2 de outubro de 2010

Voz de Gal dá vida a (feliz) show de entressafra

Resenha de Show
Título: Gal Total
Artista: Gal Costa (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Palácio do Anhembi (SP)
Data: 1° de outubro de 2010
Cotação: * * * *

O recital de voz & violão apresentado (ocasionalmente) por Gal Costa no Brasil e no exterior - ora intitulado Gal Total para aludir à homônima recém-lançada caixa de reedições da obra da cantora na extinta gravadora Philips - é mero show de entressafra, ponte entre o abortado Hoje (2005) e a turnê que chega à cena em 2011 para badalar o disco a ser lançado com produção de Caetano Veloso e Moreno Veloso. Mas a voz cristalina da intérprete dá vida a um show que poderia resultar banal se a cantora em cena não fosse Gal Costa. Com sua voz que - parafraseando os versos de Caetano Veloso em Minha Voz, Minha Vida, música escolhida para abrir o roteiro calcado em sucessos - tem sido sua bússola, mas também sua desorientação, Gal cria atmosfera de sedução que embeveceu o público que foi em 1º de outubro de 2010 ao Palácio do Anhembi, em São Paulo (SP), conferir à apresentação única do show na capital paulista. Ainda em forma, o cristal de Gal dá brilho a músicas conhecidas, mesmo às mais batidas, como a Garota de Ipanema de Tom & Vinicius, trazida "de jatinho" a Sampa como brincou Gal em cena. A propósito, Gal nunca esteve tão falante e bem-humorada no palco. É nítido o seu prazer ao desfiar o roteiro do concerto na companhia do violão de Luiz Meira. Nada tem a intensidade de tempos idos. Mas tudo soa leve, sedutor, às vezes até arrebatador (como a interpretação de Vapor Barato que fez a plateia saudosa de Gal a aplaudir de pé). Talvez porque, em sua voz precisa, Gal traga uma vida que se entrelaça com o melhor que foi produzido na música brasileira ao longo dos tempos, de Dorival Caymmi (Vatapá, ainda saboreado com gosto pela cantora, e o samba-canção Sábado em Copacabana) e Ary Barroso (Camisa Amarela e uma Aquarela do Brasil que culmina numa batucada de voz & violão) a Chico Buarque (Folhetim, Samba do Grande Amor e Quem te Viu Quem te Vê) e Djavan (Azul, com tons mais suingantes), passando naturalmente pela Bossa Nova (Wave, número em que Gal explora os tons graves de sua voz, ora mais aveludada e menos cristalina) e, claro, por Caetano Veloso (Você Não Entende Nada, Força Estranha e Meu Bem, Meu Mal), o compositor que a tem  guiado ao longo da carreira, como a bússola que a livra de muitas desorientações. Até o frevo-quadrilha Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva), resquício da vivaz fase tropical de Gal, reaparece no roteiro (com Meira tentando evocar no violão a batida veloz do tema de 1981), sem tirar a cantora do cômodo tom de diva da canção brasileira. Somente a melosa Chuva de Prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos) lembra tempos de desorientação em que Gal banalizou seu canto e, sem bússola, se deixou levar pelos ventos fugazes do mercado fonográfico. Só que a vida que ela traz na voz, aos 65 anos, paira acima de tudo. E o prazer que Gal sente e proporciona em cena ao se valer de sua voz faz show transitório ser totalmente demais...

15 Comments:

Blogger mau said...

Mauro, Fui ao show e realmente ahei demais.. além da voz que continua linda, Gal está muito solta e feliz. Só acho que esqueceu de comentar como ela está bem fisicamente, pois assim que ela entrou no palco levei um susto de como Gal deu uma repaginada TOTAL no visual !!!

2 de outubro de 2010 11:30  
Blogger Mauro Ferreira said...

