Outubro 31, 2007

Lages se apóia em hits do 'Rei' no primeiro DVD

Tradicional maestro do Rei Roberto Carlos, o pianista Eduardo Lages lança o seu primeiro DVD - Com Amor, gravado ao vivo em 12 de agosto de 2007 em show no Teatro Municipal de Niterói (RJ) - com repertório escorado nos sucessos do autor de Emoções. A gravação já está também sendo editada em CD. Eis os 19 temas tocados por Lages neste primeiro DVD:

1. Abertura
2. De Tanto Amor
3. Chega de Saudade
4. Theme from Love Story
5. Como é Grande o Meu Amor por Você
6. McArthur Park
7. Eu Vou Sempre Amar Você
8. Amante à Moda Antiga
9. Michelle
10. Eleanor Rigby
11. Cama e Mesa
12. Eu Sei que Vou te Amar
13. Gatinha Manhosa
14. Dio, Come Ti Amo
15. The More I See You
16. Você
17. O Caderninho
18. Cavalgada
19. Emoções

Nenhum de Nós gravita em 'pequeno universo'

Resenha de CD
Título: A Céu Aberto
Artista: Nenhum de Nós
Gravadora: Orbeat Music
Cotação: * * *

No Sul do Brasil, longe demais das capitais, há muito público disposto a recordar os hits do grupo Nenhum de Nós, formado em Porto Alegre (RS) em 1986. É o coro caloroso deste público que valoriza A Céu Aberto, DVD (nas lojas em novembro) e CD (já à venda) ao vivo que festejam os 20 anos do lançamento do primeiro álbum da boa banda de Thedy Corrêa. Camila, Camila - hit daquele primeiro disco - foi a música escolhida para puxar este registro de show gravado ao ar livre, em 24 de março de 2007, numa apresentação do quinteto no Parque Harmonia, na capital do Rio Grande do Sul. O tom é retrospectivo. O repertório traz apenas duas inéditas, Desejo e Santa Felicidade.

As 19 músicas do CD cobrem todas as fases do grupo, que lançou em 2005 um bom disco de inéditas, Pequeno Universo. Deste trabalho, reaparecem Dança do Tempo e Igual a Ti, a versão em espanhol de Igual a Você que conta com a participação suave da cantora colombiana Ivonne. A propósito, o Nenhum de Nós - não reconhecido nas demais regiões do Brasil na medida de seu valor - vem fazendo cada vez mais conexões com os países vizinhos da América Latina. O intercâmbio é salutar e pode ganhar impulso com essa gravação ao vivo, produzida com zelo pelo galês Paul Ralphes. Esqueça O Astronauta de Mármore - a infame versão de Starman (David Bowie) que tirou a credibilidade da banda ainda nos anos 80 e é revivida em A Céu Aberto - e preste atenção em músicas como Eu Não Entendo, Julho de 83 e Extraño. O Nenhum de Nós tem munição para gravitar além de seu pequeno universo.

'Som de prata' conjuga estranheza e melancolia

Resenha de CD
Título: Sound of Silver
Artista: LCD Soundsystem
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * 1/2

É difícil gostar do segundo CD do LCD Soundsystem logo na primeira audição. É necessário um certo tempo para digerir o clima e a estranheza de Sound of Silver. Mas o álbum tem tudo para manter na cena dance o culto ao projeto de James Murphy - hábil na criação de som eletrônico que incorpora células rítmicas do rock, do funk e da disco music. Em algumas faixas, como Watch the Tapes e North American Scum, as guitarras dão pegada típica do rock aos temas. Já em outras, como Get Innocuous!, ouve-se música para dançar. Sound of Silver oferece hits certeiros para as pistas, mas, na comparação com o repertório do primeiro CD (LCD Soundsystem, 2005), as doses de melancolia e de crítica social são mais altas. A música que fecha o CD, New York, I Love You, but You're Bringing me Down, ostenta um caráter bastante depressivo. Ecos de Kraftwerk e Talking Heads são identificáveis em meio a um repertório enxuto que foi embalado com batidas modernas que não procuram repetir a fórmula do disco anterior. James Murphy não deitou no esplêndido berço dos acomodados.

P.S. Sound of Silver foi editado em março no exterior. O álbum saiu no mercado nacional neste mês de outubro já na carona da vinda do LCD Soundsystem ao Brasil para quatro apresentações. Eis as datas e os locais da miniturnê brasileira de James Murphy:

* 13 de novembro - São Paulo (Via Funchal)
* 14 de novembro - Belo Horizonte (Festival Eletronika - Chevrolet Hall)
* 16 de novembro - Rio de Janeiro (Circo Voador)
* 17 de novembro - Brasília (Marina Hall)

Coletânea (in)completa revisa a obra de Clapton

Eric Clapton recontou sua vida e obra em livro intitulado The Autobiography e idealizou uma nova coletânea, Complete Clapton, como o complemento musical da biografia. Editada no Brasil pela major Universal Music, a compilação dupla tem o real mérito de englobar, através de 36 faixas, gravações de todas as muitas fases do artista, desde o power trio Cream até o recente álbum dividido por Clapton com J.J. Cale. Infelizmente, a escassez de informações mais detalhadas sobre o repertório torna a coletânea incompleta. Somente um breve texto biográfico sobre o artista - assinado por Nigel Willamson - ajuda a contextualizar alguns fonogramas nesta edição nacional de Complete Clapton. A precária ficha técnica sequer aponta os anos em que foram feitas as gravações. Eis as 36 faixas da compilação, ao menos dispostas em ordem cronológica:

CD 1
1. I Feel Free - Cream
2. Sunshine of your Love - Cream
3. White Room - Cream
4. Crossroads (Live at Winterland) - Cream
5. Badge - Cream
6. Presence of the Lord - Blind Faith
7. After Midnight
8. Let It Rain
9. Bell Bottom Blues - Derek & The Dominos
10. Layla - Derek & The Dominos
11. Let It Grow
12. I Shot the Sheriff
13. Knockin' on Heaven's Door
14. Hello Old Friend
15. Cocaine
16. Lay Down Sally
17. Wonderful Tonight
18. Promises
19. I Can't Stand It

