14 de dezembro de 2009

Apático, Jorge canta mal repertório de Michael

Resenha de Especial de TV
Título: Seu Jorge Canta Michael Jackson
Artista: Seu Jorge (em foto de Bob Paulino)
Exibição: Canal Multishow
Cotação: *
Reprises agendadas pelo Multishow para 15 de dezembro
(às 14h30m), 16 de dezembro (às 16h), 17 de dezembro (às
6h e às 8h) e 20 de dezembro (no Multishow HD, às 21h)

Em diversos momentos do especial Seu Jorge Canta Michael Jackson, exibido em 13 de dezembro de 2009 pelo canal de TV Multishow, o autor e intérprete de Burguesinha dá a entender que está ciente da "loucura" - o termo foi dito por ele em cena - que é abordar o repertório de Michael Jackson (1958 - 2009). Mas Jorge cometeu tal loucura em nome de boa causa: reverter fundos para o beneficente Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, mantido pelo apresentador Luciano Huck em São Paulo (SP) para formar técnicos em audiovisual. A iniciativa do cantor é louvável, mas, artisticamente, beira o constrangimento o resultado do show captado em apresentação fechada no Hotel Unique (SP) na última terça-feira, 8 de dezembro - como pode ser atestado por qualquer espectador que tenha visto o especial ou que assista a uma das cinco reprises agendadas pelo canal Multishow para esta semana.

Apático, Jorge canta muito mal o repertório de Michael. Formada por 16 músicos e quatro vocalistas, a big-band que divide o palco com ele faz o que pode para reproduzir o suingue da música do Rei do Pop. E o naipe de metais até põe alguma pegada em temas como Can You Feel It? (1980), primeira música do especial. Mas logo salta aos ouvidos a apatia do canto de Seu Jorge. Números posteriores como Baby me Mine e P.Y.T (Pretty Young Thing) - músicas menos badaladas do álbum Thriller (1982) - confirmam a total inadequação do cantor, até porque as letras são, em última análise, cantadas passadas por Michael na garota de seus sonhos. E o canto de Jorge passa longe da sedução. Billie Jean (1982) tem sua batida clonada com eficiência pela banda. Já Human Nature (1982) - "baladinha gostosa", na definição de Jorge - soa mais aceitável na voz do cantor justamente por ser uma baladinha gostosa de tons suaves. No fim, Rock with You (1979) reitera o caráter desastroso da abordagem. A causa é nobre, mas não é à toa que Jorge termina o especial com recordação de Sossego, hit de Tim Maia (1942 - 1998) nos anos 70. Embora destoante do conceito do especial, o número é o mais bem-resolvido do show e sinaliza que teria sido mais conveniente deixar a obra de Michael Jackson em paz e abordar o suingue de Tim, muito mais próximo do balanço de Seu Jorge. Cantar Michael foi mesmo uma loucura...

15 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Em diversos momentos do especial Seu Jorge Canta Michael Jackson, exibido em 13 de dezembro de 2009 pelo canal de TV Multishow, o autor e intérprete de Burguesinha dá a entender que está ciente da "loucura" - o termo foi dito por ele em cena - que é abordar o repertório de Michael Jackson (1958 - 2009). Mas Jorge cometeu tal loucura em nome de boa causa: reverter fundos para o beneficente Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, mantido pelo apresentador Luciano Huck em São Paulo (SP) para formar técnicos em audiovisual. A iniciativa do cantor é louvável, mas, artisticamente, beira o constrangimento o resultado do show captado em apresentação fechada no Hotel Unique (SP) na última terça-feira, 8 de dezembro - como pode ser atestado por qualquer espectador que tenha visto o especial ou que assista a uma das cinco reprises agendadas pelo canal Multishow para esta semana.

Apático, Jorge canta muito mal o repertório de Michael. Formada por 16 músicos e quatro vocalistas, a big-band que divide o palco com ele faz o que pode para reproduzir o suingue da música do Rei do Pop. E o naipe de metais até põe alguma pegada em temas como Can You Feel It? (1980), primeira música do especial. Mas logo salta aos ouvidos a apatia do canto de Seu Jorge. Números posteriores como Baby me Mine e P.Y.T (Pretty Young Thing) - músicas menos badaladas do álbum Thriller (1982) - confirmam a total inadequação do cantor, até porque as letras são, em última análise, cantadas passadas por Michael na garota de seus sonhos. E o canto de Jorge passa longe da sedução. Billie Jean (1982) tem sua batida clonada com eficiência pela banda. Já Human Nature (1982) - "baladinha gostosa", na definição de Jorge - soa mais aceitável na voz do cantor justamente por ser uma baladinha gostosa de tons suaves. No fim, Rock with You (1979) reitera o caráter desastroso da abordagem. A causa é nobre, mas não é à toa que Jorge termina o especial com recordação de Sossego, hit de Tim Maia (1942 - 1998) nos anos 70. Embora destoante do conceito do especial, o número é o mais bem-resolvido do show e sinaliza que teria sido mais conveniente deixar a obra de Michael Jackson em paz e abordar o suingue de Tim, muito mais próximo do balanço de Seu Jorge. Cantar Michael foi mesmo uma loucura...

