20 de junho de 2009

Boa caixa '83-94' expõe diversidade de Caetano

Resenha de Caixa
Título: 83 - 94
Artista: Caetano Veloso
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *

É difícil enquadrar num único rótulo os dez álbuns de Caetano Veloso encaixotados em 83-94, o terceiro bom box da coleção Quarentas Anos Caetanos, idealizada para celebrar em 2007 os 40 anos de permanência do artista na gravadora hoje denominada Universal Music. São discos de diversos eixos estéticos que vão da euforia à melancolia. Uns (1983) é solar e já expõe no repertório a diversidade que, de certa forma, pauta os álbuns. A canção Você É Linda - estrategicamente posicionada no disco logo após Coisa Mais Linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) para sublinhar a influência da Bossa Nova na música de Caetano - e o pop rock Eclipse Oculto foram os hits. Velô (1984) é o disco de sotaque roqueiro que se alinhou com o frescor pop que dava as cartas no jogo fonográfico daquele ano. De seu repertório, ecoam até hoje Podres Poderes, O Quereres, Língua (gravada com Elza Soares) e - em menor grau - Shy Moon (canção dividida com Ritchie) e O Homem Velho (repescada no show ). Totalmente Demais (1986) é o álbum ao vivo que ampliou o público de Caetano Veloso e contabilizou 250 mil cópias vendidas. Foi gravado no mesmo estilo voz-e-violão que moldou Caetano Veloso (1986), o álbum de caráter íntimo e retrospectivo feito para os Estados Unidos e lançado no Brasil somente em 1990. Já Caetano (1987) é pautado pela melancolia provocada pela morte do pai do artista, José. É o álbum em que aparecem Eu Sou Neguinha? e a bela O Ciúme. Por seu turno, Estrangeiro (1989) - disco produzido por Arto Lindsay e Peter Scherer - retoma o viés tropicalista, exposto já na capa ilustrada com pintura feita por Hélio Eichbauer para o cenário da peça O Rei da Vela. O hit radiofônico foi Meia-Lua Inteira, da lavra do então desconhecido Carlinhos Brown, na época percussionista da banda de Caetano. Mas a faixa-título - O Estrangeiro, repleta de citações na letra caudalosa - e a invernal Genipapo Absoluto sinalizaram que o compositor estava em boa forma. Na sequência, Circuladô (1991) se impôs pela crueza do pensamento direto - expressado nas letras de músicas como Fora de Ordem - enquanto Circuladô Vivo (1992) foi o registro do show antológico em que o intérprete irmanou Bob Dylan (Jokerman), Michael Jackson (Black or White), Djavan (Oceano) e Roberto Carlos (Debaixo dos Caracóis de seus Cabelos) sob os arranjos sofisticados de Jaques Morelenbaum. Em seguida, Tropicália 2 (1993) celebrou com atraso os 25 anos do movimento com reunião de seus dois líderes e mentores, Caetano e Gilberto Gil, em CD que rendeu os clássicos Haiti e Desde que o Samba É Samba. Por fim, Fina Estampa (1994) fecha o período abordado na caixa 83/94 com a classuda releitura do cancioneiro hispânico que, de uma forma ou de outra, sempre esteve presente nessa obra tropicalista de Caetano Veloso.
P.S.: Em relação ao som, todos os dez álbuns avançam em relação às reedições anteriores, tendo passado por um novo processo de remasterização neste ano de 2009, sendo que dois títulos - Uns e Velô - conservam a remixagem feita para a caixa Todo Caetano, produzida por Charles Gavin em 2002. Já em relação à arte gráfica houve ligeira perda de qualidade em dois álbuns, Tropicália 2 e Fina Estampa, já idealizados originalmente no formato de CD. A atual capa de Tropicália 2, por exemplo, não tem o efeito visual da capa da edição de 1993. Contudo, todo o material gráfico dos encartes originais está preservado nas reedições da caixa 83-94.

14 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

É difícil enquadrar num único rótulo os dez álbuns de Caetano Veloso encaixotados em 83-94, o terceiro bom box da coleção Quarentas Anos Caetanos, idealizada para celebrar em 2007 os 40 anos de permanência do artista na gravadora hoje denominada Universal Music. São discos de diversos eixos estéticos que vão da euforia à melancolia. Uns (1983) é solar e já expõe no repertório a diversidade que, de certa forma, pauta os álbuns. A canção Você É Linda - estrategicamente posicionada no disco logo após Coisa Mais Linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) para sublinhar a influência da Bossa Nova na música de Caetano - e o pop rock Eclipse Oculto foram os hits. Velô (1984) é o disco de sotaque roqueiro que se alinhou com o frescor pop que dava as cartas no jogo fonográfico daquele ano. De seu repertório, ecoam até hoje Podres Poderes, O Quereres, Língua (gravada com Elza Soares) e - em menor grau - Shy Moon (canção dividida com Ritchie) e O Homem Velho (repescada no show Cê). Totalmente Demais (1986) é o álbum ao vivo que ampliou o público de Caetano Veloso e contabilizou 250 mil cópias vendidas. Foi gravado no mesmo estilo voz-e-violão que moldou Caetano Veloso (1986), o álbum de caráter íntimo e retrospectivo feito para os Estados Unidos e lançado no Brasil somente em 1990. Já Caetano (1987) é pautado pela melancolia provocada pela morte do pai do artista, José. É o álbum em que aparecem Eu Sou Neguinha? e a bela O Ciúme. Por seu turno, Estrangeiro (1989) - disco produzido por Arto Lindsay e Peter Scherer - retoma o viés tropicalista, exposto já na capa ilustrada com pintura feita por Hélio Eichbauer para o cenário da peça O Rei da Vela. O hit radiofônico foi Meia-Lua Inteira, da lavra do então desconhecido Carlinhos Brown, na época percussionista da banda de Caetano. Mas a faixa-título - O Estrangeiro, repleta de citações na letra caudalosa - e a invernal Genipapo Absoluto sinalizaram que o compositor estava em boa forma. Na sequência, Circuladô (1991) se impôs pela crueza do pensamento direto - expressado nas letras de músicas como Fora de Ordem - enquanto Circuladô Vivo (1992) foi o registro do show antológico em que o intérprete irmanou Bob Dylan (Jokerman), Michael Jackson (Black or White), Djavan (Oceano) e Roberto Carlos (Debaixo dos Caracóis de seus Cabelos) sob os arranjos sofisticados de Jaques Morelenbaum. Em seguida, Tropicália 2 (1993) celebrou com atraso os 25 anos do movimento com reunião de seus dois líderes e mentores, Caetano e Gilberto Gil, em CD que rendeu os clássicos Haiti e Desde que o Samba É Samba. Por fim, Fina Estampa (1994) fecha o período abordado na caixa 83/94 com a classuda releitura do cancioneiro hispânico que, de uma forma ou de outra, sempre esteve presente nessa obra tropicalista de Caetano Veloso.