CD 2
1. I've Got a Rock'n'Roll Heart
2. She's Waiting
3. Forever Man
4. It's in the Way That You Use It
5. Miss You
6. Pretending
7. Bad Love
8. Tears in Heaven
9. Layla (versão acústica)
10. Running on Faith (versão acústica)
11. Motherless Child
12. Change the World
13. My Father's Eyes
14. Riding with the King - com B.B. King
15. Sweet Home Chicago
16. I I Had Possession over Judgement Day
17. Ride the River - com J.J. Cale

Outubro 30, 2007

Teresa historia influências em DVD de 'Ensaio'

Resenha de DVD
Título: Programa Ensaio 2002
Artista: Teresa Cristina & Grupo Semente
Gravadora: Deckdisc
Cotação: * * *
Em 2002, Teresa Cristina ainda dava os primeiros passos na carreira fonográfica quando foi entrevistada - por Fernando Faro - para o programa Ensaio, da TV Cultura. Ao lado do Grupo Semente, a cantora rememorou influências do pai feirante (Lula, que apresentou à filha o samba de Candeia e de outros bambas) e da mãe, Hilda Macedo, que ouvia Roberto Carlos e compunha seus sambas - um dos quais, Samba do Pescador, é cantado por Teresa no bom programa. Mas o mote da entrevista foram lembranças de histórias e músicas de bambas de escolas de samba como Portela e da Mangueira. É o maior mérito do DVD ora lançado pela Deckdisc para encerrar o contrato da gravadora com a cantora, que migrou para a EMI, por onde acaba de lançar o seu quarto CD, Delicada.
Diante da câmera confessional do Ensaio, Teresa, tímida, até se diverte contando causos de velhos sambistas como Alcides - de quem revive Ando Penando. Com memória prodigiosa e profundo conhecimento do samba carioca, Teresa desfia jóia rara de Cartola (Vai Amigo), revive tema de Brancura (Você Chorou) - bamba do Morro do Estácio - e apresenta a pouco conhecida segunda parte de Muito Embora Abandonado, um samba de terreiro de Mijinha e Chico Santana. Por documentar sambas obscuros, como Louca (Aniceto), a participação de Teresa Cristina no Ensaio escapa dos clichês biográficos que caracterizam boa parte das entrevistas do programa. Para que não conhece Teresa Cristina, o DVD legitima a entrada no mundo do samba dessa terna cantora que, na época, já começava a se mostrar como compositora, entoando Acalanto e A Vida me Fez Assim, músicas que iria gravar em seu segundo CD, de 2004. É, enfim, DVD para quem curte o melhor samba carioca.

'Certidão' atesta coragem autoral do Casuarina

Resenha de CD
Título: Certidão
Artista: Casuarina
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * 1/2

Grupo formado em 2001 por jovens cariocas na faixa dos 20 anos, o Casuarina logo encontrou abrigo no circuito de shows da Lapa, o bairro boêmio do Centro do Rio de Janeiro que ajudou a renovar o interesse de certa parte do público pelo samba. Em 2006, o grupo estreou no mercado fonográfico com belo álbum em que revirava o baú do samba sem cair na obviedade. Em Certidão, segundo CD do Casuarina, o repertório é majoritariamente autoral. Dez das 14 faixas são assinadas por integrantes do quinteto - em especial por João Cavalcanti (voz e percussão), João Fernando (bandolim e os vocais) e Gabriel Azevedo (voz e percussão). O disco atesta a real intimidade dos rapazes com as boas tradições do samba. É, João - para citar apenas um bom exemplo da lavra própria do Casuarina - exibe densidade típica de veteranos. A faixa conjuga quarteto de cordas com o instrumental tradicional do samba. Peçonha, Vaso Ruim, Inconstante e a faixa-título são outros quatro certificados do talento dos músicos como compositores. Claro que ainda falta chão para o Casuarina burilar uma identidade própria. Sua inicial safra autoral ainda carece de assinatura mais forte. Nesse sentido, o choro instrumental Empoeirado soa bem mais original com sua textura nordestina. Contudo, Certidão desce redondo no todo - apesar do canto esmaecido dos dois vocalistas. Inclusive porque o grupo prova novamente que sabe garimpar repertório alheio. Em vez de reviver clássicos batidos do samba, o Casuarina apresenta inédita do saudoso Sidney Miller (Me Dá um Nó), mostra um Paulo Vanzolini reflexivo (Teima Quem Quer), tira jóia do baú de Sérgio Sampaio (Velho Bandido, que realça a pecha de maldito imposta ao compositor, morto em 1994) e realça a nobreza do alto partido Tarja Preta, parceria de Délcio Carvalho e Sérgio Fonseca. Enfim, Certidão é disco corajoso que atesta que o Casuarina está na trilha certa para se impor no cada vez mais disputado cenário do samba.

P.S. A direção de arte e o gracioso projeto gráfico do CD Certidão, assinados por Diogo Montes, são dignos de prêmio na categoria.

B-52's retorna ao disco em março com 'Funplex'

Sem apresentar álbum desde 1992, o ano em que lançou o anêmico Good Stuff, o grupo The B-52's voltará ao disco em março com Funplex - o seu primeiro CD de inéditas em 16 anos. Ícone da new wave já no seu aparecimento, em fins dos anos 70, o quarteto gravou o novo CD em sua cidade natal - Athens, em Georgia (EUA) - com 11 faixas compostas por Kate Pierson, Fred Schneider, Keith Strickland e Cindy Wilson. Eis na ordem o repertório de Funplex:
1. Pump
2. Hot Corner
3. Ultraviolet
4. Juliet of the Spirits
5. Funplex
6. Eyes Wide Open
7. Love in the Year 3000
8. Deviant Ingredient
9. Too Much to Think About
10. Dancing Now
11. Keep This Party Going

Electro pop do Hot Chip chega tarde ao Brasil

Resenha de CD
Título: The Warning
Artista: Hot Chip
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * *

Quinteto londrino de electro pop, o Hot Chip já vai lançar em fevereiro seu terceiro CD, Made in the Dark. O álbum anterior, The Warning, saiu em 2006 e chegou ao mercado nacional neste mês de outubro no embalo da vinda do grupo ao Brasil para apresentações na quinta edição do Tim Festival. É um lançamento atrasado, já que o carro-chefe do disco, a irresistível Over and Over, bombou nas pistas de grande parte do mundo em 2006. Ainda assim, a edição brasileira - de vergonhosa pobreza gráfica (a capa se restringe a uma mísera folha) - é bem-vinda para dar visibilidade ao pop rock eletrônico da banda - urdido com samples e com sintetizadores. A intenção foi fazer um trabalho mais sério, sem as altas doses de bom-humor contidas no álbum de estréia do Hot Chip, Coming on Strong (2004). De fato, há menos ironia (e mais seriedade) em repertório que inclui até balada melancólica que versa sobre amores e perda, And I Was a Boy from School. Contudo, o que define o som do Hot Chip é o fino contraste entre as vozes dos cantores, compositores e produtores Alexis Taylor e Joe Goddard. E tal combinação ainda resulta harmoniosa. Se Alexis recorre aos falsetes, Goddar usa um tom mais grave. Mas convém alertar o ouvinte: não há entre as 11 faixas de The Warning outra música tão envolvente como Over and Over - ainda que Careful chegue perto. Que venha o terceiro!

