15 de setembro de 2010

Sartori põe voz e técnica a serviço de Franciscos

Resenha de CD
Título: Franciscos na Voz
de Mateus Sartori
Artista: Mateus Sartori
Gravadora: Tratore
Cotação: * * * 1/2
Quem ouviu discos como o tributo coletivo Ataulfo Alves - 100 Anos (Lua Music, 2009) sabe que Mateus Sartori é um dos excelentes cantores brasileiros ainda não descobertos pelo dito grande público. Dois anos depois de celebrar a obra de Dorival Caymmi (1914 - 2008) no majestoso álbum Dois de Fevereiro (2008), Sartori volta ao mercado fonográfico com seu terceiro CD, Franciscos na Voz de Mateus Sartori. Sob a produção elegante e leve do pianista Tiago Costa, Sartori põe sua técnica vocal a serviço de músicas de compositores brasileiros batizados com o nome de Francisco. Quando alia essa técnica à alguma emoção, como na doída canção Lembrança Boa (Zezo Ribeiro e Chico César) e na valsa Eu Sonhei que Tu Estavas tão Linda (Lamartine Babo e Francisco Mattoso), o disco resulta mais sedutor. Contudo, certa frieza técnica pauta uma ou outra interpretação - sobretudo a de Pandeiro É meu Nome (Chico da Silva e Venâncio) - e deixa a impressão de que Sartori poderia brilhar mais se pusesse na voz o sentimento que já brotou em discos anteriores. Ainda assim, o álbum é ótimo cartão de visitas para quem quiser descobrir um cantor cheio de suingue para entoar sambas como Cantando no Toró (Chico Buarque) - em arranjo adornado pelo violão magistral de Chico Pinheiro - e Doce Sereia (João Bosco e Francisco Bosco). Doce Sereia, sobretudo, emerge na voz de Sartori como um grande samba de Bosco que merece ser mais ouvido. Entre cantos que evocam o espírito do Rio de Janeiro (Morro Dois Irmãos, Chico Buarque) e de Minas Gerais (Casa Aberta, Flávio Henrique e Chico Amaral - outro bom momento do álbum), o paulista Sartori recebe Chico César em Nicanor Belas Artes - parceria bissexta de João Nogueira (1941 - 2000) com Chico Anysio - para dueto que não explora toda a espirituosidade do tema. Mas Chico César está presente na ficha técnica da faixa que é um dos destaques de Franciscos na Voz de Mateus Sartori: Dúvida Cruel, frenética parceria de César com Itamar Assumpção (1949 - 2003), pouco conhecida, mas entre as melhores produções de ambos. Enfim, os Franciscos da música brasileira são bem tratados pela voz de Sartori, ainda que permaneça a sensação de que Sartori poderia brilhar (ainda) mais.

7 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Quem ouviu discos como o tributo coletivo Ataulfo Alves - 100 Anos (Lua Music, 2009) sabe que Mateus Sartori é um dos excelentes cantores brasileiros ainda não descobertos pelo dito grande público. Dois anos depois de celebrar a obra de Dorival Caymmi (1914 - 2008) no majestoso álbum Dois de Fevereiro (2008), Sartori volta ao mercado fonográfico com seu terceiro CD, Franciscos na Voz de Mateus Sartori. Sob a produção elegante e leve do pianista Tiago Costa, Sartori põe sua técnica vocal a serviço de músicas de compositores brasileiros batizados com o nome de Francisco. Quando alia essa técnica à alguma emoção, como na doída canção Lembrança Boa (Zezo Ribeiro e Chico César) e na valsa Eu Sonhei que Tu Estavas tão Linda (Lamartine Babo e Francisco Mattoso), o disco resulta mais sedutor. Contudo, certa frieza técnica pauta uma ou outra interpretação - sobretudo a de Pandeiro É meu Nome (Chico da Silva e Venâncio) - e deixa a impressão de que Sartori poderia brilhar mais se pusesse na voz o sentimento que já brotou em discos anteriores. Ainda assim, o álbum é ótimo cartão de visitas para quem quiser descobrir um cantor cheio de suingue para entoar sambas como Cantando no Toró (Chico Buarque) - em arranjo adornado pelo violão magistral de Chico Pinheiro - e Doce Sereia (João Bosco e Francisco Bosco). Doce Sereia, sobretudo, emerge na voz de Sartori como um grande samba de Bosco que merece ser mais ouvido. Entre cantos que evocam o espírito do Rio de Janeiro (Morro Dois Irmãos, Chico Buarque) e de Minas Gerais (Casa Aberta, Flávio Henrique e Chico Amaral - outro bom momento do álbum), o paulista Sartori recebe Chico César em Nicanor Belas Artes - parceria bissexta de João Nogueira (1941 - 2000) com Chico Anysio - para dueto que não explora toda a espirituosidade do tema. Mas Chico César está presente na ficha técnica da faixa que é um dos destaques de Franciscos na Voz de Mateus Sartori: Dúvida Cruel, frenética parceria de César com Itamar Assumpção (1949 - 2003), pouco conhecida, mas entre as melhores produções de ambos. Enfim, os Franciscos da música brasileira são bem tratados pela voz de Sartori, ainda que permaneça a sensação de que Sartori poderia brilhar (ainda) mais.

15 de setembro de 2010 08:32  
Blogger ramses said...

Só lembrando que este é o quarto CD de Mateus Sartori. O terceiro chama-se BARROCO.

15 de setembro de 2010 12:55  
Blogger Denilson Santos said...

Finalmente o Mauro teve tempo de resenhar esse álbum. Esperava bastante por isso.

Respeito a opinião do Mauro, mas penso que esse sim é um dos melhores álbuns de 2010.

Repertório perfeito, arranjos maravilhosos, arte gráfica originalíssima e, principalmente, a voz espetacular do Mateus Sartori justificam minha opinião.

Espero que a voz e o talento do Mateus Sartori brilhem ainda mais.

abração,
Denilson Santos

15 de setembro de 2010 13:14  
Blogger André Luís said...

Ora, ora, finalmente uma resenha sobre o maravilhoso trabalho que o Mateus faz há tempos! Esse novo trabalho ainda não conferi totalmente, só ouvi trechos das músicas, mas é bom apreciar com calma, cuidado e carinho.

Mas tenho certeza que é mais um primor aos ouvidos, deste que é uma das mais belas vozes masculinas atualmente.

15 de setembro de 2010 13:52  
Blogger Luciano said...

Vi Mateus Sartori no BNDS este ano. O disco de Dorival Caymmi é estupendo, mas este com o tema Franicscos é muito fraco. Parece que Sartori canta metodicamente igual. Concordo com sua crítica Mauro. Está sem emoção, técnico.
Em casa está chato de ouvir.
Acho os arranjos meio vazios, sem cama para a voz. Prefiro o CD do Caymmi. Ainda é o melhor.

15 de setembro de 2010 16:21  
Blogger Jorge Reis said...

Mateus é o máximo em tecnica vocal.
É do "bonde" de Renato Braz (excelente) e Monica Salmazo (estupenda), trocando em miúdos, não preciso dizer mais nada...
Não vai chegar nunca ao grande público, ou algo que o valha, a peble gosta é de música poara adestrar macaco.
Vou correndo comprar...

15 de setembro de 2010 17:34  
Blogger Beto said...

Mateus Sartori merece ser conhecido pelo grande público. Ele é um dos grandes talentos de nossa musica. Envio a ele os merecidos parabéns pelo grande trabalho.

16 de setembro de 2010 08:49  

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