17 de novembro de 2009

Cauby faz do Bar Brahma a sua Rádio Nacional

Resenha de Show
Título: Cauby Peixoto no Bar Brahma
Artista: Cauby Peixoto (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Bar Brahma (SP)
Data: 16 de novembro de 2009
Cotação: * * *
Em cartaz às segundas-feiras, às 22h30, no Bar Brahma
Alguma coisa acontece quando Cauby Peixoto cruza o salão cheio do Bar Brahma, situado no cruzamento das avenidas Ipiranga com São João, local que - relata Caetano Veloso na letra de Sampa - mexe com corações. Ao som de A Distância, balada que incluiu no ainda inédito CD em que canta apenas músicas de Roberto Carlos, Cauby caminha, amparado, em direção ao pequeno palco do bar, diante do olhar respeitoso da platéia formada majoritariamente por turistas vindos de cidades como Curitiba (PR), Maceió (AL) e Manaus (AM). Ninguém rasga sua roupa, mas, ali, naquele palco que abriga o cantor e um trio de baixo-bateria e teclados, Cauby é rei como nos tempos da Rádio Nacional. Ao menos durante as segundas-feiras, dia em que cumpre já tradicional temporada no igualmente tradicional bar do Centro de São Paulo (SP). Sentado e lendo a maioria das letras, por conta das naturais limitações imposta pelos 78 anos, o intérprete interage com os espectadores - chamados por ele de "prezados amigos" - enquanto desfia à sua moda um rosário de pérolas da MPB que inclui Viola Enluarada, Beatriz ("Canção difícil de se cantar"), Samba em Prelúdio (tema no qual prepara e rege o coro da plateia) e até hit do compositor popular Jessé (1952 - 1993), Porto Solidão. Símbolo da era de ouro do rádio brasileiro, a voz ainda soa volumosa, com vigor que contraria a fragilidade do corpo. Mas, ali, Cauby é rei. Por isso, Primavera - a balada soul propagada no vozeirão de Tim Maia (1942 - 1998) - é acompanhada por animadas palmas da platéia que pouco se importa com o ralo rigor estilístico da maioria das interpretações. Por isso também, o público até acha graça quando Cauby põe o maestro Jair para cantar Madalena e faz piada com o fato de ele estar roubando suas fãs. É o jeito que ele encontra para preparar o espírito do público para seu número habitualmente triunfal, Conceição, cantada solenemente de pé. Em Conceição, solada a plenos pulmões, há lampejos do Cauby dos áureos tempos. A relativa novidade é o tom contido da canção De Tanto Amor, a pérola de outro Rei, o Roberto. De Tanto Amor figura no disco Cauby Peixoto Interpreta Roberto Carlos, assim como Desabafo, apresentada em ritmo de tango num dos números mais bem resolvidos do roteiro que também agrega Ronda - o clássico de Paulo Vanzolini que relata na letra uma cena passional num bar da avenida São João - e Fly me to the Moon, tema no qual Cauby brinca com o ritmo, evocando a técnica que já garantiu seu nome entre os melhores cantores brasileiros de todos os tempos. No fim, claro, há Bastidores, cujos versos de Chico Buarque traduzem tanto a paixão que caracteriza o canto de Cauby como certa aura crespuscular que envolve o artista no palco do Bar Brahma. Pode ser cruel cantar assim, sentado com as letras à sua frente, mas a voz e a presença de Cauby Peixoto transcendem marcas do tempo.

13 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Alguma coisa acontece quando Cauby Peixoto cruza o salão cheio do Bar Brahma, situado no cruzamento das avenidas Ipiranga com São João, local que - relata Caetano Veloso na letra de Sampa - mexe com corações. Ao som de A Distância, balada que incluiu no ainda inédito CD em que canta apenas músicas de Roberto Carlos, Cauby caminha, amparado, em direção ao pequeno palco do bar, diante do olhar respeitoso da platéia formada majoritariamente por turistas vindos de cidades como Curitiba (PR), Maceió (AL) e Manaus (AM). Ninguém rasga sua roupa, mas, ali, naquele palco que abriga o cantor e um trio de baixo-bateria e teclados, Cauby é rei como nos tempos da Rádio Nacional. Ao menos durante as segundas-feiras, dia em que cumpre já tradicional temporada no igualmente tradicional bar do Centro de São Paulo (SP). Sentado e lendo a maioria das letras, por conta das naturais limitações imposta pelos 78 anos, o intérprete interage com os espectadores - chamados por ele de "prezados amigos" - enquanto desfia à sua moda um rosário de pérolas da MPB que inclui Viola Enluarada, Beatriz ("Canção difícil de se cantar"), Samba em Prelúdio (tema no qual prepara e rege o coro da plateia) e até hit do compositor popular Jessé (1952 - 1993), Porto Solidão. Símbolo da era de ouro do rádio brasileiro, a voz ainda soa volumosa, com vigor que contraria a fragilidade do corpo. Mas, ali, Cauby é rei. Por isso, Primavera - a balada soul propagada no vozeirão de Tim Maia (1942 - 1998) - é acompanhada por animadas palmas da platéia que pouco se importa com o ralo rigor estilístico da maioria das interpretações. Por isso também, o público até acha graça quando Cauby põe o maestro Jair para cantar Madalena e faz piada com o fato de ele estar roubando suas fãs. É o jeito que ele encontra para preparar o espírito do público para seu número habitualmente triunfal, Conceição, cantada solenemente de pé. Em Conceição, solada a plenos pulmões, há lampejos do Cauby dos áureos tempos. A relativa novidade é o tom contido da canção De Tanto Amor, a pérola de outro Rei, o Roberto. De Tanto Amor figura no disco Cauby Peixoto Interpreta Roberto Carlos, assim como Desabafo, apresentada em ritmo de tango num dos números mais bem resolvidos do roteiro que também agrega Ronda - o clássico de Paulo Vanzolini que relata na letra uma cena passional num bar da avenida São João - e Fly me to the Moon, tema no qual Cauby brinca com o ritmo, evocando a técnica que já garantiu seu nome entre os melhores cantores brasileiros de todos os tempos. No fim, claro, há Bastidores, cujos versos de Chico Buarque traduzem tanto a paixão que caracteriza o canto de Cauby como certa aura crespuscular que envolve o artista no palco do Bar Brahma. Pode ser cruel cantar assim, sentado com as letras à sua frente, mas a voz e a presença de Cauby Peixoto transcendem marcas do tempo.