Outubro 29, 2007

Sim, Vanessa lança seu primeiro DVD em 2008

Vanessa da Mata vai lançar seu primeiro DVD em 2008. O DVD vai trazer o registro do show Sim, focado nas músicas do homônimo CD, o terceiro da cantora (em cena, no bis do espetáculo, na foto de Mila Maluhy). No roteiro, há Veneno, canção do repertório de Marina Lima, e o lindo samba Juízo Final, de Nelson Cavaquinho.

E por falar em Vanessa da Mata, a cantora interpreta a música de abertura da nova temporada do programa infantil Vila Sésamo, que estréia nesta segunda-feira - 29 de outubro - na TV Cultura. Badi Assad, Zeca Baleiro e Zélia Duncan também estão na trilha.

Sai no Brasil DVD em que Yusuf canta Stevens

A Universal Music está lançando enfim no Brasil, neste mês de outubro, o DVD que registra o retorno aos palcos de Cat Stevens - já rebatizado como Yusuf Islam de acordo com a norma do islamismo. É a única oportunidade de ver e ouvir Yusuf cantar sucessos de Stevens como Father & Son, Peace Train e Wild World. Além do show capturado na Inglaterra, o DVD Yusuf's Café Session reúne vídeos de Heaven / Where True Love Goes - lindo destaque do repertório do álbum (An Other Cup) que marcou a volta de Yusuf à cena pop em 2006 - e Midday (Avoid City After Dark). Contudo, o extra mais saboroso é o documentário A Few Good Songs. No bom filme, produzido para a rede de TV BBC e apresentado no DVD com cenas adicionais, o artista explica a sua súbita conversão ao islamismo nos anos 70, no auge do sucesso. "Música era minha religião e eu era o mais devotado possível", diz Yusuf no filme, a respeito de sua atuação como Cat Stevens. Entre depoimentos de colegas como Dolly Parton e imagens do início da carreira, o documentário exibe take do último show do artista na sua fase inicial. Em 22 de novembro de 1979, ele subiu ao palco da Wembley Arena como Cat Stevens e, após cantar Father & Son, o número final mostrado no filme, já saiu de cena como Yusuf Islam.

Danni não põe sua assinatura em 'Música Nova'

Resenha de CD
Título: Música Nova
Artista: Danni Carlos
Gravadora: Sony BMG
Cotação: * *

O tom esmaecido da capa do primeiro CD autoral de Danni Carlos, Música Nova, reflete de certa forma o conteúdo do álbum. Projetada a partir de 2003 na série de discos de covers Rock'n'Road, a cantora tenta se impor como compositora, mas não consegue mostrar, de fato, uma identidade nas onze faixas que assina entre as 13 músicas do disco. Com a produção padronizada de Marcelo Sussekind, Danni transita pelo pop rock com baixo teor de novidade. Entre baladas (Cinema, Olhos de Serpente) e pop de suave pegada roqueira (Gelo e Rocha), a artista não diz a que veio com suas músicas de versos confessionais. Os arranjos também não ajudam - com exceção da teia instrumental que envolve Arcanjo (o arranjo de Pisando em Marte também é legal). Nem a razoável inédita de Nando Reis - O Seu Lugar, com a grife melódica e poética do compositor - chama real atenção. O maior destaque acaba sendo Coisas que Eu Sei, a palatável balada composta pelo hitmaker Dudu Falcão. Cantada por Danni em tons delicados, a faixa faz sucesso na trilha sonora da novela Duas Caras. E é sintomático que o álbum autoral de Danni Carlos chegue às lojas amparado por uma música que até é nova, mas não é de autoria da artista. Falta fôlego à compositora.

Livro revisa 1001 discos feitos entre 1955 e 2007

Nada como o tempo para dar o devido valor a um disco... Recém-lançado no Brasil (pela editora Sextante), o livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer historia 1001 álbuns lançados entre 1955 e 2007. A vasta seleção - comentada (com base) por 90 críticos estrangeiros - inicia com In the Wee Small Hours (Frank Sinatra, 1955) e termina com The Good, The Bad & The Queen (The Good, The Bad & The Queen, 2007). Bons títulos de Caetano Veloso (Caetano Veloso, 1968, e Circuladô, 1991), Chico Buarque (Construção, 1971), Maria Bethânia (Âmbar, 1996), Gilberto Gil & Jorge Ben (Gil & Jorge - Ogum Xangô, 1975), Milton Nascimento & Lô Borges (Clube da Esquina, 1972) e Os Mutantes (Os Mutantes, 1968), entre outros, representam o Brasil na seleção. É leitura saborosa que oferece ótima visão da cena pop mundial nas últimos 50 anos.

Outubro 28, 2007

Ana Cañas debuta em disco com 'Amor e Caos'

Já cultuada no circuito hype paulista, por conta de temporadas na casa All of Jazz e no bar Baretto (do Hotel Fasano), a compositora e cantora Ana Cañas chega ao disco aos 27 anos de idade e quatro de carreira. Contratada pela Day 1, a megaempresa que engloba a gravadora Sony BMG e que gerencia a carreira de seus artistas, a paulistana vai lançar em novembro Amor e Caos, CD produzido pelo violonista Alexandre Fontanetti com arranjos do guitarrista Fabá Jimenez. No repertório, há oito músicas autorais (Mandinga Não, Devolve Moço, A Ana, Vacina na Veia e Interrogação, entre outras) e releituras dos cancioneiros de Caetano Veloso (Coração Vagabundo, num registro cool) e Bob Dylan (Rainy Day Woman). O primeiro single do álbum é A Ana. É o tema mais pop do disco.

