Fevereiro 28, 2007

Disco feito por Leny em 1975 volta ao catálogo

Aos poucos, de forma avulsa, a ótima discografia de Leny Andrade vai sendo (enfim) reposta em catálogo. A capa à esquerda é de Leny Andrade, álbum de 1975 que ganha a primeira reedição em CD no novo lote da série Clássicos Odeon, nas lojas em 2 de março. Pela mesma coleção, a EMI reedita também Gemini Cinco Anos Depois, disco de 1972 dividido pela cantora com Pery Ribeiro. Estes dois títulos vem se somar a A Sensação - o primeiro de Leny, gravado em 1961 e reeditado em 2004 pela BMG na série Essential Classics - e Estamos Aí, feito em 1965 e relançado em 2002 na boa série Odeon 100 Anos, produzida pelo pesquisador Charles Gavin.

EMI reedita disco gravado por Vandré em 1968

Em 1968, pouco antes de ser exilado por conta do estouro da explosiva Caminhando (Pra Não Dizer que Não Falei de Flores...), Geraldo Vandré gravou o álbum Canto Geral, com músicas como Terra Plana, Maria Rita, Guerrilheira, Cantiga Brava, O Plantador e Arueira no engajado repertório. Relançado uma única vez pela EMI em CD, na coleção Os Originais, Canto Geral ganha outra reedição na série Clássicos Odeon. Ótima oportunidade para se reavaliar ou conhecer a obra valente de Geraldo Vandré.

Duas biografias desvendam o mundo de Maysa

Trágico acidente de carro na ponte Rio-Niterói, em 22 de janeiro de 1977, fechou os olhos de Maysa - dois oceanos não pacíficos, na definição poética de um poeta, Manuel Bandeira. Trinta anos depois da morte da artista, nascida em 6 de julho de 1936, duas biografias abrem o arquivo de registros da cantora e compositora para lançar olhares sobre uma das mais intensas intérpretes brasileiras. De vida e de obra únicas.

Com prefácio de Ruy Castro, Só Numa Multidão de Amores (capa à esquerda) vai chegar às livrarias no começo de março pela editora Globo. Foi escrita por Lira Neto, com o aval de Jayme Monjardim, filho de Maysa. Já Meu Mundo Caiu - A Bossa e a Fossa de Maysa (capa à direita) já está à venda, por R$ 39,00, no site da editora Novo Século. O prefácio é de ninguém menos do que Gal Costa, admiradora da cantora. O autor é Eduardo Logullo.

Filme sobre Dylan, feito em 1965, volta à cena

Famoso documentário sobre Bob Dylan, filmado em 1965 com a direção de D.A. Pennebaker, Don't Look Back ganhará farta reedição em DVD - turbinada com comentários do diretor, libreto e cenas extras como as que o compositor entoa as músicas Don't Think Twice e It's All Over Now, Baby Blue. Lançada nos EUA esta semana, Bob Dylan: Don't Look Back 65 Tour Deluxe Edition (foto) ainda não tem previsão de lançamento no mercado nacional. Mas é bem provável que também saia no Brasil.

Fevereiro 27, 2007

Warner vende som e imagem para celular Vivo

A imagem acima de Madonna pode ilustrar seu celular. A Warner Music fechou parceria com a operadora Vivo para vender papéis de parede com fotos de artistas de seu cast e toques para celular em formato MP3. Cada musictone baixado custa R$ 5,60 e cada papel de parede sai por R$ 3,80. Acordo antigo entre as empresas prevê também a venda de músicas inteiras pelo serviço Vivo Play.

Babyface sedimenta a projeção do Fall Out Boy

O quarteto Fall Out Boy era um inexpressivo grupo associado ao emo até alcançar o sucesso a partir de seu terceiro álbum, From Under the Cork Tree, de 2005. O detalhe é que coube ao produtor Babyface reforçar a projeção da banda surgida em 2001, em Chicago (EUA). Babyface pilota This Ain't a Scene, It's an Arms Race, faixa que vem alavancando as vendas do recém-lançado quarto CD do grupo, Infinity on High (foto), editado no Brasil pela Universal Music. Mas as letras bobinhas do baixista Pete Wentz sugerem que o Fall Out Boy não merece todo o sucesso que vem conquistando.

DVD traz dois shows de Van Morrison na Suíça

Artista versátil que transita entre o rock, o folk e o blues, Van Morrison tem dois shows feitos no Festival de Montreux, na Suíça, reunidos no bom DVD duplo Live at Montreux 1980 / 1974, editado este mês no mercado brasileiro pela gravadora ST2 (o vídeo foi lançado em 2006 no exterior). No show (mais lento) de 30 de junho de 1974, feito com banda arregimentada pela organização do festival, Morrison toca o blues Foggy Mountain Top e apresenta o tema instrumental Swiss Cheese em roteiro de nove números. A imagem é irregular. Na apresentação mais enérgica de 10 de julho de 1980, para a qual levou seus próprios músicos, Morrison faz bissexta incursão pelo reggae (And It Stoned me) e mostra canções como Angelou no roteiro de 15 números. A imagem é satisfatória. O áudio dos dois shows é legal. A luxuosa edição traz encarte com fotos e pôsters.

Sève abriga diversidade nacional em CD autoral

Resenha de CD
Título: Casa de Todo Mundo
Artista: Mário Sève
Gravadora: Núcleo Contemporâneo
Cotação: * * *

Fundador dos bons grupos Nó em Pingo D'Água e Aquarela Carioca, Mário Sève abriga produção autoral pontuada pela diversidade rítmica nacional em Casa de Todo Mundo, o primeiro trabalho do saxofonista como compositor. Em 13 faixas, gravadas com um time igualmente plural de 50 convidados, Sève passeia por forró (O Cabra, com o grupo Mestre Ambrósio), frevo (Alice no Frevo, com o grupo Nó em Pingo D'Água), maxixe (Caco Velho, com o cravo de Marcelo Fagerlande), samba de gafieira (Samba no Pé, com Jorginho do Pandeiro e a dupla Zé da Velha e Silvério Pontes) e quadrilha (a boa faixa-título, com Lui Coimbra).

