26 de setembro de 2010

Mesmo triste, o quintal de Zeca dá frutos nobres

Resenha de CD
Título: Vida da
Minha Vida
Artista: Zeca Pagodinho
Gravadora: Universal
Music
Cotação: * * * *

O quintal de Zeca Pagodinho está bem mais triste. Contudo, essa melancolia romântica de alguns sambas do 21º álbum do artista não chega alterar a fórmula implementada por Rildo Hora a partir do disco Samba pras Moças (1995). Vida da Minha Vida é mais um grande CD de Zeca. É fato que a dolência de sambas como Hoje Sei que te Amo (Nelson Rufino) e Desacerto (Toninho Geraes, Fabinho do Terreiro e Randley Carioca) - ambos embalado com cordas pelo recorrente e hábil produtor Rildo Hora - contrasta com o jeito moleque que identifica o pagodeiro no universo musical. Em contrapartida, o samba de gafieira Quem Passa Vai Parar (Efson, Marquinhos PQD e Carlito Cavalcanti) - gravado em dueto com Alcione - evoca a imagem de boêmio feliz associada a Zeca. Na alegria ou na tristeza, o padrão do repertório de Zeca Pagodinho continua alto. Vida da Minha Vida (Sereno e Moacyr Luz) - samba já gravado por Zeca no último CD do co-autor Moacyr Luz, Batucando (2009) - já faz saltar aos ouvidos, logo na abertura, a excelência do repertório. Seja apresentando ótimas inéditas como Dolores e suas Desilusões (Monarco e Mauro Diniz) ou regravando sambas como Encanto da Paisagem em dueto com o autor Nelson Sargento, Pagodinho quase nunca sai do tom - com a vantagem de que sua voz jamais soou tão bem colocada em disco como neste Vida da Minha Vida. No mesmo disco em que pede à benção aos antepassados dos terreiros da Serrinha com sublime regravação de Candeeiro de Vovó (Ivone Lara e Délcio Carvalho), feita com adesão da Velha Guarda do Império Serrano, Zeca celebra a chegada do neto Noah em Orgulho do Vovô (composto por ele em parceria com o compadre Arlindo Cruz) e reza pela cartilha radiofônica mais popular ao reviver Poxa, o samba que pôs Gilson de Souza nas paradas em 1975. De quebra, Pagodinho dá voz a um samba de Fagner (Um Real de Amor, feito com Brandão) e evoca de novo o clima de gafieira - guiado pelos sopros arranjados por Eduardo Neves - no menos inspirado O Puxa-Saco (Alamir, Roberto Lopes e Levy Vianna), moldado na mesma linha bem-humorada de O Garanhão (Zé Roberto), samba já em rotação na trilha sonora da novela Passione. Entre bela celebração do partideiros (O Som do Samba, da lavra de Marcos Diniz, Barbeirinho do Jacarezinho e Luiz Grande, o Trio Calafrio) e a expiação de dores de amores (Pela Casa Inteira, de Almir Guineto com Adalto Magalha e Fred Camacho), Zeca ainda pisa leve em terreno ruralista em Chama de Saudade, grande lírico samba de Serginho Meriti e Beto sem Braço (1940 - 1993), lançado por Marquinhos Satã em 1986. Com um pé no passado e outro no presente, o quintal ora mais melancólico de Zeca Pagodinho continua dando saborosos frutos neste belo disco.

