Janeiro 31, 2007

Novo CD de Fito Paez sai no Brasil em fevereiro

A gravadora Sony BMG lança no Brasil, na primeira semana de fevereiro, o novo álbum de Fito Paez, El Mundo Cabe en una Canción (confira a capa à esquerda). Já editado na Argentina, em setembro de 2006, o disco foi gravado em meados do ano passado, mas sua gestação começa a rigor em 2005, em Córdoba, numa viagem do artista com os músicos Coki Debernardi e Vandera, que colaboraram na gravação do repertório (inteiramente) autoral - como guitarrista e como vocalista, respectivamente. Rollinga o Miranda Girl, La Hora del Destino, La Casa en las Estrellas, Fue por Amor e Enloquecer são algumas das 12 músicas do trabalho.

Tenha atenção ao renovar discografia de Chico

Aviso aos navegantes que planejam renovar sua discografia de Chico Buarque no embalo da chegada às lojas de novas reedições dos (áureos) álbuns editados pelo compositor na gravadora hoje denominada Universal Music: as atuais reedições convivem nas prateleiras de algumas lojas - sobretudo em magazines populares como a rede de Lojas Americanas - com as reedições antigas, lançadas em 1993. É preciso atenção porque a coleção anterior sequer roça a qualidade da série de 2006. Além da recuperação da arte gráfica dos 17 LPs originais, as reedições de 2006 foram primorosamente remasterizadas por Luigi Hoffer, técnico craque na depuração do som de discos antigos sem alteração de timbres e freqüências. Os discos de 1993 foram precariamente transpostos para o padrão digital, mas ostentam na capa o orgulhoso rótulo "remasterizado" numa tarja preta. Fuja dessa tarja, inexistente na atual coleção. Ela é o sinal de que você compra gato por lebre.

Argentina tenta realçar luz de estrelas da MPB

Resenha de livro
Título: Estação Brasil - Conversas com Músicos Brasileiro
Autor: Violeta Weinschelbaum
Editora: 34
Cotação: * * *
"Posso até errar em algumas coisas que faço, mas tudo o que fiz foi verdadeiro. Era o que eu queria fazer em cada momento", garante uma altiva Gal Costa, como a desmentir a fama (recorrente no meio musical) de que sua carreira tem oscilado por conta de suposto controle externo. "Sou geminiana. Então tenho um espírito muito livre. Tenho que ter certas coisas muito seguras para poder voar. Se essas questões práticas não estão resolvidas, viro um bicho, porque atrapalham o que preciso para estar livre", argumenta Maria Bethânia ao falar sobre seu temperamento, tido como difícil por quem convive com a cantora. Os depoimentos de Gal e Bethânia fazem parte das 14 entrevistas feitas pela escritora argentina Violeta Weinschelbaum entre 1998 e 2005. Estas boas entrevistas estão reunidas no livro Estação Brasil - Conversas com Músicos Brasileiros, já lançado na Argentina e editado no Brasil neste início de 2007 pela 34, editora voltada para a música.
Para leitores argentinos, o livro deve ter resultado especialmente saboroso. Entrevistadora segura, Violeta sempre fugiu do óbvio na formulação de suas perguntas e realizou entrevistas de caráter quase atemporal, posto que não estão centradas no lançamento de algum CD ou na estréia de um show. Para brasileiros amantes da MPB, a rigor o principal público alvo do livro, Estação Brasil apresenta teor de novidade bem menor. Ainda assim, propicia o entendimento do pensamento articulado e sempre inteligente de Carlinhos Brown ("Eu vivo a África dentro de um país chamado Brasil") e da opinião de Marisa Monte sobre o mundo virtual ("A internet reúne tudo o que há de bom e ruim na humanidade. É terra de ninguém, sem controle"). É muito bacana ver Adriana Calcanhotto reforçar a influência que o Tropicalismo tem em sua obra. Assim como é sempre interessante ler entrevistas em que Chico Buarque e Milton Nascimento rememoram suas trajetórias - no caso de Chico, relembrando a recorrente censura que afetou sua produção como compositor na primeira metade dos anos 70.
Ao tentar identificar de onde vem a luz de estrelas como Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e Rita Lee, a escritora monta pequeno painel da ideologia de artistas que dão ao Brasil uma identidade musical reconhecida em todo o mundo.

Kings of Leon lança 'Because of Times' em abril

Primeiro single do terceiro álbum do grupo americano Kings of Leon (foto), On Call estará disponível no iTunes a partir de 6 de fevereiro e, dias depois, poderá ser ouvido nas rádios dos Estados Unidos. O disco - intitulado Because of Times - será lançado em 3 de abril pela gravadora Sony BMG com faixa, Knocked Up, que contabiliza sete minutos. É um dos trunfos.

Janeiro 30, 2007

Paul Ralphes produz voz dissidente do Rouge

Voz logo dissidente do grupo Rouge, Luciana Andrade (em foto de Leonardo Pereira) vai tentar emplacar carreira solo. Radicada em São Paulo, a cantora já gravou quatro músicas para CD produzido por Paul Ralphes. Em parceria com Dudu Falcão, a artista assina a faixa De Longe. Falcão, a propósito, também é o autor de Sempre.

CD de Jarre rende clipe de animação futurista

A imagem acima é do clipe de Téo & Téa, faixa-título do álbum que Jean Michel Jarre lança em março (no Brasil, o CD chegará às lojas em abril). Feito em animação futurista, o vídeo já rende teaser em circulação no You Tube. Téo & Téa tem 13 músicas e é o primeiro disco de estúdio do tecladista e produtor francês - pioneiro dos sons eletrônicos - desde Metamorphoses, CD editado em 2000.

Marco toca Caymmi e Baden em 'Camerístico'

Marco Pereira experimenta a fusão de seu violão com uma orquestra no CD Camerístico (foto), lançado esta semana pela gravadora Biscoito Fino. É o 14º disco solo do violonista, que toca temas do colega Baden Powell (Violão Vadio, Canto de Ossanha e Consolação), de Dorival Caymmi (A Lenda do Abaeté, A Jangada Voltou Só e É Doce Morrer no Mar) e composições de sua própria lavra (a bela Círculo dos Amantes, Liz, Roda das Baianas, Luz das Cordas e Dança dos Ventos) no álbum produzido por Swami Jr. O bandolinista Hamilton de Holanda participa de Luz das Cordas.