A nuvem em forma de Brasil - estampada na capa do CD por Elifas Andreato, que recuperou a imagem feita pelo fotógrafo Alexandre Sardá e usada no encarte de Nação (1982), o último trabalho de Clara Nunes - traduz exemplarmente o conceito do disco, gravado desde 1997. Somente Negreiros, o canto afro que abre o mosaico rítmico evocando toda a ancestralidade nacional nos vocais e na percussão do grupo Baticun, já bastaria para avalizar a inspiração autoral de Sève, que vem compondo com gente como Chico César.

Em algumas faixas, o melodista recorreu a letristas. Guilherme Wisnick assina os versos de Toada, que conta com a voz rigorosa de Mônica Salmaso. Pedro Luís trouxe a letra de Lua - com várias referências ao universo de Luiz Gonzaga - e se juntou ao grupo A Parede para gravar o aboio bluesy de melodia coincidentemente inspirada em Juazeiro, sucesso do cancioneiro de Gonzagão com Humberto Teixeira. Já o choro Imaginária conta com a letra e a voz de Suely Mesquita, além dos violões suntuosos do Quarteto Maogani. E Sérgio Natureza pôs versos na ciranda Batendo Perna.

Uma valsa - Época de Ouro, de contornos seresteiros por causa da adesão do homônimo grupo de choro - e o Fox Torto abrigam as influências estrangeiras que ajudaram a moldar a rica música brasileira, principal hóspede da casa hospitaleira de Mário Sève.

Fevereiro 26, 2007

Guinga estréia como letrista em 'Casa de Villa'

Um dos mais inspirados compositores brasileiros, o carioca Guinga ingressa na gravadora Biscoito Fino com Casa de Villa, CD (foto) em que, além de estrear como letrista, ainda se aventura como cantor. Guinga assina os versos de faixas como a inédita Maviosa. O álbum inclui parcerias do compositor com Edu Kneip (Mar de Maracanã e Via-Crúcis), Paulo César Pinheiro (Porto de Araújo), Aldir Blanc (Tudo Fora de Lugar e Jongo de Compadre - esta também com Simone Guimarães, co-autora ainda de Capital). A valsa instrumental que fecha o disco, Comendador Albuquerque, foi composta em tributo ao saudoso produtor Paulinho Albuquerque, que, no comando da gravadora Velas, lançou Guinga no mercado fonográfico em 1991. A propósito, o produtor de Casa de Villa é o violonista Marcus Tardelli, discípulo de Guinga que reverenciou seu mestre no belo CD Unha e Carne, editado em 2005 pela mesma Biscoito Fino.

Fafá revê carreira em DVD com olhar caudaloso

Resenha de CD / DVD
Título: Fafá de Belém ao Vivo
Artista: Fafá de Belém
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * (CD) / * * * * (DVD)

Bem típica de Fafá de Belém, a gargalhada ouvida no meio da interpretação descontraída do samba de roda Filho da Bahia (1975) indica que a cantora manteve sua espontaneidade face à pompa e orquestra armada no palco do Theatro da Paz (PA), em 5 e 6 de outubro, para a gravação de seu primeiro (bom) DVD, lançado esta semana pela EMI Music simultaneamente com o CD homônimo. É o "primeiro grande olhar" sobre a carreira da artista – como define a própria Fafá na entrevista apresentada nos extras – e, dentro do caráter retrospectivo de projetos do gênero, é justo reconhecer que o resultado supera expectativas. Fafá se cercou de produção luxuosa para revisar sua trajetória - uma caminhada de cunho inicialmente regional que, a partir de 1986, foi ganhando contornos sentimentais, apesar de um ou outro disco feito fora da esfera populista como o CD dedicado à obra de Chico Buarque.

Fafá de Belém ao Vivo concilia todos os afluentes desta artista marcada por sua fartura. "Somos um povo de emoções caudalosas como nossos rios", caracteriza a cantora ao interpretar Vermelho (1996), último dos 20 números do enxuto roteiro do DVD (o CD condensa o show em 12 números e apresenta duas faixas gravadas em estúdio). Mas até que Fafá soube podar habituais excessos ao interpretar baladas como Meu Disfarce (1988) sem soar over.

Brejeira como no bom início de carreira, a cantora rodopia pelo palco ao som de violinos em Raça (1977) e evolui charmosa na cadência do bolero Sob Medida (1979). As cordas sinfônicas dão pulsação diferente a músicas como Dentro de mim Mora um Anjo (1978), ainda que a maioria dos arranjos seja fiel às orquestrações originais. Se Sedução (1977) tem acentuado o clima sensual com luzes vermelhas, Pode Entrar (1976) prima pelo clima onírico da letra da terna modinha gravada por Fafá em seu primeiro álbum, Tamba-Tajá, e que ela revive sentada no palco do Theatro da Paz, cuja arquitetura imponente é alvo de generosas tomadas pelas lentes nada óbvias de Roberto de Oliveira, diretor do DVD.

Nessa volta de Fafá a Belém, Coração do Agreste (1989) adquire sentido biográfico por conta da letra de Aldir Blanc sobre o ato de regressar (a música foi tema da novela Tieta). Mais inesperada no roteiro, Que me Venha Este Homem (1979) sinaliza a intenção da cantora de pescar pérolas menos óbvias em seu baú. Já as maiores obviedades (Meu Homem, Memórias e Meu Dilema, hits de 1986 / 1987 da fase da cantora na Som Livre) são condensadas em pot-pourri até necessário em roteiro retrospectivo que inclui, claro, a guarânia Nuvem de Lágrimas (1989), marco do gênero sertanejo.

