18 de julho de 2010

Moska soa mais íntimo e pessoal no CD 'Pouco'

Resenha de CD
Título: Pouco
Artista: Moska
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

Na contramão do exercício pop de seu gêmeo Muito, Pouco é disco em que Moska se permite ser mais íntimo e pessoal. Exemplo é O Tom do Amor, sensível parceria com Zélia Duncan em que o compositor exalta seu primeiro filho, Antonio, hoje um adolescente de 13 anos. Já na primeira faixa, Semicoisas, urdida com piano de brinquedo, salta aos ouvidos a arquitetura arsenal que põe em primeiro plano a poesia das letras. Mesmo músicas já tão bem gravadas - como Sinto Encanto, outra parceria com Zélia, lançada pela cantora em tom delicado no álbum Pelo Sabor do Gesto (2009) - conseguem soar sedutoras em Pouco. No caso, os vocais de Maria Gadú - ouvidos no refrão - fazem toda a diferença. Dentro dessa estrutura caseira, o violão adquire valor especial em temas como a densa Nuvem, versão de tema do jovem compositor chileno Nano Stern. No caso, é o violão do argentino Pedro Aznar, que também une sua voz à de Moska na faixa. Nessa rota latina, Moska faz conexões com Kevin Johansen, cantautor nascido no Alaska (EUA), mas criado na Argentina. Parceiro de Johansen em Waiting for the Sun to Shine, um tema de inspiração mais rala valorizado pelo arranjo vocal que harmoniza os cantos de Moska e do próprio Kevin Johansen, o artista brasileiro grava também outra música do colega, Oh my Love, my Love, com as leves intervenções vocais da recorrente Maria Gadú e do autor da composição (Johansen também toca violão na faixa). Em tom bem mais esfumaçado, Provavemente Você é balada bluesy adequada ao clima de maior intimidade gerado pela produção caseira que formatou Pouco. No fim, o CD apresenta uma (razoável) terceira música feita por Moska com Zélia Duncan - Não, de arquitetura delicada moldada pelo vibrafone de Arthur Dutra - e a obra-prima Saudade, composta por Moska com Chico César, lançada por Maria Bethânia no álbum Tua (2009) - em registro sublime feito com Lenine - e abordada em Pouco em dueto dos autores que remete ao universo musical ruralista - inclusive por ser pontuado pelo acordeon de Cezinha Silveira. Por conta do acabamento mais artesanal, Pouco deixa fluir os sentimentos e as emoções que às vezes se escondem sob a arquitetura pop de Muito. Vale o clichê no projeto duplo Muito Pouco: menos, às vezes, pode ser mais...

1 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Na contramão do exercício pop de seu gêmeo Muito, Pouco é disco em que Moska se permite ser mais íntimo e pessoal. Exemplo é O Tom do Amor, sensível parceria com Zélia Duncan em que o compositor exalta seu primeiro filho, Antonio, hoje um adolescente de 13 anos. Já na primeira faixa, Semicoisas, urdida com piano de brinquedo, salta aos ouvidos a arquitetura arsenal que põe em primeiro plano a poesia das letras. Mesmo músicas já tão bem gravadas - como Sinto Encanto, outra parceria com Zélia, lançada pela cantora em tom delicado no álbum Pelo Sabor do Gesto (2009) - conseguem soar sedutoras em Pouco. No caso, os vocais de Maria Gadú - ouvidos no refrão - fazem toda a diferença. Dentro dessa estrutura caseira, o violão adquire valor especial em temas como a densa Nuvem, versão de tema do jovem compositor chileno Nano Stern. No caso, é o violão do argentino Pedro Aznar, que também une sua voz à de Moska na faixa. Nessa rota latina, Moska faz conexões com Kevin Johansen, cantautor nascido no Alaska (EUA), mas criado na Argentina. Parceiro de Johansen em Waiting for the Sun to Shine, um tema de inspiração mais rala valorizado pelo arranjo vocal que harmoniza os cantos de Moska e do próprio Kevin Johansen, o artista brasileiro grava também outra música do colega, Oh my Love, my Love, com as leves intervenções vocais da recorrente Maria Gadú e do autor da composição (Johansen também toca violão na faixa). Em tom mais esfumaçado, Provavemente Você é balada adequada ao clima de maior intimidade gerado pela produção caseira que formatou Pouco. No fim, o CD apresenta uma (razoável) terceira música feita por Moska com Zélia Duncan - Não, de arquitetura delicada moldada pelo vibrafone de Arthur Dutra - e a obra-prima Saudade, composta por Moska com Chico César, lançada por Maria Bethânia no álbum Tua (2009) - em registro sublime feito com Lenine - e abordada em Pouco em dueto dos autores que remete ao universo musical ruralista - inclusive por ser pontuado pelo acordeon de Cezinha Silveira. Por conta do acabamento mais artesanal, Pouco deixa fluir os sentimentos e as emoções que às vezes se escondem sob a arquitetura pop de Muito. Vale o clichê no projeto duplo Muito Pouco: menos, às vezes, pode ser mais...

18 de julho de 2010 12:21  

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