Hits dos Pet Shop Boys em versões orquestrais

Disponível no exterior desde outubro, o primeiro álbum ao vivo da dupla Pet Shop Boys, Concrete (foto), chega ao mercado brasileiro no início de fevereiro, pela EMI Music. A gravação foi feita em 6 de maio de 2006 no Mermaid Theatre, em Londres, para a Radio 2, com a orquestra da BBC e intervenções de Robbie Williams e Rufus Wainwright. O duo britânico rebobina 17 hits de seu repertório - incluindo músicas do último bom CD de estúdio, Fundamental - em versões orquestrais. É essencial para fãs.

Janeiro 29, 2007

'Salvador Negro Amor' valoriza pop afro-baiano

Resenha de CD
Título:
Salvador Negroamor
Artista:
Vários
Gravadora:
Maianga Discos
Cotação:
* * * *

Em 1997, Marisa Monte gravou com Gilberto Gil para a trilha do filme Navalha na Carne uma espécie de mantra afro-pop-brasileiro cuja letra relaciona somente nomes de entidades divinas em diversos idiomas e dialetos. O belo dueto no tema intitulado Life Gods virou raridade desconhecida até por fãs da cantora porque o CD com a trilha teve distribuição restrita. Só que a música da percussionista Mônica Millet (detalhe: neta de Mãe Menininha do Gantois) - composta em parceira com Arnaldo Brandão e Tavinho Paes - ganha segunda chance com sua inclusão na coletânea Salvador Negroamor, editada pelo selo baiano Maianga. Parte da renda obtida com a venda do CD (encontrável no site oficial da gravadora) será revertida para a ONG Salvador Negroamor, que trabalha para firmar a identidade afro-brasileira.

Produzida por Alê Siqueira com Reinaldo Maia, a compilação mistura gravações inéditas com outras licenciadas para o disco em mosaico de 12 faixas que realçam a excelência da produção do pop afro-brasileiro além dos limites da já desgastada axé music. Samba-reggae e ijexá são os ritmos predominantes no repertório. Se Virgínia Rodrigues une sua voz operística ao canto de Lazzo Matumbi em Alegria da Cidade (Lazzo é co-autor do sucesso de Margareth Menezes), Gilberto Gil toca na sempre delicada questão da miscigenação racial no ijexá Luandê. A letra é de Capinam.

Líder do grupo Os Tincoãs, Mateus Aleluia defende a faixa-título em ritmo de samba-reggae - gênero que tem um de seus clássicos, Brilho e Beleza, turbinado com efeitos eletrônicos em releitura que une as vozes de Margareth Menezes, Ninha e Nem Tatuagem. Na mesma seara eletrônica, Zumbi, de Jorge Ben, ganha loops da dupla Berna Ceppas & Kassin - além da voz de Arnaldo Antunes e do percussão do grupo Cortejo Afro. A letra de Ben Jor é mixada com o texto Fax para Zumbi, de Alberto Pitta. Já Jackson Costa insere o discurso do rap no samba À Cidade da Bahia, musicado sobre versos do poeta Gregório de Mattos (1633 – 1696).

Se Jauperi reafirma a devoção ao afoxé Filhos de Gandhi, em pot-pourri de temas que louvam o bloco afro com arrepiante arranjo vocal, a cantora Claudete Macedo propaga o orgulho negro com sua voz rústica em Sou Negro Sim. E o canto operístico de Rita Braz fecha o disco com Ê Ôru Ô, saudação em yorubá baseada em canção do folclore nigeriano. Inclusive por apresentar gravação pouco conhecida de Maria Bethânia (Massemba, dueto feito com Roberto Mendes para disco do compositor), a ótima compilação Salvador Negro Amor merece lugar de honra na discografia brasileira por reafirmar a riqueza da produção musical baiana, às vezes escondida sob a força comercial do axé industrializado.

Novo de Avril em abril puxado por 'Girlfriend'

The Best Damn Thing é o novo álbum de Avril Lavigne. O lançamento mundial já foi agendado para 17 de abril. O primeiro single - Girlfriend - chegará às rádios dos Estados Unidos em 5 de março, mas o clipe já vai poder ser visto na MTV a partir de 26 de fevereiro. I Can Do Better, Everything Back But You e When You're Gone são faixas do disco, cujo repertório incluirá Keep Holding on, música gravada por Avril Lavigne (foto) para a trilha do filme Eragon. O CD será editado pela Sony BMG.

Especial global confirma grandeza de Paulinho

Resenha de DVD
Título:
Paulo César Baptista de Faria
Artista:
Paulinho da Viola
Gravadora:
Trama
Cotação:
* * * *

Houve um tempo em que Paulinho da Viola gravava e lançava anualmente discos com repertório inédito. Exibido em junho de 1980 na Rede Globo, dentro da série Grandes Nomes, o belo especial Paulo César Baptista de Faria - ora editado em DVD pela gravadora Trama - é desse tempo de inspiração profícua do compositor. Sem se deslumbrar pelo fato de estar no horário nobre global, o artista reafirmou as crenças e princípios que moldam sua obra, devota das tradições do samba e do choro, no programa dirigido por Daniel Filho.

Dividido em cinco blocos e 18 números, o programa contou com as intervenções de gênios como o pianista e maestro Radamés Gnattali (1906 - 1988), que acompanhou o compositor no choro instrumental Sarau para Radamés e em Coração Imprudente, cantado por Paulinho ao som do piano de Radamés. Outro auxílio luxuoso veio da flauta exímia de Copinha (1910 - 1984). O músico enobreceu Numa Seresta. Já Canhoto da Paraíba reafirmou em Pisando em Brasa a elasticidade do choro como forma de tocar.

Reverente ao seu passado, Paulinho da Viola arregimentou para o segundo bloco os músicos do conjunto Rosa de Ouro, integrado pelo artista antes de sair em vitoriosa carreira solo, em 1968. É na companhia de Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Anescarzinho do Salgueiro e Nelson Sargento que Paulinho apresenta sambas do alto quilate de Pode Guardar as Panelas e Guardei minha Viola.

Se os bambas do Rosa de Ouro dominaram o segundo bloco, Zezé Motta - então em grande evidência como cantora de samba - foi a convidada da terceira parte. A atriz fez dueto com o anfitrião em Aquela Felicidade (samba menos conhecido de Paulinho) e ainda apresentou seu maior sucesso na época, Senhora Liberdade (jóia de Wilson Moreira e Nei Lopes), acompanhada pelo cavaquinho esperto do sábio intérprete de Nervos de Aço, clássico do gaúcho Lupicínio Rodrigues, rebobinado no especial com cordas que lhe deram pulsação diferente na introdução. O número se destaca.