"Apesar de cantar jazz, eu não sou uma jazzista. Jazz, para mim, significa liberdade", conceitua Ana Cañas no vídeo promocional que apresenta Amor e Caos. Rótulos à parte, o trabalho deverá apresentar uma cantora de personalidade bem formada - a julgar pelo recente show organizado pela Sony BMG em São Paulo (SP) para apresentar Cañas a jornalistas, radialistas e a formadores de opinião. Dona de voz extensa, Cañas poderia transitar apenas pelo jazz escorada em sua precoce maturidade - como provou no show ao cantar Summertime, tema em que sua voz dialogou segura com o baixo de Fábio Sá. Sua versão a capella de Retrato em Branco e Preto conjuga dramaticidade e ousadias estilísticas. Consta, aliás, que Chico Buarque (parceiro de Tom Jobim na música) e Caetano Veloso estiveram entre os nomes famosos que se encantaram com a voz aguda de Cañas ao vê-la no Baretto. "Eu tenho orgulho dessa parte da minha história. Foi na noite que eu aprendi a cantar e a fazer as loucuras que a gente mostrando aqui", ressaltou Cañas no palco, antes de interpretar standards como Stormy Wheater.

Com suingue e personalidade vocal, Ana Cañas está chegando ao disco com um estilo muito mais pop e mais distante do jazz. É um pop torto e menos digerível do que a média. A cantora não deverá fazer sucesso imediato, mas tem toda pinta de que veio para ficar. Não por acaso, a novata admira Marisa Monte pela firmeza com que a já veterana colega conduz sua carreira. Anote na agenda de 2008: bem ou mal, você vai falar de Ana Cañas. Acho que bem...

Elogios superlativos sobre discos com algo mais

Resenha de livro
Título: Meus Discos e Nada Mais - Memórias de um DJ na Música Brasileira
Autor: Zé Pedro
Editora: Jaboticaba
Cotação: * * *

Zé Pedro é um DJ que fez o seu nome nas pistas remixando hits da MPB com total respeito pelas intenções das gravações originais. É também um aficcionado por discos e, em especial, por cantoras. Meus Discos e Nada Mais apresenta suas memórias a partir dos discos de artistas brasileiros que comprou ou ganhou. A partir das impressões de Zé Pedro sobre 159 álbuns, dispostos no livro em ordem cronológica, os dados biográficos do DJ vão sendo salpicados entre um elogio e outro. Sim, há apenas elogios nas 384 páginas deste afetivo e particular inventário fonográfico. Elogios de caráter superlativo, diga-se, pois trata-se das memórias de um fã apaixonado e devotado - como bem o retrata Zélia Duncan em saboroso texto escrito para a orelha do livro. Todos os artistas são maravilhosos na visão de Pedro. Mas Meu Discos e Nada Mais oferece algo mais do que as impressões generosas de um DJ que se porta como fã, pois Pedro, antes de DJ, é profundo conhecedor da MPB. E é esse conhecimento que engrandece o valor do livro. Ao comentar os discos, Pedro oferece informações precisas sobre seu repertório e, às vezes, ele ainda situa o artista no cenário musical brasileiro da época da gravação do álbum. Raramente erra - como na análise de Canto das Três Raças (1976), apresentado como um disco que não divide fases na carreira de Clara Nunes (1942 - 1983) quando o álbum tem justamente o mérito de ter inaugurado a parceria / fase da cantora com o produtor Paulo César Pinheiro. Geralmente acerta - como quando, ao comentar o esquecido disco Wanderléa... Maravilhosa (1972), lembra as várias tentativas frustradas da Ternurinha de se dissociar do repertório ingênuo da Jovem Guarda. O livro ganha em importância quando o DJ escolhe discos menos óbvios - caso de A Tua Presença... (1971). "Talvez os apaixonados por Bethânia não dêem a esse disco a importância que eu considero que ele tenha", ressalta Zé Pedro, ele próprio um apaixonado confesso pela Abelha Rainha, assunto de seu prólogo.

É como fã devotado que Pedro lamenta o sumiço de Maria Creuza ao comentar o disco Meia-Noite (de 1976, porém erroneamente creditado como sendo de 1977) e que saúda Gal Costa ao falar de Caras e Bocas (1977), corretamente apontado como "um disco estranho para aquela época". E ele prossegue, fino e certeiro: "Voz de Gal mudando, repertório inovando, os críticos odiando. Hoje, um clássico. Gal tem dessas coisas. (...) É uma cantora de altos e baixos. (...) (...) Já foi contra o sistema e acertou. Já foi a favor do sistema e dançou". Sobre Simone, o DJ também se não furta a fazer necessárias críticas a respeito da condução da carreira da cantora em meio às impressões sobre o seminal LP Gota D'Água (1975): "Veterana do show business, Simone sabe o que tem que fazer para se manter no mercado. E ela faz. Às vezes, consegue; às vezes, não, sujando sua bela discografia inutilmente. (...) Faz muitas vezes o que considero concessões". Estes comentários lúcidos, soterrados diante de tantos elogios, avalizam as memórias fonográficas do DJ.

Em sua grande maioria, os discos comentados foram lançados nos anos 70 e 80. Apenas três belos álbuns - Amor em Hi-Fi (Sylvia Telles, 1960), Momento de Amor (Elizeth Cardoso, 1968) e Ye-me-le (Sérgio Mendes & Brazil '66, 1969) - são da década de 60. Contudo, apesar de deixar entrever nas entrelinhas um exagerado saudosismo da MPB de décadas passadas, o DJ chega também aos CDs dos dias atuais, comentando álbuns de talentos recentes como Bebel Gilberto, Maria Rita, Preta Gil, Vanessa da Mata, Mart'nália, Paula Lima e Ceumar, entre outras cantoras e cantores. Enfim, são muitas e generosas as impressões apaixonadas de um consumidor voraz de discos. Ainda bem que, neste livro, elas estão geralmente acompanhadas de algo mais: o conhecimento de música brasileira.

