21 de outubro de 2009

Preta anima 'auditório' gls em gravação de DVD

Resenha de Show - Gravação de DVD
Título: Noite Preta
Artista: Preta Gil (em foto de Mauro Ferreira)
Local: The Week (RJ)
Data: 20 de outubro de 2009
Cotação: * * 1/2

"Vou ganhar o Troféu Abacaxi?", perguntou, marota, Preta Gil para seu público, após ter errado a letra de Perigosa e, com isso, ter provocado a interrupção do número em que traz para o universo da dance music o primeiro grande hit das Frenéticas na era das discotecas. Foi espontânea, mas sintomática, a alusão de Preta ao troféu concedido pelo apresentador Abelardo Barbosa (1917 - 1988), o Chacrinha, aos calouros de seu programa de TV. Mais do que cantora, Preta se comportou novamente como animadora de um imaginário programa de auditório ao pisar outra vez no palco da filial carioca da boate gay The Week para fazer seu show Noite Preta, apresentado com sucesso na boate há alguns meses. A diferença é que, na noite de terça-feira, 20 de outubro de 2009, a cantora gravava seu primeiro DVD, registrando um show que estreou em 2007 no minúsculo palco da Cinemathèque e foi ganhando público e espaço justamente pela animação de Preta Gil.
Na pista da boate, o que se via era um público GLS. Mas, em vez dos gays cheios de carões que frequentam habitualmente a The Week, a platéia agregava basicamente convidados, fãs do show Noite Preta, alguns vindos de outras cidades. Fãs espontâneos como Preta. Que fizeram coro logo que, às 22h40m, foi ouvido o prefixo de Noite Preta, o sucesso de Vange Leonel em 1991, do qual Preta pegou emprestado o título para batizar seu show. Eis então que surgiu no palco a estrela da noite. E seguiu-se uma sequência de músicas - Andaraí, Muito Perigoso, Medida do Amor - que são hits entre o público da artista. O suingue funkeado destes temas é similar ao que molda a inédita autoral Meu Valor, em que Preta se perfila com grande generosidade, exaltando a própria espontaneidade. Cativado mais pelo carisma e pelas tiradas da cantora-animadora do que pelas músicas em si, o obediente e fiel auditório segue os comandos de Preta, canta a plenos pulmões Stereo (a inédita que Ana Carolina forneceu para Preta ao longo da temporada) e incendeia ao ver a mesma Ana se enroscar com Preta no bailado sensual que esquenta Sinais de Fogo, tema da recorrente Ana (composto com Totonho Villeroy) que em 2003 foi hit radiofônico na voz miúda de Preta. A temperatura alta contrasta com o clima ameno do número que, momentos antes, unira Preta ao seu pai, Gilberto Gil, em Drão, lembrança afetiva da música composta por Gil para a mãe de Preta, Sandra Gadelha. Ao fim, a delicada canção ganha (dispensáveis!) floreios de Gil e Preta.
O repertório de Noite Preta gravita inicialmente em torno do universo musical urdido pela artista em seus dois álbuns, Prêt-a Porter (2003) e Preta (2005). O problema é que, à medida em que avança, o show se desconecta desse conceito e o roteiro passa ser moldado mais para satisfazer a platéia. E, aí, vale tudo, desde entrelaçar sucessos de Kelly Key e Perlla (Baba com Tremendo Vacilão) até misturar hits do axé e do pagode baiano (Céu da Boca com Chupa que É de Uva). Entre um e outro número, Preta cita hits de Fernanda Abreu (Garota Sangue Bom e Rio 40º Graus), dilui o suingue de Seu Jorge (São Gonça), levanta a bandeira GLS em Gatas Extraordinárias (com direito a inserções do xote Eu Só Quero um Xodó e da timbaleira Beija-Flor) e perde o pique ao acompanhar o ritmo veloz de Estrelar, hino carioca à malhação, emplacado nas rádios em 1983 por um pop Marcos Valle. Dessa miscelânea, o maior acerto é a recuperação de Cheiro de Amor, hit de motel gravado por Maria Bethânia em 1979 e revivido por Preta em seu segundo álbum. Pode vir a ser o sucesso radiofônico do DVD a ser lançado no Carnaval de 2010. Apesar dos excessos (com o sucesso do show, a espontaneidade de Preta já soa menos espontânea e mais profissional), ou talvez mesmo por causa deles, a vibe de Noite Preta é boa. Por ser competente animadora de seu auditório, Preta Gil vai para o trono - e sem o Troféu Abacaxi.

