24 de julho de 2010

Emerge um bom cantor no curso de 'Correnteza'

Resenha de Show
Título: Correnteza
Artista: Edu Krieger (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Sala Funarte Sidney Miller
(RJ)

Data: 23 de julho de 2009
Cotação: * * * *

Edu Krieger é um músico que iniciou carreira como baixista, se revelou excelente compositor e, nos últimos cinco anos, foi se exercitando na arte de cantar. Em Correnteza, o show inspirado no segundo homônimo álbum do artista (um dos melhores discos de 2009), emerge um bom cantor, já seguro e até desenvolto em cena. A ponto de se permitir interpretar um tema alheio, A Flor e o Espinho, da melancólica lavra poética de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Ao abrir o roteiro com o samba-título, Krieger até entrou mal em cena na apresentação que fez na Sala Funarte Sidney Miller (RJ), na noite de 23 de julho de 2010. Correnteza, o samba, não veio à tona com toda a beleza do registro do disco. Só que já a partir do segundo número, Clareia, a voz foi entrando no tom, esquentando e acentuando a inspiração de obra autoral que vem despertando a atenção de cantoras como Aline Calixto (que fez participação graciosa no show), Maria Rita e Roberta Sá. Como compositor, Krieger transita pelo samba - em todos seus afluentes - e pela música nordestina. Mas já em Clareia, originalmente um samba de vertente baiana, os acordes minimalistas da guitarra de Fabiano Krieger - irmão de Edu - destroem qualquer ranço ou ideia de nacionalismo purista. Fabiano, a propósito, se revela hábil também no manejo da viola caipira que se insere em Feira Livre (parceria de Krieger com Raphael Gemal) e em outros números do show. E o fato é que o cantor - em nítida evolução, se confrontadas as interpretações do show com as de seu disco de estreia (Edu Krieger, 2006) - vai expondo ao público, em cena, a maestria da obra do compositor. Escorado no seu atípico violão de oito cordas e no virtuosismo de PC Castilho, mestre das flautas e da percussão, Krieger enfileira no roteiro temas redondos como Galileu, Graziela e A Lua É Testemunha. É certo que lhe falta certa ginga na voz para explorar ao máximo as possibilidades de Maria do Socorro, número em que Fabiano Krieger simula bem sons de cavaquinho na guitarra. Mas eventuais limitações como intérprete não atenuam a beleza de um show cujo roteiro agrega joias como A Mais Bonita de Copacabana, Temporais (bissexta parceria de Krieger com Geraldo Azevedo, autor da melodia letrada com poesia), Novo Amor (em clima de samba-choro), Ciranda do Mundo (primeiro hit do cantor em vozes alheias) e Desafio. Tudo embalado em arranjos fluentes pelo trio afinado formado por Edu, Fabiano e PC Castilho. Apenas Ela Entrava - um dos números do set da convidada Aline Calixto - se ressente da comparação com o registro de estúdio porque o naipe de cuícas do arranjo do disco é imbatível. Enfim, o show Correnteza reitera o talento de Edu Krieger como compositor. E, no bis, quando o artista começa a capella o repente Deus Conserve pra Sempre meu Bom Senso Temperado com Pitadas de Loucura, número que culmina com citação instrumental do afro-samba Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes), fica a certeza de que o cantador tem lá seus encantos no palco e evolui muito no curso de Correnteza.

13 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Edu Krieger é um músico que iniciou carreira como baixista, se revelou excelente compositor e, nos últimos cinco anos, foi se exercitando na arte de cantar. Em Correnteza, o show inspirado no segundo homônimo álbum do artista (um dos melhores discos de 2009), emerge um bom cantor, já seguro e até desenvolto em cena. A ponto de se permitir interpretar um tema alheio, A Flor e o Espinho, da melancólica lavra poética de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Ao abrir o roteiro com o samba-título, Krieger até entrou mal em cena na apresentação que fez na Sala Funarte Sidney Miller (RJ), na noite de 23 de julho de 2010. Correnteza, o samba, não veio à tona com toda a beleza do registro do disco. Só que já a partir do segundo número, Clareia, a voz foi entrando no tom, esquentando e acentuando a inspiração de obra autoral que vem despertando a atenção de cantoras como Aline Calixto (que fez participação graciosa no show), Maria Rita e Roberta Sá. Como compositor, Krieger transita pelo samba - em todos seus afluentes - e pela música nordestina. Mas já em Clareia, originalmente um samba de vertente baiana, os acordes minimalistas da guitarra de Fabiano Krieger - irmão de Edu - destroem qualquer ranço ou ideia de nacionalismo purista. Fabiano, a propósito, se revela hábil também no manejo da viola caipira que se insere em Feira Livre (parceria de Krieger com Raphael Gemal) e em outros números do show. E o fato é que o cantor - em nítida evolução, se confrontadas as interpretações do show com as de seu disco de estreia (Edu Krieger, 2006) - vai expondo ao público, em cena, a maestria da obra do compositor. Escorado no seu atípico violão de oito cordas e no virtuosismo de PC Castilho, mestre das flautas e da percussão, Krieger enfileira no roteiro temas redondos como Galileu, Graziela e A Lua É Testemunha. É certo que lhe falta certa ginga na voz para explorar ao máximo as possibilidades de Maria do Socorro, número em que Fabiano Krieger simula bem sons de cavaquinho na guitarra. Mas eventuais limitações como intérprete não atenuam a beleza de um show cujo roteiro agrega joias como A Mais Bonita de Copacabana, Temporais (bissexta parceria de Krieger com Geraldo Azevedo, autor da melodia letrada com poesia), Novo Amor (em clima de samba-choro), Ciranda do Mundo (primeiro hit do cantor em vozes alheias) e Desafio. Tudo embalado em arranjos fluentes pelo trio afinado formado por Edu, Fabiano e PC Castilho. Apenas Ela Entrava - um dos números do set da convidada Aline Calixto - se ressente da comparação com o registro de estúdio porque o naipe de cuícas do arranjo do disco é imbatível. Enfim, o show Correnteza reitera o talento de Edu Krieger como compositor. E, no bis, quando o artista começa a capella o repente Deus Conserve pra Sempre meu Bom Senso Temperado com Pitadas de Loucura, número que culmina com citação instrumental do afro-samba Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes), fica a certeza de que o cantador tem lá seus encantos no palco e evolui muito no curso de Correnteza.