Saudado por Fafá como "a grande voz desta terra", o cantor Walter Bandeira é o convidado de Foi Assim (1977), número pontuado pela gaita de Luiz Pardal. Já Mariana Belém, filha da cantora, faz participação afetiva em Maria Solidária (1978). O toque político fica por conta do discurso que introduz Menestrel das Alagoas (1983) e da letra em estilo "puxão de orelha" de Brilho Dental (Rui Veloso e Carlos Tê), uma das três esmaecidas inéditas exibidas na voz de Fafá. Aonde (Dalto e Cláudio Rabello) soa realmente nova, mas História de Amor (versão de canção italiana feita pelo mesmo Cláudio Rabello) exibe o tom sentimental que caracteriza a maior parte da discografia de Fafá de Belém, à qual este projeto ao vivo vem somar com olhar fiel aos (des)caminhos da cantora, ainda em caudalosa forma vocal. Fafá precisava mesmo voltar a Belém...

Etheridge leva Oscar e tem coletânea reeditada

Em cerimônia que prestou justo tributo ao maestro italiano Ennio Morricone, compositor de marcantes trilhas de filmes, Melissa Etheridge acabou laureada com o Oscar de Melhor Canção por I Need to Wake Up, música feita pela artista para o documentário Uma Verdade Inconveniente - aliás, premiado com o Oscar da categoria. No embalo, a última (ótima) coletânea de Etheridge, The Road Less Traveled, lançada em 2005, será reeditada em 13 de março com a inclusão da canção composta para o filme. Ativista lésbica, a roqueira dedicou seu primeiro Oscar à mulher, devidamente focalizada pelas câmeras na cerimônia transmitida para todo o mundo em 25 de fevereiro.

p.s. O compositor argentino Gustavo Santaolalla ganhou merecido Oscar pela trilha sonora de Babel - com o detalhe de que já tinha recebido o prêmio em 2006, na mesma categoria, pela música de O Segredo de Brokeback Mountain, o épico gay de Ang Lee.

Cantora Jennifer Hudson vive o sonho do Oscar

Embora concorresse ao Oscar de Melhor Canção com nada menos do que três músicas de sua trilha sonora (Listen, Love You I Do e Patience), o bom musical Dreamgirls acabou nem faturando a estatueta na categoria. Em compensação, Jennifer Hudson (foto) levou o Oscar de atriz coadjuvante por seu desempenho no filme como a temperamental cantora Effie White. O trio protagonista do filme - Hudson, Beyoncé Knowles e Anika None Rose - abriram os vozeirões e elevaram os tons ao cantar as músicas na cerimônia.

Fevereiro 25, 2007

Em abril, Rosemary e 'Mulheres de Mangueira'

Com direito à luxuosa participação de Chico Buaque na faixa Chão de Esmeraldas, samba composto por Chico em 1997 em parceria com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, o novo CD de Rosemary, Mulheres de Mangueira, tem lançamento previsto para abril. A faixa-título é inédita de Erasmo Carlos. O disco conta ainda com adesões de Zeca Pagodinho (em Três Mulheres, samba inédito de Arlindo Cruz e Franco) e de Alcione e Beth Carvalho (em Estrelas Consagradas, outra inédita do repertório). Reinaldo Arias e Paulo Sérgio Valle assinam Garota de Mangueira, mais uma inédita. A foto, de Oskar Sjostedt, registra a ida de Chico Buarque ao estúdio.

Belo aceita fazer produção de disco de Simony

Embora ainda não tenha conseguido se reerguer no mercado fonográfico como cantor por efeito de seus problemas com a lei, apesar de se manter popular entre as classes mais pobres, Belo (foto) - ao que parece - decidiu se aventurar como produtor. O artista já aceitou o convite para pilotar o novo CD de Simony - ainda associada ao grupo infantil Balão Mágico. A gravação começa ainda este semestre.

Moska planeja lançar primeiro DVD em março

Moska tem plano de lançar em março - pela Som Livre - o seu primeiro DVD, gravado em 2004 durante show feito pelo artista em Brasília. O roteiro é baseado no CD Tudo Novo de Novo, gravado pela EMI em 2003 e reeditado no fim de 2006, pela mesma Som Livre, com duas faixas-bônus. Seu Olhar e A Idade do Céu são músicas certas no repertório do DVD + Novo de Novo. O registro do show será editado também em CD ao vivo, o segundo de Moska.

DVD retrata Emerson Lake & Palmer em 1970

Lançado em 2002 no exterior, o DVD Pictures at an Exbitition (foto) está sendo reeditado no Brasil pela Warner Music. A atual edição é de 2005 e festeja os 35 anos do filme baseado no concerto que o grupo Emerson Lake & Palmer fez em 9 de dezembro de 1970 no Lyceum Theatre, em Londres, Inglaterra. Entre os 11 números do roteiro, aditivados com efeitos psicodélicos característicos da época, há temas como The Sage, The Old Castle, Promenade e Gnome. O vídeo é retrato do trio de rock progressivo em início de carreira. Com direito a um áudio 5.1 dts.

Fevereiro 24, 2007

Solo de Timbaland agrega Justin, Elton e Nelly

Produtor muito requisitado no essencial mercado fonográfico americano, Timbaland aceitou integrar o time de produtores do novo trabalho de Madonna. Mas, antes, o artista vai lançar seu álbum solo Timbaland Presents Shock Value, cujo lançamento está previsto para 3 de abril. O disco reúne Elton John, Justin Timberlake, Nelly Furtado, Missy Elliott, M.I.A., Dr. Dre, 50 Cent, The Hives e She Wants Revenge no estelar time de convidados. Elton toca piano em 2 Man Show. Já Justin e Nelly participam de Give It to me.

