1 de setembro de 2010

'Beijo Bandido' de Ney chega irretocável ao DVD

Resenha de Show - Gravação de DVD
Título: Beijo Bandido
Artista: Ney Matogrosso (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ)
Data: 31 de agosto de 2010
Cotação: * * * * *
Antes mesmo de ganhar cenário e o status de espetáculo oficial na carreira de Ney Matogrosso nos palcos, Beijo Bandido já chegou irretocável à cena na virada de 2008 para 2009 (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca do recital, em janeiro de 2009, e aqui para ler a resenha da estreia paulista, já com cenário). E foi assim, irretocável, que Beijo Bandido chegou ao DVD, captado com toda a pompa e circunstância na noite de 31 de agosto de 2010, em apresentação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) restrita a convidados. Feita sem repetições, fato incomum na filmagem de DVDs, a gravação ao vivo atestou a forma vocal de Ney, esplêndida, ainda mais se levados em conta os 69 anos completados pelo cantor em 1º de agosto. Em tom camerístico, dado pelos arranjos estupendos do pianista Leandro Braga, o cantor recorreu ao seu habitual domínio cênico para seduzir a plateia de amigos, artistas e voluntários do Morhan, instituição beneficente de combate à hanseníase (causa abraçada por Ney nos últimos anos). Amigos ou não, todos se deixaram seduzir pelos arroubos dramáticos de Bicho de Sete Cabeças (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha) - motivo para justa ovação ao fim do número, o mais aplaudido da gravação - e pelas sutis ironias de Nada por mim (Herbert Vianna e Paula Toller), entre outras músicas. Senhor da cena, Ney alternou melancolia (A Distância, Roberto e Erasmo Carlos), sensualidade (A Cor do Desejo, Junior Almeida e Ricardo Guima), suingue (Incinero, salsa de Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar), calor (As Ilhas, Astor Piazzolla e Geraldo Carneiro) e folhetim (Tango pra Teresa, Jair Amorim e Evaldo Gouveia) com soberania vocal. No bis, Ney ainda reincorporou ao show duas músicas que faziam parte do roteiro original - Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes) e o belo Tema de Amor de Gabriela (Tom Jobim) - mas que tinham sido suprimidas do repertório do CD de estúdio que registra Beijo Bandido. Sem falar no arremate com Fala, o sucesso do Secos & Molhados que nunca havia feito parte do roteiro do concerto. Hábil pescador de pérolas, com ou sem fantasia, Ney Matogrosso exibiu no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro toda a nobreza de seu canto.

13 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Antes mesmo de ganhar cenário e o status de espetáculo oficial na carreira de Ney Matogrosso nos palcos, Beijo Bandido já chegou irretocável à cena na virada de 2008 para 2009 (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca do recital, em janeiro de 2009, e aqui para ler a resenha da estreia paulista, já com cenário). E foi assim, irretocável, que Beijo Bandido chegou ao DVD, captado com toda a pompa e circunstância na noite de 31 de agosto de 2010, em apresentação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) restrita a convidados. Feita sem repetições, fato incomum na filmagem de DVDs, a gravação ao vivo atestou a forma vocal de Ney, esplêndida, ainda mais se levados em conta os 69 anos completados pelo cantor em 1º de agosto. Em tom camerístico, dado pelos arranjos estupendos do pianista Leandro Braga, o cantor recorreu ao seu habitual domínio cênico para seduzir a plateia de amigos, artistas e voluntários do Morhan, instituição beneficente de combate à hanseníase (causa abraçada por Ney nos últimos anos). Amigos ou não, todos se deixaram seduzir pelos arroubos dramáticos de Bicho de Sete Cabeças (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha) - motivo para justa ovação ao fim do número, o mais aplaudido da gravação - e pelas sutis ironias de Nada por mim (Herbert Vianna e Paula Toller), entre outras músicas. Senhor da cena, Ney alternou melancolia (A Distância, Roberto e Erasmo Carlos), sensualidade (A Cor do Desejo, Junior Almeida e Ricardo Guima), suingue (Incinero, salsa de Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar) fervor (As Ilhas, Astor Piazzolla e Geraldo Carneiro) e folhetim (Tango pra Teresa, Jair Amorim e Evaldo Gouveia) com soberania vocal. No bis, Ney ainda reincorporou ao show duas músicas que faziam parte do roteiro original - Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes) e o belo Tema de Amor de Gabriela (Tom Jobim) - mas que tinham sido suprimidas do repertório do CD de estúdio que registra Beijo Bandido. Sem falar no arremate com Fala, o sucesso do Secos & Molhados que nunca havia feito parte do roteiro do concerto. Hábil pescador de pérolas, com ou sem fantasia, Ney Matogrosso exibiu no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro toda a nobreza de seu canto.

1 de setembro de 2010 14:01  
Blogger Pedro Progresso said...

Tema de amor de Gabriela na voz de Ney é um sonho! Todas as gravações dele pra essa música são únicas.

1 de setembro de 2010 14:40  
Anonymous Anônimo said...

Ney, Emilio Santiago e Cauby são os melhores cantores vivos brasileiros. Esse trabalho do Ney é um dos mais belos de sua carreira.