Killers conquistam o público com show matador

Resenha de show
Título: Sam's Town - Tim Festival 2007
Artista: The Killers (em foto do site do festival)
Local: Marina da Glória (RJ)
Data: 27 de outubro de 2007
Cotação: * * * *

Projetado em 2004 com álbum muito superestimado, Hot Fuss, cujo som evocava o tecnopop new romantic de grupos dos anos 80 como Duran Duran, o grupo The Killers surpreendeu em 2006 ao lançar Sam's Town, disco bem mais pesado, feito com maior equilíbrio entre as guitarras e os teclados. Foi fiel à estética deste segundo bom CD que o quarteto de Las Vegas (EUA) incendiou o público em sua calorosa apresentação carioca na quinta edição do Tim Festival. Ao harmonizar guitarras e sintetizadores em roteiro enxuto de 17 músicas (tocadas em cerca de 80 minutos), a banda fez um show... matador. A platéia pulou e fez coro com o vocalista Brandon Flowers em temas como On Top, When You Were Young, Somebody Told me e The River Is Wild. Da primeira música até o bis, que incluiu For Reasons Unknown, o pique foi o mesmo. Se o som do grupo é retrô além da conta ou se a estética do cenário é brega, pouco importou. Houve comunhão entre artista e público.

Juliette se exibe com peso de rock monocórdio

Resenha de show
Título: Juliette and The Licks - Tim Festival 2007
Artista: Juliette and the Licks (em foto do site do festival)
Local: Marina da Glória (RJ)
Data: 27 de outubro de 2007
Cotação: * * 1/2

Ainda mais conhecida por sua atuação em filmes como Cabo do Medo e Kalifornia, Juliette Lewis vem encarnando nos últimos anos o papel de roqueira. E talento para tal personagem não lhe falta - como ficou claro na apresentação carioca do grupo Juliette and The Licks na quinta edição do Tim Festival. Exibida e bem à vontade num figurino sexy que lembrava o traje de mulher-gato, Juliette fez pose de popozuda, se enrolou na bandeira do Brasil e atiçou a libido do público com uma performance que combinou toques selvagens e sensuais. Tudo ao som de um rock pesado que, no palco, soou bastante monocórdio - sem as nuances ouvidas nos dois bons álbuns da banda, You're Speaking my Language (2005) e Four on the Floor (2007), ambos, aliás, já lançados no mercado nacional pela ST2. Condensado em uma hora de pauleira, o roteiro priorizou músicas do segundo disco (Hot Kiss, Purgatory Blues, Mind Full of Daggers, Stick Honey). Juliette cumpriu direito seu papel, a banda se mostrou afiada e o show não perdeu o pique. Mas pairou a sensação de que a postura exibicionista da vocalista-atriz prendeu mais a atenção do que o som propriamente dito...

Outubro 27, 2007

Björk hipnotiza fãs com vibrante show dançante

Resenha de show
Título: Björk - Tim Festival 2007
Artista: Björk (em foto do site do festival)
Local: Marina da Glória (RJ)
Data: 26 de outubro de 2007
Cotação: * * * * 1/2

Depois de hipnotizar seus fãs com Declare Independence, música dançante escolhida para o bis de sua apresentação carioca na 5ª edição do Tim Festival, Björk saiu de cena sob aplausos delirantes. A cantora islandesa seduziu o seu público com show enérgico e às vezes até teatral, como em Earth Intruders, número em que Björk se viu envolvida por emaranhado de linhas. A artista pôs em justo segundo plano as estranhas sujeiras étnicas de seu último álbum, Volta, em favor da animação. Não fosse por um ou outro número mais chato, lá pelo meio do roteiro, a cantora teria feito um show impecável. Chuva de papel picado, bela iluminação a laser e vários outros adereços a ajudaram a oferecer espetáculo de luzes, cores e sons. A permanência em cena da Wonder Brass, graciosa banda de sopros formada somente por mulheres, deu também um colorido especial. Sábia, Björk não centrou o roteiro no repertório do disco Volta. Entre poucas músicas deste estranho trabalho, a islandesa salpicou hits infalíveis como Jóga, de Homogenic (1997), álbum do qual também reviveu Pluto. Enfim, Björk deu show, superando expectativas - sua apresentação foi superior à feita pela artista em edição anterior do festival - e confirmando o poder de sedução de sua figura excêntrica e de sua música personalíssima. Nem o mais hábil DJ faria um set dance tão inebriante quanto o show de Björk.

Show de Antony não teve a atmosfera adequada

Resenha de show
Título: Antony and The Johnsons - Tim Festival 2007
Artista: Antony and The Johnsons (em foto do site do festival)

Local: Marina da Glória (RJ)
Data: 26 de outubro de 2007
Cotação: * * *

A primeira das duas apresentações cariocas de Antony and The Johnsons no Tim Festival 2007 não correspondeu às expectativas depositadas no show do grupo formado em Nova York (EUA) pelo cantor e pianista Antony Hegarty. Não tanto pelo show em si, mas por sua atmosfera inadequada. O artista apresentou um som quase camerístico - centrado na sua bela voz e em seu piano - que pedia espaço bem mais intimista. Para completar, o público desatento conversava demais e parecia fazer hora para o show de Björk que viria a seguir. Ainda assim, quem concentrou atenções no palco viu e ouviu artista bem interessante. Em You Are my Sister, um dos números mais lindos, o cantor fez jus às comparações vocais com a saudosa diva Nina Simone. Entre músicas extraídas de sua breve discografia (Man Is the Baby, Fistfull of Love e For Today, I'm a Boy) e cover de Lou Reed (Candy Says), Antony fez um show curto que poderia ter sido melhor se tivesse sido apresentado em lugar mais apropriado para um público mais interessado. Pena...

Boa produção realça tristeza indie do Gardenais

Resenha de CD
Título: Lindo Triste Mundo
Artista: Gardenais
Gravadora: Nenhuma
Cotação: * * *

Gardenais é um grupo mineiro que já contabiliza dois discos e 15 anos de persistente carreira independente. Lindo Triste Mundo, o segundo álbum da banda, ostenta na produção o padrão de Berna Ceppas & Kassin. Com ecos de BritPop (ouça o rock Quase Ninguém Quer) e de Los Hermanos (ouça Quero Sair Daqui, a jóia pop do repertório autoral), a dupla embala bem a melancolia indie deste quarteto de Belo Horizonte. Lindo Triste Mundo é disco que se sustenta mais na atmosfera do que nas músicas em si. Ainda que a safra de temas inéditos do Gardenais seja de bom nível - com destaque para a balada Toma Essa Canção. A produção soube valorizar a tristeza expressa em versos que expiam dores de amores. Nada original, mas bacana.