Emoldurado por cenário que remete tanto a uma favela como a um botequim, Paulinho da Viola reforçou o elo com a Portela ao receber no quinto e derradeiro bloco bambas da velha guarda da escola de samba carioca como Manacéa e Casquinha. E fechou o especial, orgulhoso, com Cantar pra Não Chorar, samba antigo de Heitor dos Prazeres e Paulo da Portela. Paulinho da Viola sempre é o mesmo em qualquer canto - inclusive na tela da Rede Globo - e é essa fidelidade aos seus princípios que fazem sua rara elegância.

Jennifer Lopez lança CD em espanhol em abril

Jennifer Lopez (foto) voltou a gravar em espanhol após dez anos dedicada a atuar e a cantar em inglês para expandir seu mercado nos Estados Unidos. A artista vai lançar em 3 de abril o álbum Como Ama una Mujer, co-produzido por Jennifer em parceria com seu marido, o cantor Marc Anthony. O repertório será propagado na TV em minissérie baseada nas letras do CD, editado via Sony BMG.

Janeiro 28, 2007

Compilação revive o canto lírico de Bidu Sayão

A carioca Balduína de Oliveira Sayão, bem mais conhecida como Bidu Sayão (1902 - 1999), foi a única intérprete brasileira a obter reconhecimento mundial na área do canto lírico. Para quem quer recordar ou conhecer a voz de Bidu, o selo curitibano Revivendo está lançando a coletânea O Luar da Minha Terra (foto). A compilação reúne 21 gravações da artista em seleção que mistura modinha (Canção da Felicidade), canção popular (A Casinha Pequenina), árias (de Madame Buterfly e Boda de Fígaro, de Puccini e Mozart, respectivamente) e um clássico de Heitor Villa-Lobos (Bachianas Brasileiras nº 5). Há dois temas de O Guarani, de Carlos Gomes.

Show de Brown em festival baiano sai em DVD

Dono de elétrica presença no palco, Carlinhos Brown tem, enfim, um show perpetuado em DVD. Ao Vivo no Festival de Verão de Salvador (foto) chega às lojas esta semana pela gravadora Som Livre com registro de show feito pelo cantor em fevereiro de 2006 no já tradicional evento baiano. No roteiro de 20 números, o artista concilia dois hits tribalistas (Passe em Casa e Carnavália), samba-reggae (Faraó), músicas do último disco de carreira (Carlito Marrón) e temas de suas incursões pelo eletroaxé (Tribal United Dance e Favelatecno). Outras músicas são Venho da Jurema e Toda Paz.

Kassin + 2 roça a canção com bossa antenada

Resenha de CD
Título:
Futurismo
Artista:
Kassin + 2
Gravadora:
Ping Pong
Cotação:
* * *

Um dos produtores mais badalados da cena carioca, Kassin forma trio moderninho com o baterista Domenico Lancelotti e o violonista Moreno Veloso. Cultuado por tribo indie, o grupo já lançou os discos Máquina de Fazer Música (sob a alcunha Moreno + 2), Sincerely Hot (sob o nome Domenico + 2) e Futurismo (sob a liderança de Kassin). Já editado no Japão em maio de 2006 (e com a perspectiva de sair nos Estados Unidos pelo selo Luaka Bop), Futurismo chega ao Brasil neste início de ano com instrumental antenado que adorna repertório irregular. Com suavidade típica da Bossa Nova, Kassin + 2 desvia o trio dos experimentalismos arriscados por Domenico em Sincerely Hot (2004). Mais palatável até do que Máquina de Fazer Música (2000), Futurismo é disco que roça o formato da canção e que acerta quando o olha para o passado como na latina O Seu Lugar, destaque do repertório. É parceria de Kassin com João Donato, que evoca seu suingue dos anos 70 a bordo de um piano Rhodes.

Entre sambossa (a faixa-título, com direito a discurso de Jorge Mautner), eletrosamba (Ponto Final, com vocal de Rodrigo Amarante) e canção (a bela Pra Lembrar, outro real trunfo do repertório), Kassin monta moderno mosaico de sons que seduz turma formada por gente ilustre como Adriana Calcanhotto (parceria de Kassin na lúdica Quando Nara Ri e convidada de Simbióticos) e o grupo Los Hermanos (presente no indie rock Mensagem). O elemento alienígena de Futurismo é a guitarra que evoca o tecnobrega do Pará em Água. Mas o maior problema do disco é que a segunda metade do repertório está aquém do instrumental do trio. Músicas como Antes de Chuva beiram a chatice. Opinião que não deve ser compartilhada pela pequena tribo moderninha a que Futurismo se destina no Brasil.

MTV grava cinco revelações do pop rock nativo

Formado em 1994, o grupo paulista Hateen (foto) já lançou cinco discos, mas, por ter alcançado projeção nacional apenas em 2006, está entre as cinco bandas selecionadas pela MTV para gravar CD e DVD na série MTV ao Vivo, com produção de Rick Bonadio, dono do selo Arsenal. A gravação vai acontecer em 14 de fevereiro, em show na casa Via Funchal, em São Paulo (SP). Além do Hateen, o projeto MTV ao Vivo 5 Bandas de Rock vai reunir os grupos ForFun (grupo carioca que está na estrada desde 2001 e alcançou sucesso com o CD Teoria Dinâmica Gastativa), Fresno (banda gaúcha que grava desde 2003), Moptop (o cultuadíssimo quarteto carioca que lançou o primeiro álbum oficial no ano passado, pela major Universal Music) e NXZero (grupo paulista que emplacou o hit Além de Mim em 2006). O lançamento do CD e DVD MTV ao Vivo 5 Bandas de Rock está programado para este semestre.

Janeiro 27, 2007

Sapucahy pode produzir CD de sambas de Rita

A informação não é oficial, mas Leandro Sapucahy - par constante de Maria Rita (em foto de Tripolli) na noite - tem comentado nos bastidores da indústria fonográfica sobre a possibilidade de produzir o disco de sambas que a cantora já há tempos vem falando em gravar. No entanto, sequer há confirmação de que o projeto vai ser concretizado em 2007. Se for, é até bem provável que seja mesmo pilotado por Sapucahy, produtor com excelente trânsito entre nomes como Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Marcelo D2.

