26 de janeiro de 2010

Caetano escreve sobre 'Tecnomacumba' de Rita

Postos nas lojas pela gravadora Biscoito Fino no fim de 2009, o CD e o DVD Tecnomacumba - A Tempo e ao Vivo - que trazem o registro tardio do show estreado por Rita Ribeiro em 2003 - reproduzem no encarte um texto assinado por Caetano Veloso. O compositor tece loas à voz da cantora - vista na foto de Alexandre Moreira durante a gravação realizada em 3 de julho de 2009 na casa Vivo Rio (RJ) - e ao repertório de tom afro-brasileiro. Eis o projeto Tecnomacumba nas justas palavras de Caetano Veloso:
"Faz algum tempo que venho ouvindo com curiosidade e agrado uma voz de mulher que impressiona pela firmeza, pela limpeza do som, pela naturalidade da afinação. É uma voz que ouvi primeiro casualmente no rádio do carro e que sempre me fez parar para atentar e me perguntar: quem é essa cantora que tem a emissão lisa (sem vibratos) mais impressionante que ouvi em muito tempo? De quem é essa voz encorpada e delicada, de quem são esses glissandos seguros e de grande efeito experimental sem sombra de vulgaridade?
Aprendi o nome de Rita Ribeiro ao encontrar as respostas a essas perguntas. Agora, em parte num movimento de buscar usos significativos para suas invenções vocais, Rita desenvolveu esse projeto a que deu o nome de Tecnomacumba
. Os cantos e toques das religiões afro-brasileiras e sua sintonia com os ritmos desenvolvidos no uso de instrumentos eletrônicos. O resultado é rico, honesto e sugestivo.
O disco é um produto de nível profissional impecável, uma prova de que o Brasil anda com as próprias pernas. As combinações rítmicas e timbrísticas das programações eletrônicas com os instrumentos tocados por gente são equilibradas. O repertório é uma antologia de composições sobre o tema das religiões africanas no Brasil - sempre emolduradas por cantos saídos diretamente dessas práticas religiosas. Às vezes somos levados a nos perguntar coisas como, por exemplo, se o canto sobre Tempo ecoa as lavadeiras de Monsueto ou se o samba de Monsueto é que foi tirado daquele canto. Assim, há um rendado de motivos, uma rede de lembranças e referências que dão uma textura interna especial ao trabalho. O resultado fica mais para um pop elegante, em que uma boa banda de acompanhamento é temperada por sons tecno, do que para um mergulho radical no mundo dos batuques e da eletrônica. Mais uma vez, o que ressalta é a voz de Rita, sua segurança simpática (isso não é fácil nem freqüente), seu timbre cheio, seus ornamentos chiques porque personalíssimos, sua nobreza maranhense. Esse disco tem um futuro intrigante e pode vir a dizer mais do que parece agora. Vamos ouvir e esperar."
Caetano Veloso

22 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Postos nas lojas pela gravadora Biscoito Fino no fim de 2009, o CD e o DVD Tecnomacumba - A Tempo e ao Vivo - que trazem o registro tardio do show estreado por Rita Ribeiro em 2003 - apresentam no encarte texto assinado por Caetano Veloso. O compositor tece loas à voz da cantora - vista na foto de Alexandre Moreira durante a gravação realizada em 3 de julho de 2009 na casa Vivo Rio (RJ) - e ao repertório de tom afro-brasileiro. Eis o projeto Tecnomacumba nas justas palavras de Caetano Veloso:
"Faz algum tempo que venho ouvindo com curiosidade e agrado uma voz de mulher que impressiona pela firmeza, pela limpeza do som, pela naturalidade da afinação. É uma voz que ouvi primeiro casualmente no rádio do carro e que sempre me fez parar para atentar e me perguntar: quem é essa cantora que tem a emissão lisa (sem vibratos) mais impressionante que ouvi em muito tempo? De quem é essa voz encorpada e delicada, de quem são esses glissandos seguros e de grande efeito experimental sem sombra de vulgaridade?
Aprendi o nome de Rita Ribeiro ao encontrar as respostas a essas perguntas. Agora, em parte num movimento de buscar usos significativos para suas invenções vocais, Rita desenvolveu esse projeto a que deu o nome de Tecnomacumba. Os cantos e toques das religiões afro-brasileiras e sua sintonia com os ritmos desenvolvidos no uso de instrumentos eletrônicos. O resultado é rico, honesto e sugestivo.
O disco é um produto de nível profissional impecável, uma prova de que o Brasil anda com as próprias pernas. As combinações rítmicas e timbrísticas das programações eletrônicas com os instrumentos tocados por gente são equilibradas. O repertório é uma antologia de composições sobre o tema das religiões africanas no Brasil - sempre emolduradas por cantos saídos diretamente dessas práticas religiosas. Às vezes somos levados a nos perguntar coisas como, por exemplo, se o canto sobre Tempo ecoa as lavadeiras de Monsueto ou se o samba de Monsueto é que foi tirado daquele canto. Assim, há um rendado de motivos, uma rede de lembranças e referências que dão uma textura interna especial ao trabalho. O resultado fica mais para um pop elegante, em que uma boa banda de acompanhamento é temperada por sons tecno, do que para um mergulho radical no mundo dos batuques e da eletrônica. Mais uma vez, o que ressalta é a voz de Rita, sua segurança simpática (isso não é fácil nem freqüente), seu timbre cheio, seus ornamentos chiques porque personalíssimos, sua nobreza maranhense. Esse disco tem um futuro intrigante e pode vir a dizer mais do que parece agora. Vamos ouvir e esperar." Caetano Veloso

26 de janeiro de 2010 17:48  
Anonymous Leo Ladeira said...

Que maravilha esse reconhecimento do Caetano! Rita merece!!!

