7 de junho de 2009

CD de violões põe voz de Sacramento na cabeça

Resenha de CD
Título: Na Cabeça
Artista: Marcos
Sacramento
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * *

Ótimo cantor que ainda não obteve a devida projeção no (diluído) mercado fonográfico do Brasil, Marcos Sacramento vem reafirmando a modernidade da tradição ao revirar com inteligência o baú do samba em seus discos. Na Cabeça é seu CD de repertório mais contemporâneo, apesar de trazer recriações de um ou outro clássico como Último Desejo (em abordagem trivial do tema de Noel Rosa), A Rosa (o samba de Chico Buarque - de 1980 - desabrocha luminoso na divisão inusitada do intérprete), Minha Palhoça (J. Cascata - com uma apropriada citação de Tropicália, de Caetano Veloso) e Sim (Cartola e Oswaldo Martins). A opção de investir em cancioneiro mais contemporâneo já tinha sido sinalizada no álbum anterior do artista, Sacramentos (2006), em que ele gravou músicas de autores como Luis Flávio Alcofra, violonista egresso do grupo de choro Água de Moringa. Alcofra, a propósito, é um dos três violonistas que acompanham Sacramento no CD Na Cabeça, formando trio virtuoso com Zé Paulo Becker e Rogério Caetano (no violão de sete cordas). Os violonistas se dividiram também na concepção dos arranjos dos temas. Claro que, longe da segurança dos clássicos, o risco é maior. Nem todo o repertório está à altura do cantor, mas vale destacar Na Cabeça (parceria de Alcofra com Sacramento), Pavio (colaboração de Alcofra com o poeta Sérgio Natureza) e Morena (Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro). Contudo, basta ouvir a interpretação que o cantor dá ao Canto de Quero Mais (Zé Paulo Becker e Moyseis Marques) para ter certeza de que a voz de Marcos Sacramento precisa ser ouvida pelo Brasil.

9 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Ótimo cantor que ainda não obteve a devida projeção no (diluído) mercado fonográfico do Brasil, Marcos Sacramento vem reafirmando a modernidade da tradição ao revirar com inteligência o baú do samba em seus discos. Na Cabeça é seu CD de repertório mais contemporâneo, apesar de trazer recriações de um ou outro clássico como Último Desejo (em abordagem trivial do tema de Noel Rosa), A Rosa (a parceria de Chico Buarque com Djavan desabrocha luminosa na divisão inusitada do intérprete), Minha Palhoça (J. Cascata - com uma apropriada citação de Tropicália, de Caetano Veloso) e Sim (Cartola e Oswaldo Martins). A opção de investir em cancioneiro mais contemporâneo já tinha sido sinalizada no álbum anterior do artista, Sacramentos (2006), em que ele gravou músicas de autores como Luis Flávio Alcofra, violonista egresso do grupo de choro Água de Moringa. Alcofra, a propósito, é um dos três violonistas que acompanham Sacramento no CD Na Cabeça, formando trio virtuoso com Zé Paulo Becker e Rogério Caetano (no violão de sete cordas). Os violonistas se dividiram também na concepção dos arranjos dos temas. Claro que, longe da segurança dos clássicos, o risco é maior. Nem todo o repertório está à altura do cantor, mas vale destacar Na Cabeça (parceria de Alcofra com Sacramento), Pavio (colaboração de Alcofra com o poeta Sérgio Natureza) e Morena (Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro). Contudo, basta ouvir a interpretação que o cantor dá ao Canto de Quero Mais (Zé Paulo Becker e Moyseis Marques) para ter certeza de que a voz de Marcos Sacramento precisa ser ouvida pelo Brasil.

7 de junho de 2009 11:00  
Blogger Ju Oliveira said...

concordo Mauro, o Sacramento é realmente um ótimo cantor que merece mais projeção.

apenas uma correção: embora eles tenham gravado a música juntos "A Rosa" foi composta somente por Chico Buarque, não é uma parceria com Djavan.

7 de junho de 2009 16:02  
Blogger Jorge Reis said...

