13 de maio de 2009

Talk-show expõe alto valor histórico de Carmen


Resenha de Show
Evento: Alô... Alô? - 100 Anos de Carmen Miranda
Título: A Pequena Notável
Artista: Pedro Luís e Roberta Sá (em foto de Mauro Ferreira)
Apresentação: Ruy Castro
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (RJ) - Teatro II
Data: 12 de maio de 2009 - Sessão das 18h30m
Cotação: * * *
Como um (divertido) casal à moda antiga, Pedro Luís e Roberta Sá travaram o jocoso diálogo a dois proposto na letra de Quem É? (Custódio Mesquita e Joracy Camargo, 1937). Apresentado no bis de A Pequena Notável, primeiro dos quatro shows do ciclo Alô...Alô? - 100 Anos de Carmen Miranda, o dueto foi um dos destaques do espetáculo que uniu o casal Pedro e Roberta em torno do repertório da pioneira Carmen, em duas (concorridas) sessões apresentadas ontem, 12 de maio de 2009, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (RJ). O ciclo é promovido pelo CCBB para lembrar o centenário de nascimento de Carmen Miranda (1909 - 1955), artista notável que, como bem lembrou Ruy Castro com a autoridade de ter escrito a melhor biografia da Brazilian Bombshell, teve ao longo dos anos 30 papel bem fundamental na consolidação da indústria do disco no Brasil, tendo sido também a primeira artista a unir o país - em especial, a capital do Rio de Janeiro - através dos microfones do rádio inicial.
Embora sempre precisos, e essenciais para que a maior parte do público compreendesse a origem e a importância do repertório apresentado por Roberta Sá e Pedro Luís, os comentários de Ruy Castro quebraram o ritmo do show. É como se A Pequena Notável fosse, a rigor, um talk-show. Pedro é o primeiro a ser chamado em cena por Castro. O líder da Parede não canta com a graça e a leveza de Roberta, mas caiu razoavelmente bem no suingue de Moleque Indigesto (Lamartine Babo, 1933), Paris (Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, 1938), Chegou a Hora da Fogueira (Lamartine Babo, 1933), O Dengo que a Nega Tem (Dorival Caymmi, 1940) e Goodbye, Boy (Assis Valente, 1932). Mais talhada para encarar o repertório buliçoso de Carmen, Roberta já se mostrou logo animada em Pra Você Gostar de mim (Taí) - a toada de Joubert de Carvalho que Pixinguinha (1893 - 1973) transformou em marchinha em gravação de 1930 que fez deslanchar a carreira fonográfica de Carmen - e, na sequência, enfrentou o ritmo veloz do chorinho Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu e Aloysio de Oliveira, 1945). O choro foi o veículo para que brilhasse também a flauta de Eduardo Neves, integrante do grupo que evocava a sonoridade dos velhos conjuntos regionais da primeira metade do século 20 (o grupo foi liderado pelo diretor musical do show, o violonista Luís Filipe de Lima). Em seguida, com a habitual leveza, Roberta tentou fazer do pequeno palco do Teatro II um salão de Carnaval para reviver a marchinha Balancê (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936), que, como foi ressaltado pela cantora, fez mais sucesso na voz de Gal Costa (em 1979, e não nos anos 80 como disse Roberta) do que na de Carmen Miranda. O público fez coro e até marcou, com palmas, o ritmo da marchinha.
Na volta de Roberta ao palco (seus números foram intercalados com os de Pedro Luís), a cantora brilhou em Disseram que Voltei Americanizada (Vicente Paiva e Luiz Peixoto, 1940) - entoada inicialmente a capella para expressar o sentimento de tristeza que envolveu Carmen na sua volta ao Brasil em 1940 por conta de uma recepção hostil que, como esclarece Ruy, foi obra de integrantes do Governo de Getúlio Vargas (à época mais simpatizado com a Alemanha nazista do que com os Estados Unidos) e não do povo brasileiro - e Na Batucada da Vida (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934). Ao tema de Ary, Roberta deu tom mais emocional sem, no entanto, reeditar a força do imbatível registro impressionista feito por Elis Regina (1945 - 1982) em seu álbum Elis, de 1974. No fim, o casal une vozes em Alô, Alô (André Filho, 1941), a marchinha que já parece indissociada dos trejeitos e comics de Maria Alcina. Enfim, um bom show que cumpre sua função de ressaltar o valor e a importância histórica da voz e do repertório da notável Carmen.

