19 de outubro de 2009

Bebel amplia rotas e dosa 'loops' em 'All in One'

Resenha de CD
Título: All in One
Artista: Bebel Gilberto
Gravadora: Verve /
Universal Music
Cotação: * * 1/2

Quarto álbum internacional de Bebel Gilberto, mas o primeiro editado pela gravadora Verve, All in One encaminha (sutis) mudanças de rota na (rala) discografia da filha de João Gilberto. A artista amplia as conexões - o CD foi gravado entre Bahia (Brasil), Jamaica e Estados Unidos - enquanto diminui a dose de eletrônica. Dividida entre Carlinhos Brown, Didi Gutman (um argentino que integra o grupo norte-americano Brazilian Girls) e Mark Ronson, entre outros nomes, a produção é antenada e o disco começa bem. O problema continua sendo a produção autoral de Bebel, cuja irregularidade não é atenuada pelas conexões espertas. A faixa-título, por exemplo, é parceria da artista com o violonista baiano Cézar Mendes que dá o tom morno de parte de All in One. Outros temas autorais, como Forever e Secret (Segredo), vão pelo mesmo caminho titubeante. Da lavra própria da artista, a única faixa digna de nota é a singela Canção de Amor, parceria de Bebel com o guitarrista Masa Shimizu. Mas, justiça seja feita, há acertos no disco. Sem se escorar na eletrônica, Bebel se reconecta à Bossa Nova na delicada súplica de Nossa Senhora (Carlinhos Brown e Paulo Levita) e se permite pela primeira vez gravar um tema de seu pai - ninguém menos do que João Gilberto, o papa da bossa cinquentenária - com abordagem elegante de Bim Bom, faixa na qual figura Daniel Jobim no piano e nos vocais, em presença que evoca a aura de Tom Jobim (1927 - 1994), o outro papa da bossa, cujo clima suave também ambienta Far From the Sea (Robertinho Brant e Emerson Pena). Com o auxílio de Didi Gutman e de John King (um dos dois Dust Brothers), Bebel também acerta ao trazer para sua praia um reggae de Bob Marley (1945 - 1981), Sun Is Shining, em versão bilíngue. Já The Real Thing (Stevie Wonder) realça o tom cosmopolita que rege All in One. Por fim, vale dizer que a releitura de Chica Chica Boom Chic - com arranjo que mixa loops com o baticum afro-baiano e o instrumental típico do samba - honra a memória de Carmen Miranda (1909 - 1955), intérprete original do samba-rumba de Harry Warren e Mack Gordon). Encerrado com Port Antonio (Bebel e Didi Gutman), canção batizada com o nome da cidade jamaicana em está situado o Geejam Studio (onde a faixa foi gravada), o CD All in One tem méritos, e estes seriam maiores se Bebel Gilberto tivesse dosado seu sempre fraco cancioneiro autoral - como fez com a eletrônica.

12 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Quarto álbum internacional de Bebel Gilberto, mas o primeiro editado pela gravadora Verve, All in One sinaliza (sutis) mudanças de rota na (rala) discografia da filha de João Gilberto. A artista amplia as conexões - o CD foi gravado entre Bahia (Brasil), Jamaica e Estados Unidos - enquanto diminui a dose de eletrônica. Dividida entre Carlinhos Brown, Didi Gutman (um argentino que integra o grupo norte-americano Brazilian Girls) e Mark Ronson, entre outros nomes, a produção é antenada e o disco começa bem. O problema continua sendo a produção autoral de Bebel, cuja irregularidade não é atenuada pelas conexões espertas. A faixa-título, por exemplo, é parceria da artista com o violonista baiano Cézar Mendes que dá o tom morno de parte de All in One. Outros temas autorais, como Forever e Secret (Segredo), vão pelo mesmo caminho titubeante. Da lavra própria da artista, a única faixa digna de nota é a singela Canção de Amor, parceria de Bebel com o guitarrista Masa Shimizu. Mas, justiça seja feita, há acertos no disco. Sem se escorar na eletrônica, Bebel se reconecta à Bossa Nova na delicada súplica de Nossa Senhora (Carlinhos Brown e Paulo Levita) e se permite pela primeira vez gravar um tema de seu pai - ninguém menos do que João Gilberto, o papa da bossa cinquentenária - com abordagem elegante de Bim Bom, faixa na qual figura Daniel Jobim no piano e nos vocais, em presença que evoca a aura de Tom Jobim (1927 - 1994), o outro papa da bossa, cujo clima suave também ambienta Far From the Sea (Robertinho Brant e Emerson Pena). Com o auxílio de Didi Gutman e de John King (um dos dois Dust Brothers), Bebel também acerta ao trazer para sua praia um reggae de Bob Marley (1945 - 1981), Sun Is Shining, em versão bilíngue. Já The Real Thing (Stevie Wonder) realça o tom cosmopolita que rege All in One. Por fim, vale dizer que a releitura de Chica Chica Boom Chic - com arranjo que mixa loops com o baticum afro-baiano e o instrumental típico do samba - honra a memória de Carmen Miranda (1909 - 1955), intérprete original do samba-rumba de Harry Warren e Mack Gordon). Encerrado com Port Antonio (Bebel e Didi Gutman), canção batizada com o nome da cidade jamaicana em está situado o Geejam Studio (onde a faixa foi gravada), o CD All in One tem méritos, e estes seriam maiores se Bebel Gilberto tivesse dosado seu sempre fraco cancioneiro autoral - como fez com a eletrônica.