Marcos é uma das poucas excessões que me permito gostar ao ouvir regravações. Sua voz é personalíssima, seu timbre singular, e tem uma coisa que acho ótimo não canta fazendo falsetes, coisa horrorosa que contaminou a MPB...

7 de junho de 2009 18:55  
Anonymous Leo Ladeira said...

Concordo plenamente, Mauro. Só esse ano já vi 3 shows do Sacramento (quase todos com ênfase no repertório de Carmen Miranda) e tenho cada vez mais certeza que ele é um dos maiores intérpretes masculinos do Brasil hoje. Ao vivo então ninguém o segura! Tem uma senhora bossa! Andei lendo que ele vai fazer shows na França em breve. Que faça muito sucesso e que conquiste as platéias brasileiras também!

7 de junho de 2009 20:37  
Anonymous Anônimo said...

Tbm concordo com vc. Mauro. Marcos talvez seja o melhor cantor de samba de sua geração ao lado de Moisés Marques. Alô MPB - FM vê se agora toca Marcos Sacramento.

8 de junho de 2009 08:37  
Anonymous Anônimo said...

Não acho apropriado rotulá-lo como um grande cantor de samba, ou o melhor cantor de samba de sua geração.

Marcos é um dos maiores cantores do Brasil no momento, independente do que cante (pra mim, pessoalmente, é o melhor).

Na verdade, cantor como ele não ouço há muito tempo. Quantos cantores admiramos às vezes por ter um belo timbre, outros por serem donos de grande técnica, alguns por serem grandes intérpretes ou ainda pelo carisma, pela presença de palco?

Marcos Sacramento reúne tudo isso. É um exagero de talento. Por isso chapei quando ouvi Memorável Samba e todos os seus outros discos que procurei desesperadamente depois de conhecê-lo.

Quanto ao "Na cabeça", espero que chegue logo aqui em Brasília. Vou ouví-lo e volto pra comentar. Mas Mauro, me desculpe, duvido muito que esses quatro artistas geniais tenham feito leitura trivial de "Último desejo", assim como que esse disco mereça apenas três estrelas. Mas vou ouvir primeiro.

Grande abraço,
Andeson Falcão

Brasília - DF

8 de junho de 2009 10:03  
Anonymous Anônimo said...

Acabei de ouvir o novo CD de Marcos Sacramento na Rádio UOL e realmente é uma MARAVILHA .
É o melhor cantor brasileiro da atualidade !!!!
Por sua voz passeia o que há de melhor na MPB ( Carmen, Mario, Vassourinha, Linda,Dalva,Isaurinha, L Barbosa, Joel/
Gaucho , Miltinho y muitom muito Orlando Silva )

8 de junho de 2009 16:59  
Anonymous Anônimo said...

Ainda não ouvi o novo CD do Marcos, mas farei isto já, pois cantores exímios são coisa rara no Brasil. Ressalto dois, ele e o Carlos Navas, que, alias, vi atuando juntos aqui em SP num show memorável ao lado de Ze Luiz Mazziotti (extraordinário) e Dussek (idem), cantando Mário Reis e Chico Alves. A diferença é que, exceto o Navas, todos são tb compositores. O que impressiona no trabalho do Marcos é a sinceridade e alma como trata estes temas clássicos do samba , dando uma cara própria e realmente única. Versatilidade e carisma ele tem de sobra. Endosso o recado às rádios ditas de MPB, que executem esses moços, lindos moços.
Ricardo/ SP

8 de junho de 2009 18:29  
Anonymous Anônimo said...

Chegou hoje via SEDEX, tá ouvido e aprovado. Arrisco a dizer que seja seu melhor disco - e olha que os anteriores já eram muito bons.
Arranjos "secos" - no bom sentido da palavra - sem firulas, sem enrolação; uma orquestra de violões a serviço de uma voz abençoada. Eu só não assino em baixo o que o Anderson disse porque na minha opinião Renato Braz ainda está invencível nessa geração, mas se for no quesito samba é o Marcos mesmo. BOM DEMAIS.
Permitam-me ir para ouvir essa pérola mais uma vez. NÃO PERCAM! (quem gosta de música - MÚSICA! - claro).

13 de junho de 2009 20:22  

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