18 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Resenha de Show
Evento: Alô... Alô? - 100 Anos de Carmen Miranda
Título: A Pequena Notável
Artista: Pedro Luís e Roberta Sá (em foto de Mauro Ferreira)
Apresentação: Ruy Castro
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (RJ) - Teatro II
Data: 12 de maio de 2009 - Sessão das 18h30m
Cotação: * * *
Como um (divertido) casal à moda antiga, Pedro Luís e Roberta Sá travaram o jocoso diálogo a dois proposto na letra de Quem É? (Custódio Mesquita e Joracy Camargo, 1937). Apresentado no bis de A Pequena Notável, primeiro dos quatro shows do ciclo Alô...Alô? - 100 Anos de Carmen Miranda, o dueto foi um dos destaques do espetáculo que uniu o casal Pedro e Roberta em torno do repertório da pioneira Carmen, em duas (concorridas) sessões apresentadas ontem, 12 de maio de 2009, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. O ciclo foi idealizado pelo CCBB para lembrar o centenário de nascimento de Carmen Miranda (1909 - 1955), artista notável que, como bem lembrou Ruy Castro com a autoridade de ter escrito a melhor biografia da Brazilian Bombshell, teve ao longo dos anos 30 papel fundamental na consolidação da indústria do disco no Brasil, tendo sido também a primeira cantora a unir o país (em especial, a capital do Rio de Janeiro) através dos microfones do rádio inicial.
Embora sempre precisos, e essenciais para que a maior parte do público compreendesse a origem e a importância do repertório apresentado por Roberta Sá e Pedro Luís, os comentários de Ruy Castro quebraram o ritmo do show. É como se A Pequena Notável fosse, a rigor, um talk-show. Pedro é o primeiro a ser chamado em cena por Castro. O líder da Parede não canta com a graça e a leveza de Roberta, mas caiu razoavelmente bem no suingue de Moleque Indigesto (Lamartine Babo, 1933), Paris (Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, 1938), Chegou a Hora da Fogueira (Lamartine Babo, 1933), O Dengo que a Nega Tem (Dorival Caymmi, 1940) e Goodbye, Boy (Assis Valente, 1932). Mais talhada para encarar o repertório buliçoso de Carmen, Roberta já se mostrou logo animada em Pra Você Gostar de mim (Taí) - a toada de Joubert de Carvalho que Pixinguinha (1893 - 1973) transformou em marchinha em gravação de 1930 que fez deslanchar a carreira fonográfica de Carmen - e, na sequência, enfrentou o ritmo veloz do chorinho Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu e Aloysio de Oliveira, 1945). O choro foi o veículo para que brilhasse também a flauta de Eduardo Neves, integrante do grupo que evocava a sonoridade dos velhos conjuntos regionais da primeira metade do século 20 (o grupo foi liderado pelo diretor musical do show, o violonista Luís Filipe de Lima). Em seguida, com a habitual leveza, Roberta tentou fazer do pequeno palco do Teatro II um salão de Carnaval para reviver a marchinha Balancê (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936), que, como foi ressaltado pela cantora, fez mais sucesso na voz de Gal Costa (em 1979, e não nos anos 80 como disse Roberta) do que na de Carmen Miranda. O público fez coro e até marcou, com palmas, o ritmo da marchinha.
Na volta de Roberta ao palco (seus números foram intercalados com os de Pedro Luís), a cantora brilhou em Disseram que Voltei Americanizada (Vicente Paiva e Luiz Peixoto, 1940) - entoada inicialmente a capella para expressar o sentimento de tristeza que envolveu Carmen na sua volta ao Brasil em 1940 por conta de uma recepção hostil que, como esclarece Ruy, foi obra de integrantes do Governo de Getúlio Vargas (à época mais simpatizado com a Alemanha nazista do que com os Estados Unidos) e não do povo brasileiro - e Na Batucada da Vida (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934). Ao tema de Ary, Roberta deu tom mais emocional sem, no entanto, reeditar a força do imbatível registro impressionista feito por Elis Regina (1945 - 1982) em seu álbum Elis, de 1974. No fim, o casal une vozes em Alô, Alô (André Filho, 1941), a marchinha que já parece indissociada dos trejeitos e comics de Maria Alcina. Enfim, um bom show que cumpre sua função de ressaltar o valor e a importância histórica da voz e do repertório da notável Carmen.

13 de maio de 2009 12:06  
Anonymous Anônimo said...

Gostei de ver o figurino dela, estava com medo de que se fantasiasse de Carmem.

13 de maio de 2009 12:53  
Anonymous Anônimo said...

O espetáculo foi idealizado por Luís Filipe de Lima. O CCBB não idealiza nada, só aprova projetos propostos através de edital.

13 de maio de 2009 13:12  
Anonymous Anônimo said...

Vi a Verônica Ferriani aqui em Brasília no último fim de semana com este mesmo show.Que cantora maravilhosa.Vc precisar ver a Verônica também Mauro,vc,Rio e o Brasil.
Abraços

13 de maio de 2009 14:06  
Anonymous Anônimo said...

Mauro vc diz bem "Alô...Alô?" ficou marcada com a diva Maria Alcina.É interpretação definitiva para a música.Já vi ao vivo é ma-ra-vi-lho-sa,imbatível,emocionante.
Alô,alô Maria Alcina!

13 de maio de 2009 14:12  
Blogger Mirdad said...

Olá, Mauro, tudo bem?

Falo aqui de Salvador, Bahia.

