11 de agosto de 2009

Gonzaguinha nas vozes de cantoras nada óbvias

Resenha de CD
Título: Gonzaguinha
Letra & Música
Artista: Vários
Gravadora: Discobertas
/ Coqueiro Verde
Cotação: * * * 1/2

Foi através de vozes femininas - em especial, pelas de Maria Bethânia e Simone - que a obra inicialmente magoada de Gonzaguinha (1945 - 1991) ganhou tons mais românticos e conquistou de fato o Brasil, fazendo com que, na virada dos anos 70 para os 80, o autor de Explode Coração fosse o compositor mais requisitado pelas cantoras. Daí o acerto conceitual da coletânea dedicada a Gonzaguinha na série Letra & Música, produzida por Marcelo Fróes para seu selo Discobertas. Nada óbvia, a seleção enfoca apenas cantoras. Não há fonogramas de Bethânia. Já Simone está representada pela bela e menos ouvida gravação de Diga Lá, Coração (do álbum Cigarra, 1978). Mas o que dá valor à compilação são os fonogramas raros até em coletâneas. Exemplo é Começaria Tudo Outra Vez na voz de Marisa Gata Mansa (1933 - 2003). O pungente registro ao vivo do bolero foi feito pela saudosa cantora no LP Encontro de Amor, de 1976 - aliás, o ano em que o autor lançou o bolero no álbum justamente intitulado Começaria Tudo Outra Vez. Também pouco conhecidas são a leitura roqueira de Wanderléa para A Felicidade Bate à sua Porta (do álbum Vamos que Eu Já Vou, 1977) e a abordagem brejeira de Gostoso na voz alegre da Fafá de Belém dos anos 70 (a gravação é do disco Banho de Cheiro, de 1978). A propósito, mais ou menos conhecidas, as gravações mostram como a obra de Gonzaguinha ganhou alegria com o passar dos anos. Mesmo quando tinha viés político, caso do samba E Vamos à Luta, ouvido na voz firme de Alcione em gravação calorosa que deu título ao álbum lançado pela Marrom em 1980. Poucos compositores celebraram a vida como ele o fez nos versos de O Que É O Que É? (samba ouvido em registro ao vivo de Beth Carvalho, de 1991) e de Caminhos do Coração, tema de 1982 ouvido na coletânea numa das mais bonitas gravações de Elba Ramalho, escondida num álbum (Encanto, 1992) de reduzida repercussão. Seja no tom cool de Zizi Possi (Explode Coração, em gravação de 1996) ou no registro quase empostado de Ângela Maria (Mulher e Daí? - Apenas Mulher, de álbum de 1980), a ideologia e a música de Gonzaguinha resistem bem ao tempo. Pena que o produtor Marcelo Fróes tenha sido econômico no texto escrito para a coletânea. Um encarte mais farto de informações detalhadas sobre a evolução da obra de Gonzaguinha (e sobre as onze gravações do CD) teria valorizado bem mais a boa coletânea.

15 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Foi através de vozes femininas - em especial, pelas de Maria Bethânia e Simone - que a obra inicialmente magoada de Gonzaguinha (1945 - 1991) ganhou tons mais românticos e conquistou de fato o Brasil, fazendo com que, na virada dos anos 70 para os 80, o autor de Explode Coração fosse o compositor mais requisitado pelas cantoras. Daí o acerto conceitual da coletânea dedicada a Gonzaguinha na série Letra & Música, produzida por Marcelo Fróes para seu selo Discobertas. Nada óbvia, a seleção enfoca apenas cantoras. Não há fonogramas de Bethânia. Já Simone está representada pela bela e menos ouvida gravação de Diga Lá, Coração (do álbum Cigarra, 1978). Mas o que dá valor à compilação são os fonogramas raros até em coletâneas. Exemplo é Começaria Tudo Outra Vez na voz de Marisa Gata Mansa (1933 - 2003). O pungente registro ao vivo do bolero foi feito pela saudosa cantora no LP Encontro de Amor, de 1976 - aliás, o ano em que o autor lançou o bolero no álbum justamente intitulado Começaria Tudo Outra Vez. Também pouco conhecidas são a leitura roqueira de Wanderléa para A Felicidade Bate à sua Porta (do álbum Vamos que Eu Já Vou, 1977) e a abordagem brejeira de Gostoso na voz alegre da Fafá de Belém dos anos 70 (a gravação é do disco Banho de Cheiro, de 1978). A propósito, mais ou menos conhecidas, as gravações mostram como a obra de Gonzaguinha ganhou alegria com o passar dos anos. Mesmo quando tinha viés político, caso do samba E Vamos à Luta, ouvido na voz firme de Alcione em gravação calorosa que deu título ao álbum lançado pela Marrom em 1980. Poucos compositores celebraram a vida como ele o fez nos versos de O Que É O Que É? (samba ouvido em registro ao vivo de Beth Carvalho, de 1991) e de Caminhos do Coração, tema de 1982 ouvido na coletânea numa das mais bonitas gravações de Elba Ramalho, escondida num álbum (Encanto, 1992) de reduzida repercussão. Seja no tom cool de Zizi Possi (Explode Coração, em gravação de 1996) ou no registro quase empostado de Ângela Maria (Mulher e Daí? - Apenas Mulher, de álbum de 1980), a ideologia e a música de Gonzaguinha resistem bem ao tempo. Pena que o produtor Marcelo Fróes tenha sido econômico no texto escrito para a coletânea. Um encarte mais farto de informações detalhadas sobre a evolução da obra de Gonzaguinha (e sobre as onze gravações do CD) teria valorizado bem mais a boa coletânea

11 de agosto de 2009 11:03  
Anonymous Vagner - Lapa said...

