3 de dezembro de 2006

Mattoso conta 'causos' sem procurar encrenca

Resenha de livro
Título:
Assessora de Encrenca
Autor:
Gilda Mattoso
Editora:
Ediouro
Cotação:
* *

Assessora de imprensa desde a década de 80, já tendo trabalhado com os maiores nomes da MPB e do pop nacional, Gilda Mattoso integra o seleto time brasileiro de profissionais da área que, além de currículo, tem conhecimento de causa suficiente para esmiuçar o jogo de poder que pontua a relação entre artistas e jornalistas. No título de seu primeiro livro, Assessora de Encrenca, Mattoso dá a entender que desvenda os bastidores desse ofício tão tenso cujo exercício opõe, de um lado, jornalistas às vezes arrogantes e despreparados e, de outro, artistas em busca de status e espaço na mídia impressa com os egos inflados e trabalhos que nem sempre merecem a exposição pretendida. Só que a autora, sem procurar encrenca, se exime de revelar estes bastidores. O que faz de fato, com texto agradável, é contar causos que envolvem ídolos como Caetano Veloso (autor do terno prefácio), Tom Jobim e Vinicius de Moraes (com quem Mattoso foi casada). O tom é de adoração...

Com estilo ameno, a autora discorre sobre estes artistas com a segurança de quem não somente trabalhou, mas conviveu com eles de forma pessoal. É divertido saber que Vinicius de Moraes adorava receber visitas imerso em sua banheira e que misturava idiomas quando falava em suas apresentações internacionais. Ou então que Tom Jobim, ao fim de seu último show, em 1994, em Israel, se dirigiu à platéia pedindo em hebraico 'mais dinheiro, mais dinheiro...', quando provavelmente pensava que dizia algo como 'muito obrigado'. Ou ainda que Caetano Veloso travou luta (infrutífera) para diminuir o ar condicionado de hotel português...

A parte chata do livro é quando a autora reproduz trechos de seu diário de viagem, em que relata o cotidiano da estada de nomes como Gilberto Gil e Djavan em países estrangeiros (Gilda Mattoso começou sua trajetória no showbiz em 1978 como produtora de shows de artistas brasileiros no exterior e até hoje é requisitada para transitar com suas estrelas fora das fronteiras nacionais). Nestes relatos, falta o humor delicioso de causos como a vez em que Mattoso, ao visitar Maria Bethânia, não resistiu e comeu os acarajés destinados pela intérprete a Iansã. O tom é quase oficial...

Enfim, Assessora de Encrenca não cumpre o que o espirituoso título anuncia. Apenas diverte com várias histórias que revelam o caráter sensível - e às vezes excêntrico e melindroso - dos ídolos da MPB. E o fato é que ainda está para ser escrito um livro que desvende as regras do jogo entre assessores, jornalistas e artistas.

13 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Está descoberto o filão da MPB para lançamento de livros! Depois do oportunismo do Faour, temos a precipitação do "Travessia" que nem a discografia de Milton traz e agora este da Gilda que nos seus tempos de assessora era , ela própria, a ENCRENCA!! Haja dinheiro para comprar tudo o que tem saído. Ia esquecendo do Diconário Cravo Albin: quase 160 reais prá nada. Conselho? Como a maioria desses livros é encalhe certo, daqui a 3 meses compra-se nos sebos por um terço do preço.

3 de dezembro de 2006 10:15  
Anonymous Anônimo said...

Nunca ouvi falar dessa senhora, não sou do meio de artistas e suas gravadoras - como deve ser o anônimo mal humorado das 8.15. Apenas acho que é mais interessante que um livro conte histórias saborosas dos artistas em vez de ficar falando de bastidores de uma profissão que só interessa a quem trabalha no meio.

3 de dezembro de 2006 11:10  
Anonymous Anônimo said...

Bethânia oferece acarajés para Iansã?!! Como assim?

3 de dezembro de 2006 13:00  
Anonymous Anônimo said...

O colunista devia escrever ele mesmo sobre o 'jogo de poder' entre jornalistas e artistas, em vez de ficar cobrando dos outros essa tarefa.

3 de dezembro de 2006 16:05  
Anonymous Anônimo said...

Pelo que percebi, há um mal-entendido entre o que livro é e o que seu título propõe, só que isso não significa que o livro seja ruim.

3 de dezembro de 2006 18:49  
Anonymous Anônimo said...

Se é bom ou não , nem sei. Só que seria BOM se o Mauro fizesse a rasenha do livro do Arnaldo Antunes ( Como É que Chama o Nome Disso ) .Tão falando bem dele . Tô curioso !

4 de dezembro de 2006 01:50  
Anonymous Anônimo said...

Como professor e amante de literatura fico muito contente em ver resenhas de livros aqui Mauro . Parabéns .
Agora a pouco li no jornal que saiu um livro de que detalha a trajetória do rei Roberto Carlos . Fiquei curioso . Tomara que você faça a resenha dele também .
Abraços

4 de dezembro de 2006 06:42  
Blogger Mauro Ferreira said...

Aos que pediram resenha do livro de Antunes, lembro que já noticiei sua chegada às lojas num post de novembro e, como se trata de um livro de poesias, não me sinto seguro para fazer resenha. Farei, sim, em breve as das bios de Milton e Roberto Carlos.

4 de dezembro de 2006 07:18  
Anonymous Anônimo said...

É legal que a gente tenha tantos livros sobre a música brasileira e sobre nossos artistas. Um não anula o outro. Pessoalmente não me interesso pelo livro de Gilda, mas penso em comprar o livro de Milton porque ele é um grande compositor e deve ter uma grande história de vida.

4 de dezembro de 2006 18:14  
Anonymous Anônimo said...

Não quero e nem vou ler esse livro. Acho que determinados personagens não devem aparecer, isso faz parte da mágica. Bons empresários, assessores e produtores são discretos (imagina o que seria um livro com Liminha contando tudo o que sabe...). Agora, um detalhe me incomoda - porque o segundo escalão da indústria adora guardar credenciais?

4 de dezembro de 2006 23:19  
Anonymous Anônimo said...

Concordo com o 9:19.
Em um dos posts sobre a Maria Bethânia, o Mauro fez uma referência elegante às mariposas que ficam voejando em torno dos artistas.

5 de dezembro de 2006 13:00  
Anonymous Anônimo said...

o livro do faour é pra ganhar grana. O livro de MATOSSO é a vida profissional dela.

6 de dezembro de 2006 19:52  
Anonymous Anônimo said...

Pois eu folheei os dois livros rapidamente, numa livraria mesmo, e avalio que o do Faour tem muito mais peso que o de Gilda e contribui mais para quem gosta de verdade de música brasileira.

6 de dezembro de 2006 20:52  

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