Entrevistei o exímio Mou Brasil para o podcast que produzo, e ele teve a coragem de falar das incoerências do cenário cultural, além de falar da família, espiritualidade e alguns toques importantes.

Se tiver tempo, dê uma olhada aqui: www.elmirdad.blogspot.com . Tá no post do dia 12.05.

Passo sempre por aqui. Este blog é uma fonte poderosa daqui do pessoal da produção musical da Educadora FM, 107,5.

Parabéns pelo trabalho. Abs!

13 de maio de 2009 14:29  
Anonymous Dirce said...

Ah, Mauro, não dá para pensar que qualquer cantora hoje em atividade possa alcançar o nível da Elis Regina.

A única que conseguia isso era Gal Costa, em dias de inspiração.

13 de maio de 2009 15:49  
Anonymous Anônimo said...

Mauro, na verdade Roberta está CERTA em relação a década em que Gal Costa fez sucesso com Balancê. O disco Gal Tropical foi lançado em 79, mas Balancê fez(estrondoso) sucesso no carnaval de 1980, portanto Roberta tem razão.

13 de maio de 2009 19:43  
Anonymous ari said...

Mauro, Roberta é graciosa, canta bonitinho, tem uma voz limpinha, mas está a anos-luz da Elis Regina.
Roberta se destaca nestes tempos medíocres, mas não se espere dela intervenções melódico/sentimentais de maior alcance. Aliás, nem dela, nem das cantoras que têm surgido (em profusão) nos últimos anos.
Mas - sem ter visto o show - considero acertada sua escolha para cantar o repertório de Carmem pq Roberta passa uma leveza que coaduna com o projeto.

13 de maio de 2009 21:32  
Anonymous Anônimo said...

Roberta Sá é primaveril, meu caro Mauro. Elis era para as quatro estações...

13 de maio de 2009 22:11  
Anonymous Anônimo said...

Por que todas tem que ser comparadas com Elis? Será que essas pessoas gostam de ser comparadas com o presidente da empresa em que trabalham ou seus antepassados?? E você nem a comparou, pelo contrário, disse que a interpretação da Roberta não supera a da finada. Será que se Elis fosse viva ela estaria tão autentica, gravando tantos cds, lançando tantos compositores, sua voz estaria linda??? Saudosistas deveriam ouvir seus lps, com fone de ouvido, trancados no quarto pois o mundo urge de novidade e estas devem ser louvadas quando boas... Outra coisa Gal é muito superior à Elis, por que está viva, ainda com uma linda voz, fazendo shows nos exterior, emocionando quando aparece em pequenas participações, regravando e sendo massacrada, gravando novidades e sofrendo críticas... Elis fora boa, mas se foi, não há uma história atual para comparar com quem está ainda em atividade... se fosse viva poderia estar aposentada, sem voz, estressada... Gal ainda é isso não é culpa dela... Quanto às novas... que surjam a cada dia... pois o mundo é grande e tem lugar prá muita gente... até para quem ainda está na janela e não vê o tempo passar....
johnny

14 de maio de 2009 08:46  
Blogger Fernando Dasilva said...

"...Outra coisa Gal é muito superior à Elis, por que está viva, ainda com uma linda voz, fazendo shows nos exterior, emocionando quando aparece em pequenas participações, regravando e sendo massacrada, gravando novidades e sofrendo críticas... Elis fora boa, mas se foi, não há uma história atual para comparar com quem está ainda em atividade... se fosse viva poderia estar aposentada, sem voz, estressada..."

Ma ra vi lho so !!!

14 de maio de 2009 09:27  
Anonymous Dirce said...

Johnny e Fernando Dasilva,
Se, se, se, se...
Hipóteses o vento levou.
Da minha janela, atenta, vejo passar muuuuita gente, algumas merecem atenção. Elis Regina e Gal Costa, sim.

Que o mundo é grande, não há dúvida. A grandeza é que está em falta.

14 de maio de 2009 11:10  
Anonymous Anônimo said...

Dirce...
A janela que eu falei não é do Windows...
Realmente a grandeza está em falta, principalmente quando tentamos desmerecer o trabalho de alguém que está lutando pelo seu espaço com comparações que não melhorarão em nada a música, a vida e o mundo...
Abraços cordiais,
Johnny

14 de maio de 2009 11:42  
Anonymous Dirce said...

Touché (e), Johnny.

14 de maio de 2009 17:08  
Anonymous Anônimo said...

... " foi obra de integrantes do Governo de Getúlio Vargas (à época mais simpatizado com a Alemanha nazista do que com os Estados Unidos) e não do povo brasileiro " (2)

15 de maio de 2009 13:46  
Anonymous Anônimo said...

Roberta Sá é primaveril, meu caro Mauro. Elis era para as quatro estações... (2)

19 de maio de 2009 09:10  
Anonymous Anônimo said...

Anônimo das 09:10 você conjugou o verbo muito bem: é e era, quem É ainda pode ser muita coisa, já agora quem ERA ficou, acabou... deixou saudades para quem parou no tempo...

Soraya

19 de maio de 2009 14:10  

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