13 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

"Vou ganhar o Troféu Abacaxi?", perguntou, marota, Preta Gil para seu público, após ter errado a letra de Perigosa e, com isso, ter provocado a interrupção do número em que traz para o universo da dance music o primeiro grande hit das Frenéticas na era das discotecas. Foi espontânea, mas sintomática, a alusão de Preta ao troféu concedido pelo apresentador Abelardo Barbosa (1917 - 1988), o Chacrinha, aos calouros de seu programa de TV. Mais do que cantora, Preta se comportou novamente como animadora de um imaginário programa de auditório ao pisar outra vez no palco da filial carioca da boate gay The Week para fazer seu show Noite Preta, apresentado com sucesso na boate há alguns meses. A diferença é que, na noite de terça-feira, 20 de outubro de 2009, a cantora gravava seu primeiro DVD, registrando um show que estreou em 2007 no minúsculo palco da Cinemathèque e foi ganhando público e espaço justamente pela animação de Preta Gil.
Na pista da boate, o que se via era um público GLS. Mas, em vez dos gays cheios de carões que frequentam habitualmente a The Week, a platéia agregava basicamente convidados, fãs do show Noite Preta, alguns vindos de outras cidades. Fãs espontâneos como Preta. Que fizeram coro logo que, às 22h40m, foi ouvido o prefixo de Noite Preta, o sucesso de Vange Leonel em 1991, do qual Preta pegou emprestado o título para batizar seu show. Eis então que surgiu no palco a estrela da noite. E seguiu-se uma sequência de músicas - Andaraí, Muito Perigoso, Medida do Amor - que são hits entre o público da artista. O suingue funkeado destes temas é similar ao que molda a inédita autoral Meu Valor, em que Preta se perfila com grande generosidade, exaltando a própria espontaneidade. Cativado mais pelo carisma e pelas tiradas da cantora-animadora do que pelas músicas em si, o obediente e fiel auditório segue os comandos de Preta, canta a plenos pulmões Stereo (a inédita que Ana Carolina forneceu para Preta ao longo da temporada) e incendeia ao ver a mesma Ana se enroscar com Preta no bailado sensual que esquenta Sinais de Fogo, tema da recorrente Ana (composto com Totonho Villeroy) que em 2003 foi hit radiofônico na voz miúda de Preta. A temperatura alta contrasta com o clima ameno do número que, momentos antes, unira Preta ao seu pai, Gilberto Gil, em Drão, lembrança afetiva da música composta por Gil para a mãe de Preta, Sandra Gadelha. Ao fim, a delicada canção ganha (dispensáveis!) floreios de Gil e Preta.
O repertório de Noite Preta gravita inicialmente em torno do universo musical urdido pela artista em seus dois álbuns, Prêt-a Porter (2003) e Preta (2005). O problema é que, à medida em que avança, o show se desconecta desse conceito e o roteiro passa ser moldado mais para satisfazer a platéia. E, aí, vale tudo, desde entrelaçar sucessos de Kelly Key e Perlla (Baba com Tremendo Vacilão) até misturar hits do axé e do pagode baiano (Céu da Boca com Chupa que É de Uva). Entre um e outro número, Preta cita hits de Fernanda Abreu (Garota Sangue Bom e Rio 40º Graus), dilui o suingue de Seu Jorge (São Gonça), levanta a bandeira GLS em Gatas Extraordinárias (com direito a inserções do xote Eu Só Quero um Xodó e da timbaleira Beija-Flor) e perde o pique ao acompanhar o ritmo veloz de Estrelar, hino carioca à malhação, emplacado nas rádios em 1983 por um pop Marcos Valle. Dessa miscelânea, o maior acerto é a recuperação de Cheiro de Amor, hit de motel gravado por Maria Bethânia em 1979 e revivido por Preta em seu segundo álbum. Pode vir a ser o sucesso radiofônico do DVD a ser lançado no Carnaval de 2010. Apesar dos excessos (com o sucesso do show, a espontaneidade de Preta já soa menos espontânea e mais profissional), ou talvez mesmo por causa deles, a vibe de Noite Preta é boa. Por ser competente animadora de seu auditório, Preta Gil vai para o trono - e sem o Troféu Abacaxi.

21 de outubro de 2009 12:54  
Anonymous ucha pillar said...

Mauro, como sou tonta!!!!!

Canto Cheiro de Amor desde criança e jamais imaginei que fosse hit de motel......deixa mami saber disso (ela me ninava com essa música, coitada)

Preta é fofa.