Bocelli canta 'amore' em DVD filmado nos EUA

Filmado em espetáculo feito por Andrea Bocelli no resort Lake Las Vegas (EUA), o DVD Under the Desert Sky tem seu roteiro baseado no repertório do último CD do tenor italiano, Amore. Entre os 18 números, há boleros (Solamente una Vez, Besame Mucho, Amapola, Estate) e antiga versão em italiano de Sentado à Beira do Caminho (L'Appuntamento). Em The Prayer, Bocelli divide os vocais com a cantora lírica Heather Headley. Nos protocolares extras, há entrevista com o cantor, making of do disco Amore e galeria de fotos. No Brasil, a Universal Music está lançando Under the Desert Sky na versão simples. No exterior, a edição é dupla e agrega ao DVD um CD com a gravação do show.

'Fake Standards' honra a memória de Rodrigues

Resenha de CD
Título: Fake Standards
Artista: Rodrigo Rodrigues
Gravadora: Dubas Música
Cotação: * * *

Rodrigo Rodrigues saiu de cena em 2005, aos 44 anos, vítima de leucemia. Fake Standards é bom disco inédito, gravado em 2001, no estúdio de Mário Manga, co-produtor deste álbum que acabou se tornando póstumo por força das circunstâncias. Para quem ainda não ligou o nome à obra, Rodrigo Rodrigues é um dos mentores do grupo paulista Música Ligeira, cultuado pelo toque personalíssimo que dá ao cancioneiro nacional. Em Fake Standards, de verve perceptível já no título do disco, o foco são os clássicos da música americana da lavra de gigantes como Irving Berlin (Let's Face the Music and Dance, Isn't This a Lovely Day? e Change Partners) e a dupla Richard Rodgers & Lorenz Hart (My Funny Valentine). As releituras estão baseadas na voz e no violão de Rodrigues - com a adição de um ou outro instrumento como a gaita (tocada pelo próprio cantor) que pontua o arranjo de I've Never Been in Love Before. Poderia ser mais um entre tantos discos de clássicos, mas não é. O artista oferece elegante visão de músicas como Cry me a River, Laura e Caramel - sendo que esta música de Suzanne Vega é o único toque mais contemporâneo de uma seleção feita com reais standards. O CD honra a memória do saudoso Rodrigo Rodrigues.

Betinho inspira primeiro solo de Rodrigo Santos

Uma carta do sociológo Herbert de Souza, o Betinho, inspirou o poeta e letrista Mauro Santa Cecília a escrever os versos de Carta para Nós, uma das faixas do primeiro disco solo de Rodrigo Santos (foto), baixista do quinteto Barão Vermelho e integrante do grupo Os Britos. Já intitulado Um Pouco Mais de Calma, o álbum vai trazer músicas autorais de Santos, feitas com vários parceiros. Entre elas, Estrangeiro, A Vida Não Dói, O Sono Vem e Nunca Desista do seu Amor. O lançamento do disco - produzido pelo próprio artista ao lado de Kadu Menezes, baterista que toca com o Kid Abelha - está planejado para junho.

Fevereiro 23, 2007

Roberto consegue retirar biografia do mercado

O último lance da batalha judicial movida por Roberto Carlos contra a editora Planeta e o historiador Paulo Cesar de Araújo foi favorável ao Rei. Uma liminar do Juiz de Direito da 20ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro, Maurício Chaves, ordenou a total interrupção da publicação e da comercialização da ótima biografia Roberto Carlos em Detalhes (foto) no prazo de três dias. A ordem judicial foi emitida na manhã desta sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007, com argumento de que uma biografia narra fatos íntimos e, como tal, precisa de prévia autorização do biografado para chegar ao público. Trata-se de decisão incomum, como admite o próprio advogado do cantor, Marco Antônio Bezerra Campos. De qualquer forma, ainda cabe recurso da parte da editora Planeta para anular a liminar e manter no mercado a biografia, que já teria vendido 60 mil exemplares desde a chegada às livrarias, em 1º de dezembro.

Alcione grava em abril CD de estúdio via Indie

Alcione começa a gravar em abril seu terceiro disco de estúdio pela gravadora Indie Records. A Marrom (em foto de Dario Zalis) não deverá mexer muito na fórmula comercialmente bem-sucedida dos anteriores Faz uma Loucura por mim (de 2004) e Uma Nova Paixão (2005). O produtor do novo CD, inclusive, será o mesmo Jorge Cardoso que pilotou estes dois discos. Detalhe: o álbum de inéditas da cantora é a grande aposta da Indie Records para 2007.

Sony BMG dispensa Cidade e renova com Zezé

Dando continuidade ao processo de ajuste de seu elenco face à nova realidade do mercado fonográfico, a gravadora Sony BMG optou por não renovar o contrato do Cidade Negra (em foto de Christian Gaul) ao mesmo tempo em que renovou o vínculo com Zezé Di Camargo & Luciano. No caso do grupo, a dispensa já era esperada. Direto - DVD e CD gravados ao vivo pelo Cidade Negra em 2006 - foi um projeto lançado somente para honrar o contrato antigo. Já a dupla sertaneja, embora já tenha vivido dias melhores no mercado, ainda se mantém com satisfatório patamar de vendas de CDs e DVDs, continuando com lugar garantido no cast da Sony.

Cláudia, Sueli, Leny e Pery no novo lote da EMI

Disco gravado em 1971 por Cláudia, com destaque para a faixa Com Mais de 30, da lavra dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, Jesus Cristo (foto) ganha sua primeira edição em CD em novo lote de relançamentos da EMI. O pacote vai repor em catálogo discos raros de Sylvia Telles (Amor de Gente Moça, 1959), Paulo Diniz (Quero Voltar pra Bahia, de 1970), Leny Andrade (Gemini Cinco Anos Depois, feito com Pery Ribeiro em 1972), Marcos Valle (O Compositor e o Cantor e Viola Enluarada, de 1965 e 1967, respectivamente) e Sueli Costa (Sueli Costa, de 1975).

