3 de outubro de 2009

Blitz recruta bons parceiros em CD que soa leve

Resenha de CD
Título: Eskute Blitz
Artista: Blitz
Gravadora: CD Promo
Cotação: * * *

É claro que nada vai acontecer com a banda Blitz nessa altura do campeonato. O grupo de Evandro Mesquita já está para sempre linkado ao mágico verão de 1982, quando o sucesso comercial e artístico de seu compacto Você Não Soube me Amar abriu as portas do mercado fonográfico nacional para o rock made in Brazil. Passada a euforia inicial, a Blitz se dissolveu - após três álbuns de estúdio e incontáveis egotrips - para voltar mais tarde, sempre capitaneada por Evandro. Entre idas e vindas, houve apenas um álbum de inéditas, Línguas (1997), no caminho pontuado por discos ao vivo repletos de indisfarçável nostalgia da modernidade. Por isso mesmo, o CD Eskute Blitz - o primeiro trabalho de inéditas da banda em 12 anos, nas lojas neste início de outubro de 2009 - merece atenção. Não é um grande disco, mas é um bom disco que traz uma leveza e uma despretensão que andam escassas no rock brasileiro. E, verdade seja dita, muito da magia da Blitz vinha de seus shows performáticos. A rigor, seus álbuns nunca foram coesos, sendo que o segundo, Radioatividade (1983), é o que mais apresenta melhor acabamento. Eskute Blitz procura dar sabor atual aos ingredientes da receita pop da banda. E a abertura do leque de parceiros contribui positivamente para que o objetivo seja alcançado. Corações na Calça Jeans roça a perfeição pop e, não por acaso, ostenta o nome de Leoni, parceiro de Evandro na faixa e no (menos inspirado) reggae Voo Cego. Já Zero Absoluto é pop rock que junta o nome de Evandro ao casal fofo do grupo Pato Fu - John Ulhoa e Fernanda Takai - enquanto O Garoto Sonha evoca algo da inocência quase infantil de Erasmo Carlos, parceiro de Evandro e de Ralph Canetti no tema. Na seara das baladas, há Nuvens e Vida Mansa, deliciosa ode ao bem-viver que também é feita em Eu, Minha Gata e Meu Cachorro, insosso pop rock que abre (mal) o CD e passa a impressão falsa de que a Blitz vai soar no disco como um clone daquela banda alegre dos anos 80. Não é bem assim. A receita é a mesma, mas, sim, ganhou novos ingredientes. A ponto de a Blitz soar modernosa ao investir no universo dance em Sacanagem. Entre o passado e o presente, há as piadas de duplo sentido sexual - como as feitas em Homem de Avental - que já soam velhas. Apesar de bobagens como Baseado em Clarice, que cita a escritora Clarice Lispector (1920 - 1977), escute o CD sem preconceito: ele tem valor e é melhor do que muito disco elogiado pela mídia, sempre ansiosa por apontar a nova maior banda de todos os tempos da última semana. Ouça!!

5 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

É claro que nada vai acontecer com a banda Blitz nessa altura do campeonato. O grupo de Evandro Mesquita já está para sempre linkado ao mágico verão de 1982, quando o sucesso comercial e artístico de seu compacto Você Não Soube me Amar abriu as portas do mercado fonográfico nacional para o rock made in Brazil. Passada a euforia inicial, a Blitz se dissolveu - após três álbuns de estúdio e incontáveis egotrips - para voltar mais tarde, sempre capitaneada por Evandro. Entre idas e vindas, houve apenas um álbum de inéditas, Línguas (1997), no caminho pontuado por discos ao vivo repletos de indisfarçável nostalgia da modernidade. Por isso mesmo, o CD Eskute Blitz - o primeiro trabalho de inéditas da banda em 12 anos, nas lojas neste início de outubro de 2009 - merece atenção. Não é um grande disco, mas é um bom disco que traz uma leveza e uma despretensão que andam escassas no rock brasileiro. E, verdade seja dita, muito da magia da Blitz vinha de seus shows performáticos. A rigor, seus álbuns nunca foram coesos, sendo que o segundo, Radioatividade (1983), é o que mais apresenta melhor acabamento. Eskute Blitz procura dar sabor atual aos ingredientes da receita pop da banda. E a abertura do leque de parceiros contribui positivamente para que o objetivo seja alcançado. Corações na Calça Jeans roça a perfeição pop e, não por acaso, ostenta o nome de Leoni, parceiro de Evandro na faixa e no (menos inspirado) reggae Voo Cego. Já Zero Absoluto é pop rock que junta o nome de Evandro ao casal fofo do grupo Pato Fu - John Ulhoa e Fernanda Takai - enquanto O Garoto Sonha evoca algo da inocência quase infantil de Erasmo Carlos, parceiro de Evandro e de Ralph Canetti no tema. Na seara das baladas, há Nuvens e Vida Mansa, deliciosa ode ao bem-viver que também é feita em Eu, Minha Gata e Meu Cachorro, insosso pop rock que abre (mal) o CD e passa a impressão falsa de que a Blitz vai soar no disco como um clone daquela banda alegre dos anos 80. Não é bem assim. A receita é a mesma, mas, sim, ganhou novos ingredientes. A ponto de a Blitz soar modernosa ao investir no universo dance em Sacanagem. Entre o passado e o presente, há as piadas de duplo sentido sexual - como as feitas em Homem de Avental - que já soam velhas. Apesar de bobagens como Baseado em Clarice, que cita a escritora Clarice Lispector (1920 - 1977), escute o CD sem preconceito: ele tem valor e é melhor do que muito disco elogiado pela mídia, sempre ansiosa por apontar a nova maior banda de todos os tempos da última semana. Ouça!!

3 de outubro de 2009 09:23  
Anonymous Camilo said...

já passou o verão da Blitz, Mauro. acho que é vc é que tá com nostalgia da sua época e não reconhece as novas bandas

3 de outubro de 2009 11:37  
Anonymous Anônimo said...

Que medo dessa capa! Parece até aqueles CDs em balcão de supermercado que saem a R$ 3,00!

3 de outubro de 2009 13:40  
Anonymous Anônimo said...

Camilo falou e disse.
A blitz foi ótima, mas é super datada.
É terapia ocupacional do Evandro.

3 de outubro de 2009 14:43  
Anonymous Anônimo said...

A Luciana é um show a parte!Sem ela a Blitz não seria a mesma coisa!
Vcs são sortudos de terem ela como camponente da banda!
Artista é artista!
"Nem todos de nós temos que possuir um talento excepcional, apenas bom senso e amor são suficientes." (Myrtle Auvil)

A Luciana Arrasaaaaaaaa!!! ;)

3 de novembro de 2009 14:02  

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