17 de novembro de 2009 11:39  
Anonymous Leo said...

Cauby é REI!!!!!

17 de novembro de 2009 12:20  
Anonymous Anônimo said...

Respeitoso comentário. Honesto, sincero. Beirando os 80 com gás e tesão de palco. Esse é de fato um artista brasileiro.
Não morro de amores por ele, mas tenho que me curvar diante de figura tão ímpar e digna.
Parbéns pela resenha, Mauro.
Carioca da Piedade, que preferia as desafinadas e atropeladas de Nelson Gonçalves e (no fim da estrada) seu vangloriar de prótese

17 de novembro de 2009 14:11  
Anonymous Alexandre Siqueira said...

Cauby É Rei! Respeito, dignidade, talento, raça, esses são apenas algumas de suas qualidades. Longa vida a Cauby Peixoto!

17 de novembro de 2009 16:43  
Anonymous Anônimo said...

Cauby é maravilhoso. Pena que não sai mais de São Paulo.

17 de novembro de 2009 17:12  
Anonymous Anônimo said...

CAUBY VEM AÍ COM UM DISCO HISTÓRICO. AS GRAVAÇÕES ESTÃO ESPETACULARES. ROBERTO CARLOS VAI FICAR EMOCIONADO.

17 de novembro de 2009 17:50  
Anonymous Anônimo said...

Disco histórico é exagero.

17 de novembro de 2009 19:52  
Anonymous Anônimo said...

É uma pena que Cauby com a voz que tem cante tudo igual. Ele precisaria de uns toques de interpretação. Apesar da experiência e da voz, ele precisa de uns toques...

18 de novembro de 2009 08:42  
Anonymous Anônimo said...

É mais um disco previsível.

18 de novembro de 2009 09:07  
Anonymous Anônimo said...

O Cauby não precisa de toque pra nada. É o maior cantor vivo do Brasil. Como as pessoas se acham sabidas! Um homem que chamou atenção do mundo todo com sua técnica apurada, afinação e beleza de voz precisa de toque. Só se for toque de uma grande orquestra iniciando um belo tema para Cauby cantar. Que mania as pessoas possuem de ver defeito em todo. Deus me proteja dessa gente envenenada... E o Cauby também! Com essa idade toda o cara ainda tem que mudar coisas. Eu passo! E passo correndo. Desculpa, Mauro, mas é demais!

18 de novembro de 2009 10:28  
Anonymous Anônimo said...

Concordo com o anônimo das 08.42. Cauby é ótimo, mas precisa variar nas interpretações. Canta tudo igual, com a mesma impostação. Igual a Selma Reis. Cansa...

18 de novembro de 2009 12:05  
Anonymous Roberto Murilo said...

Um grande artista, digno e elegante. Sempre tratou o público com respeito. Deveria ser exemplo para todos os que pretendem alcançar o estrelato na MPB.

22 de novembro de 2009 16:42  
Anonymous otaviano/Recife said...

O SHOW é fantástico! Cauby ainda é Cauby - se é isso que querem saber - e está ainda melhor. Viola enluara e Beatriz soam tecnicamente são interpretadas com exatidão técnica pra ninguém botar defeito.
A tragetória de Cauby, o seu carisma, sua voz e a figura elegante já são o suficiente para explicar a sua longevitude artística. Se a isso a gente somar bons músicos, o calor da plateia, repertório renovado e uma boa produção poderemos compreender o sucesso que ele está fazendo e o respeito que o seu público lhe dedica. salve Cauby!
Otaviano - Recife/PE

6 de março de 2010 16:55  

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