Fevereiro 22, 2007

Guns N' Roses finaliza CD 'Chinese Democracy'

Ninguém dá mais crédito depois de tantos adiamentos, mas, seja como for, o grupo Guns N' Roses informou em seu site oficial nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, que já terminou as gravações de seu já lendário álbum Chinese Democracy - o primeiro disco da banda de Axl Rose desde o álbum de covers The Spaghetti Incident, editado em 1993. O CD já estaria em fase de mixagem, mas o grupo avisa que ainda não há data programada para o lançamento - até então previsto para 6 de março. Tudo indica que o esperado álbum sai até o fim do ano.

Asian Dub Foundation lança primeira coletânea

Com duas gravações inéditas entre as 17 faixas, Stop Start e Target Practice, a primeira coletânea do grupo Asian Dub Foundation chega às lojas em 5 de março. Time Freeze 1995 / 2007 - The Best of Asian Dub Foundation compila material dos cinco álbuns de estúdio, dos dois CDs ao vivo e dos vários EPs editados pela banda em 12 anos de carreira. Duas músicas, Box e Jericho, são ouvidas em registros ao vivo extraídos de programa transmitido em 1996 por rádio da rede BBC. A coletânea é da EMI.

EMI comete erros ao apresentar seus clássicos

Faltou atenção da EMI na pesquisa de informações para sua série Clássicos Odeon. O álbum Simone (foto), por exemplo, é erroneamente apresentado ao ouvinte no adesivo promocional - colado à margem esquerda da capa - como sendo de 1974, mas o primeiro LP da Cigarra foi gravado em 1972 e lançado no início de 1973. Outro disco da coleção estampa no mesmo adesivo um constrangedor 'trás' em vez de 'traz'. O consumidor merecia reedições mais caprichadas...

Dionne recicla velhos hits em duos com amigas

Dionne Warwick recicla - mais uma vez - seus velhos hits em My Friends & Me, primeiro dos três álbuns previstos no contrato assinado pela artista com a gravadora Concord Records. Editado no mercado brasileiro, o CD foi produzido de forma econômica pelo filho da artista, Damon Elliott. Em fase crepuscular na indústria fonográfica, Dionne regrava em 13 duetos com cantoras sucessos como Walk on By (com Gloria Estefan), Cyndi Lauper (Message to Michael), Olivia Newton-John (Wishin' and Hopin'), Angie Stone (The Windows of the World) e Gladys Knight (I'll Never Love This Away Again - uma das poucas músicas não assinadas pela dupla Burt Bacharach & Hal David). My Friends & Me comemora os 45 anos de carreira de Dionne Warwick - projetada em 1962 com a gravação de Don't Make me Over, hit inicial de Bacharach & David.

Fevereiro 21, 2007

Inédito registro acústico de Young em CD/DVD

Mal lançou lendário registro de show feito em 1970 com a formação original do grupo Crazy Horse, Neil Young põe no mercado outra gravação extraída de seu baú. Chega às lojas dos Estados Unidos em 13 de março Live at Massey Hall, que traz inédito registro de apresentação acústica feita pelo roqueiro canadense em 19 de janeiro de 1971. No concerto, nunca editado oficialmente, Young mostrou músicas como Old Man (então novidade em seu repertório) e recordou hits como Ohio e Cowgirl in the Sand. A gravação sai simultaneamente em CD simples e em edição dupla que junta CD e DVD com imagem do show. Entre as 17 faixas, Love in Mind, Tell me Why e Helpless.

Arcade Fire une punk e cordas em 'Neon Bible'

Com lançamento programado para 6 de março, o segundo álbum do Arcade Fire, Neon Bible (foto), envolve rocks de pegada punk com arranjos orquestrais. Entre suas 11 faixas, Black Mirror, No Cars Go, Intervention, Antichrist Television Blues e Windowsill.

Segundo do Maroon 5 sairá via Universal Music

Em vez da Sony BMG, que pôs nas lojas o disco de estréia do Maroon 5 (foto), Songs About Jane, caberá à major Universal Music distribuir o segundo álbum do quinteto. Por ora intitulado It Won't Be Soon Before Long, o CD terá músicas como Can't Stop, If I Never, Wake Up Call, Kiwi e Won't Go Home without You. O primeiro single será Makes me Wonder. Com 12 faixas, o disco deverá chegar às lojas já em maio, mas ainda não há uma data exata para o lançamento. Certo é que ele - o lançamento - ficará mesmo a cargo da Universal Music.

Álbuns iniciais dos Bee Gees voltam via Warner

Os três primeiros bons álbuns gravados com alcance mundial pelo trio australiano Bee Gees foram relançados no exterior em 2006, remasterizados. No Brasil, as reedições chegam às lojas nos próximos dias, via Warner Music. Bee Gees '1st (foto) é de 1966 e traz o hit To Love Somebody entre suas 14 faixas. Horizontal, de 1967, inclui Massachusetts. Já Idea, de 1968, traz a canção I Started a Joke, outro hit mundial dos irmãos Barry, Maurice e Robin Gibb.