21 de outubro de 2009 15:40  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, como vc sabe que os freqüentadores da The Week são os gays que fazem carão?!

21 de outubro de 2009 17:23  
Anonymous Anônimo said...

AAAAA ! anônimo das 17:23 ! Todo mundo sabe que a The Week é um mercado de corpo, nada mais que isso!

21 de outubro de 2009 18:19  
Anonymous Anônimo said...

quê que é fazer carão?????

preta é autoritária com sua trupe mas eles curtem......ela faz a tiazona louca mas estressada.

não sei se preta é exatamente uma artista mas entretem legal uma plateia disposta a isso. gosto dela.

quê que é fazer carão???

21 de outubro de 2009 19:40  
Anonymous Anônimo said...

Dizem q quem vai no show da Preta sai feliz e acorda de bom humor no dia seguinte. Ela pode ter voz miúda, mas sabe prender o público, podem até comparar com auditório, mas q ela sabe prender o público muito mais q várias cantoras de grande voz mas q no palco num sabem o q fazer, ah, isso ela sabe.

PS: acho comentários como o de "em vez dos gays cheios de carões que frequentam habitualmente" ou do nosso anônimo ali de cima de "Todo mundo sabe que a The Week é um mercado de corpo, nada mais que isso!" se relacionando ao mundo gay de um pré-conceito absurdo, aliás, só de separar gays e heteros já é assim(e isso digo aos próprios gays q fazem questão da divisão, eu detesto) tudo q se generaliza é preconceito e é burro, seja em qualquer lugar. Feliz será o mundo o dia q não for preciso definir algo como gay, hetero, branco, negro, ou o q for, pena q isso me soa como utopia, mas...

21 de outubro de 2009 20:05  
Anonymous Anônimo said...

"Feliz será o mundo o dia q não for preciso definir algo como gay, hetero, branco, negro, ou o q for, pena q isso me soa como utopia, mas..."

22 de outubro de 2009 11:27  
Anonymous Anônimo said...

Preta é ótima, carisma sem igual...but, quê que é fazer carão??? [2]

22 de outubro de 2009 11:28  
Anonymous Anônimo said...

Carão = Cara de superioridade. Já fui a The Week no show da Preta e realmente seu público não faz carão, mas normalmente é o que se vê lá, um templo ao culto ao corpo. Não à toa foi cenário do filme Divã, numa das melhores cenas no filme.

Acho quase todo o repertório do disco MEL, música de motel. Da cor brasileira que Bethânia canta com meios risos é muito motel sim.

22 de outubro de 2009 12:11  
Anonymous bia said...

Acho Preta uma grande figura, gosto muito de Sinais de Fogo mas ainda não vi nenhuma apresentação sua. Quando ela vier a SP vou conferir.
MEL e Álibi são os Cds da Bethania que + gosto (e olha que comprei TODOS) e, - talvez por nunca ter botado os pezinhos num - jamais me ocorreu relacionar as canções a motel ou algo do tipo...
Acho, inclusive, Da Cor Brasileira uma canção extremamente solar, arejada, nada a ver com o clima mecânico e a intimadade fake destes 'pontos de encontro' que, cá entre nós, acho, assim, de quinta (mesmo que a construção seja de primeira)

22 de outubro de 2009 17:53  
Anonymous Anônimo said...

Que resenha imensa pra comentar um evento liderado por PRETA GIL!!
Descartável!!

22 de outubro de 2009 17:54  
Blogger MIster Teles, o Musical said...

heheeh me divirto lendos os comentarios da galera aqui!

22 de outubro de 2009 22:24  
Anonymous Jansen said...

Gosto muito da Preta!!! Acho ela simpática, carismática, batalhadora e corajosa... Ja fui ao seu show duas vezes e, com certeza, iria uma terceira e quarta vez, se fosse o caso... Tudo bem, ela não tem um vozeirão, mas quem se importa com isso... No show ela esbanja carisma e talento!!! É mt bom de assistir... Concordo com um anônimo ao comentar que, quem vai ao seu show sai de lá feliz e acorda bem humorado... E que venha mais de Preta!!!! Afinal de contas, num mundo onde artistas insossas, sem graças e chatas são aplaudidas e coroadas como se fossem uma Elis, Bethânia ou Marisa Monte da vida, por que não aplaudir uma artista tão carismática e gostosa de se ver e ouvir como a Preta???

23 de outubro de 2009 15:26  

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