Anita suinga com repertório de Rodgers e Hart

Famosa nos anos 40 como cantora de big-band, Anita O'Day (1919 - 2006) nunca alcançou a popularidade de outras divas do jazz como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Mas seu aguçado senso rítmico salta aos ouvidos em discos como Anita O'Day and Billy May Swing Rodgers and Hart (foto), gravado em 1960 para a Verve e relançado neste início de 2007 no mercado brasileiro pela Universal Music, única gravadora major que tem investido no seu catálogo de jazz. A reedição - lançada nos Estados Unidos em 2004 - sai no Brasil muito por conta da recente morte de Anita, em novembro de 2006. Na companhia do maestro Billy May, a cantora americana põe suingue em 12 temas da dupla de compositores Richard Rodgers e Lorenz Hart. Na seleção, Little Girl Blue, Ten Cents a Dance, Spring Is Here e Johnny One Note.

Jay-z renova as batidas com Coldplay e Legend

Resenha de CD
Título:
Kingdom Come
Artista:
Jay-Z
Gravadora:
Universal Music
Cotação:
* * *

Jay-Z é um daqueles rappers marrentos que fazem cara de mau nas capas de seus discos e, talvez por isso mesmo, dão as cartas no mercado fonográfico americano. Kingdom Come é o novo CD de inéditas do astro do hip hop. O time de produtores (The Neptunes, Dr. Dre, Just Blaze e Kanye West) reúne algumas das grifes mais badaladas do gênero. E o fato é que Jay-Z consegue renovar suas batidas e escapa da mesmice através de inusitadas colaborações com nomes como Chris Martin. O líder do grupo Coldplay é convidado e co-autor de Beach Chair, destaque de álbum coeso que alcança outro grande momento em Do U Wanna Ride - faixa produzida por Kanye West que agrega John Legend, um dos novos valores da soul music. Jay-z ainda une forças com Usher e Pharrell em Anything. E a namorada Beyoncé Knowles dá o ar da graça em Hollywood. Muita gente tapa os ouvidos para o rap, especialmente o produzido nos Estados Unidos, mas, dentro do gênero, Jay-Z continua bem na foto com Kingdom Come.

Edição dupla de 'X & Y' para Brasil inclui DVD

Em turnê pela América Latina entre fevereiro e março, o grupo Coldplay (foto) lança uma edição especial dupla do álbum X & Y no Brasil, Chile, Argentina e México apenas para promover os shows que fará nestes países. A X & Y Limited Latinamerican Edition chega às lojas neste sábado, 27 de janeiro, e vai ficar disponível somente até maio, de acordo com a gravadora EMI. O diferencial é o DVD que apresenta vídeos (de músicas como Fix You e Speed of Sound), gravações ao vivo (entre elas, uma de Poor me) e lados B da banda de BritPop.

Em tempo: Brian Eno vai produzir o quarto álbum do Coldplay. O artista foi o produtor do último disco de Paul Simon, Surprise.

Janeiro 26, 2007

Elenco afinado encanta ao recordar marchinhas

Resenha de musical
Título:
Sassaricando (E o Rio Inventou a Marchinha)
Elenco:
Alfredo Del-Penho, Eduardo Dussek, Juliana Diniz, Pedro Paulo Malta, Sabrina Korgut e Soraya Ravenle (em foto de Leonardo Aversa)
Local:
Teatro Sesc Ginástico (RJ)
Data:
25 de janeiro de 2007

Cotação: * * * *

Revigoradas, as velhas marchinhas entram novamente em cena no sedutor musical Sassaricando, em cartaz no Rio de Janeiro até 18 de março. Um elenco afinado - em todos os sentidos - encanta ao desfiar com charme e um tom teatral 89 marchinhas em roteiro dividido em dois atos e dez blocos temáticos. O árduo trabalho de pesquisa, de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, é exemplar e traz de volta não somente os clássicos do gênero, mas marchinhas que já perigavam cair no esquecimento popular como a atualíssima Eu Também Quero Roubar (Hervê Cordovil) e a esperta Corre, Corre, Lambretinha (de João de Barro, o Braguinha, o craque no estilo).

Não há texto no musical, somente dois vídeos com imagens do Rio antigo e de compositores que se dedicaram a fazer e popularizar as marchas carnavalescas. Toda a teatralidade nasce da direção de Cláudio Botelho e da interpretação que os seis cantores - alguns já com experiência como atores, casos de Dussek, Juliana e Soraya - dão às músicas com rico gestual cênico. O tratamento musical do diretor Luís Filipe Lima também não segue à risca a cartilha do gênero. Algumas marchinhas surgem em formato Broadway. Mas é claro que o fim é carnavalesco, com Cidade Maravilhosa, o hino oficioso do Rio de Janeiro - o cenário de memoráveis carnavais.

E o fato é que o espetáculo - cuja trilha está sendo editada em CD duplo pela Biscoito Fino - é uma delícia e monta completo painel comportamental do Rio antigo através dos versos debochados e maliciosos das marchinhas. A dupla Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, já íntima do universo do samba mais antigo, deita e rola. Eduardo Dussek marca sua habitual presença com impagável mise-en-scéne. Soraya Ravenle, de voz moldada para os palcos, dá show em cada número. Assim como Sabrina Korgut, bem segura e especialmente feliz no número solo Marcha da Quarta-Feira de Cinzas. Mesmo sem ter o farto material vocal das colegas, Juliana Diniz também está bem em cena e provoca gargalhadas com sua interpretação recitada de Alá-Lá-Ô. Enfim, pelo conjunto da obra, Sassaricando é, de fato, espetacular. Uma bela e emocionante lembrança do repertório dos melhores Carnavais que redime o Rio das (desanimadas) folias recentes. O sassarico é imperdível!