1 de setembro de 2010 15:36  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, pela primeira vez acho que vc acertou tudo. Vc acerta muita coisa, mas como é humano também erra com suas 5 estrelas. Com o Ney vc foi coerente. O nosso maior cantor é muito especial. Esse show é perfeito em tudo. Não tem erro. Coisa difícil em nossos artistas que muitas vezes colocam uma calça e camiseta e entram em cena. Ney respeita seu público com show internacional na qualidade vocal dele e na parte técnica. Ele é único. E a gente vê uns amadores pleiteando o mesmo espaço que ele. Para ser um Ney tem que nascer alguém enviado por DEUS ainda. Quem sabe nos próximos 20 anos algum BBzinho não chega? Deus é bom e nos manda gente da envergadura profissional desse monstro sagrado da MPB. Além de tudo ele é um homem generoso e discreto. Não se envolve em coisa menor. Nunca se ouviu uma notícia negativa no meio, a boca pequena, ou na imprensa, sobre o caráter desse grande artista. Aqui deixo meu respeito, carinho e emoção. Sua voz Ney é inconfundível. Suas interpretações emocionantes. Que pena vc não ter feito escola. Tanta gente monocórdia! Mas a culpa não é sua, a culpa é a falta de matéria bruta boa a ser lapidada. Parabéns Mauro pelo comentário feliz. Agora vc acertou em cheio. Saúde e vida longa a Ney, homem digno e artista singular. Quando ele aparece é por causa nobre, como abraçando a causa da hanseníase, ou por seu talento espetacular.
Lima - São Paulo (SP)

1 de setembro de 2010 16:09  
Blogger Rhenan Rodrigo said...

Ainda "descobrindo" Ney Matogrosso, estou cada dia mais APAIXONADO!
Mesmo tendo escutado pouca coisa, já tive conclusões do tipo: o melhor dos intérpretes brasileiros!
.
Ansioso pra esse DVD, para ver um show...

1 de setembro de 2010 16:43  
Anonymous Anônimo said...

Não acho tão irretocável assim. Tiraria,por exemplo, Nada por mim e A Distância!

1 de setembro de 2010 17:50  
Anonymous Anônimo said...

Acho que A Distância foi uma grande sacada do Ney. É uma das mais belas canções de Roberto e Erasmo e na voz de Ney foi ainda mais valorizada. O CD Beijo Bandido é irretocável. Quanto ao DVD, aguardo com muito ansiedade. Mauro, adorei sua resenha.

1 de setembro de 2010 19:56  
Anonymous Diogo ! said...

Por conta (?) dos festivos 50 anos de carreira do Rei, " A Distância " foi,de fato, bastante regravada - recentemente. Que eu me lembre Eduardo Lages, Milionário & José Rico,Cauby Peixoto,Celine Imbert além de Zezé di Camargo & Luciano a registraram.Admito que (ainda) não ouvi com Ney ...


Já "Nada por Mim" acaba de ganhar registro (também) ao vivo de Simone. Isso depois da própria Paula Toller a gravar em seu DVD ao vivo,do registro de Renato Russo com Hebert Vinna no especial global que virou DVD,da boa regravação do grupo Sorriso Maroto, do dueto de Paula Toller com Fábio Jr,( no " Fábio Jr. e Elas ") além das versões de Marina Lima, do Kid Abelha e de Fafá de Belém ...


São fatos.Mas eu não sou contra regravações nem a favor de impor repertório aos artistas!


Um abraço a todos!
Diogo Santos

2 de setembro de 2010 09:59  
Anonymous Sula said...

Diogo,existem alguns artistas como Ney,Bethânia e Marisa,que podem gravar o que quiserem pois construiram uma redoma que permite tal atitude.Méritos ao profissionalismo e talento ilibados destes!

2 de setembro de 2010 10:19  
Anonymous Lurian said...

Se fosse Ney algumas músicas eu não teria regravado. Esse disco me lembra a fórmula "Todas as coisas e eu" da Gal Costa. Basta que cite alguns exemnplos: "De cigarro em cigarro" teve interpretação sem igual na voz da hoje tão esquecida Marília Medalha. "Nada por mim", "Fascinação"? pra que gravar de novo? "Bicho de sete cabeças" ainda que muito aplaudida me dá a sensação de dejá vu, de que já ouvi quase todos os cantores do Nordeste cantarem, e melhor! "Mulher sem razão havia acabado de ser regravada numa versão bem mais interessante por Adriana Calcanhoto; o mesmo se dá com "Invento" que é bem melhor seja com Vitor Ramil ou com Verônica Sabino... Assim não acho o disco do Ney irretocável. É um disco bem cuidado, com o cantor competente que ele é, mas com repertório crooner! Tem muito mais coisa a ser redescoberta do que esse repertório um tanto óbvio. Os acertos: retomar "As ilhas" e "A bela e a fera" que ficaram sim deslumbrantes!!! O saldo do Ney é que ele é um dos nossos mais irrequietos artistas e sempre está descobrindo gente nova!

2 de setembro de 2010 10:39  
Blogger MARCOS said...

Ney é eternamente parte da minha trilha sonora afetiva. Voz, interpretação e repertório. Qualquer coisa que eu fale a mais é um mero detalhe.

2 de setembro de 2010 11:13  
Anonymous Anônimo said...

Espero que aquele telão não tenha feito parte do cenário da gravação do DVD. Era constrangedor, no Canecão, ver as imagens de Ney dançando ao fundo no telão. Esse foi o único senão desse espetáculo praticamente perfeito.

2 de setembro de 2010 12:58  
Anonymous Anônimo said...

mauro,com esse repertório de crooner como disse a Lurian esse elogio de " Hábil pescador de pérolas " não lhe foi merecido.FATO!

2 de setembro de 2010 22:18  

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