14 de dezembro de 2009 13:07  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, sua crítica é realmente a melhor do Brasil. Tem que ter peito e coragem para criticar um projeto falível como este do Seu Jorge. Cantar Michael Jackson é quase que cometer suicídio, para qualquer artista. Uma voz que não se iguala e não se tenta superar...
Totalmente dispensável essa "homenagem"???
Marcio Prata
BH

14 de dezembro de 2009 14:10  
Anonymous Anônimo said...

E o inglês dele só é melhor do que o do técnico de futebol Joel Santana.

14 de dezembro de 2009 14:11  
Blogger Daniel Duarte said...

Cantar Michael Jackson realmente não é fácil. Além da voz singular de Michael tem os vocais percussivos que ele usa! Complicado!!

14 de dezembro de 2009 15:14  
Blogger marcelo said...

Quantas primaveras durará Seu Jorge ?

14 de dezembro de 2009 16:33  
Anonymous Anônimo said...

Pô, Mauro, você disse tudo: o resultado beira o constrangimento, apesar da causa nobre. Interessante como a obra de Jackson é mesmo profundamente autoral; até Milton Nascimento deu uma derrapada feia em "Beat It" (Crooner, 1999). Talvez por ser uma abordagem despretensiosa, Fernadinha Abreu se saiu melhor numa versão acústica de "Rock with You" (não lembro bem para que especial, acho que também do Multishow), imprimindo um tom mais pessoal.

14 de dezembro de 2009 17:31  
Anonymous Denilson said...

Desculpem a piada fora do contexto, mas o Seu Jorge não está a cara do Hélio De La Peña nessa foto? rsrs

abração,
Denilson (que não viu o especial e não tem como opinar...)

14 de dezembro de 2009 18:05  
Anonymous Anônimo said...

realmente, seu jorge é fora de propósito. até tem voz bonita mas a pose dele está acima da arte. para quem viu o filme com ele cantando as versões do david bowie, isso já era patente. mas ele tem uma mídia forte atrás, que abana o rabo e vai. parabéns pela crítica mauro.

14 de dezembro de 2009 18:23  
Anonymous Anônimo said...

Seu Jorge é muito popularesco!
Eu não vi o especial, mas deve ser triste pelo comentário do Mauro.

14 de dezembro de 2009 18:35  
Anonymous Anônimo said...

Gosto do Seu Jorge, de como ele entrou prá carreira de cantor e ator, MAS ele não tem afinação, nem espectro vocal para cantar a soul music de Michael Jackson. Pelamordedeus, que não o incentivem a cantar músicas de Stevie Wonder, porque ele também não irá conseguir.
Janio - Fortaleza-CE

14 de dezembro de 2009 19:48  
Anonymous Anônimo said...

Mas jura que não é o Hélio de La Peña?? Eu assisti por 10 minutos e estava mais pra Casseta e Planeta mesmo. Não aguentei.

14 de dezembro de 2009 20:42  
Blogger Sandro CS said...

Muito oportuna a crítica do Mauro. Não dá pra negar a grande importãncia de Seu Jorge no cenário musical atual, pois é muito carismático e é talvez o único cantor mainstream que "defende" a boa soul music brazuca, com pitadas de samba-rock.
Mas ele realmente precisa de aulas de canto, pois sua voz ainda é praticamente monocórdia e de parcas texturas.
No seu recente DVD, "América Brasil", é constrangedor vê-lo destruir "É isso aí" (sem a Ana Carolina!!!) ao lado do autor da canção original, o Damien Rice.

15 de dezembro de 2009 11:03  
Blogger tavares said...

Que medo de assistir...

15 de dezembro de 2009 17:21  
Anonymous Anônimo said...

Nao vi o especial mas creio que essa e realmente a face do Seu Jorge. Compoe legal, colado no Benjor obviamente mas as pessoas cantam. O fato de ter morado nas ruas e se tornar ator de sucesso na Europa, principalmente na Italia, fez dele um icone, uma referencia. Mas a verdade e que a limitacao existe, toca muito mal um violao e canta toscamente. Depois do Pro Tools qualquer um e cantor. Seu Jorge nao e essa ultima coca cola gelada do deserto tal qual propagam aos quatro ventos.

16 de dezembro de 2009 19:55  
Blogger MIster Teles, o Musical said...

Tadinho do Seu Jorge, gente, pelo menos ele teve boa intençao e coragem! Eu nunca conseguiria fazer melhor q ele! Ah sim, eu adorei Milton Nascimento cantando "Beat it" no cd "Crooner" nao ficou perfeito e eu tb gosto de um pouco de imperfeicao! Valeu pela ousadia, mas a do Milton nao foi constrangedor como a do Seu Jorge!

18 de dezembro de 2009 20:12  

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