Joyce festeja bossa afetiva e musical com Tutty

Joyce (foto) vai entrar em estúdio de 5 a 15 de fevereiro para gravar seu quarto disco para o selo inglês FarOut. O CD, intitulado Bodas de Vinil - Samba-Jazz & Outras Bossas, será todo dividido com o baterista Tutty Moreno, marido da compositora. A idéia de Joyce é celebrar seus 30 anos de parceria afetiva e musical com Tutty. Como o nome do álbum já anuncia, o samba-jazz será o ritmo dominante no repertório. Pelo selo Far Out, a artista já gravou Hard Bossa (1999), Gafieira Moderna (2001) e Banda Maluca (2003), sendo que o álbum Rio-Bahia (2005), dividido com Dori Caymmi e feito para a JVC do Japão, também teve a participação do selo inglês na produção. O novo CD trará no repertório inéditas de Joyce como Compositor e Sabe Quem Samba, feitas com Paulo César Pinheiro e Zé Renato.

Jaques Morelenbaum orquestra fado de Mariza

Em seu CD e DVD Concerto em Lisboa, gravados em show feito num jardim em frente à Torre de Belém, a cantora Mariza bisa a parceria com o maestro e violoncelista Jaques Morelenbaum, iniciada em seu bom disco anterior, Transparente. O brasileiro rege a orquestra que adorna os fados cantados com voz firme pela intérprete portuguesa no concerto. Na seleção, Medo, Loucura, Desejos Vãos (música de Tiago Machado sob versos da poeta Florbela Espanca) e Recusa. O CD já está nas lojas via EMI.

Estrelas da MPB celebram o frevo em CD duplo

Frevo de Capiba, De Chapéu de Sol Aberto ganha releitura de Vanessa da Mata (em foto de Leonardo Aversa) em 100 Anos de Frevo, álbum duplo que a Biscoito Fino vai lançar, em parceria com a prefeitura de Recife, em 9 de fevereiro - data em que será festejado o centenário do ritmo pernambucano. O time de 16 intérpretes do disco é estelar e inclui Maria Bethânia (Frevo nº 1 do Recife, de Antonio Maria), Ney Matogrosso (Me Segura Senão Eu Caio, de J. Michiles), Gilberto Gil (Micróbio do Frevo, tema de Genival Macedo), Edu Lobo (Frevo Diabo, parceria de Edu e Chico Buarque), Luiz Melodia (Último Regresso, de Getúlio Cavalcanti), Geraldo Azevedo (Tempo Folião, parceria com Carlos Fernando), Alceu Valença (Homem da Meia Noite, do próprio Alceu e Carlos Fernando), Lenine (Energia, de Lula Queiroga), Silvério Pessoa (Atrás do Trio Elétrico, de Caetano Veloso) e Elba Ramalho (Frevo Rasgado, de Gilberto Gil e Bruno Ferreira), entre outros. Maria Rita escolheu o frevo Valores do Passado, de Edgard Moraes, mas a presença da cantora no disco ainda é incerta. As estrelas da MPB participam do CD 1, inteiramente cantado. O CD 2, instrumental, reúne 14 temas gravados sob a batuta da Spok Frevo Orquestra.

Janeiro 25, 2007

Palmas para o octagenário maestro Tom Jobim

Tom Jobim (em foto de Rosane Bekierman) faria 80 anos nesta quinta-feira, 25 de janeiro, se não tivesse saído de cena em 8 de dezembro de 1994. O Brasil festeja a data com injusta discrição. Há exposição (Toda a Minha Obra É Inspirada na Mata Atlântica, aberta hoje no Jardim Botânico, um dos redutos preferidos do artista no Rio), alguns shows de pequeno porte, alguns discos (Jobim Jazz e Piano, em que Mario Adnet e Fabio Caramuru, respectivamente, oferecem novas visões da obra do compositor), alguns especiais de TV e há, enfim, a prometida caixa com três DVDs documentais Maestro Soberano, editada pela Biscoito Fino e com lançamento previsto para a próxima semana. É pouco para um artista da rara magnitude de Tom Jobim. Fosse ele norte-americano, a indústria fonográfica dos Estados Unidos estaria mobilizada para celebrar o maestro. No Brasil, as gravadoras Universal e Warner Music sequer se deram ao trabalho de repor em catálogo os álbuns do compositor. Que nunca ganhou uma caixa com seus discos como já ganharam Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil - somente para citar três compositores importantes e festejados que cativam o Brasil sem nunca ter feito pela música brasileira, em âmbito mundial, um décimo do que fez Jobim. Foi a música moderna do autor de Dindi que pôs o Brasil definitivamente no mapa-múndi da canção. Não fosse Jobim, o país talvez ainda estivesse associado aos sambas cantados por Carmen Miranda ou à batida do axé - exótica e saborosa para ouvidos europeus. É até difícil dimensionar toda a importância do cancioneiro universal de Tom Jobim diante de sua grandeza. Parece clichê, e talvez seja mesmo, mas é a pura verdade. Pelos 80 anos e por tudo o mais, palmas para Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, nosso maestro soberano. Que vive como vive sua música imortal, num tom maior alcançado somente pelos gênios.

Trilha de 'Paraíso Tropical' reúne três de Ana

Presença assídua nas trilhas sonoras das novelas globais, Ana Carolina (em foto de André Schiliró) vai estar três vezes presente na seleção musical de Paraíso Tropical, a trama urbana de Gilberto Braga e Ricardo Linhares que estréia em março. Além de interpretar Carvão, música do CD Dois Quartos, a compositora é a autora de Cabide - belo samba gravado por Mart'nália e também escolhido para a trilha - e de Ruas de Outono, tema de seu novo álbum que será ouvido na voz de Gal Costa. Outro destaque é Olha, música de Roberto e Erasmo Carlos, lançada em 1975 e regravada pelo Tremendão em dueto com Chico Buarque para o disco Erasmo Carlos Convida 2. O tema de abertura será Sábado em Copacabana, samba-canção de Dorival Caymmi, de 1952, em gravação inédita de Maria Bethânia.

Corinne Rae vai lançar primeiro DVD em março

Corinne Bailey Rae (foto) vai lançar em março seu primeiro DVD, gravado ao vivo em shows em Londres (Inglaterra) e em Nova York (EUA). A artista britânica foi uma das sensações da indústria fonográfica em 2006 por conta do sucesso mundial da música Put your Records on, faixa de seu álbum de estréia, que, de acordo com dados da gravadora EMI Music, já teria vendido 2,6 milhões de cópias em todo o mundo. Número excelente para uma novata.

