7 de agosto de 2010

Tudo é sertão no toque do violeiro Almir Sater

Resenha de Show
Título: Almir Sater - O Cavaleiro da Lua
Artista: Almir Sater (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Citibank Hall (RJ)
Data: 6 de agosto de 2010
Cotação: * * * *
Parafraseando verso de Um Violeiro Toca, linda parceria de Almir Sater com Renato Teixeira que foi popularizada na trilha sonora da novela Pantanal (1990) na voz do artista de Mato Grosso, tudo vira sertão quando toca um violeiro como Almir Sater. Até um tema instrumental blueseiro como O Ganso. Vinte anos depois do estouro de Pantanal e três após sua última apresentação no Rio de Janeiro (RJ), Sater voltou aos palcos cariocas na noite de 6 de agosto de 2010 para fazer show no Citibank Hall. Munido de sua viola, que afinou durante grande parte do show ("Dizem que um violeiro passa metade da vida afinando sua viola e o resto do tempo tocando desafinado", gracejou em cena), Sater desfiou - na companhia de azeitada banda - temas pantaneiros e toadas criadas dentro da melhor tradição da música rural nativa. E contou causo!
"Verdade é voz que vem de dentro", sentenciou ele em verso de O Vento e o Tempo, a música que abriu o roteiro que alternou temas instrumentais e cantados. No show, Sater pôs sua voz verdadeira a serviço de nobre repertório sertanejo composto solitariamente e com parceiros como Renato Teixeira e Paulo Simões ("O carioca mais caipira que eu conheço"). Da obra com Teixeira, toadas como Brasil Poeira e Tocando em Frente marcaram presença, sendo que, ao fim de Tocando em Frente, o artista recomeçou a cantar a música a capella, puxando o coro do público que encheu a casa Citibank Hall carioca e se mostrou íntimo do repertório de Sater. Do cancioneiro composto com Paulo Simões, Sater reviveu Mês de Maio e, no decepcionante bis, Maneira Simples. Para ouvidos urbanos menos habituados com a música feita no interior do Brasil, a excelente surpresa foi Kikiô, toada melodiosa de Geraldo Espíndola, compositor de Campo Grande (MS), conterrâneo de Sater. Íntimo do universo musical da região central do Brasil, o artista perfilou os boiadeiros da região em Peão, repôs nos trilhos o seguro Trem do Pantanal e pediu ao acordeonista Marcelus Publius Anderson para comandar um "bailão pantaneiro". Mas, antes do baile, houve solo de berimbau do percussionista Papete (ao som do Canto de Nanã) e passagens instrumentais em temas como O Cavaleiro da Lua que possibilitaram a Sater mostrar suas habilidades na viola. Ao fim, após abrir espaço para os irmãos Gisele e Rodrigo Sater mostrarem músicas de seus discos (ela cantou Irmão da Lua, de Renato Teixeira, e ele solou Uma pra Estrada), o artista embarcou na melancolia da velha Chalana (Mário Zan e Arlindo Pinto), arrematando um show pontuado pela verdade de sua voz e de sua música. Tudo é sertão em seu toque...

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Parafraseando verso de Um Violeiro Toca, linda parceria de Almir Sater com Renato Teixeira que foi popularizada na trilha sonora da novela Pantanal (1990) na voz do artista de Mato Grosso, tudo vira sertão quando toca um violeiro como Almir Sater. Até um tema instrumental blueseiro como O Ganso. Vinte anos depois do estouro de Pantanal e três após sua última apresentação no Rio de Janeiro (RJ), Sater voltou aos palcos cariocas na noite de 6 de agosto de 2010 para fazer show no Citibank Hall. Munido de sua viola, que afinou durante grande parte do show ("Dizem que um violeiro passa metade da vida afinando sua viola e o resto do tempo tocando desafinado", gracejou em cena), Sater desfiou - na companhia de azeitada banda - temas pantaneiros e toadas criadas dentro da melhor tradição da música rural nativa. E contou causo!
"Verdade é voz que vem de dentro", sentenciou ele em verso de O Vento e o Tempo, a música que abriu o roteiro que alternou temas instrumentais e cantados. No show, Sater pôs sua voz verdadeira a serviço de nobre repertório sertanejo composto solitariamente e com parceiros como Renato Teixeira e Paulo Simões ("O carioca mais caipira que eu conheço"). Da obra com Teixeira, toadas como Brasil Poeira e Tocando em Frente marcaram presença, sendo que, ao fim de Tocando em Frente, o artista recomeçou a cantar a música a capella, puxando o coro do público que encheu a casa Citibank Hall carioca e se mostrou íntimo do repertório de Sater. Do cancioneiro feito com Paulo Simões, Sater reviveu Mês de Maio e, no decepcionante bis, Maneira Simples. Para ouvidos urbanos menos habituados com a música feita no interior do Brasil, a bela surpresa foi Kikiô, toada melodiosa de Geraldo Espíndola, compositor de Campo Grande (MT), conterrâneo de Sater. Íntimo do universo musical da região central do Brasil, o artista perfilou os boiadeiros da região em Peão, repôs nos trilhos o bom Trem do Pantanal e pediu ao acordeonista Marcelus Publius Anderson para comandar um "bailão pantaneiro". Mas, antes do baile, houve solo de berimbau do percussionista Papete (ao som do Canto de Nanã) e passagens instrumentais em temas como O Cavaleiro da Lua que possibilitaram a Sater mostrar suas habilidades na viola. Ao fim, após abrir espaço para os irmãos Gisele e Rodrigo Sater mostrarem músicas de seus discos (ela cantou Irmão da Lua, de Renato Teixeira, e ele solou Uma pra Estrada), o artista embarcou na melancolia da velha Chalana (Mário Zan e Arlindo Pinto), arrematando um show pontuado pela verdade de sua voz e de sua música. Tudo é sertão no seu toque...

7 de agosto de 2010 16:56  
Anonymous Anônimo said...

sinceramente não compreendi o por qeu o decepcionante Maneira Simples, se essa musica faz parte do mais recente Cd 7 Sinais, e nela o artista se inova, tocando seu violão folk de 12.
uma pena que vc veja sobre este prisma.

7 de agosto de 2010 17:15  
Anonymous Anônimo said...

ah uma correção Campo Grande pertence ao estado do MS, por favor.

7 de agosto de 2010 17:15  
Anonymous Anônimo said...

Mentira que Almir Sater encheu uma casa de show na Barra que cabem 4.000 pessoas ??????

7 de agosto de 2010 18:38  
Blogger Luca said...

tem uma gravação linda de Chalana com a Tetê Espíndola...

8 de agosto de 2010 11:46  
Blogger Lívia said...

Olá Mauro! Gostei muito da sua resenha, mas só não entendi o termo decepcionante para o bis. Maneira Simples é uma música tão boa, tão leve e tão real.
Você realmente não gostou da música? Ou o decepcionante é por ter sido só uma música de bis?
Tirando essa dúvida, a resenha foi muito bacana.

10 de agosto de 2010 11:29  

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