4 de julho de 2010

Tulipa floresce e ecoa Gal em feliz début no Rio

Resenha de Show
Título: Efêmera
Artista: Tulipa Ruiz (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Circo Voador (RJ)
Data: 3 de julho de 2010
Cotação: * * * *
É sintomático que a ótima cantora Tulipa Ruiz já tenha inserido Da Maior Importância - música de Caetano Veloso, gravada por Gal Costa no álbum Índia (1973) - no roteiro do show Efêmera. Sem anular sua personalidade autoral, a intérprete paulista ecoa a Gal brejeira dos anos 70. A referência ficou explícita na (feliz) estreia da artista em palcos cariocas - uma "experiência orgiástica e antropofágica", como ironizou a cantora no palco do Circo Voador (RJ) na noite de 3 de julho de 2010, antes de cantar A Ordem das Árvores, número autoral em que também salta aos ouvidos a influência da Gal pós-tropicalista da primeira metade dos anos 70. A experiência não chegou a ser orgiástica, mas seduziu e e deu prazer ao público que esperava pelo show de Otto e viu Tulipa florescer em seu début na cena carioca. Já na primeira música, a deliciosa Efêmera, a cantora mostrou desenvoltura, segurança e confiança incomuns para quem cantava pela primeira vez fora do Estado de São Paulo - como ela enfatizou diversas vezes sob a lona mais pop do Rio de Janeiro. Na imediata sequência, Pontual - outro destaque do repertório do álbum Efêmera, lançado pela gravadora YB Music no primeiro semestre de 2010 - já sinalizou que a experiência seria boa. Solta, Tulipa fez o repertório do CD desabrochar em cena. Mesmo as músicas que soaram triviais no disco - como Às Vezes, composição da lavra do guitarrista Luiz Chagas, pai da artista - ganham colorido no show. Talvez porque Tulipa não cante somente com sua voz aguda. Ela põe o corpo a serviço da música com vivaz presença cênica. Do Amor (parceria de Tulipa com o seu irmão Gustavo Ruiz), por exemplo, tem o significado de seus versos acentuado pelo gestual da intérprete. E o fato é que o show cativou. Seja pelo uso de projeções graciosas, seja pelo fato de Tulipa ter posto no palco a mesma banda antenada com que gravou o disco. Sexteto que inclui Donatinho (nos teclados), Duani e Stéphane San Juan (ambos se alternando entre a bateria e a percussão). Enfim, Tulipa Ruiz soube aproveitar sua primeira chance em palcos cariocas. Após apresentar músicas como Só Sei Dançar com Você e a lúdica Pedrinho, a cantora deixou a impressão de que sua presença nos palcos cariocas não será efêmera como o título de seu disco de estreia e de seu show que, de tão bem cuidado, pareceu ser a atração principal da noite.

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

É sintomático que a ótima cantora Tulipa Ruiz já tenha inserido Da Maior Importância - música de Caetano Veloso, gravada por Gal Costa no álbum Índia (1973) - no roteiro do show Efêmera. Sem anular sua personalidade autoral, a intérprete paulista ecoa a Gal brejeira dos anos 70. A referência ficou explícita na (feliz) estreia da artista em palcos cariocas - uma "experiência orgiástica e antropofágica", como ironizou a cantora no palco do Circo Voador (RJ) na noite de 3 de julho de 2010, antes de cantar A Ordem das Árvores, número autoral em que também salta aos ouvidos a influência da Gal pós-tropicalista da primeira metade dos anos 70. A experiência não chegou a ser orgiástica, mas seduziu e e deu prazer ao público que esperava pelo show de Otto e viu Tulipa florescer em seu début na cena carioca. Já na primeira música, a deliciosa Efêmera, a cantora mostrou desenvoltura, segurança e confiança incomuns para quem cantava pela primeira vez fora do Estado de São Paulo - como ela enfatizou diversas vezes sob a lona mais pop do Rio de Janeiro. Na imediata sequência, Pontual - outro destaque do repertório do álbum Efêmera, lançado pela gravadora YB Music no primeiro semestre de 2010 - já sinalizou que a experiência seria boa. Solta, Tulipa fez o repertório do CD desabrochar em cena. Mesmo as músicas que soaram triviais no disco - como Às Vezes, composição da lavra do guitarrista Luiz Chagas, pai da artista - ganham colorido no show. Talvez porque Tulipa não cante somente com sua voz aguda. Ela põe o corpo a serviço da música com vivaz presença cênica. Do Amor (parceria de Tulipa com o seu irmão Gustavo Ruiz), por exemplo, tem o significado de seus versos acentuado pelo gestual da intérprete. E o fato é que o show cativou. Seja pelo uso de projeções graciosas, seja pelo fato de Tulipa ter posto no palco a mesma banda antenada com que gravou o disco. Sexteto que inclui Donatinho (nos teclados), Duani e Stéphane San Juan (ambos se alternando entre a bateria e a percussão). Enfim, Tulipa Ruiz soube aproveitar sua primeira chance em palcos cariocas. Após apresentar músicas como Só Sei Dançar com Você e a lúdica Pedrinho, a cantora deixou a impressão de que sua presença nos palcos cariocas não será efêmera como o título de seu disco de estreia e de seu show que, de tão bem cuidado, pareceu ser a atração principal da noite.

4 de julho de 2010 12:34  
Anonymous Zé Pedro said...

Finalmente uma novidade. O show de lançamento aqui em São Paulo também foi quente, inesperado e genial. Tulipa faz a diferença e mistura as influências do passado com propriedade.

4 de julho de 2010 14:00  
Blogger Santana Filho said...

Taí, Mauro. Fiquei curioso. Vou conferir.

4 de julho de 2010 14:42  
Anonymous Anônimo said...

Ouvi um música dela no rádio e achei sua voz bem parecida com a da Karina Buhr

4 de julho de 2010 16:51  
Anonymous Anônimo said...

Dá-lhe MPP (música popular paulistana)!!! Adoroooooooooo....

5 de julho de 2010 22:03  
Anonymous Anônimo said...

Conferi e fico com a Fabiana Cozza. E prefiro os agudos da Tetê Espíndola. Não aguento mais popezinho... Chega...

7 de julho de 2010 14:01  

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