Coletânea traz o pop dos anos 80 para as pistas

O pop dos anos 80 ainda resiste como fonte de algum lucro para a indústria fonográfica por conta do interminável revival da música produzida naquela década. Para alimentar o culto, a Som Livre põe nas lojas a coletânea Anos 80 na Pista (foto) com 14 remixes de hits da época. Os produtores Rodrigo Kuster, Rogério Vaz e Guto Dufrayer remexeram no estúdio em gravações de Cazuza (Exagerado), Leo Jaime (Rock Estrela), Barão Vermelho (Por que a Gente É Assim?), Leoni (Por que Não Eu? - em dueto com Herbert Vianna) e Blitz (A Verdadeira História de Adão e Eva). Sem ranço purista, as pistas ficarão bem mais animadas com as imbatíveis gravações originais.

Janeiro 24, 2007

Carmina retorna contemporânea em 'Caruana'

Resenha de CD / DVD
Título: Caruana
Artista: Carmina Juarez
Gravadora: MCD
Cotação: * * *

"Estou no caminho de descobrir quem eu sou, e a música é belo instrumento para esse auto-conhecimento", diz Carmina Juarez no making of de seu primeiro DVD, editado dentro da série Toca Brasil, do projeto Itaú Cultural. Para quem nunca ouviu falar da cantora, Carmina surgiu no mercado fonográfico em 1996 com CD, Arrasta a Sandália, que seduziu a crítica com repertório voltado para o passado. A artista repetiu o diálogo com a tradição musical brasileira em 2000 com seu segundo disco (quase tão bom), Tenho Saudade, dedicado ao repertório da cantora Elisa Coelho. Caruana é seu terceiro trabalho. Carmina retorna à cena mais contemporânea - com músicas de Nando Reis (As Coisas Tão Mais Lindas, com preservação da assinatura melódica do autor) , Carlinhos Brown (Argila) e Chico César (Dança e Quando Eu Fecho os Olhos) - sem abrir mão de sua forte personalidade artística.

Com voz aguda de rara beleza e emissão precisa, Carmina procura conciliar estilos e latitudes musicais aparentemente distantes em roteiro aberto por um tema de índios do Pará, Araruna, ao qual se segue, apenas com vocalises, um jazz moderno de Bob McFerrin e Russell(Remembrance). Já Emoriô - parceria de Gilberto Gil e João Donato, gravada por Fafá de Belém em 1976 - tem seu ritmo ralentado em pulsação quase jazzística e uma atmosfera etérea.

Escorada nos arranjos do violonista Jardel Caetano, a artista junta Flores, dos Titãs, com Last Train Home (de Pat Metheny). São essas ousadias estilísticas que fazem a diferença. Com seu irmão, Thiago Pinheiro, Carmina faz dueto em músicas como Vô Alfredo, frevo de Guinga e Aldir Blanc. Mas é sozinha que a ótima cantora funciona melhor. Em cena, seu porte esguio lembra Marisa Monte. A voz também é de primeiro time. Tomara ela continue unindo tradição e modernidade sem patinar na banalidade do mercado.

P.S.: A filmagem do show é bem convencional - característica infeliz dos DVDs da série Toca Brasil. E, no caso de Caruana, as faixas 12 e 13 (A Moça do Sonho e Samba de Roda na Beira do Mar) estão invertidas nos créditos. Faltou atenção na edição.

Cinco DVDs captam Barbra entre 1965 e 1973

Ainda um ícone gay, Barbra Streisand resiste ao tempo com sua voz moldada para musicais da Broadway. A coleção apresentada esta semana ao mercado nacional pela Warner Music, The Television Specials, reúne cinco DVDs encaixotados no exterior, mas vendidos separadamente no Brasil. Trata-se de vídeos com os registros de cinco especiais da artista exibidos pela rede americana de TV CBS entre 1965 e 1973. Todos já tinham sido editados em VHS na década de 80, mas os cinco ainda eram inéditos no formato digital até o ano passado.

My Name Is Barbra (foto) abre a coleção com especial exibido em abril de 1965 e dividido em três atos. No ar em março de 1966, o segundo, Color me Barbra, alude já no título às belas cores da transmissão, ausentes do programa anterior. Também foi dividido em três partes, sendo que o circo foi a inspiração do segundo ato. O terceiro DVD, A Happening in Central Park, foi filmado em concerto feito em Nova York (EUA) em junho de 1967 para um público estimado em 150 mil pessoas. O quarto título da coleção, The Belle of 14th Street, também é de 1967. A idéia foi recriar um espetáculo de vaudeville à moda do início do século 20. Já o quinto e último DVD, Barbra Streisand... and other Musical Instruments, fecha a coleção com especial de 1973 em que a cantora interpreta One Note Samba, a versão em inglês do Samba de uma Nota Só, standard bossa-novista de Tom Jobim e Newton Mendonça. Enfim, a coleção The Television Specials é puro deleite para o público (apenas gay?) que cultua Barbra Streisand.

Coletânea 'Hot TVZ 2007' reúne os hits de 2006

O título do disco, Hot TVZ 2007, soa bem atual, mas, a rigor, a coletânea de sucessos editada esta semana pela Som Livre reúne os hits do ano anterior. A seleção inclui gravações de Madonna (Sorry), Daniel Powter (Bad Day), Corinne Bailey Rae (Put your Records on), James Blunt (Goodbye my Lover), Paris Hilton (Stars are Blind), My Chemical Romance (Helena - So Long & Goodnight), Lily Allen (Smile) e Simple Plan (Crazy), entre outros nomes. Os clipes das músicas reunidas no CD estão entre os mais pedidos pelo público que assiste ao programa TVZ, exibido pelo canal Multishow. Pelo menos isso é o que diz a Som Livre...

Pet Shop Boys trazem ao Brasil festa politizada

A trilha das baladas ficou mais politizada e consciente com o lançamento no Brasil, em junho de 2006, do nono bom álbum de estúdio do duo inglês Pet Shop Boys, Fundamental. É o show inspirado no repertório deste elogiado álbum que a dupla vai trazer ao Brasil em março, em turnê que passará por Rio de Janeiro (14 de março), São Paulo (dias 16 e 17), Belo Horizonte (18) e Porto Alegre (dia 21).

Dedicado a Mahmoud Asgari e a Ayaz Marhoni, dois jovens de 17 anos que foram enforcados pelo Governo do Irã simplesmente por serem gays, o disco não ficou em cima do muro e apresentou na faixa-single, I'm with Stupid, artilharia pesada contra Tony Blair - o primeiro-ministro inglês que apoiou George W. Bush na decisão de os EUA invadirem o Iraque - e marcou o reencontro da dupla com o produtor Trevor Horn, com quem os boys não trabalhavam desde Left to my Own Devices, clássico single de Introspective, seu não menos clássico álbum de 1988, referência na cena dance.