O recital de voz & violão apresentado (ocasionalmente) por Gal Costa no Brasil e no exterior - ora intitulado Gal Total para aludir à homônima recém-lançada caixa de reedições da obra da cantora na extinta gravadora Philips - é mero show de entressafra, ponte entre o abortado Hoje (2005) e a turnê que chega à cena em 2011 para badalar o disco a ser lançado com produção de Caetano Veloso e Moreno Veloso. Mas a voz cristalina da intérprete dá vida a um show que poderia resultar banal se a cantora em cena não fosse Gal Costa. Com sua voz que - parafraseando os versos de Caetano Veloso em Minha Voz, Minha Vida, música escolhida para abrir o roteiro calcado em sucessos - tem sido sua bússola, mas também sua desorientação, Gal cria atmosfera de sedução que embeveceu o público que foi em 1º de outubro de 2010 ao Palácio do Anhembi, em São Paulo (SP), conferir à apresentação única do show na capital paulista. Ainda em forma, o cristal de Gal dá brilho a músicas conhecidas, mesmo às mais batidas, como a Garota de Ipanema de Tom & Vinicius, trazida "de jatinho" à Sampa como brincou Gal em cena. A propósito, Gal nunca esteve tão falante e bem-humorada no palco. É nítido o seu prazer ao desfiar o roteiro do concerto na companhia do violão de Luiz Meira. Nada tem a intensidade de tempos idos. Mas tudo soa leve, sedutor, às vezes até arrebatador (como a interpretação de Vapor Barato que fez a plateia saudosa de Gal a aplaudir de pé). Talvez porque, em sua voz precisa, Gal traga uma vida que se entrelaça com o melhor que foi produzido na música brasileira ao longo dos tempos, de Dorival Caymmi (Vatapá, ainda saboreado com gosto pela cantora, e o samba-canção Sábado em Copacabana) e Ary Barroso (Camisa Amarela e uma Aquarela do Brasil que culmina numa batucada de voz & violão) a Chico Buarque (Folhetim, Samba do Grande Amor e Quem te Viu Quem te Vê) e Djavan (Azul, com tons mais suingantes), passando naturalmente pela Bossa Nova (Wave, número em que explora os tons graves de sua voz ora mais aveludada e menos cristalina) e, claro, por Caetano Veloso (Você Não Entende Nada, Força Estranha e Meu Bem, Meu Mal), o compositor que tem a guiado ao longo da carreira, como a bússola que a livra de muitas desorientações. Até o frevo-quadrilha Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva), resquício da vivaz fase tropical de Gal, reaparece no roteiro (com Meira tentando evocar no violão a batida veloz do tema de 1981), sem tirar a cantora do cômodo tom de diva da canção brasileira. Somente a melosa Chuva de Prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos) lembra tempos de desorientação em que Gal banalizou seu canto e, sem bússola, se deixou levar pelos ventos fugazes do mercado fonográfico. Só que a vida que ela traz na voz, aos 65 anos, paira acima de tudo. E o prazer que Gal sente e proporciona em cena ao se valer de sua voz faz show transitório ser totalmente demais..

2 de outubro de 2010 11:31  
Blogger Zé Pedro said...

Mauro
Me desculpe a sua apaixonada crítica, me desculpem os fãs que aceitam qualquer manifestação vinda de sua musa, mas eu vi esse show há uns cinco anos atrás. Por que todo esse frisson ? Cadê a novidade ? Espero ansioso o tal disco de 2011, pode ser que o barco tome novamente seu rumo. Não canso de ter esperanças.

2 de outubro de 2010 12:24  
Blogger douglascigarramarron said...

Ela mostra o prazer de fazer o q gosta, cantar ,e só tem q fazer é se deitar na cama q fez ,a de melhor cantora brasileira de todos os tempos.

2 de outubro de 2010 12:53  
Blogger Mauro Ferreira said...

Zé querido, não tem que pedir desculpas. Seu posicionamento é bem coerente. Apenas alego que este show nunca foi apresentado na cidade do Rio de Janeiro - o que me fez prolongar minha estada em SP somente para vê-lo. Acredito que, há alguns anos, ele possa ter sido feito de forma burocrática. Mas a Gal que pisou no palco do Anhembi ontem estava feliz, jovial, cantando com prazer. O que justifica a paixão da resenha, pois traduzo no meu texto o que sinto. Mas vc tem sua razão de esperar o disco de 2011. Grato pela participação, MauroF

2 de outubro de 2010 13:14  
Blogger Outras Palavras said...

Frequentemente atacada pela mídia por falta (ou excesso, basta lembrar do show 'O sorriso do gato de Alice') de ousadia, Gal continua sendo farol para incontáveis cantoras. De Baby do Brasil à Marisa Monte, de Roberta Sá à Tulipa Ruiz.
Inexplicavelmente muitas dessas vassalas negam a influência real. Em algum momento ser fã declarado da cantora tornou-se motivo de reticências, sobretudo entre os moderninhos de plantão.
Outras cantoras requentam números e trechos inteiros de antigos shows e ninguém ousa criticá-las.
Gal, a essa altura, deve estar blindada contra a má vontade de muita gente "antenada" que bate palmas para Marias Gadus da vida.
Não há condescendência quando se trata desta baiana que mudou a história das cantoras na música popular brasileira.
Parabéns pela crítica, Mauro. Para falar mal já tem gente demais.

2 de outubro de 2010 14:13  
Blogger bruno_aquino said...

Gal é a maior e melhor cantora viva desse país!!

Merece ser reverenciada nao só pelo seu talento, mas tb pela sua importância na musica brasileira!

2 de outubro de 2010 15:10  
Blogger Fernando Dasilva said...