Show de Isaac Hayes em Montreux sai em DVD

Figura fácil no Festival de Montreux, Isaac Hayes tem editada em DVD sua apresentação de 2005 no tradicional evento suíço. No compacto roteiro de 12 números, encerrado com o Theme From Shaft, o cantor de soul apresenta clássicos como Walk on By, Joy, Never Can Say Goodbye e By the Time I Get to Phoenix. Editado no mercado brasileiro pela gravadora ST2, o bom DVD Isaac Hayes Live at Montreux 2005 tem o áudio 5.1 DTS entre as opções. À altura do som de Isaac Hayes...

Outubro 26, 2007

Produtores sustentam Britney em álbum coeso

Resenha de CD
Título: Blackout
Artista: Britney Spears
Gravadora: Jive Records / Sony BMG
Cotação: * * 1/2

Ainda é cedo para decretar a sentença de morte de Britney Spears. Apesar de estar dando (claros) sinais de descontrole emocional neste último ano, por conta do uso de drogas, a artista volta à cena com álbum coeso, superior ao seu último CD, In the Zone (2003), o que trouxe o hit Toxic. Como já sinalizara Gimme More, primeiro bom single, música que poderia estar num álbum de Madonna, Blackout apresenta munição para tirar Britney das trevas em que ela tem estado mergulhada. O mérito está no time de produtores (Nate Danjahandz Hills, Bloodshy & Avant, Kara DioGuardi, Christian Karlsson e Pontus Winnberg, entre outros). Eles criaram batidas que, embora soem artificiais e eventualmente repetitivas (Get Naked evoca Gimme More, ambas produzidas por Nate Hills), são o retrato de época em que importam muito mais os produtores do que os cantores. Sorte de Britney, que disfarça seus limites vocais entre as batidas de músicas como Freakshow (uma das duas únicas faixas que traz o nome da cantora entre os autores) e Heaven on Earth, petardo certeiro nas pistas. Em Piece of me, outro destaque pelo toque de modernidade eletrônica da produção de Bloodshy & Avant, Britney procura se mostrar como vítima da engrenagem em letra sem consistência. Mas ouvintes de discos de Britney não esperam encontrar versos consistentes em seus discos. O que conta é a batida. E, por isso mesmo, Blackout - que chega às lojas na terça-feira, 30 de outubro, com convidados como o cantor de rhythm and blues T-Pain (na faixa Hot as Ice) e Pharrell Williams (em Why Should I Be Sad?) - vai decepcionar os urubus de plantão. Britney Spears sobreviveu ao inferno. Temas de erotismo forçado, como Perfect Lover, cairão bem nas pistas. São exemplos do artificialismo que impera em parte do universo dance eletrônico no qual Britney Spears está inserida. E, não, ela não está mal na foto. Foi salva pelo eficaz exército de produtores.

Vercilo grava com Guinga um xote sobre Chico

Jorge Vercilo gravou com Guinga O Xote do Polytheama. Os dois artistas (em estúdio na foto de Washington Possato) uniram vozes em música - de autoria apenas de Vercilo - que fala das aventuras vivenciadas no campo de futebol de Chico Buarque, cujo time se chama Polytheama. A gravação foi realizada para o oitavo álbum de Vercilo - nas lojas ainda este ano pela EMI Music. O cantor quis estreitar laços com a música brasileira em CD que agrega sambas, xote, balada e até um rock (Todos Nós Somos Um - uma parceria de Vercilo com Dudu Falcão, de caráter ambientalista). Abrindo o leque de ritmos e parceiros, Vercilo compõe com Fátima Guedes (Cartilha), Jota Maranhão (Ela Une Todas as Coisas, a canção de tom apaixonado incluída na trilha sonora da novela Duas Caras) e Marcos Valle (Numa Corrente de Verão, faixa que traz a voz e o piano de Valle). Sozinho, Vercilo assina temas como Tudo que Eu Tenho. Ainda sem título, o álbum é o sétimo de inéditas do cantor.

Leo Maia regrava Raul Seixas no segundo disco

Dois anos após estrear (bem) no mercado fonográfico com Cavalo de Jorge (Indie Records, 2005), Leo Maia já está de volta à cena com seu segundo CD, Cidadão do Bem. No disco, o filho de Tim Maia (1942 - 1998) recria um sucesso de Raul Seixas, Como Vovó Já Dizia... (Óculos Escuros), música composta por Raul e Paulo Coelho para a trilha sonora original da novela O Rebu (1974 / 1975). Eis as 13 músicas do CD Cidadão do Bem, nas lojas em novembro:

1. Cidadão do Bem
2. Mandou Bem
3. Como Vovó Já Dizia (Óculos Escuros)
4. Não Vai Dar
5. Doeu
6. Eu Amo Você
7. O Amor É Estranho Demais
8. Impaciência
9. Coisas Rurais
10. Tristezas
11. Baby
12. Baile Black
13. Pra Nunca Mais Dizer Adeus

Roupa regrava hit de Harrison em CD natalino

Em alta na bolsa do disco, por conta do sucesso dos dois volumes do CD / DVD RoupAcústico, o grupo Roupa Nova vai apostar em repertório natalino. O sexteto carioca lança já na primeira semana de novembro - por seu selo, o Roupa Nova Music, distribuído pela Universal - o álbum Natal Todo Dia. No repertório, há versões em português de temas natalinos como Silent Night (Noite feliz), o hit Happy Xmas (Então é Natal), Heal the World (A Paz) e White Christmas (Natal Branco). A surpresa é a inclusão de My Sweet Lord, o maior sucesso da carreira solo do beatle George Harrison (1943 - 2001). O grupo regravou a música no original, em inglês.

Outubro 25, 2007

Filmes focam Bethânia sempre senhora de si...

Resenha de DVD

Título: Bethânia Bem de Perto

Pedrinha de Aruanda

Artista: Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

Antes de se tornar a senhora da cena brasileira, Maria Bethânia já era senhora de si... A altivez da intérprete está retratada em dois documentários sobre a diva baiana - ora reunidos pela gravadora Biscoito Fino em DVD duplo. Quarenta anos separam Bethânia Bem de Perto (1966) de Pedrinha de Aruanda (2006), mas, se Bethânia ainda se revela um diamante (verdadeiro) em estado bruto no raro filme de Júlio Bressane e Eduardo Escorel, ela já se mostra plena de sua Arte no documentário oficial de Andrucha Waddington. Em ambos, contudo, transparece na tela a indomada personalidade forte da artista... Para as câmeras de Bressane e de Escorel, Bethânia se mostra espontânea e sem freio na língua. Para as lentes de Waddington, sua força já se revela sutil. Está presente mais na condução do roteiro do que nas suas poucas declarações.