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

O quintal de Zeca Pagodinho está bem mais triste. Contudo, a melancolia romântica de alguns sambas do 21º álbum do artista não chega alterar a fórmula implementada por Rildo Hora a partir do disco Samba pras Moças (1995). Vida da Minha Vida é mais um grande CD de Zeca. É fato que a dolência de sambas como Hoje Sei que te Amo (Nelson Rufino) e Desacerto (Toninho Geraes, Fabinho do Terreiro e Randley Carioca) - ambos embalado com cordas pelo recorrente e hábil produtor Rildo Hora - contrasta com o jeito moleque que identifica o pagodeiro no universo musical. Em contrapartida, o samba de gafieira Quem Passa Vai Parar (Efson, Marquinhos PQD e Carlito Cavalcanti) - gravado em dueto com Alcione - evoca a imagem de boêmio feliz associada a Zeca. Na alegria ou na tristeza, o padrão do repertório de Zeca Pagodinho continua alto. Vida da Minha Vida (Sereno e Moacyr Luz) - samba já gravado por Zeca no último CD do co-autor Moacyr Luz, Batucando (2009) - já faz saltar aos ouvidos, logo na abertura, a excelência do repertório. Seja apresentando ótimas inéditas como Dolores e suas Desilusões (Monarco e Mauro Diniz) ou regravando sambas como Encanto da Paisagem em dueto com o autor Nelson Sargento, Pagodinho quase nunca sai do tom - com a vantagem de que sua voz jamais soou tão bem colocada em disco como neste Vida da Minha Vida. No mesmo disco em que pede à benção aos antepassados dos terreiros da Serrinha com sublime regravação de Candeeiro de Vovó (Ivone Lara e Délcio Carvalho), feita com adesão da Velha Guarda do Império Serrano, Zeca celebra a chegada do neto Noah em Orgulho do Vovô (composto por ele em parceria com o compadre Arlindo Cruz) e reza pela cartilha radiofônica mais popular ao reviver Poxa, o samba que pôs Gilson de Souza nas paradas em 1975. De quebra, Pagodinho dá voz a um samba de Fagner (Um Real de Amor, feito com Brandão) e evoca de novo o clima de gafieira - guiado pelos sopros arranjados por Eduardo Neves - no menos inspirado O Puxa-Saco (Alamir, Roberto Lopes e Levy Vianna), moldado na mesma linha bem-humorada de O Garanhão (Zé Roberto), samba já em rotação na trilha sonora da novela Passione. Entre bela celebração do partideiros (O Som do Samba, da lavra de Marcos Diniz, Barbeirinho do Jacarezinho e Luiz Grande, o Trio Calafrio) e a expiação de dores de amores (Pela Casa Inteira, de Almir Guineto com Adalto Magalha e Fred Camacho), Zeca ainda pisa leve em terreno ruralista em Chama de Saudade, grande lírico samba de Serginho Meriti e Beto sem Braço (1940 - 1993), lançado por Marquinhos Satã em 1986. Com um pé no passado e outro no presente, o quintal ora mais melancólico de Zeca Pagodinho continua dando saborosos frutos neste belo disco.

26 de setembro de 2010 18:05  
Blogger Luca said...

Fagner fazendo samba? isso eu queria ouvir...

26 de setembro de 2010 18:48  
Blogger Geraldo said...

A música Um Real de Amor é muito bonita. Foi gravada por Fagner e Zeca Baleiro no disco que os dois gravaram juntos em 2003. Foi um grande acerto de Pagodinho ter resgatado uma música que acabou esquecida naquele belíssimo trabalho dos dois cantores.

26 de setembro de 2010 19:05  
Blogger Geraldo said...

A música Um Real de Amor é muito bonita. Foi gravada por Fagner e Zeca Baleiro no disco que os dois gravaram juntos em 2003. Foi um grande acerto de Pagodinho ter resgatado uma música que acabou esquecida naquele belíssimo trabalho dos dois cantores.

26 de setembro de 2010 19:05  
Blogger Valente said...

Simpatizo muito com a figura do Zeca e acho compreensível seu sucesso e apelo popular. Mas ao ouvir seus discos sempre tenho a impressão de que todas as músicas parecem a mesma. O mesmo aconteceu no único show que assisti do sambista. Alguém mais tem essa sensação?

27 de setembro de 2010 00:21  
Blogger Marcelo Barbosa said...

Bom, meu cd chegou hoje. Já tinha escrito antes que acho a música Poxa, uma chatice, nunca gostei e a regravação do Zeca é bastante burocrática.
Muito bem observado pelo Mauro, de fato é um dos cd's mais melancólicos do Zeca, o que não o diminui em nada, pelo contrário!Gostei mais do Vida da minha vida ao anterior de estúdio: Uma prova de amor.
O disco já vale por dois LINDOS sambas. Me apaixonei de cara por Hoje sei que te amo. Que samba mais lindo! Só poderia ser do cracaço Nelson Rufino. Cheguei a conclusão que teve cantora que escolheu o baiano errado! rsrs
Aliás, o baiano é presença recorrente nos discos do Zeca. Muito legal da parte dele seguir com Nelson que tinha em Roberto Ribeiro o seu principal porta-voz.
O outro samba lindo chama-se: Desacerto, dos compositores: Toninho Geraes, Fabinho do Terreiro e Randley Carioca.
Curti a regravação de Candeeiro de Vovó, de Délcio Carvalho e da Rainha Ivone, com o auxílio não menos majestoso da Velha Guarda do Império Serrano. Demais! Uma outra visão, menos dolente e ao mesmo tempo negra e escrava.
Não é implicância minha, mas não curti a fubalândia de Quem passa vai parar em dueto com Alcione...e para os que gostam de associar a Beth à lage, a Marrom convida a todos para uma bela duma churrascada no final. Ri muito e curti! rs
Alcione canta bem, canta MUITO, mas o samba não seduz. Talvez se tivesse cantado os dois grandes sambas citados acima teria rendido muito mais.
No mais os outros sambas são bons e não deixam a desejar. Grande disco do Zeca que eu espero que tenha bastante execução. Abraços,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

29 de setembro de 2010 20:29  

Postar um comentário

<< Home