29 de setembro de 2009

Filme historia o legado brasileiro no som global

Resenha de Filme
Título: Beyond Ipanema
- Ondas Brasileiras na Música Global
(Brasil, 2009)
Direção: Guto Barra e Béco Dranoff
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz no Festival do Rio 2009
(Sessões entre 26 de setembro e 2 de outubro de 2009)

Em maior ou menor grau, a música brasileira tem influenciado os sons do mundo desde 1939, ano em que Carmen Miranda (1909 - 1955) foi para os Estados Unidos mostrar aos norte-americanos o que é que o Brasil tinha, criando involuntariamente a imagem-clichê tropical que ainda identifica muito mal o País no imaginário planetário. Em cartaz dentro da programação do Festival do Rio 2009, o documentário Beyond Ipanema - Ondas Brasileiras na Música Global historia essa influência ao longo das décadas, montando painel interessante que chega aos dias atuais, época em que - como mostra o filme dos diretores Guto Barra e Béco Dranoff (ambos brasileiros e ambos radicados em Nova York) - uma banda indie e desconhecida como a paulista Garotas Suecas já consegue contabilizar (cerca de) 25 shows na terra do Tio Sam em um ano.

A despeito da omissão indesculpável dos nomes de Djavan, Ivan Lins e Milton Nascimento (três compositores há anos com ampla visibilidade na cena de jazz dos Estados Unidos), o documentário expõe, através de minitextos didáticos e de depoimentos, vasto panorama da presença da música brasileira no exterior. Há ênfase demasiada no legado da Tropicália - a rigor, evocada no cenário estrangeiro mais pelo culto aos Mutantes e pela redescoberta de Tom Zé do que pela ideologia em si do movimento pop de 1967. Aliás, uma das cenas hilárias é a que capta a exultação do ex-engraxate Joel Stones - hoje no comando do sebo Tropicalia in Furs, situado no Village - por ter vendido por cinco mil dólares um exemplar raríssimo do compacto do grupo O' Seis, que vem a ser o sexteto que originou os Mutantes. Os diretores vão além e também mostram a felicidade do comprador, Giuliano, ao receber o disco em sua casa (na foto do post, quem aparece é o vendedor).

Embora menos valorizada pela juventude, ao menos em sua forma tradicional, a Bossa Nova também é um assunto recorrente em Beyond Ipanema. O filme lembra que ela deixou suas marcas perenes na música do mundo a partir do controvertido concerto organizado no Carnegie Hall em 1962. A música de Tom Jobim (1927 - 1994) seduziu os Estados Unidos pela voz de Astrud Gilberto, intérprete de Garota de Ipanema em Getz / Gilberto, histórico álbum de 1964 que espalhou pelo mundo a modernidade bossa-novista. Sem saudosismo, Beyond Ipanema mostra na sequência como a união da batida da bossa com os samples deu novo impulso mundial à música brasileira a partir dos anos 90, gerando ícones como Bebel Gilberto, uma das entrevistadas. De forma superficial, os diretores focam também fenômenos recentes como o grupo paulista Cansei de Ser Sexy - exemplo de como atravessar as fronteiras brasileiras a partir da internet - e o grupo Forró in the Dark. Sem falar no funk carioca, o pancadão do estilo Miami Bass cultuado no exterior sob o rótulo de funk-favela. Mas, no fim, o filme volta ao começo e fecha com a imagem tropicalista de Carmen Miranda, portuguesa vivaz que fez o mundo da música descobrir o Brasil com seus balangandãs bem antes da nova bossa.

1 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Em maior ou menor grau, a música brasileira tem influenciado os sons do mundo desde 1939, ano em que Carmen Miranda (1909 - 1955) foi para os Estados Unidos mostrar aos norte-americanos o que é que o Brasil tinha, criando involuntariamente a imagem-clichê tropical que ainda identifica (mal) o País no imaginário planetário. Em cartaz dentro da programação do Festival do Rio 2009, o documentário Beyond Ipanema - Ondas Brasileiras na Música Global historia essa influência ao longo das décadas, montando painel interessante que chega aos dias atuais, época em que - como mostra o filme dos diretores Guto Barra e Béco Dranoff (ambos brasileiros e ambos radicados em Nova York) - uma banda indie e desconhecida como a paulista Garotas Suecas já consegue contabilizar (cerca de) 25 shows na terra do Tio Sam em um ano.

A despeito da omissão indesculpável dos nomes de Djavan, Ivan Lins e Milton Nascimento (três compositores há anos com ampla visibilidade na cena de jazz dos Estados Unidos), o documentário expõe, através de minitextos didáticos e de depoimentos, vasto panorama da presença da música brasileira no exterior. Há ênfase demasiada no legado da Tropicália - a rigor, evocada no cenário estrangeiro mais pelo culto aos Mutantes e pela redescoberta de Tom Zé do que pela ideologia em si do movimento pop de 1967. Aliás, uma das cenas hilárias é a que capta a exultação do ex-engraxate Joel Stones - hoje no comando do sebo Tropicalia in Furs, situado no Village - por ter vendido por cinco mil dólares um exemplar raríssimo do compacto do grupo O' Seis, que vem a ser o sexteto que originou os Mutantes. Os diretores vão além e também mostram a felicidade do comprador, Giuliano, ao receber o disco em sua casa (na foto do post, quem aparece é o vendedor).

Embora menos valorizada pela juventude, ao menos em sua forma tradicional, a Bossa Nova também é um assunto recorrente em Beyond Ipanema. O filme lembra que ela deixou suas marcas perenes na música do mundo a partir do controvertido concerto organizado no Carnegie Hall em 1962. A música de Tom Jobim (1927 - 1994) seduziu os Estados Unidos pela voz de Astrud Gilberto, intérprete de Garota de Ipanema em Getz / Gilberto, histórico álbum de 1964 que espalhou pelo mundo a modernidade bossa-novista. Sem saudosismo, Beyond Ipanema mostra na sequência como a união da batida da bossa com os samples deu novo impulso mundial à música brasileira a partir dos anos 90, gerando ícones como Bebel Gilberto, uma das entrevistadas. De forma superficial, os diretores focam também fenômenos recentes como o grupo paulista Cansei de Ser Sexy - exemplo de como atravessar as fronteiras brasileiras a partir da internet - e o grupo Forró in the Dark. Sem falar no funk carioca, o pancadão do estilo Miami Bass cultuado no exterior sob o rótulo de funk-favela. Mas, no fim, o filme volta ao começo e fecha com a imagem tropicalista de Carmen Miranda, portuguesa vivaz que fez o mundo da música descobrir o Brasil com seus balangandãs bem antes da nova bossa.

29 de setembro de 2009 00:04  

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