Fevereiro 20, 2007

'Dreamgirls' mostra o jogo da indústria do disco

Resenha de filme
Título: Dreamgirls - Em Busca de um Sonho
Direção: Bill Condon
Elenco: Beyoncé Knowles, Eddie Murphy, Jamie Foxx, Jennifer Hudson, Anika None Rose e outros
Cotação: * * *

Para quem vive no meio fonográfico, Dreamgirls pode soar até corriqueiro. Mas o musical de Bill Condon - em cartaz nos cinemas do Brasil desde 16 de fevereiro - abre e mostra o jogo da indústria do disco. O argumento é inspirado livremente na história do trio The Supremes. Um grupo de Detroit, The Dreamettes, luta para se firmar na cena de soul e r & b. O maior trunfo do trio é o vozeirão de Effie White, a gordinha cantora-líder encarnada por Jennifer Hudson. Mas eis que, para pôr o trio na rota do sucesso comercial, o empresário Curtis Taylor (Jamie Foxx) exige que a bela Deena Jones (Beyoncé Knowles) venha para o primeiro plano, semeando a discórdia entre as garotas. Qualquer semelhança com a ascensão de Diana Ross no trio Supremes não terá sido mera coincidência...

O filme segue a estrutura típica dos musicais, inclusive com vários diálogos em forma de canções. O roteiro abre generosos espaços para os números musicais - e nisso reside boa parte do charme da trama. O elenco - que traz à tona Eddie Murphy no papel do cantor James Thunder Early, em clara citação de James Brown - defende bem as músicas. E quem rouba a cena é Jennifer Hudson, cria do programa American Idol. Na pele da temperamental Effie, Hudson prova que, além de voz, tem carisma e brilho para se firmar como estrela. O que também não significa que Beyoncé Knowles esteja ruim. Ao contrário, a protagonista convence. Até quando eleva o tom como Hudson (aliás, alguns números do filme são gritados).

Com muitas referências à indústria fonográfica (a gravadora do filme, Rainbow, é como se fosse a Motown, alusão que fica clara quando entra em cena um grupo que é a cara do Jackson Five), a narrativa seduz, inclusive pelo luxo dos esfuziantes figurinos. A ótima caracterização das atrizes reproduz o visual dos anos 60, a estética do início da década de 70 e - na parte final - o glamour da era das discotecas à medida em que a narrativa vai desvendando o jogo cruel e insensível da indústria da música bem como o de seus empresários manipuladores. Artistas do passado são descartados, músicas são destruídas no estúdio em favor do ritmo da moda e carreiras em ascensão são abortadas pela força do jabá nas rádios. Dreamgirls reforça o poder do sonho sem maquiar a realidade.

June Cash ganha tributo que traz Elvis e Sheryl

Retratada no filme Johnny & June na pele de Reese Whiterspoon, em atuação que valeu um Oscar à atriz, a cantora de country June Carter Cash (1929 - 2003) ganha justo tributo da indústria fonográfica. Agendado para junho, o álbum Anchored in Love foi gravado ao longo de 2006. O CD reúne nomes como Elvis Costello (Ring of Fire), Sheryl Crow (dueto com Willie Nelson em If I Were a Carpenter) e Emmylou Harris (Song to John). June foi mulher de Johnny Cash (1932 - 2003). O disco traz 12 gravações inéditas.

Disco em tributo ao frevo perpetua erro de letra

Recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino, o álbum 100 Anos de Frevo - É de Perder o Sapato... (foto) perpetua erro que vem sendo cometido ao longo dos anos na reprodução e no canto da letra do Frevo nº 1, regravado por Maria Bethânia para o disco duplo. Onde se lê 'Haroldo Matias' é 'Haroldo Fatia', nome correto do pioneiro folião citado nos versos de Antônio Maria. Bethânia canta a letra errada.

Queens of the Stone Age na 'era da vulgaridade'

Era Vulgaris é um possível título do álbum que o grupo Queens of the Stone Age (foto) está preparando para lançar em meados do ano. Previsto inicialmente para junho, o sucessor de Lullabies to Paralyze deverá ter faixas como Battery Acid, Into the Hollow, Misfit Love e Sick, Sick, Sick. Estes títulos, no entanto, ainda não são definitivos e poderão ser mudados. Certo é que o álbum virá pesado e sombrio, de acordo com Josh Homme, líder do quarteto. E que terá a participação de Julian Casablancas, do grupo Strokes.

Fevereiro 19, 2007

MC Leozinho mistura funk e axé no segundo CD

Autor de Ela Só Pensa em Beijar, um hit de 2006 cantado até por Roberto Carlos em seu especial natalino na Rede Globo, MC Leozinho (foto) já prepara o segundo disco. Uma das músicas será Só Falta Você Aqui, composta em tributo à Bahia para saudar a estréia do funk carioca no circuito oficial do Carnaval de Salvador (Leozinho puxou trio elétrico no domingo, 18 de fevereiro, ao lado de MC Marcinho e Buchecha). Em fase de gravação, o novo CD do funkeiro terá temas como Quem Tá na Pista? e Blom Blom Blom. O primeiro CD de Leozinho saiu pela major Universal Music, mas, como não vendeu na proporção do sucesso do funk Ela Só Pensa em Beijar, o artista partiu para a produção independente no segundo álbum.

DVD coleta números de axé em festival baiano

Evento já tradicional da agenda baiana, o Festival de Verão de Salvador vai além da axé music em sua programação. Mas o DVD lançado pela Som Livre - com 18 números captados na edição de 2006 - reúne apenas artistas do gênero. A seleção inclui trechos de shows de Margareth Menezes (Dandalunda e Toté de Maianga), Asa de Águia (O Rei da Rua, Pra Lá de Bragadá e Não Tem Lua), Jammil (Praieiro), Rapazolla (Coração), Vixe Mainha (Já É e o hit Café com Pão), Daniela Mercury (O Reggae e o Mar / Batuque) e Chiclete com Banana (Quero Chiclete). O DVD traz as imagens transmitidas pela Rede Globo no verão de 2006.

CD de Julieta sai no Brasil via mercado digital

Em mais uma amostra da transformação por que passa a indústria fonográfica, a gravadora Sony BMG optou por lançar o novo disco da cantora mexicana Julieta Venegas (foto) no Brasil somente no mercado digital. Limón y Sal - laureado com o Grammy 2007 na categoria Álbum Pop Latino - terá suas faixas disponibilizadas em lojas virtuais para download pago. O CD - que já vendeu 730 mil cópias no mundo - faz sucesso em países como a Argentina.

