24 de agosto de 2009

Baile de Leo Maia evoca Tim, Bebeto e anos 70

Resenha de CD
Título: Sopro do Dragão
Artista: Leo Maia
Gravadora: LGK Music
/ Som Livre
Cotação: * * * 1/2

Diz Leo Maia no release de seu (bom) terceiro CD, Sopro do Dragão, que o disco está impregnado de lembranças de sua infância. É óbvio que na memória afetiva do filho de Tim Maia (1942 - 1998) o som do Síndico nos anos 70 ocupa lugar de honra. Daí a batida funkeada de Amor à Moda Antiga (parceria de Leo com Seu Jorge) e de Funk na Laje, temas que integram o terceiro álbum de Leo, impregnado de fato pelo som dos bailes blacks que agitavam as periferias do Rio de Janeiro (RJ) na década de 70, propagando soul e funk importados dos Estados Unidos. O curioso é que o baile retrô do cantor está impregnado também do suingue de Bebeto, rei de outros bailes da época, diluidor da batida de Jorge Ben Jor. Sintomaticamente, Sopro do Dragão abre com azeitada regravação de Homem do Espaço, tema de Ben Jor. É possível identificar o suingue de Bebeto em faixas como I Go, I Go - outro destaque do repertório autoral (I Go, I Go é parceria de Leo com Cássio Calazans). Da mesma forma que Eu Gosto Mesmo É de Namorar lembra Cláudio Zoli. Enfim, Leo é legítimo discípulo da linhagem do balanço brazuca. Seu CD tem setentista samba-soul (Bendita Gafieira) e uma bela balada de Hyldon (Revanche, em parceria com Jorge Aílton). No campo das baladas, vale ouvir ainda Relva Verde e Amor em Movimento (embalada em violão e clima zen), ambas bem mais inspiradas do que a enjoada Sorriso Falso. Com mais altos do que baixos, Sopro do Dragão supera Cidadão do Bem (2008) e reedita o êxito de Cavalo de Jorge (2005). O baile de Leo Maia pode não soar original, mas é bacana.

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Diz Leo Maia no release de seu (bom) terceiro CD, Sopro do Dragão, que o disco está impregnado de lembranças de sua infância. É óbvio que na memória afetiva do filho de Tim Maia (1942 - 1998) o som do Síndico nos anos 70 ocupa lugar de honra. Daí a batida funkeada de Amor à Moda Antiga (parceria de Leo com Seu Jorge) e de Funk na Laje, temas que integram o terceiro álbum de Leo, impregnado de fato pelo som dos bailes blacks que agitavam as periferias do Rio de Janeiro (RJ) na década de 70, propagando soul e funk importados dos Estados Unidos. O curioso é que o baile retrô do cantor está impregnado também do suingue de Bebeto, rei de outros bailes da época, diluidor da batida de Jorge Ben Jor. Sintomaticamente, Sopro do Dragão abre com azeitada regravação de Homem do Espaço, tema de Ben Jor. É possível identificar o suingue de Bebeto em faixas como I Go, I Go - outro destaque do repertório autoral (I Go, I Go é parceria de Leo com Cássio Calazans). Da mesma forma que Eu Gosto Mesmo É de Namorar lembra Cláudio Zoli. Enfim, Leo é legítimo discípulo da linhagem do balanço brazuca. Seu CD tem setentista samba-soul (Bendita Gafieira) e uma bela balada de Hyldon (Revanche, em parceria com Jorge Aílton). No campo das baladas, vale ouvir ainda Relva Verde e Amor em Movimento (embalada em violão e clima zen), ambas bem mais inspiradas do que a enjoada Sorriso Falso. Com mais altos do que baixos, Sopro do Dragão supera Cidadão do Bem (2008) e reedita o êxito de Cavalo de Jorge (2005). O baile de Leo Maia pode não soar original, mas é bacana.

24 de agosto de 2009 11:36  
Anonymous Anônimo said...

Imitação da imitação(Bebeto)???
Socorrooooooo!

25 de agosto de 2009 01:28  
Anonymous cesar said...

Sopro do Dragão supera os outros dois discos do Leo.
Não vislumbro imitação. Lembrar um suingue, um som uma batida é mais do que normal.

3 de setembro de 2009 14:12  
Anonymous augusto said...

O sopro do dragão é ótimo.
Quem já viu o Léo no palco, como eu, aguarda com ansiedade seus shows com as canções deste novo disco.
Parabéns Léo. Aguardo a publicação da agenda das apresentações.

4 de setembro de 2009 10:01  
Anonymous Márcia said...

Minha intenção aqui é comentar além da obra do artista. É importante lembrar que um artista monta sua obra com base em sua essência e no seu “eu”. Como negar que uma pessoa que foi criada neste ambiente, nao vá produzir obras que nos remetam a ele? Outro aspecto importante, nada nesta vida é criado, mas sim reiventando. Visitando nossa história podemos ver isso claramente. Precisamos ter mais respeito ao comentar sobre o outro e menos preconceito com os filhos de artistas. Há uma cobrança absurda em relação a uma genialidade que só gera um bloqueio à algo que está aí pra nos da prazer e fazer a vida mais leve. Isso é arte!!! Defendo que qualquer crítica na internet deva ser assinada, e não anônima, pois todos tem o direito de defesa. Não podemos nem mesmo considerar uma crítica ou comentário não assinado. Por fim, mas não menos importante, já ouvi o Cd do Leo Maia assim como assiti a um show. Estudei música por muitos anos e sou filha de uma musicista. A obra do Leo Maia, é realmente boa, traz uma alegria e um astral que há tempos não temos na música brasileira. Na maioria das rádios, so ouvimos sofrimento ou músicas eletrônicas de uma qualidade questionável, que ninguém nem se dá ao trabalho de criticar. Se não temos preconceito com isso, por que o preconceito com um artista que claramente possui um dom e vem trabalhando seu potencial transformando o dom em maturidade musical? Sucesso Leo!!!

9 de setembro de 2009 23:25  
Anonymous Dimitri Ulivi said...

Sopro do Dragão é muito mais que isso. Conforme ressalta Mauro Ferreira o trabalho é muito bom. Somos fruto das pessoas com as quais convivemos ao longo de toda a nossa vida. Carregamos, os conhecimentos, que adquirimos nestas relações, sejam elas boas ou ruins.

Leo Maia é filho de um gênio. Gênio esse que profetizou em 1976 em "Márcio Leonardo Veio na Seroma pra Tocar...Márcio Leonardo veio na Seroma pra Cantar"....

Daqui há alguns anos veremos filhos dos "Creus" e das "Foguentinhas" regravando sucessos dos pais. Afinal de contas, eles beberam nessas fontes.

Graças a Deus Leo Maia honra o sobrenome da Família Maia que há 50 anos presta bons serviços à boa Música Preta Brasileira.

Parabéns pelo blog. Em tempo: a canção que mais gostei foi justamente "Sorriso Falso". Ainda bem que vivemos numa democracia.

Abraços,

Dimitri
S. Paulo-SP

3 de outubro de 2009 21:29  

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