26 de janeiro de 2010 19:07  
Anonymous Anônimo said...

Caetano está se especializando em release de artistas. Escreve sobre todo mundo... Pelo menos, agora, escreveu sobre uma cantora de verdade. Rita Ribeiro é maravilhosa!

26 de janeiro de 2010 20:16  
Anonymous Anônimo said...

É, mas esse texto não é novo. Já tinha lido isso a um bom tempo, muito antes do DVD ser gravado.

26 de janeiro de 2010 21:21  
Anonymous Gustavo Sampaio said...

Este é um daqueles textos que a gente sente que o Caetano preferia não ter escrito. "Segurança simpática" foi o elogio mais desapaixonado que ouvi nessa semana.

27 de janeiro de 2010 00:24  
Anonymous Anônimo said...

De novo esse cara?
Até quando artistas vão precisar da aprovação do senhor Caetano?
Chega disso, pô.

27 de janeiro de 2010 00:26  
Anonymous Lurian said...

Sempre vi Rita com muita simpatia. Gosto do Tecnomacumba,mas ainda acho o 1º disco dela o melhor, mais cheio de ritmos e sabores. Esse sim figura sempre nas minhas escutas. Verdade seja dita que o Tecnomacumba vem em segundo lugar. Sucesso a essa 'moça bonita' (tema da umbanda por ela cantado)!

27 de janeiro de 2010 02:40  
Blogger marco said...

Justíssimo

Só o tempo trará reconhecimento a esse trabalho. E o motivo é simples: enquanto a maioria dos trabalhos musicais vai ser esquecida, Tecnomacumba ainda vai estar na boca do mundo como um trabalho pioneiro e definitivo. Muito à frente do seu tempo...

27 de janeiro de 2010 07:19  
Anonymous Denilson said...

Sinceramente, a Rita Ribeiro não precisa do aval do Caetano para nada.

Aliás, quando ele recomenda alguém, eu fico até com medo, pois as escolhas dele costumam me desagradar bastante.

Mas que é um bom marketing, isso é.

Sucesso para a Rita, apesar de eu também preferir seus trabalhos anteriores.

abração,
Denilson

27 de janeiro de 2010 10:21  
Anonymous Anônimo said...

Adoro todos os discos de Rita, sempre elegantes e coerentes, com preferência para o primeiro que marcou minha vida e o genial "Tecnomacumba"! Caetano sempre foi dado a escrever releases, não é de hoje! referendando Rita então, é mais do que bem-vindo, é urgente e fundamental!
Abs, Mauro e parabéns pelo pique!
Ricardo Guima

27 de janeiro de 2010 11:10  
Anonymous Flávio Herculano said...

O aval de Caetano hoje em dia é algo até negativo, que mancha a imagem de um artista. Mas Rita se sobrepôe a isso. Sua arte é realmente maior.

27 de janeiro de 2010 11:26  
Blogger MAXXX said...

O único porém é quanto à escolha da música interpretada por Bethânia. Poderia ter sido outra. Cada uma estava cantando de um jeito.

27 de janeiro de 2010 15:52  
Anonymous Anônimo said...

Caetano e sua arte, além de toda a sua rica e indiscutível contribuição para o cenário musical brasileiro, também se sobrepõe a tudo isso...

27 de janeiro de 2010 16:07  
Anonymous Anônimo said...

Flavio concordo com vc. O aval do Caetano é negativo, ficou uma coisa negativa. Não sei o motivo. Mas não cai bem... Eu amo a Rita Ribeiro há mais de 10 anos. Caetano chegou tarde.

27 de janeiro de 2010 17:17  
Anonymous Vagner - Lapa said...

Acho Rita Ribeiro a melhor da sua geração. A segurança dela no palco é impressionante, assim como a sua emissão. Pra mim, depois de Gal, na linha evolutiva das cantoras da MPB, depois da mudança de rumo da Marisa Monte, só Rita Ribeiro!

27 de janeiro de 2010 19:23  
Anonymous Alexandre Siqueira said...

Rita é profissional, talentosíssima, honesta, simples e fofa! Amo Rita Ribeiro, com ou sem Caetano...

27 de janeiro de 2010 20:54  
Anonymous Dirce said...

Como disseram aí em cima, esse texto é velho.

27 de janeiro de 2010 23:45  
Anonymous ale frança said...

O aval de CV jamais será negativo, but, ficou realmente 'carne de vaca', perdeu a relevância.

RR é a maior cantora surgida em décadas, mas este CD não me agrada nadinha - nem Bethania justifica.

Aguardo novidades.

28 de janeiro de 2010 08:13  
Blogger Jorge Reis said...

Sinceramente, depois de tudo que Rita já fez, o "Deus Caetano", dá a sua benção e coincidentemente Bethania participa do DVD, que saiu pela sua gravadora a quitanda.
Não vou falar o que eu acho, a tesoura da censura do Mauro anda louca atras de mim...
Deve ser coincidencia, prefiro a Rita na companhia de Chico c``esar e Baleiro.

28 de janeiro de 2010 16:52  
Blogger PedroPeter said...

que mané aval, aprovação?
o cara deu uma opinião, escreveu um release pro dvd da Rita. só isso.
o povo viaja MUITO na interpretação.

28 de janeiro de 2010 17:47  
Anonymous Anônimo said...

Rita Ribeiro não precisa de aval, aliás com a Internet, ninguém mais precisa, pois se tornou muito fácil conhecer a obra de qualquer artista.

28 de janeiro de 2010 20:10  
Anonymous Anônimo said...

Legal o grande Caetano reforçar com suas palavras o bom disco da Rita ( mas o texto não é novo, como já foi comentado). De qualquer forma, Rita merece!

28 de janeiro de 2010 23:57  

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