show, o cantor nem sempre reedita a contundência do CD. O roteiro soa especialmente anênico nos primeiros números. Martelo Bigorna, Lá e Lô, Magra e Samba e Leveza (a parceria póstuma de Lenine com Chico Science) não conseguem empolgar. Talvez pela pegada excessivamente suave que contrasta com o peso quase metaleiro de shows anteriores do artista, em especial Falange Canibal. No caso de É Fogo e de A Mancha, os registros ao vivo não contam com o reforço da Parede que sustenta as gravações de estúdio. Em contrapartida, Lá Vem a Cidade - o primeiro grande momento do show - consegue ampliar a pulsação épica do disco. É número que Lenine valoriza com gestual intenso. O canto é feito também com o corpo. Já Nem Sol, Nem Lua, Nem Eu brilha menos com a levada de reggae imposta pelo baixo de Guila. Da mesma forma que, no palco, a Ciranda Praieira morre na praia. Entre altos e baixos, paira a sensação de que a música de Lenine já resultou mais envolvente em cena. Basta comparar o atual espetáculo com o requintado Acústico MTV apresentado em 2006 pelo artista. Contudo, pode ser que, ao longo da turnê que vai se estender por 2009, Labiata enfim desabroche com mais força e faça jus ao histórico de belos shows da carreira solo de Lenine. Para tal, é preciso (re)ajustar o roteiro.

30 de novembro de 2008 às 11:07  
Anonymous Anônimo said...

Tem razão, Mauro. o show demorou mesmo a empolgar. Mas acho que o som também atrapalhou. Me pareceu muito embolado no começo. O Vivo Rio tem uma acústica muito desigual. Dependendo do ponto onde se está sentado, pode ser muito ruim, especialmente as laterais que estão além das caixas de som. Prestei atenção nisso no show do Ney na festa da MPB FM. Era pista, deu para circular e prestar atenção nos pontos onde o som estava melhor. Bom te ver no show! Abraço, Marcio

PS: Aliás, show do Ney com pista é muito melhor.

30 de novembro de 2008 às 11:58  
Anonymous Anônimo said...

Lenine teve aqui em Recife semana passada, fez dois shows lotados e muito bem recebidos por público e crítica.
Só gosto de uma ou outra música por isso não fui, mas respeito.

Jose Henrique

30 de novembro de 2008 às 16:42  
Anonymous Anônimo said...

Assim como há artistas que nasceram para o palco, Lenine nasceu para o estúdio, não é à tôa que também é produtor de outros artistas.
COMPETENTE no estúdio. No palco: mediano.

30 de novembro de 2008 às 20:19  
Anonymous Anônimo said...

Concordo com meu xará não, Lenine é um furacão no palco, o repertório do Labiata que é menos inspirado...

1 de dezembro de 2008 às 02:43  

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