20 de junho de 2009 17:26  
Anonymous Anônimo said...

Infelizmente essa pode ser considerada a última caixa. Virá outra mas de Fina Estampa para cá Caê só inventou, pouco ou quase nada se salva.

20 de junho de 2009 17:40  
Anonymous Anônimo said...

Ainda tem "Livro" anônimo e umas e outras aqui e acolá. Mas realmente não vai valer a pena. Seja pelo conjunto da obra, seja pelo fato de que tá tudo em catálogo. É A ÚLTIMA MESMO.

20 de junho de 2009 21:52  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, do uns não se pode não citar Peter Gast e Salva vidas,duas das minhas preferidas do Caetano.

21 de junho de 2009 04:48  
Anonymous mauricio said...

só uma dica:comprei a minha na livraria cultura por 199,90. detalhe:nas outras está 249,90.

aqui o link:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/musica/resenha/resenha.asp?nitem=11027160&sid=14311411811618689759487253&k5=E0D0FCA&uid=

21 de junho de 2009 10:37  
Anonymous Anônimo said...

outra dica: para quem parcela no cartão é a VIDEOLAR: 10X sem juros. Não tem para ninguém.

21 de junho de 2009 14:32  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, já comprei a minha, beleza em todos os sentidos! Como já tinha as caixas 1 e 2, só falta a caixa 4 agora, mas deve demorar a sair. A propósito, o show Ziiezie vai estar em Belo Horizonte no dia 03 de julho! Óia nóis aí!

obs.tem um anônimo que "se realiza" falando mal de Caetano em seu blog,hein Mauro? Como diria o próprio Caetano: o ciúme "rói da flor da pele ao pó do osso/ dói do cóccix até o pescoço", haha. Relaxa, colega, fica na paz e leva sua vida "sem fuxico nem fofoca", haha.

21 de junho de 2009 23:44  
Anonymous Anônimo said...

Eu não me realizo não, eu me entristeço. É muito ruim ver um ídolo seu ladeira abaixo deixando de ser o grande compositor que um dia foi para ficar que nem cientista em laboratório querendo inovar, ser diferente, chamar a atenção. Ele não precisa e quem perde é a MPB. Mas gosto não se discute. E apesar de tudo continuo comprando e ouvindo Caetano. O que me permite opinar sobre o que ouvi e o que ouço. Uma pena, não uma realização. Abraços.

22 de junho de 2009 19:45  
Anonymous Anônimo said...

Mandou bem anônimo.

22 de junho de 2009 23:01  
Anonymous Anônimo said...

Não tenho a caixa completa Todo Caetano, estou adquirindo essas de agora ( caixas 1,2 e 3), mas em relação aos cds normais, estou deslumbrado com as remasterizações do Uns e do Velô( ainda estou neles, ouvindo e reouvindo). Peter Gast, Quero ir a Cuba, Uns, Vc é Linda, A Outra banda da Terra,...,Podres Poderes, O Quereres, O Homem Velho, Nine out of Ten, Grafitti, Sorvete, Língua,... estão espetaculares!!

22 de junho de 2009 23:10  
Anonymous Anônimo said...

Anos 60: fácil, são só 3. Fico com "Caetano Veloso" de 68.
Anos 70: difícil... mas fico com "Muito(Dentro da Estrela Azulada)".
Anos 80: difícil... mas fico com "Cores, Nomes" (com Peninha e tudo).
Anos 90: mais fácil: fico com "Livro"
De 2000 para cá: fácil. NENHUM!
O Anônimo aí tem seus motivos. Ah tem.

23 de junho de 2009 21:05  
Anonymous Anônimo said...

Curioso, com essa caixa estou prestando mais atenção e gostando muito do Fina Estampa!

24 de junho de 2009 01:05  
Anonymous Anônimo said...

Tirando sua fase mais POP como "Podres Poderes", "O Quereres", "Você é Linda", "Outras Palavras" e algumas outras, Caetano nunca foi um compositor fácil. É preciso ouvir bem mais de uma vez para "pegar". "Fina Estampa" é um exemplo disso.
Mas convenhamos que depois de "Livro" eu tento até agora gostar do que ele fez - e faz - e continua difícil. Caetano hoje em dia só para fãs e colecionadores mesmo, que nem o lúcido anônimo aí que mesmo não gostando continua comprando. Vai entender.

24 de junho de 2009 20:30  
Blogger Gill said...

Quado será que sai a caixa 4?

4 de janeiro de 2010 01:06  

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