22 de junho de 2009

Em ritmo lento, filme foca música de Vanzolini

Resenha de filme
Título: Paulo
Vanzolini
- Um Homem de Moral
Direção: Ricardo Dias
Cotação: * *
Em cartaz nos
cinemas brasileiros

Aos 85 anos, lúcido e sem papas na língua, Paulo Vanzolini não é de fazer fita. Fala o que pensa, fiel aos seus princípios. Um Homem de Moral foca o compositor e sua obra musical - vasta, embora somente Ronda (tema feito em 1945) e o samba Volta por Cima sejam, de fato, conhecidos e cantados pelo chamado grande público. Documentarista, Ricardo Dias pontua seu filme pelo pensamento de Vanzolini. E não é por acaso que imagens de uma São Paulo desprovida de glamour abre a produção. A música de Vanzolini é indissociável de sua vivência paulista. O samba Praça Clóvis, por exemplo, nasceu da observação do cotidiano dos batedores de carteira na tal praça - como conta Vanzolini. O problema é que o filme, ao contrário da música do compositor, se desenvolve linear, em ritmo lento. Dias se vale da primeira pessoa para narrar seu envolvimento com Vanzolini, cujo trabalho como zoológo já foi foco de um outro documentário de Dias, No Rio das Amazonas. Mas essa opção dá ao filme um ar antiquado - assim como o chato tom professoral do texto em que o cineasta apresenta dados biográficos de seu personagem. Salva-se, acima de formas e estilos, a música. Um Homem de Moral salpica números captados num show em tributo ao compositor e takes da gravação em estúdio do álbum triplo Acerto de Contas (2002), em que artistas como Chico Buarque, Miúcha e Martinho da Vila regravaram músicas de Vanzolini, um compositor cheio de moral.

4 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Aos 85 anos, lúcido e sem papas na língua, Paulo Vanzolini não é de fazer fita. Fala o que pensa, fiel aos seus princípios. Um Homem de Moral foca o compositor e sua obra musical - vasta, embora somente Ronda (tema feito em 1945) e o samba Volta por Cima sejam, de fato, conhecidos e cantados pelo chamado grande público. Documentarista, Ricardo Dias pontua seu filme pelo pensamento de Vanzolini. E não é por acaso que imagens de uma São Paulo desprovida de glamour abre a produção. A música de Vanzolini é indissociável de sua vivência paulista. O samba Praça Clóvis, por exemplo, nasceu da observação do cotidiano dos batedores de carteira na tal praça - como conta Vanzolini. O problema é que o filme, ao contrário da música do compositor, se desenvolve linear, em ritmo lento. Dias se vale da primeira pessoa para narrar seu envolvimento com Vanzolini, cujo trabalho como zoológo já foi foco de um outro documentário de Dias, No Rio das Amazonas. Mas essa opção dá ao filme um ar antiquado - assim como o chato tom professoral do texto em que o cineasta apresenta dados biográficos de seu personagem. Salva-se, acima de formas e estilos, a música. Um Homem de Moral salpica números captados num show em tributo ao compositor e takes da gravação em estúdio do álbum triplo Acerto de Contas (2002), em que artistas como Chico Buarque, Miúcha e Martinho da Vila regravaram músicas de Vanzolini, um compositor cheio de moral.

22 de junho de 2009 18:43  
Anonymous Anônimo said...

Isso eu chamo de "meter os pés pela mão". A obra de Paulo Vanzolini é muito bela e até hoje pouco conhecida como bem disse o Mauro.
Por que um filme e não um vasto tributo musical via DVD ?

22 de junho de 2009 22:07  
Anonymous Euterpe said...

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas não gosto dos comentários de Vanzolini sobre Maria Bethânia. Deselegante esse senhor.

E, Mauro, ninguém merece o seu verificador de palavras. Tive que digitar 'exurizes' para validar este comentário. Cruzes!

23 de junho de 2009 00:54  
Anonymous Anônimo said...

O filme tem uma trilha sonora maravilhosa, com intérpretes de primeira. Maria Marta, Virginia Rosa e Márcia, só para citar algumas. Desconheço o que Vanzolini possa ter dito em relação a Bethânia, mas convenhamos, ele tem um passado( por favor, não me chamem o Sarney) e uma obra. Pode falar o que quiser!!

23 de junho de 2009 16:58  

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