24 de julho de 2010 13:39  
Anonymous Anônimo said...

Nem na MPB FM ou na JB FM " Ciranda do Mundo" é hit.

24 de julho de 2010 22:05  
Blogger Luca said...

O anônimno das 22:05 raciocina como antigamente: tem muita música que todo mundo canta em show e que não toca na rádio nem na tv. Os canais são outros, se liga...

24 de julho de 2010 22:35  
Blogger Pedro Progresso said...

Ouvi o novo disco de Edu Krieger e discordo da crítica do Mauro que diz que Edu não é um cantor nato.

Assim como Chico Buarque, ele muitas vezes é o melhor intérprete de suas canções. Concordo no que diz respeito ao disco anterior, mas nesse "Correnteza" acho difícil.

Edu se revela bom cantor. Não possui muitos recursos mas ainda se sai melhor que Rodrigo Maranhão, por exemplo.

25 de julho de 2010 00:36  
Anonymous Guta said...

Edu é artista completo, canta, toca e compõe muito! Sou fã!

25 de julho de 2010 13:54  
Anonymous Elisete Maia said...

Fui a esse show, e sem dúvidas, o Edu cresce a cada dia como intérprete também. Como compositor, nem preciso falar.... é fabuloso. Adorei saber da nova parceria com a Aline Calixto. Gostei muito das composições dela também. Aliás, a participação dela deu um charme todo especial ao show. Impecável o duo em Rosa de Açucena e Ela Entrava. Amei!!

25 de julho de 2010 19:21  
Anonymous Anônimo said...

Edu com mais comments que Diogo Nogueira ???

25 de julho de 2010 21:31  
Blogger Denilson Santos said...

O show foi muito bacana. O Edu, além de bom cantor/compositor/instrumentista, é muito simpático e isso contagia a sua apresentação, de forma muito positiva. A gente sai do show dele com uma alegria no coração, que é muito legal.

Faltou apenas o Mauro comentar que, na verdade, esse show faz parte de um projeto chamado "Ecos da Cidade", em que até o mês de novembro, todas as quartas, quintas e sextas-feiras às 19hs, a Sala Funarte do Rio de Janeiro apresentará shows com ingressos a preços bem acessíveis de artistas bastante variados, indo da música erudita até a música eletrônica, incluindo debates e oficinas.

Programa imperdível. Maiores detalhes no site http://www.salafunarterj.com.br/web/ecos-da-cidade/

Fica o convite para o Mauro ir às outras apresentações desse belo projeto e fazer outras belas resenhas como essa.

abração,
Denilson

26 de julho de 2010 08:08  
Anonymous Paulo Júnior said...

Não vejo a hora desse show acontecer em BH. Conheci o Edu Krieger num show da Aline Calixto - nossa jovem musa do samba brasileiro!! Tenho certeza que não só eu, mas o público mineiro aguarda esse show por aqui, e é claro, com participação da Aline!!!

26 de julho de 2010 13:35  
Anonymous Anônimo said...

Onde fica esse sala Funarte Sidney Miller?

26 de julho de 2010 13:59  
Anonymous Denilson Santos said...

A Sala Funarte Sidney Miller fica à rua Araújo Porto Alegre esquina com rua da Imprensa, centro do Rio de Janeiro, próximo à Cinelândia.

abração,
Denilson

26 de julho de 2010 15:45  
Anonymous Anônimo said...

Pra mim "Maria do Socorro" foi o primeiro hit dele em vozes alheias

26 de julho de 2010 23:00  
Anonymous Anônimo said...

Ah! O Edu é uma beleza de compositor, tanto nas melodias, quanto - e principalmente - nas letras (que são criativas, mto bem dosadas... o Edu pinça bem as palavras e rimas qdo compõe, dá gosto de ver e ouvir). Não o acho um cantor excepcional, mas a voz e o jeito dele se encaixam perfeitamente nas suas músicas.
INfelizmente, nunca tive a oportunidade de ir a um show dele, mas pelo You Tube logo se vê que é um moço mto simpático e que, supunho eu, conduz mto bem o público e o palco.

Torço mto por ele, espero, de verdade, que faça um sucesso-hit estrondoso com alguma de suas músicas (na própria voz dele, e não por intérpretes... digo isto, para que o público o conheça).

Abs.,
PMCarv

29 de julho de 2010 16:16  

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