Beyoncé grava com Shakira para o duplo 'B'Day'

Dueto inédito de Beyoncé Knowles (foto) com Shakira, na música Beautiful Liar, é o destaque da edição dupla do segundo disco solo de Beyoncé, B'Day. Nas lojas em abril, a edição especial do álbum terá outras duas músicas que não entraram no CD original: If e Flaws & All. O dueto com Shakira em Beautiful Liar será badalado com clipe, já filmado na semana passada. Lançado em setembro, B'Day não fez o sucesso esperado pela gravadora Sony BMG, apesar do single empolgante Check on It. Daí o providencial duo de Beyoncé com a colega colombiana para reverter o quadro.

Fevereiro 18, 2007

Cachaça dá puro samba em CD de duo afinado

Resenha de CD
Título: Cachaça Dá Samba!
Artista: Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta
Gravadora: Deckdisc
Cotação: * * * *

Cachaça, futebol e mulher são temas recorrentes no ideário ainda machista do samba. Bebida barata, fartamente consumida em todo canto do Brasil, a marvada pinga - assim celebrizada em sucesso de Inezita Barroso - já inspirou dezenas de letras que extrapolam o universo do puro samba. Neste Cachaça Dá Samba!, o terceiro CD da dupla de cantores formada por Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, a pinga é o mote conceitual das 19 músicas reunidas em 14 faixas. Projetado no circuito boêmio da Lapa (RJ), o afinado duo confirma o entrosamento exibido nos discos Dois Bicudos (Biscoito Fino, 2004) e Lamartiníadas (Deckdisc, 2005).

Sob a produção de Henrique Cazes, que recrutou feras como Luís Filipe de Lima (violão de sete cordas) e o mano craque Beto Cazes (percussão), os dois cantores registraram em estúdio o repertório pesquisado para o espetáculo Cachaça Dá Samba, apresentado em 2005 em cachaçaria da Lapa. A Moda da Pinga, o citado hit de Inezita Barroso, dá o toque sertanejo em repertório que incorpora também levadas nordestinas em Quem Não Sabe Beber, um samba que obteve sucesso na voz de Jackson do Pandeiro (1919 - 1982).

Entre modinha (Delírio Alcoólico, de 1913), marchinha (Cachaça), partidos de alto quilate (Beberrão e O que me Dão pra Beber, de Aniceto e Candeia, respectivamente) e um samba calangueado de Zeca Pagodinho (Moenda Velha, parceria com Wilson Moreira), o CD faz saltar a veia etílica de Noel Rosa, autor de três músicas do repertório. Cronista de seu tempo, o Poeta da Vila destila verve em Por Esta Vez Passa e tom meio agridoce em Maria Fumaça, samba em que traça o perfil da arruaceira cachaceira que batiza a música. Já a dolente Pra Esquecer jorra melancolia e lembra até Último Desejo pela poesia com que narra a desventura amorosa.

Duas inéditas completam o painel etílico do repertório. A Verdade É Pura é belo samba que reafirma a nobreza da grife melódica de Moacyr Luz. Já Baranga das Dez, Broto das Duas é assinada pelo produtor Henrique Cazes sob pseudônimo de Jota Canalha. Enfim, Cachaça dá Samba! é um disco bem sacado que vai embriagar fãs da pinga e do puro samba. É para ouvir o CD da dupla até cair...

Álbuns iniciais do Pretenders voltam com bônus

Os dois únicos (ótimos) álbuns gravados pelo Pretenders com a formação original do grupo - o guitarrista James Honeyman Scott morreria de overdose já em 1982, seguido pelo baixista Pete Farndon em 1983 - estão sendo relançados pela Warner Music em luxuosas reedições turbinadas com CD-bônus com registros de demos e números ao vivo. Pretenders (foto), o álbum de estréia, saiu em dezembro de 1979, após uma de suas melhores músicas, Stop your Sobbing, ter sido lançada em single em janeiro daquele ano. O repertório do disco inclui Precious e Kid. Já Pretenders II, lançado em julho de 1981, sob a produção de Chris Thomas (como o antecessor). Já nas lojas, as reedições duplas estão à altura da importância dos álbuns. Além da embalagem digipack, os CDs trazem alentados textos no encarte sob o grupo de Chrissie Hynde. Mimos para fãs.

Estréia do 'Otis Redding inglês' chega ao Brasil

Laureado como o melhor cantor de 2006 na recente premiação do BritAwards, o inglês James Morrison (foto) tem seu primeiro álbum, Undiscovered, editado no Brasil ainda em fevereiro pela Universal Music. Lançado no Reino Unido em julho de 2006, o disco levou a sempre extremada imprensa britânica a se referir a Morrison como o Otis Redding inglês. Apesar do nome que remete a Jim Morrison, ícone do rock e do grupo The Doors, James canta blues, soul e r & b com vocais que evocam a música gospel. You Gime me Something, Wonderful World e Under the Influence são algumas músicas do disco. A primeira foi single na Inglaterra.

DVD recupera show do Who na Ilha de Wight

A videografia digital do grupo The Who já é bem extensa, mas admiradores da banda devem dar especial atenção ao bom DVD Live at the Isle of Wight Festival 1970 (foto), que registra a histórica apresentação feita pelo grupo - com sua formação original - em 30 de agosto de 1970 no tradicional festival da ilha britânica. Filmado pelo cineasta Murray Lerner com requinte, o show teve suas imagens restauradas para a edição deste DVD, lançado este mês no mercado brasileiro pela ST2. O áudio também foi remasterizado e remixado em 5.1 DTS. Nos extras, há uma recente entrevista de 40 minutos com Pete Townshend - também captada pelas lentes de Murray Lerner.