Filmado em preto e branco, no Rio, Bethânia Bem de Perto - A Propósito de um Show capta andanças, opiniões e números de shows - entre eles, Viramundo - feitos pela então iniciante artista na cidade que a acolheu (bem). Bethânia ainda estava identificada como cantora de protesto por conta da marcante interpretação de Carcará no show Opinião. "Meu disco tem 12 músicas... E eu não consigo cantar outra música que não seja Carcará", desabafa a intérprete. Com a mesma naturalidade, Bethânia responde todas as perguntas do entrevistador ocultado pelas câmeras, criticando músicas como Quero que Vá Tudo pro Inferno e O Barquinho. "Eu acho a música de uma pobreza total", dispara, a respeito do hit que projetou definitivamente Roberto Carlos em 1965, numa aparente contradição com o fato de ter sido ela, Bethânia, quem chamou a atenção do mano Caetano Veloso para a música do futuro Rei. "O Barquinho, eu odeio. Não gosto nem de saber que existe", depõe a respeito do clássico da Bossa Nova - para depois arrematar: "Não gosto de cantar (música) meio-termo". Mas nenhuma cena destes flagrantes caseiros é mais reveladora do temperamento altivo de Bethânia do que a cena da discussão do contrato de miniturnê que seria feita pela cantora na Europa. Enquanto o contratante explica as cláusulas do contrato, diante de grupo interessado que incluía Caetano Veloso, Bethânia folheava uma revista (aparentemente) alheia à conversa - como se não estivesse nem aí para o que estava sendo discutido sobre um contrato que era dela. Jogo de cena? É, pode ser. Em 1966, Maria Bethânia já era uma senhora intérprete.

Quatro décadas depois, por ocasião de seus 60 anos, a intérprete já domina a cena. Não quantativamente, pois o foco de Pedrinha de Aruanda está mais em Dona Canô - protagonista do sarau na varanda da casa de Santo Amaro (BA) que ocupa metade do filme - do que na própria Bethânia. Já não há espontaneidade. Cada fala ou ato parece calculado para passar ao espectador uma imagem já pré-concebida e imaculada de Bethânia. Feito na Bahia, Pedrinha de Aruanda faz (espécie de) liturgia em louvor à dona dos dons. Bethânia até é mostrada bem de perto. Mas pouco se vê. Como há 40 anos, Maria Bethânia é senhora de si, agora já senhora da cena.

Jerry recebe Takai, Nasi e Ivo em DVD acústico

Por conta das chuvas que paralisaram o Rio de Janeiro, Jerry Adriani decidiu adiar para esta quinta-feira, 25 de outubro, a gravação de seu CD e DVD Acústico e ao Vivo, então prevista inicialmente para o dia anterior. Em show no Canecão (RJ), o cantor vai fazer uma homenagem a Elvis Presley, recordar Raul Seixas - produtor de alguns discos de Jerry na gravadora CBS, no começo dos anos 70 - e receber convidados como Fernanda Takai (Pelo Interfone, sucesso de Ritchie), Nasi (As Tears Goes by, do repertório do grupo Rolling Stones), Ivo Pessoa (Living Inside Myself, o hit de Gino Vannelli nos anos 70) e Tavito (Rua Ramalhete). CD e DVD têm lançamento agendado para 2008.

DVD documenta a ginga do samba de Germano

Aos 73 anos, Germano Mathias - um dos principais nomes do samba paulistano - tem sua longa trajetória revista no DVD Ginga no Asfalto, já editado pela Lua Music. Em 54 minutos, o documentário dos diretores André Rosa e Guilherme Vergueiro mostra um pouco da história e do pensamento de Mathias através de depoimentos do próprio artista. Mathias - que viveu o seu auge artístico nos anos 50 e 60 - também recorda seus sambas sincopados em registros capturados em dois shows realizados sem público na casa noturna Vila do Samba e na Escola de Samba Vai-Vai. Entre os números, há Doutor no Samba, Zé da Pinga, Samba da Periferia, A Palhaçada, Nega Dina e Guarde a Sandália Dela. Mathias é acompanhado pelo Quinteto em Branco e Preto - grande representante da nova geração do samba paulista - e por músicos como Raul de Souza, Bocato, Guilherme Vergueiro e Alex Buck.

Dupla regrava hits sertanejos no mercado 'indie'

Já sem vínculo com a Universal Music, a gravadora que os acolheu de 1989 a 2006, Chitãozinho & Xororó ingressam no mercado fonográfico independente com o lançamento em novembro do CD (duplo) e do DVD Grandes Clássicos Sertanejos Acústico. Gravados em show feito em 29 de agosto para cerca de 600 convidados vips na chácara de Chitãozinho, em Jaguariúna, interior de São Paulo, CD e DVD serão editados pela gravadora paulista Sky Blue Music. Entre as 22 músicas, há Cavalo Enxuto (com adesão da dupla Zé Henrique & Gabriel), Caipira, Faz um Ano, Brincar de Ser Feliz, Tropeiro, Menino da Porteira, Amor de Verão e Fio de Cabelo. A faixa História de um Prego conta com a (inusitada) participação de Lulu Santos. Já Rio de Lágrimas traz Almir Sater. Por sua vez, Sinônimos é rebobinada em trio com Zé Ramalho, que já tinha gravado esta música com a dupla sertaneja.

Outubro 24, 2007

Skank pode reatar a parceria com Dudu Marote

A informação é extra-oficial, mas comenta-se no meio musical que o Skank (em foto de Weber Pádua) pode reatar a sua parceria com Dudu Marote. Para quem não liga o nome de Marote à pessoa e ao som, ele foi o produtor dos dois CDs - Calango (1994) e Samba Poconé (1996) - que consolidaram a coesa trajetória fonográfica do quarteto mineiro. A partir do disco Siderado (1998), a banda trilhou caminhos mais melódicos e refinados sem a batuta pop de Marote. Se a retomada da parceria for concretizada na gravação do álbum de inéditas que o quarteto vai lançar em 2008, o Skank poderá conciliar em seu nono CD os dois lados de uma obra que, nos festivos shows, sempre conviveram harmoniosamente. E aí?