Nao posso deixar de retornar aqui Mauro apos essa sua resenha...acho que nos fans somos os que mais cobramos de Gal novidades porque sabemos que ela tem potencial aquem da imaginacao das cantoras mais moderninhas e antenadas deste pais...mas compartilho com voce e com muitos que viram o show ontem que Gal nunca esteve tao prazerosa e jovial no palco como ultimamente. Seu ultimo show do Blue Note ao lado de Romero Lubambo tambem trazia um repertorio conhecido e eu ja tinha o visto 2 vezes..mas fui pela 3a vez e Gal me surpreendeu "com choques eletricos" por apresentar um menu conhecido mas com temperos totalmente frescos..sai do BN arrebatado e apaixonado por todas as interpretacoes naquela noite.
Gal tem este poder de transformar o velho e batido em super fresco...era como se eu tivesse ouvido todas aquelas musicas pela primeira vez. Acho que para quem gosta de um artista, o prazer maior estar em ve-lo em cena e ve-lo bem, ve-lo(a) cantar bem o que quer que seja. Ansia pelo novo? Ansia por super producoes? Eu tambem as tenho mas por hora o prazer maior eh saber que GC esta em plena forma, feliz, jovial e ainda tem muito a fazer..eh so querer!

2 de outubro de 2010 16:57  
Blogger Junior said...

Esse show voz e violão foi o mais solto, e o melhor da série.
A Voz dela esta maravilhosa, fora que a simpatia era imensa. Foi lindo demais, a Gal se sentiu em casa. Pena que não voltou pro segundo BIS.

2 de outubro de 2010 17:22  
Blogger Tudo foi feito pelo REI said...

Gal Costa é a maior cantora do Brasil, não há dúvidas! Fui em shows de outras cantoras e nunca consegui sair com a impressão de ter visto algo diferente. Gal sempre foi diferente, nasceu grande cantora. Olhando vídeos antigos e recentes vc não consegue encontrar nada parecido em nenhuma outra cantora, mesmo hoje. A genialidade de Gal Costa faz a diferença, seu timbre único, raro e arrebatador faz dela uma das maiores cantoras do mundo. O brasileiro não tem o real valor do que essa grande cantora representa p/ nós, foi aqui que nasceu uma das mais belas vozes do planeta, é nossa, é única, é arrebatadora. Fico muito orgulhoso e comovido em ver que a nossa grande estrela está brilhante aos 65 anos de idade, continua com a mais bela voz do país e deixando as outras cantoras (que não gostam de citá-la como referência) p/ trás. Sorte nossa que foi aqui que a estrela nasceu.

2 de outubro de 2010 18:41  
Blogger Jorge Reis said...

Gal é depois de Elis, a maior cantora do país, a cada show, Roberta Sá, me lembra mais a Gal de outrora...
Sei que não é proposital, De todas as que vieram depois, acho "vassalas", um termo para lá do além, Roberta brilha...
Quanto ao novo trabalho, não espero grande coisa, a produção é fraca, se o artista em tela soubesse produzir algo com que valha a pena gastar os meus confetes, começaria a fazer pelos últimos trabalhos dele...
Não acham ?

2 de outubro de 2010 18:45  
Blogger Luca said...

o crítico foi preconceituoso com chuva de prata, uma bonita canção de amor que Gal devia cantar mais.

4 de outubro de 2010 08:14  
Blogger Flavio said...

GAL COSTA,

pelos anos de carreira e brilhante serviço prestado à música brasileira, é merecedora da blindagem q certos artista que não fazem nada de novo há muito tempo tem.
Sempre achei muito estranho o patrulhamento excessivo sobre seu trabalho e o de CAETANO VELOSO, ao contrário dos "midas" CHICO BUARQUE e MARIA BETHÂNIA, os quais para crítica e imprensa especializada, nunca erram.
Para quem acha que GAL apresenta mais do mesmo, gostaria de saber o que dizem a respeito de RITA LEE, LULU SANTOS E JORGE BEN JOR, que vivem há anos de reciclar e repetir suas respectivas obras.
E aí? Só GAL não cria nada de novo?

5 de outubro de 2010 23:21  
Blogger sandro said...

Fui ao show e achei deslumbrante. É a maior cantora do Brasil de todos os tempos. Voz deslumbrante. E como está linda no palco. Me deu alegria no coração. As únicas cantoras que me tocam a alma, bem no fundo, são Gal e Vânia Bastos. Bastos tem o mel de Gal, únicos cristais da MPB. Não adianta, ninguém mais tem.
Pena que o grande Brasil ainda não conheça Vânia Bastos. Até a carreira das duas é parecida, na qualidade de gravações e discos. Saúde Gal! A maior! A melhor de todos os tempos.

6 de outubro de 2010 15:30  
Blogger Fernando Dasilva said...

Muito bem dito Flavio....tambem acho um saco esta marcacao...e tambem como o proprio Mauro falou..ele esta expressando o que ele viu neste show..nao interessa neste momento dizer o que se sentiu num show visto 5 anos atras.

Apelando pr'a Cazuza:

"Vem Galzinha..a baiana mais gostosa do Brasil..."

vem com tudo e deixem que digume , que pensem, que falem

6 de outubro de 2010 23:38  

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