Política à parte, Fundamental marcou também a volta do duo à sua melhor forma. Pela coesão do repertório e pela produção, o CD se impôs no mesmo alto nível de trabalhos como Actually (1987) e Very (1993). Curiosamente, os beats dos boys estiveram mais desacelerados. Baladas como Luna Park, I Made my Excuses and Left, Numb (tema de Diane Warren, única faixa não inédita e não assinada por Neil Tennant e Chris Love) e Indefinite Leave to Remain deram o diferencial e o tom meio melancólico do álbum.

Para animar as pistas, houve a batida eletro de Miminal e duas faixas inspiradas - Integral e The Sodom and Gomorrah Show - que evocaramm os áureos tempos em que o duo inglês bombava com seu pop dance influenciado na mesma medida pela eletrônica e pela disco music. Vale conferir ao vivo quando março chegar.

Janeiro 23, 2007

Coleção reedita Coltrane, Miles, Basie e Monk

Álbum de 1957 que marcou a estréia do saxofonista John Coltrane como líder de banda, Coltrane / Prestige 7105 (foto) é um dos valiosos títulos reeditados pela Universal Music no mercado brasileiro em coleção de jazz garimpada no rico arquivo da gravadora americana Concord Music, que detém em seu acervo os discos de selos como Prestige e Fantasy. A coleção também repõe em catálogo raros álbuns de Miles Davis (Steamin' with the Miles Davis Quintet, 1956), Chet Baker (In New York e Chet, ambos de 1958), Thelonious Monk (Thelonious Monk with John Coltrane, 1957) e Count Basie (Fun Time, 1975), entre outros ícones do jazz - casos de Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan.

Daniela grava com Fatboy Slim para a internet

Artista com bom trânsito na seara internacional, Daniela Mercury (em foto de Mário Cravo Neto) gravou com o DJ Norman Cook - mais conhecido como Fatboy Slim. O DJ - que se encantou com a folia baiana em 2006 e virá este ano fazer nova apresentação no Carnaval de Salvador - divide com a cantora a gravação de Just a Brazilian Groove. Slim preparou a base eletrônica de house. Já Daniela assina os vocais em português. Por ora, a gravação será disponibilizada apenas na internet, a partir de fevereiro. Mas é provável que, depois, seja editada em alguma coletânea do DJ.

George revê a carreira de novo em 'Twenty Five'

Dez anos depois de passar a tumultuada carreira a limpo no CD e DVD Ladies & Gentlemen ­- The Best of George Michael (1996), o autor e intérprete de Careless Whisper lança outra coletânea em CD e DVD. Twenty Five alude no título aos 25 anos de carreira de George, contando desde a formação da dupla Wham! no início dos anos 80. O DVD duplo (foto) reúne 41 vídeos de hits do cantor, incluindo Wake me up Before You Go-Go, Freedom, I Want your Sex, One More Try, Father Figure, Don't Let the Sun Go Down on me (em dueto com Elton John), Jesus to a Child, Freek!, Older e o cover de Roxanne, do repertório do grupo The Police. O artista sempre fez bons vídeos.

Ode a Taylor reúne Carole, Sting e Springsteen

Eleito Personalidade do Ano em 2006 pela The Musicares Foundation, forte instituição beneficente dos Estados Unidos, o cantor e compositor James Taylor teve sua obra recriada em tributo que contou com gratas adesões de Bruce Springsteen (Millworker), Carole King (You've Got a Friend), The Dixie Chicks (Shower the People) e Sting (You Can Close your Eyes), entre outros nomes. A gravação do show - feito em fevereiro do ano passado - está sendo editada no DVD A Musicares Person of the Year Tribute Honoring James Taylor (foto), já nas lojas. O próprio Taylor, ao fim do evento, canta How Sweet It Is (To Be Loved by You) e Fire and Rain, um de seus maiores hits.

Janeiro 22, 2007

Bebel vai de Chico a Cole Porter no terceiro CD

Produzido entre Rio de Janeiro, Londres e Nova York, o terceiro disco internacional de Bebel Gilberto, Momento (capa à direita), tem lançamento programado para março. A produção foi dividida entre Guy Sigsworth (que já trabalhou com Björk), o grupo norte-americano Brazilian Girls e a própria cantora. Entre o repertório basicamente autoral, há releituras de músicas de Chico Buarque (Caçada, de 1972) e Cole Porter (Night and Day, 1932). A faixa Tranqüilo foi gravada com a Orquestra Imperial. O primeiro single é Bring Back the Love, já editado em EP no exterior com remixes e embalagem em vinil. Detalhe: Chico - vale lembrar - é tio de Bebel.

Bonde de funkeiros passa burocrático pela folia

Resenha de CD
Título:
O Bonde das Marchinhas
Artista:
Vários
Gravadora:
Som Livre
Cotação:
* *

Herdeiro da malícia sexual das antigas marchinhas carnavalescas, com teor erótico elevado por vezes ao limiar da grosseria, o funk parece talhado para os bailes atuais - moldados mais pela vulgaridade do que pela animação genuína. Daí a ótima sacada da gravadora Som Livre de rebobinar velhos sucessos da folia no ritmo do batidão dos MCs. Pelo conceito, o CD O Bonde das Marchinhas tinha tudo para ser bacana. Mas, se Mr. Catra se destaca no elenco do disco ao imprimir pulsação empolgante a Índio Quer Apito e a Saca-Rolha, os demais funkeiros revivem burocraticamente os antigos hits carnavalescos. Buchecha, por exemplo, bate ponto ao cantar O Teu Cabelo Não Nega e Mulata Iê-Iê-Iê. Latino apela para sua habitual baixaria em temas como Coelhinho. Já MC Leozinho, ambicioso, optou por contribuir com a inédita Cabelo do Saco sem roçar sequer de longe a inspiração dos bambas do gênero como Lamartine Babo. No meio termo, fica a Gaiola das Popozudas, o grupo feminino que brinca em cima de Mamãe Eu Quero, Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão - três jóias de outros tempos e de outros carnavais, bem mais ingênuos...