Emílio põe cores bossa-novistas na sua aquarela

A primeira parceria de Marcos Valle com Carlos Lyra, Até o Fim, é uma das músicas inéditas do novo disco de Emílio Santiago, De um Jeito Diferente. Chega às lojas ainda em outubro via Indie Records. Com produção do guitarrista Ricardo Silveira, o álbum põe cores de bossa e samba-jazz na aquarela do cantor. A faixa-título é da lavra de João Donato com o seu irmão Lysias Ênio. Três músicas - Calma, Contradição e Não me Balança Mais - foram extraídas do segundo obscuro disco de Mart'nália, Minha Cara (1995). Eis, na ordem, as 15 faixas do CD De um Jeito Diferente - editado em formato tradicional e simultaneamente em embalagem digipack:

1. De um Jeito Diferente (João Donato e Lysias Ênio)
2. Calma (Mart'nália e Arthur Maia)
3. Água de Coco (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle)
4. Não me Balança Mais (Mart'nália e Viviane Mosé) - com participação de Mart'nália
5. Olhos Negros (Johnny Alf e Ronaldo Bastos) - com participação de Nana Caymmi
6. Desilusion (Rosa Passos e Santiago Auseron)
7. Disfarça e Vem (Marcos Valle e Ronaldo Bastos)
8. Um Dia Desses (João Donato e Carlinhos Brown)
9. Até o Fim (Marcos Valle e Carlos Lyra)
10. Contradição (Mart'nália)
11. Valeu (Marcos Valle e Joyce)
12. My Foolish Heart (Victor Young e Ned Washington)
13. E Era Copacabana (Carlos Lyra e Joyce)
14. Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira)
15. Moça Flor (Durval Ferreira e Lula Freire)

Mitchell brilha com o lirismo obscuro de 'Shine'

Resenha de CD
Título: Shine
Artista: Joni Mitchell
Gravadora: Hear Music / Universal Music
Cotação: * * * *

Joni Mitchell anda (bastante) preocupada com a saúde do planeta Terra. Suas angústias ambientalistas estão expostas nos versos de músicas como This Place e If I Had a Dream - dois dos dez temas autorais de Shine, o primeiro disco de inéditas em nove anos desta compositora canadense que se tornou célebre, já nos anos 70, por sua fusão personalíssima de folk, rock, pop e jazz. Joni Mitchell brilha em Shine. Pautado por um lirismo obscuro, o sucessor de Taming the Tiger (1998) preserva a alta voltagem poética da obra autoral da artista, roçando a genialidade de discos como Court and Spark, que projetou Mitchell definitivamente em 1974. O repertório é todo inédito, com exceção de Big Yellow Taxi, um clássico de seu repertório que Mitchell revisita em clima acústico, motivada pela inclusão do tema em recente balé de Nova York (EUA) - The Fiddle and the Drum - baseado em sua obra.

Musicalmente, Shine preserva a densidade da música de Mitchell com texturas sonoras urdidas com piano e delicada percussão. A despeito de ser aberto com umtema instrumental, One Week Last Summer, o álbum está todo escorado nas letras da compositora. E os versos de Bad Dreams, de If (lindo tema baseado em poema de Rudyard Kipling) e da faixa-título sintetizam o conceito de Shine ao enfatizar a força da crença e da consciência individual nas lutas contra os demônios pessoais e coletivos. Sim, Joni Mitchell ainda se preocupa com a saúde do planeta Terra, mas seu discurso passa longe dos clichês ecológicos - como reitera neste álbum melódico e profundamente reflexivo. Shine está à altura da obra da autora.

Empresário de Calcanhotto nega insatisfação...

A respeito do breve post 'Calcanhotto volta ao disco em 2008 com novas', publicado em Notas Musicais em 23 de outubro, Leonardo Netto - o empresário de Adriana Calcanhotto - desmente que haja (ou tenha havido) qualquer reação de insatisfação da compositora em relação à fusão das gravadoras Sony Music e BMG. Eis a réplica de Netto - enviada, por e-mail, nesta quarta-feira, 24 de outubro:

"Gostaria de fazer uma correção na nota. Na verdade, a fusão da Sony com a BMG foi propícia e oportuna para Adriana, já que ela juntou numa mesma gravadora todo o seu catálogo. Jamais ela teve qualquer reação de insatisfação com a fusão das companhias, mas, sim, de felicidade". Leonardo Netto.

Outubro 23, 2007

Trilha de filme sobre Dylan sai em álbum duplo

Filme de (heterodoxo) caráter biográfico, inspirado tanto na vida quanto nas letras de Bob Dylan, I'm Not There vai ter a trilha sonora original editada em um disco duplo que chega às lojas dos Estados Unidos em 30 de novembro. O tema que dá título ao longa-metragem - em cartaz atualmente no Brasil na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - aparece na trilha em gravação do grupo Sonic Youth. O time de intérpretes traz Eddie Vedder e Cat Power.

Calcanhotto volta ao disco em 2008 com novas

Adriana Calcanhotto vai retornar ao disco no próximo ano - com um CD de inéditas. O esperado sétimo disco da cantora e compositora vai enfim ser lançado pela major Sony BMG já no primeiro semestre de 2008. Para aplacar a saudade dos (fiéis) fãs da artista gaúcha. Descontado o álbum infantil Adriana Partimpim, de 2004, já faz (longos) cinco anos que Calcanhotto (à direita numa foto de Marcos Prado) não lança disco de inéditas. O último, Cantada, é de 2002. Nos bastidores da indústria fonográfica, comentava-se que Calcanhotto estaria infeliz com a fusão da Sony Music com a BMG. A junção, de uma certa forma, a trouxe de volta para a Sony - gravadora da qual saíra, insatisfeita, em fins dos anos 90. Podia ser boato, só que o fato é que o público ansiava por CD de Adriana Calcanhotto - uma das artistas mais interessantes e instigantes de sua geração que, após um primeiro CD equivocado, no qual se viu obrigada a seguir a receita eclética lançada por Marisa Monte no fim da década de 80, logo impôs sua assinatura pessoal em álbuns antológicos como Senhas (1992), A Fabrica do Poema (1994) e Maritmo (1998). Que venha outro! E logo! 2008 já promete...