19 de outubro de 2009 11:04  
Blogger Márcio said...

Mauro, reportagem da Folha de São Paulo informou que um desentendimento entre Bebel Gilberto e Paula Lavine, uma das produtoras executivas do CD, terminou excluindo do repertório boa parte das canções gravadas em Salvador com Carlinhos Brown. O trabalho teve então, segundo a reportagem, de ser reiniciado. Você tem mais informações sobre o assunto?

19 de outubro de 2009 11:45  
Anonymous Anônimo said...

Acho All in One o melhor CD da Bebel! Sun is Shining é ótima. A Folha classificou o álbum como "ruim" e fica a impressão, pela reportagem, que as musicas que Paula Lavigne levou embora seriam melhores das que entraram no CD....o que será que aconteceu?

19 de outubro de 2009 12:42  
Anonymous Anônimo said...

É, parece que rolou um barraco forte entre Bebel e a eterna Sra. Veloso. Diz que o disco que está com a Paula é beeeeem melhor.......

19 de outubro de 2009 13:52  
Blogger Bruno Cavalcanti said...

Eu achei o disco ótimo, o melhor da Bebel desde "Tanto Tempo". Faixas como "Nossa Senhora", "Chica Chica Boom Chic", "Segredo", "Canção de Amor", "Sun is Shining", "The Real Thing" são ótimas! Não sei porque apenas ** 1/2 o disco é ótimo e merecia mais ou menos *** ou *** 1/2 de cotação.

Só senti falta de canções como "Acabou Chorare"...

19 de outubro de 2009 15:12  
Anonymous Plava Laguna said...

Acabou Chorare a Lavigne papou. E a Bebel Gilberto canta isso tão bem. Saco!
Ouvi o Chica Chica Boom Chic e também gostei da batucada. Um xuxu (ensopadinho com camarão). Idem o Bim Bom.

Simpatizo com la Gilberto. É inteligente e street smart. Circula nos meios certos, tem cultura e olha lá pra frente.

19 de outubro de 2009 15:36  
Blogger marco said...

eu pessoalmente também achei que o CD não é assim tão ruim. Até gostei bastante. Foi uma agradável surpresa e é, depois de 'Tanto Tempo' o melhor CD da sua carreira.

abraço

Marco

19 de outubro de 2009 15:50  
Anonymous Danilo said...

Gostei bastante do disco principamente nas fixas que ela soa mais 'cool'.

Bebel não é uma grande compositora ou letrista, ou seja lá o que for,e acho que nem tem pretensão de ser.Mas penso que música é um conjunto de muitas outras coisas e a dela ganha força pelo seu timbre de voz peculiar e pela vibe que ela imprime nas canções.Acho que ela tem uma assinatura muito própria.

19 de outubro de 2009 19:06  
Anonymous Anônimo said...

BEBEL RECEBEU MUSICAS INEDITAS DE GRANDES COMPOSITORES, JOVENS E DE FAMA INTERNACIONAL. DECIDIU OLHAR PARA O PROPRIO UMBIGO E NO ETERNO EGOCENTRISMO INCLUI AS SUAS COMPOSIÇÕES, TODAS DISPENSAVEIS ( TEM RAZÃO O MAURO). AS REGRAVAÇÕES SÃO TODAS DE UM MAINSTREAM-LUGAR-COMUM. A ESTETICA DE ALÊ SIQUEIRA DE UMA BATUCADA MODERNA JA DEU O QUE TINHA QUE DAR.OS DISCOS DE CANTORAS COMO BEBEL,CEU,ROBERTA SÁ, SÃO MUITO DE BOUTIQUE, ARRUMADINHOS DEMAIS, CHATOS...CASSIA ELLER!!! VOLTA!!!!

20 de outubro de 2009 00:17  
Blogger Leco said...

Pelo visto as opiniões estão muito divididas com relação a este trabalho, hum?

Na opinião de quem não é músico, nem tem embasamento teórico para análises mais sérias, este disco é o menos inspirado entre os quatro lançados de Tanto Tempo (2000) para cá. Da sonoridade eletrônica de outrora, restam efeitos e camadas muito discretas e sutis, e o resultado ficou muito bonito nesse aspecto.

São mais acertos do que equívocos, com certeza, mas o que me fala mais alto não é a precariedade das faixas autorais, mas uma certa falta de unidade, muito forte e presente nos trabalhos anteriores.

De qualquer maneira, é um disco que merece ser ouvido mais vezes, antes de se fechar uma opinião a respeito.

20 de outubro de 2009 14:50  
Anonymous Anônimo said...

Uma linda voz que não ressoa na compositora nem no estilo "batida dance" pela qual optou - mas que realmente está bem menos batida neste.
UM DESPERDÍCIO.

20 de outubro de 2009 21:23  
Blogger Bernardo Barroso Neto said...

O cd está um pouco abaixo de outros álbuns dela, mas continua bem acima do que a gente costuma ouvir por aí na mídia.
A maioria das músicas são maravilhosas, como: All in one, Bim bom, Chica chica boom chic, Real thing e Canção de amor.
Só não gostei de Nossa senhora.
A nota foi muito fraca, merecia pelo menos ***.

22 de outubro de 2009 13:55  

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