Capital Inicial e Ira! finalizam discos de inéditas

Os grupos Capital Inicial (foto) e Ira! finalizam em São Paulo discos de repertório inédito. Depois de revisitar a obra da pioneira banda punk Aborto Elétrico (1978 - 1982), o quarteto de Brasília grava músicas autorais sob a batuta de Marcelo Sussekind, produtor recorrente na discografia do Capital. Já o Ira! - que vem de bem-sucedido Acústico MTV- repete a parceria com o produtor Rick Bonadio, dono do selo Arsenal, distribuído pela Universal Music.

Acústico de Lobão traz Cachorro Grande e Lulu

Gravado em dezembro no estúdio Quanta - em São Paulo (SP) - o Acústico MTV de Lobão (foto) vai ser lançado em março com a participação do grupo gaúcho Cachorro Grande na faixa A Gente Vai se Amar. A surpresa do repertório é O Mistério, música criada por Lobão com Lulu Santos e Ritchie nos anos 70, quando os três integravam o grupo Vímana. Além desses dois temas obscuros, o roteiro do show enfileira Canos Silenciosos, Rádio Blá, Corações Psicodélicos, El Desdichado II, Essa Noite Não, Décadance avec Elegance, Bambino, Revanche, Vou te Levar, Quente, Por Tudo que For, Chorando no Campo, Que Língua Falo Eu?, Noite e Dia, Me Chama, Você e a Noite Escura, A Queda, Para Onde Você Vai? e A Vida É Doce, entre sucessos e músicas da fase indie de Lobão.

Janeiro 21, 2007

Nando bisa parceria com MTV e grava em luau

Três anos depois de ter gravado precoce MTV ao Vivo, lançado em 2004 com ótima repercussão comercial, Nando Reis bisa sua parceria com a emissora e registra neste domingo, 21 de janeiro, programa da série Luau MTV para edição em DVD e CD ao vivo. A gravação será feita na praia Vermelha do Norte, em Ubatuba (SP), com as intervenções de Samuel Rosa (parceiro de Nando em músicas gravadas pelo Skank), Negra Li (que batizou seu primeiro disco solo com tema do cantor) e do guitarrista Andreas Kisser. Nando entra em cena com a banda Os Infernais (com ele na foto).

DVD documenta turnê de McCartney pelos EUA

Paul McCartney edita seus discos pela gravadora EMI desde os tempos dos Beatles, mas é a Warner que está lançando The Space Within US (foto), DVD que documenta a turnê com que o artista percorreu os Estados Unidos em 2005. Os shows foram captados por 25 câmeras de alta definição para gerar um filme que entrelaça entrevistas, cenas de bastidores e mais de 30 números musicais filmados em solo norte-americano. Entre os hits, Penny Lane, Get Back e Flaming Pie.

Leila Maria tenta gravar inédita gay de Caetano

Leila Maria (em foto de Vicente de Melo) ainda espera a autorização do autor para gravar Amor Mais que Discreto, música inédita de Caetano Veloso, em seu disco de repertório e conceito gay Canções do Amor de Iguais. A cantora se interessou pela música - lançada por Caetano no show - porque o compositor se inspirou em Ilusão à Toa, o clássico de Johnny Alf, para fazer a canção sobre um amor homossexual. Leila já gravou Ilusão à Toa no álbum, assim como Um Certo Alguém, a parceria de Lulu Santos com Ronaldo Bastos que também teria sido inspirada pelo tema de Alf. Leila queria formar trilogia com a música de Caetano. Como se trata de composição inédita, pode ser que sua ilusão de lançá-la seja à toa... Mas, com ou sem a canção de Caetano, o disco será lançado neste primeiro semestre com músicas de ícones gays como George Michael (Kissing a Fool) e k.d. Lang (Sexuality).

Bruno Masi pega onda na praia de Armandinho

Resenha de CD
Título:
Trilhos Fortes
Artista:
Bruno Masi
Gravadora:
EMI Music
Cotação:
* *

Fiel ao lema "nada se cria, tudo se copia", criado e repetido por Chacrinha em alusão à programação de televisão, mas perfeitamente ajustado aos esquemas da indústria fonográfica, a EMI lança o primeiro CD solo do cantor e compositor baiano Bruno Masi bem na onda do sucesso de Armandinho. Vocalista da banda Superfly, com a qual gravou dois discos, Masi segue descaradamente a trilha estradeira do colega gaúcho. Trilhos Fortes é álbum zen, que tangencia muito superficialmente o reggae em clima acústico, praieiro, com violões de luau, vocais suaves e letras desencanadas. A boa faixa-título e Pode Namorar têm jeito de hit. Mas a melodia mais bonita não é da lavra de Masi. De autoria de Jauperi e Tenilson del Rey, dois excelentes compositores de pop baiano, A Camisa e o Botão - incluída no CD em dueto do cantor com Daniela Mercury e em versão solo - já tinha sido gravada pelo grupo Babado Novo, mas resulta mais interessante na onda de Masi. Outra bela sacada do repertório é a releitura acústica de Cartaz, hit da fase tecnopop de Fagner. A letra é talhada para o clima ensolarado do repertório. Já Anunciação ganhou cover desbotado que se ressente da pulsação vibrante dos registros do autor Alceu Valença. Masi consegue a proeza de trazer até um ijexá, Arma Zen, para sua praia. Mas o disco, que começa bem, fica repetitivo na segunda metade e deixa em 15 faixas a má impressão de clonar a música de Armandinho.

Janeiro 20, 2007

Documentário sobre Clara chega à tela até 2008

Em fase final de produção, o bem-vindo documentário sobre Clara Nunes deverá chegar aos cinemas até abril de 2008, quando fará 25 anos da morte da cantora (em foto de Wilton Montenegro). Os diretores Rodrigo Alzuguir - também roteirista do filme - e Suzanna Lira vieram colhendo nos últimos anos depoimentos de nomes como Bibi Ferreira, Chico Buarque, Marisa Monte e Nana Caymmi. A produção tem o aval de Paulo César Pinheiro, viúvo da artista.

Discos do auge do Creedence voltam ao catálogo

Ótimo quarteto liderado pelo guitarrista John Fogerty, o Creedence Clearwater Revival tem quatro discos de sua fase áurea reeditados no mercado brasileiro pela Universal Music. Os álbuns integram coleção produzida com base nos arquivos da gravadora americana Concord Music, que detém o catálogo do selo Fantasy, por onde saíram originalmente Creedence Clearwater Revival (capa à direita, disco de estréia d