6 de março de 2010

Mayra religa Brasil e África em Stória, Stória...

Resenha de CD
Título: Stória, Stória...
Artista: Mayra Andrade
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Lançado em maio de 2009 na Europa, o segundo belo álbum da cantora Mayra Andrade, Stória, Stória..., ganhou sua edição brasileira em fevereiro de 2010. O disco reitera o talento desta cantora de 24 anos, projetada em 2006 com o CD Navega. Atualmente radicada em Paris (França), a artista nasceu em Cuba, mas foi criada na África, passando boa parte do tempo em Cabo Verde, o que lhe rendeu imediatas comparações com Cesaria Evora. De fato, há muito das mornas de Cabo Verde na música cosmopolita de Mayra, mas sua origem cubana e a vivência na França também contribuem para que o som de Stória, Stória... navegue em trilhas plurais. O álbum, aliás, agrega Brasil e África. Não é por acaso que a batida do samba-reggae e a cadência do samba carioca podem ser detectadas em Juána, uma das 13 faixas do CD. É que Stória, Stória... foi formatado - sob a batuta do brasileiro Alê Siqueira - entre Cuba (Havana), França (Paris) e Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador). O amálgama de referências é urdido com classe por time de músicos de diversas etnias, com destaque para o guitarrista cabo-verdiano Kim Alves (autor da faixa Badiu Si...), o pianista cubano Roberto Fonseca e o baixista camaronês Etienne M'Bappé. De Cuba, por exemplo, há os vocais rapeados de Kelvis Ochoa, tempero adicional da densa Turbulénsa, faixa cheia de latinidade.Do Brasil, há o violoncelo de Jaques Morelenbaum em Seu, tema da lavra da própria Mayra Andrade. Morelenbaum, a propósito, orquestra o arranjo de cordas que adorna Odjus Fitchádu (Olhos Fechados, no dialeto crioulo). Tudo soa harmonioso. Mas nada parece mais bonito do que a canção Morena, Menina Linda - entoada por Mayra em português. É o momento mais íntimo e delicado de um disco que cruza oceanos, religando a África ao Brasil numa travessia que passa por Cuba e que abarca sons contemporâneos do Ocidente. Poderia soar exótico por misturar tantos sons e referências, mas o álbum tem uma unidade e um sentimento que credenciam Mayra Andrade a figurar no time das melhores cantoras da atualidade.

9 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Lançado em maio de 2009 na Europa, o segundo belo álbum da cantora Mayra Andrade, Stória, Stória..., ganhou sua edição brasileira em fevereiro de 2010. O disco reitera o talento desta cantora de 24 anos, projetada em 2006 com o CD Navega. Atualmente radicada em Paris (França), a artista nasceu em Cuba, mas foi criada na África, passando boa parte do tempo em Cabo Verde, o que lhe rendeu imediatas comparações com Cesaria Evora. De fato, há muito das mornas de Cabo Verde na música cosmppolita de Mayra, mas sua origem cubana e a vivência na França também contribuem para que o som de Stória, Stória... navegue em trilhas plurais. O álbum, aliás, agrega Brasil e África. Não é por acaso que a batida do samba-reggae e a cadência do samba carioca podem ser detectadas em Juána, uma das 13 faixas do CD. É que Stória, Stória... foi formatado - sob a batuta do brasileiro Alê Siqueira - entre Cuba (Havana), França (Paris) e Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador). O amálgama de referências é urdido com classe por time de músicos de diversas etnias, com destaque para o guitarrista cabo-verdiano Kim Alves (autor da faixa Badiu Si...), o pianista cubano Roberto Fonseca e o baixista camaronês Etienne M'Bappé. De Cuba, por exemplo, há os vocais rapeados de Kelvis Ochoa, tempero adicional da densa Turbulénsa, faixa cheia de latinidade.Do Brasil, há o violoncelo de Jaques Morelenbaum em Seu, tema da lavra da própria Mayra Andrade. Morelenbaum, a propósito, orquestra o arranjo de cordas que adorna Odjus Fitchádu (Olhos Fechados, no dialeto crioulo). Tudo soa harmonioso. Mas nada parece mais bonito do que a canção Morena, Menina Linda - entoada por Mayra em português. É o momento mais íntimo e delicado de um disco que cruza oceanos, religando a África ao Brasil numa travessia que passa por Cuba e que abarca sons contemporâneos do Ocidente. Poderia soar exótico por misturar tantos sons e referências, mas o álbum tem uma unidade e um sentimento que credenciam Mayra Andrade a já figurar no time das melhores cantoras da atualidade.

6 de março de 2010 14:05  
Anonymous Anônimo said...

Mayra é uma artista incrível, uma cantora de timbre único e que canta como quem respira,além de ser uma delícia, em todos os sentidos...

6 de março de 2010 19:27  
Anonymous Anônimo said...

Gostei muito mais do primeiro CD...

7 de março de 2010 09:23  
Anonymous Anônimo said...

A única vez que a vi ao vivo foi no festival Back to Black no Rio de Janeiro. Apareceu linda, com uma túnica longa azul turquesa, parecia um anjo... realmente muito boa cantora, apesar de Angelique Kidjo ter roubado na cena na mesma noite. Ansiosa para ouvir novo Cd,com Roberto Fonseca, então... luxo!
Maria Aparecida

7 de março de 2010 12:14  
Anonymous Anônimo said...

Essa ponte CUBA+AFRICA+BRASIL já tá gasta minha gente... A mesma usada por Omara Portuondo,com ou sem Bethânia,Cesarea Évora,Carlinhos Brown e Rodrigo Lessa,Roberto Fonseca ...

7 de março de 2010 12:33  
Anonymous Paulo said...

a música ultrapassa fronteiras e nenhuma fonte ou ponte está gasta. Sempre há o que se conhecer, ouvir, cantar... A música como a literatura tem a capacidade de transcender sempre. Mayra é um grande exemplo disso.

7 de março de 2010 19:35  
Anonymous Anônimo said...

Mayra Andrade já figura no time das melhores cantoras da atualidade ?

Mundialmente falando ?!
É isso ?!

7 de março de 2010 21:05  
Anonymous Anônimo said...

Me remeteu também a Cesarea e Omara. Até os mesmos Alê Siqueira e Jaques Morelenbaum usados anteriormente pelas veteranas.Além do flerte discreto com a MPB e o Jazz latino ... mas ser discipula de quem é boa pode !

7 de março de 2010 21:25  
Anonymous Anônimo said...

" De fato, há muito das mornas de Cabo Verde na música cosmppolita de Mayra "

Não seria " cosmopolita " ?

7 de março de 2010 21:28  

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