Acho a gravação de Alcione para Recado, mais rara que a de E vamos a luta, que é mais popular. Mas tudo bem. Entrou alguma gravação da Selma Reis?

11 de agosto de 2009 11:52  
Anonymous Anônimo said...

É, de fato, "Recado" é mais rara porque, se não me engano, saiu num disco promocional em comemoração aos 25 anos da Sharp. A Marrom dá conta do "Recado" numa gravação suingada e com uma divisão bem particular.

Fabio de Sampa.

11 de agosto de 2009 14:40  
Anonymous Anônimo said...

Gonzaguinha era um Mestre em fazer canções para outros e principalmente OUTRAS cantarem, mas apesar de não ter sido um grande intérprete prefiro qualquer coisa na voz dele mesmo.

11 de agosto de 2009 17:21  
Anonymous Anônimo said...

Só uma cantora conseguia chamar à atenção e nos fazer esquecer Gonzaguinha: SIMONE. Nem Bethânia, muito menos Selma Reis e Alcione.
Gonzaguinha e Simone era um par perfeito. Assim como Elis nasceu para transformar quase tudo que gravava em música "sua", Simone transformava tudo de Gonzaguinha em música "sua".

11 de agosto de 2009 17:57  
Blogger Jorge Reis said...

É QUE SAUDADE DE "MULHER E DAÍ ?" NA VOZ DA CIGARRA, COM AQUELES ARRANJOS DE EDUARDO SOUTO NETO, OU SERIA O GILSON PERANZETTA, NÃO LEMBRO, MAS, QUE ERA LINDO ERA...
SOU CONTRA QUALQUER TIPO DE SAUDOSISMO, MAS ESSE VOU CURTIR.

11 de agosto de 2009 19:16  
Anonymous Anônimo said...

E mesmo assim ela vetou a participação no DVD do Gonzaguinha, vá entender...

11 de agosto de 2009 19:22  
Anonymous DUDU said...

Como esse cara faz falta pra nossa cultura, ainda bem que deixou esse legado que deve ser sempre valorizado!!!
GONZAGUINHA NA VEIA!!!!

11 de agosto de 2009 20:25  
Anonymous Anônimo said...

Se a Cigarra vetou o uso de sua imagem no DVD terá lá seus motivos. Certamente não será por implicância gratuita já que ela até hoje se dá muito bem com filhos e ex-mulher de Gonzaguinha. Pode ser por uma questão legal.

12 de agosto de 2009 08:02  
Anonymous Anônimo said...

A arte deveria estar acima de uma questão legal.

12 de agosto de 2009 13:07  
Anonymous Anônimo said...

Emanuel Andrade disse

Mauro, cadê o repertório?
Será que a da Elba cujo nome tá na capa, é a belísina A casca do ovo, do disco Alegria. Uma canção que Gonzaguinha não gravou e é genial, altamente filosófica no amor.

12 de agosto de 2009 22:58  
Anonymous Anônimo said...

Não canso de repetir até porque o tal DVD prometido com os melhores momentos do "Som Brasil" até hoje nada. E esse momento não foi um dos melhores foi o melhor:
Simone cantando "Começaria Tudo Outra Vez" e de repente ouve-se a voz de "Gonzaguinha" em "play-back" fazendo um dueto com a Cigarra. LEDO ENGANO: pelo fundo do palco surge Daniel Gonzaga cantando como se fosse o pai.
Simone mal conseguiu terminar de cantar já que as lágrimas atrapalhavam e eu ainda bem que não estava cantando porque chorei que nem criança. LINDO DEMAIS E UM RARO MOMENTO NA POBRE TV DE HOJE EM DIA. Quem não viu, procure na Internet que em algum lugar deve ter. Eu gravei em DVD e quando tô com vontade de ver beleza ponho no "play". Ai, ai...

13 de agosto de 2009 01:22  
Anonymous Anônimo said...

Anônimo, eu já tinha lido você mesmo por aqui, só não lembro onde e quando. Resolvi chequar o "acontecimento" - venceste por insistência.
Agora eu agradeço. Lindo mesmo, e olha que eu vi já sabendo o que viria. Imagina ter assitido com o quesito "surpresa" imbutido.
Esse garoto não é o filho de Gonzaguinha, é o próprio reencarnado. IMPRESSIONANTE A SEMELHANÇA DA VOZ (e mais afinada!). Tanto rebuliço em torno de Maria Rita e Elis. Daniel Gonzaga e Gonzaguinha léguas a frente.

13 de agosto de 2009 23:51  
Anonymous Anônimo said...

esse momento que vc tá falando tá no youtube pra quem quiser ver. não achei assim tão emocionante mas... Simone vive vetando a inclusão das suas imagens: no do Fabio Jr, por exemplo. só autorizou no do Cazuza.

14 de agosto de 2009 00:03  
Anonymous Anônimo said...

Vi no youtube. É de arrepiar mesmo.

Precisa entrar em algum "extra" ou "bônus" do próximo DVD de Simone ou do 1º do Daniel. MERECE!

14 de agosto de 2009 21:21  

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