21 de setembro de 2009

Filme foca guitarras-mulheres de ícones do rock

Resenha de Filme
Título: It Might
Get Loud (Estados
Unidos, 2008)
Direção: Davis
Guggenheim
Elenco: Jack White,
Jimmy Page e The Edge
Cotação: * * *
Em cartaz no Festival
do Rio (Sessões entre
28 de setembro e
2 de outubro de 2009)

"Parece uma escultura. Ela é como uma mulher. A gente a acaricia como uma mulher". A definição de Jimmy Page sobre sua guitarra - dada logo nos primeiros minutos de It Might Get Loud (A Todo Volume, na tradução brasileira) - indica os caminhos percorridos pelo filme de Davis Guggenheim, que estreia no Brasil dentro da vastíssima programação da edição de 2009 do Festival do Rio. A guitarra parece ser mesmo uma mulher - como sentencia o título de uma das músicas inéditas gravadas por Erasmo Carlos em seu recente CD Rock'n'Roll - e Guggenheim fez um filme sobre a relação afetuosa de três ícones do rock de estilos e gerações diferentes - Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (White Stripes, Racounteurs, The Dead Weather) - com suas guitarras-mulheres. Uma reunião dos três bons guitarristas, promovida em janeiro de 2008, estimula a exposição dos acordes dessa relação. Mas o filme - cuja narrativa tem um tom mais contemplativo e sereno, distante do tom endiabrado dos solos de guitarra - não se restringe a essa reunião. O diretor acompanha cada um dos três guitarristas em suas próprias cidades e na visita de locais que atiçam a memória afetiva dos músicos. Caso da sala de aula onde o U2 fez seus primeiros ensaios. "A tecnologia tirou todo mundo do foco", defende The Edge, num tom meio queixoso. Entre trechos de vários números musicais, como In my Time of Dying (tema do repertório de Led Zeppelin tocado pelos três guitarristas), o filme salpica imagens de arquivo dos músicos que provocam humor no espectador pelos próprios efeitos do tempo. Como a cena de um programa de calouros em que um então garoto, apresentado como James Page, diz para a posteridade que vai seguir a carreira de biológo... Se Page recorda a influência que o skiffle exerceu sobre os garotos nos anos 50, Jack White reafirma sua devoção ao blues e revela truques do White Stripes. No todo, It Might Get Loud seduz, mas os papos técnicos sinalizam que se trata de filme indicado somente para amantes devotados de guitarras-mulheres.

1 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

"Parece uma escultura. Ela é como uma mulher. A gente a acaricia como uma mulher". A definição de Jimmy Page sobre sua guitarra - dada logo nos primeiros minutos de It Might Get Loud (A Todo Volume, na tradução brasileira) - indica os caminhos percorridos pelo filme de Davis Guggenheim, que estreia no Brasil dentro da vastíssima programação da edição de 2009 do Festival do Rio. A guitarra parece ser mesmo uma mulher - como sentencia o título de uma das músicas inéditas gravadas por Erasmo Carlos em seu recente CD Rock'n'Roll - e Guggenheim fez um filme sobre a relação afetuosa de três ícones do rock de estilos e gerações diferentes - Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (White Stripes, Racounteurs, The Dead Weather) - com suas guitarras-mulheres. Uma reunião dos três bons guitarristas, promovida em janeiro de 2008, estimula a exposição dos acordes dessa relação. Mas o filme - cuja narrativa tem um tom mais contemplativo e sereno, distante do tom endiabrado dos solos de guitarra - não se restringe a essa reunião. O diretor acompanha cada um dos três guitarristas em suas próprias cidades e na visita de locais que atiçam a memória afetiva dos músicos. Caso da sala de aula onde o U2 fez seus primeiros ensaios. "A tecnologia tirou todo mundo do foco", defende The Edge, num tom meio queixoso. Entre trechos de vários números musicais, como In my Time of Dying (tema do repertório de Led Zeppelin tocado pelos três guitarristas), o filme salpica imagens de arquivo dos músicos que provoca humor no espectador pelos próprios efeitos do tempo. Caso da cena de um programa de calouros em que um então garoto, apresentado como James Page, diz para a posteridade que vai seguir a carreira de biológo... Se Page recorda a influência que o skiffle exerceu sobre os garotos nos anos 50, Jack White reafirma sua devoção ao blues e revela truques do White Stripes. No todo, It Might Get Loud seduz, mas os papos técnicos sinalizam que se trata de filme indicado somente para amantes devotados de guitarras-mulheres.

21 de setembro de 2009 às 10:16  

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