22 de outubro de 2010

Piano de Flach valoriza canto de Virgínia Rosa

Resenha de CD
Título: Voz & Piano
Artista: Virgínia Rosa & Geraldo Flach
Gravadora: Lua Music
Cotação: * * * *

Se o mercado fonográfico não estivesse tão segmentado e tão diluído pela pirataria física e virtual,  a voz límpida de Virgínia Rosa talvez já tivesse a merecida projeção nacional. Seu canto - que lembra o de Ná Ozzetti pela precisão técnica e pelo timbre - é valorizado no quinto CD da cantora paulista, Voz & Piano, gravado em único dia, 15 de agosto de 2009, no estúdio Cia. do Gato em São Paulo (SP), e ora editado pela gravadora Lua Music neste mês de outubro de 2010. Na realidade, trata-se do oportuno registro de estúdio do show de voz e piano feito por Virgínia por acaso em 2005 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul com Geraldo Flach (a cantora foi convocada na última hora para substituir Lucinha Lins, impedida de se apresentar por conta de gravação de novela). Já no registro a capella do samba que abre o disco, O Meu Amor Chorou (Luiz Marçal Neto), salta aos ouvidos a elegância do canto da intérprete. Sensação agradável que se prolonga à medida que o disco avança com as regravações de Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos), Pressentimento (Hermínio Bello de Carvalho e Elton Medeiros - com citação de O Morro Não Tem Vez e agudos floreios vocais no final) e Qui Nem Jiló (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira). Emoldurada pelo piano preciso de Flach, a voz de Virgínia transforma o baião Kalú (Humberto Teixeira) em um tema camerístico com o mesmo rigor técnico com que saboreia os versos ternos de Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira). Há músicas como a bela A Flor (Fernando Figueiredo) e Cacilda  (José Miguel Wisnik) que se ajustam com perfeição ao formato de voz e piano, realçando ainda mais a perfeição do canto de Virgínia. Outras, como Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant), pedem outros tons na moldura instrumental. Há também no repertório uma dose alta de músicas já gravadas por Virgínia Rosa em sua discografia, iniciada em 1997 com Batuque (Movieplay). É o caso de A Voz do Coração (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos), canção que deu título ao segundo álbum da artista, lançado em 2001. Ainda assim, Voz & Piano talvez seja o melhor cartão-de-visitas para quem ainda não ouviu a voz apurada de Virgínia Rosa - joia deste país de cantoras.

3 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Se o mercado fonográfico não estivesse tão segmentado e tão diluído pela pirataria física e virtual, a voz límpida de Virgínia Rosa talvez já tivesse a merecida projeção nacional. Seu canto - que lembra o de Ná Ozzetti pela precisão técnica e pelo timbre - é valorizado no quinto CD da cantora paulista, Voz & Piano, gravado em único dia, 15 de agosto de 2009, no estúdio Cia. do Gato em São Paulo (SP), e ora editado pela gravadora Lua Music neste mês de outubro de 2010. Na realidade, trata-se do oportuno registro de estúdio do show de voz e piano feito por Virgínia por acaso em 2005 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul com Geraldo Flach (a cantora foi convocada na última hora para substituir Lucinha Lins, impedida de se apresentar por conta de gravação de novela). Já no registro a capella do samba que abre o disco, O Meu Amor Chorou (Luiz Marçal Neto), salta aos ouvidos a elegância do canto da intérprete. Sensação agradável que se prolonga à medida que o disco avança com as regravações de Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos), Pressentimento (Hermínio Bello de Carvalho e Elton Medeiros - com citação de O Morro Não Tem Vez e agudos floreios vocais no final) e Qui Nem Jiló (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira). Emoldurada pelo piano preciso de Flach, a voz de Virgínia transforma o baião Kalú (Humberto Teixeira) em um tema camerístico com o mesmo rigor técnico com que saboreia os versos ternos de Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira). Há músicas como a bela A Flor (Fernando Figueiredo) e Cacilda (José Miguel Wisnik) que se ajustam com perfeição ao formato de voz e piano, realçando ainda mais a perfeição do canto de Virgínia. Outras, como Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant), pedem outros tons na moldura instrumental. Há também no repertório uma dose alta de músicas já gravadas por Virgínia Rosa em sua discografia, iniciada em 1997 com Batuque (Movieplay). É o caso de A Voz do Coração (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos), canção que deu título ao segundo álbum da artista, lançado em 2001. Ainda assim, Voz & Piano talvez seja o melhor cartão-de-visitas para quem ainda não ouviu a voz apurada de Virgínia Rosa - joia deste país de cantoras.

22 de outubro de 2010 10:17  
Blogger Zé Pedro said...

Virgínia é de fato uma grande cantora pouco ou nada citada na lista das cantoras fundamentais desse país mas achei esse repertório demasiado òbvio e para quem acompanha seu trabalho como eu, tem cara de requentado mesmo assim tomara seja uma oportunidade de revelar a voz de Virginia para um publico maior.

22 de outubro de 2010 14:43  
Blogger Tombom said...

As canções podem ser "óbvias", o repertório "requentado", como escreveram acima (e até concordo). Mas... como é bom ouvir a voz certeira de Virgínia Rosa e o piano bem colocado de Geraldo Flach! Dois artistas plenos, que buscam renovar/apurar/lapidar letras e melodias — trazendo à tona toda a beleza original dessas canções. Um presente para ouvidos atentos aos detalhes... Ah! se toda repetição fosse assim...

27 de outubro de 2010 20:40  

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