Fevereiro 17, 2007

Trilha de 'Sassaricando' é painel de Rio pacífico

Resenha de CD
Título: Sassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha
Artista: Alfredo Del-Penho, Eduardo Dussek, Juliana Diniz, Pedro Paulo Malta, Sabrina Korgut e Soraya Ravenle
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2


Saudades de um Rio de Janeiro mais pacífico? Parceria de Nássara e Frazão, a marcha Calma no Brasil fala de tempo em que a guerra acontecia somente na Europa. Era um tempo em que se andava de bonde, em saga retratada em Oito Pé, marchinha de Haroldo Lobo e Milton Oliveira. É bem verdade também que faltava luz e água a todo momento, como registraram os compositores Victor Simon e Fernando Martins em Vagalume, uma das 102 belas marchinhas reunidas nas 28 faixas do álbum duplo Sassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha. Trata-se da deliciosa trilha do musical homônimo em cartaz no Rio até 18 de março - com os ingressos já esgotados até o fim da temporada. Pesquisadas por Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo, roteiristas do espetáculo, as músicas montam belo painel comportamental de um Rio moldado pela paz e alegria.

Mesmo sem contar com o sedutor gestual cênico concebido pelo diretor Cláudio Botelho para a apresentação das marchinhas no palco, o disco feito em estúdio é irretocável. O elenco de atores-cantores soube dosar bem o tom teatral - essencial em cena, mas geralmente over em disco - e revive com verve e naturalidade as marchinhas de letras maliciosas e espirituosas, através das quais é possível detectar rígidos padrões comportamentais da moralista sociedade carioca dos anos 30 aos 50, época áurea do gênero (a boa seleção vai até a década de 80 com hits como Maria Sapatão).

O delicioso repertório reproduz o roteiro do musical, dividido em blocos temáticos. Só que traz mais marchas do que o musical, pois alguns números foram cortados do roteiro ao longo dos ensaios. Sorte do ouvinte, pois é difícil resistir a temas como Seu Cornélio (Marino Pinto e Frazão) - que enfoca a maledicência popular que cerca casos de infidelidade conjugal - e Criado com Vó, marcha de José Mariano Barbosa e Marambá que traça bem-humorado de perfil de rapaz de tendência gay. Se o Rio antigo vivia tempos de paz, a má fé dos políticos vem de longe. Como prova Eu Também Quero Roubar, a marcha de Hervê Cordovil revivida pelo elenco.

Todos os arranjos do violonista Luís Filipe de Lima são arejados e impedem o mofo às vezes observado em discos do gênero. Não há caráter arqueológico na trilha de Sassaricando, embora a rica pesquisa dos autores seja fundamental para a documentação de marchinhas que corriam sério risco de cair no esquecimento. Sem esquecer os clássicos do gênero (Grau Dez, Máscara Negra, Linda Morena, Cabeleira do Zezé, Touradas em Madrid, Sassaricando, Cidade Maravilhosa), o CD enfileira jóias que estavam confinadas a saudosos Carnavais de folias mais pacíficas. E é nisso que reside também muito da sedução de Sassaricando, o musical e o disco.

Segundo solo de Paula traz surfista americano

Donavon Frankenreiter - cantor, compositor e surfista americano - é um dos convidados do segundo CD solo de Paula Toller (foto). O artista - convidado do último DVD do Kid Abelha, Pega Vida - aproveitou recente vinda ao Brasil para fazer show e gravou participação no disco da cantora. O lançamento está previsto para abril. A produção é de Paul Ralphes e o repertório é todo inédito.

Gal brilha em tributo que sairá também em CD

Além de sair em DVD, o show realizado na Bahia em tributo a Mãe Menininha do Gantois (1894 - 1986), no sábado, 10 de fevereiro, também será registrado em CD. De acordo com as impressões de quem assistiu ao espetáculo, o brilho maior foi de Gal Costa (foto) ao interpretar as músicas Força Estranha e Luz do Sol. Gal também cantou Milagres do Povo em dueto com Caetano Veloso, que fez sua Oração ao Tempo. Maria Bethânia entoou Yayá Massemba, Águas de Cachoeira e o samba-enredo Das Maravilhas do Mar Fez-se o Esplendor de uma Noite. Já Mariene de Castro defendeu músicas como Agradecer e Abraçar. Márcia Short cantou Iansã e Graciosa Yá. E Gerônimo ficou com Salve as Folhas e É d'Oxum. No fim, todos cantaram Oração a Mãe Menininha e O Que É, O Que É. Daniela Mercury, que iria participar do show, teria ficado presa em São Paulo e não chegou a tempo de saudar a ialorixá em cena.

Fora do Audioslave, Cornell faz cover de Michael

Um cover de Billie Jean - hit da obra-prima de Michael Jackson, Thriller (1982) - é a curiosidade do repertório do segundo disco solo de Chris Cornell (foto). Produzido por Steve Lillywhite, Carry on tem lançamento programado para 10 de maio. O sucessor de Euphoria Morning (1999) vai incluir inéditas como No Such Thing, Poison Eye e Your Soul Today - além de You Know my Name, tema já lançado na trilha sonora do último filme de James Bond, 007 - Cassino Roayale.

Projetado na banda Soundgarden, de Seattle (EUA), Cornell teve anunciada esta semana sua saída do grupo Audioslave, com o qual gravou três álbuns de vendagens descendentes no mercado norte-americano. O alegado motivo da dissidência foram "conflitos de personalidade insolúveis e diferenças musicais" com o guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk. Sem Cornell, os três músicos decidiram se reunir com o vocalista Zack de la Rocha para reviver sua antiga banda, Rage Against the Machine. O Audioslave tinha sido formado em 2001 justamente após um racha no Rage. Seu fim não chega a ser uma surpresa...