5 de dezembro de 2009

Voz uniforme de Boyle soa conservadora em CD

Resenha de CD
Título: I Dreamed
a Dream
Artista: Susan Boyle
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *

Os expressivos números das vendas iniciais do primeiro CD de Susan Boyle - 701 mil cópias na primeira semana nos Estados Unidos e 410 mil na Inglaterra - indicam que há muita gente encantada pela voz afinada dessa senhora escocesa de 48 anos. Graças à força da internet, Boyle virou celebridade mundial (literalmente) da noite para o dia, mais especificamente a partir de 11 de abril de 2009, data em que se apresentou no Britain's Got Talent - programa de calouros da TV inglesa - e deslumbrou o mundo ao cantar tema do musical Les Misérables, I Dreamed a Dream, que veio a ser a faixa-título do disco produzido por Simon Cowell (um dos jurados do programa) e lançado pela Sony Music na última semana de novembro. Como já atestou sua célebre interpretação de I Dreamed a Dream, vista 80 milhões de vezes no YouTube, Boyle é cantora de recursos naturais. Sua voz tem emissão límpida. Mas soa extramente uniforme no disco, de tom conservador. Cordas e coros arregimentados por Cowell criam clima grandiloquente que anula nuances do repertório, cujas maiores ousadias são as inclusões de baladas dos repertórios de Rolling Stones (Wild Horses, 1971) e Madonna (You'll See, 1995). Por mais que as letras possam oferecer algum subtexto na voz de Boyle, expressando fé na superação de obstáculos, a assepsia extrema dos arranjos dilui intenções e emoções. Boyle passeia por tema natalino (Silent Night), clássicos do repertório gospel (How Great Thou Art, Up to the Mountain e Amazing Grace - este com passagens à capella) e standard da canção norte-americana (Cry me a River) sem trair o padrão imposto pela produção. Em uma ou outra faixa, em especial Daydream Believer (do repertório dos Monkees), a cantora esboça tons mais suaves na busca por uma atmosfera mais cool que não chega a se concretizar. Até a única música inédita do álbum, Who I Was Born to Be, se encaixa no padrão asséptico de I Dreamed a Dream, CD que realiza o sonho de Boyle de virar cantora profissional. Como a maior parte do público é conservadora (e sentimental), o primeiro disco de Boyle tem tudo para se tornar um recordista de vendas em 2009 - fato já sinalizado pelos retumbantes números iniciais. Faz sentido.

2 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Os expressivos números das vendas iniciais do primeiro CD de Susan Boyle - 701 mil cópias na primeira semana nos Estados Unidos e 410 mil na Inglaterra - indicam que há muita gente encantada pela voz afinada dessa senhora escocesa de 48 anos. Graças à força da internet, Boyle virou celebridade mundial (literalmente) da noite para o dia, mais especificamente a partir de 11 de abril de 2009, data em que se apresentou no Britain's Got Talent - programa de calouros da TV inglesa - e deslumbrou o mundo ao cantar tema do musical Les Misérables, I Dreamed a Dream, que veio a ser a faixa-título do disco produzido por Simon Cowell (um dos jurados do programa) e lançado pela Sony Music na última semana de novembro. Como já atestou sua célebre interpretação de I Dreamed a Dream, vista 80 milhões de vezes no YouTube, Boyle é cantora de recursos naturais. Sua voz tem emissão límpida. Mas soa extramente uniforme no disco, de tom conservador. Cordas e coros arregimentados por Cowell criam clima grandiloquente que anula nuances do repertório, cujas maiores ousadias são as inclusões de baladas dos repertórios de Rolling Stones (Wild Horses, 1971) e Madonna (You'll See, 1995). Por mais que as letras possam oferecer algum subtexto na voz de Boyle, expressando fé na superação de obstáculos, a assepsia extrema dos arranjos dilui intenções e emoções. Boyle passeia por tema natalino (Silent Night), clássicos do repertório gospel (How Great Thou Art, Up to the Mountain e Amazing Grace - este com passagens à capella) e standard da canção norte-americana (Cry me a River) sem trair o padrão imposto pela produção. Em uma ou outra faixa, em especial Daydream Believer (do repertório dos Monkees), a cantora esboça tons mais suaves na busca por uma atmosfera mais cool que não chega a se concretizar. Até a única música inédita do álbum, Who I Was Born to Be, se encaixa no padrão asséptico de I Dreamed a Dream, CD que realiza o sonho de Boyle de virar cantora profissional. Como a maior parte do público é conservadora (e sentimental), o primeiro disco de Boyle tem tudo para se tornar um recordista de vendas em 2009 - fato já sinalizado pelos retumbantes números iniciais. Faz sentido.

5 de dezembro de 2009 09:14  
Anonymous Anônimo said...

Está mais para susan "boring".

5 de dezembro de 2009 14:00  

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