Novembro 30, 2006

Segundo álbum do Bloc Party já está na internet

Com lançamento programado para fevereiro, o segundo CD do grupo inglês Bloc Party, A Weekend in the City (foto), já vazou na internet. O álbum foi produzido por Jacknife Lee, que assinou o último trabalho do U2. O aguardado sucessor de Silent Alarm (2005) vai versar sobre o cotidiano das grandes cidades e reúne no repertório músicas como The Prayer, Sunday, SXRT e Song for Clay (Disappear Hear). Resta saber se A Weekend in the City vai manter a aura de sensação em torno do quarteto britânico...

Maria e Omara unem Brasil e Cuba dos anos 50

Vai sair pelo selo de Maria Bethânia (em foto de Leonardo Aversa) - o Quitanda - o disco que a intérprete gravará em janeiro com a cantora cubana Omara Portuondo, no Rio. A gravação será realizada no estúdio da Biscoito Fino. A idéia inicial das duas artistas é reunir no CD músicas e textos dos anos 50, de Brasil e de Cuba. A iniciativa de fazer o álbum partiu de Omara. Vai sair em 2008.

Marisa emplaca terceiro tema em novela global

A diva Marisa Monte acaba de emplacar terceira música sucessiva em trilhas de novela da Rede Globo. As três neste ano de 2006. A bela canção que batiza o CD Infinito Particular pode ser ouvida em capítulos da recém-estreada Pé na Jaca. Simultaneamente, o samba Para Mais Ninguém - composto por Paulinho da Viola e gravado por Marisa (em foto de Murilo Meirelles) no disco Universo ao meu Redor - pode ser escutado em algumas passagens de Páginas da Vida. E o pop Pra Ser Sincero era um dos temas do casal protagonista de Cobras e Lagartos.

Pop popular sob o prisma pasteurizado de Paulo

Resenha de CD
Título:
Prisma
Artista:
Paulo Ricardo
Gravadora:
EMI
Cotação: * *


Há 20 anos, em 1986, Paulo Ricardo era popstar alçado meteoricamente ao olimpo nacional por conta do estouro de seu RPM. Havia, sim, muito marketing em torno dele, mas havia também o talento provado na assinatura das músicas do estupendo primeiro álbum de inéditas do grupo, de 1985. Duas décadas depois, entre várias idas e vindas tumultuadas do RPM, Paulo Ricardo já deu uma de ator, ensaiou candidatura a deputado federal e gravou disco de covers do rock estrangeiro à moda de Danni Carlos, dinamitando seu prestígio.

Prisma tenta repôr Paulo Ricardo nos trilhos do pop romântico, gênero com o qual ele chegou a fazer sucesso em 1997 graças ao êxito radiofônico de Dois, a balada do hitmaker Michael Sullivan incluída no álbum O Amor me Escolheu. O novo CD conta com produção de hitmaker menos inspirado, Cláudio Rabello, nome vinculado à gestão do (demitido) Marcos Maynard na EMI. Em parceria com o tecladista Julinho Teixeira, Rabello formatou o disco sob o prisma dos clichês da música pop(ular) romântica. A ponto de o grupo Yahoo assinar os arranjos com os produtores.

Há, sim, munição para rádios populares. Entre elas, Diz (balada melodiosa de autoria do próprio Paulo Ricardo, eleita o primeiro single) e Contradição, bela inédita que reafirma as credenciais de Guilherme Arantes para transitar na esfera romântica sem patinar na banalidade do gênero. Outro criador sumido, Kiko Zambianchi, também mostra serviço em Imã do Amor, canção de batida mais pop. Mas o fato é que Prisma não se sustenta nas suas 13 faixas e acaba marcado pelo tom repetitivo das baladas sentimentais.

Até que o cantor se esforça, ensaiando estilo mais visceral em A Pessoa Errada e forjando sensualidade nos sussurros de Gente (A Mais Bela História de Amor). Mas qualquer esforço esbarra no tom pasteurizado do CD, evidente na levada funkeada de Eu Vou Voltar pro Frio, com direito a metais, e na regravação de Ninfa, tema lançado numa das infrutíferas voltas do RPM. A propósito, balada composta por Ricardo em parceria com seu desafeto Luiz Schiavon (O Dia D, A Hora H) fecha o álbum, reforçando a ruim sensação de que Paulo Ricardo poderia ter sido muito mais do que efetivamente foi após o primeiro fim do RPM. Talento não faltava.

DVD capta três fases de Martinho em Montreux

Editado pela gravadora MZA Music, o DVD Martinho José Ferreira ao Vivo na Suíça (foto) reúne trechos de três apresentações de Martinho da Vila na já tradicional Noite Brasileira do Montreux Jazz Festival. Da primeira participação do artista no evento, em 1988, foram extraídos três números, entre eles Kizomba, Festa da Raça - samba com a qual a escola Unidos de Vila Isabel tinha se sagrado campeã do Carnaval carioca naquele ano. Da segunda ida do compositor, em 2000, o DVD reúne quatro números, incluindo o pot-pourri que uniu Alguém me Avisou e Tiê - com a participação da autora dos sambas, Dona Ivone Lara. Por fim, há oito números retirados da apresentação de 2006, ano em que o artista levou a Montreux Leci Brandão e o percussionista Marcelinho Moreira, cujo recém-lançado primeiro CD, Marcelinho Pão e Vinho, foi produzido por Martinho. Nos extras, há documentário sobre a trajetória de Martinho José Ferreira, o Da Vila, no tradicional festival suíço.

Novembro 29, 2006

Mutantes pouco mudam com discrição de Zélia

Resenha de CD / DVD
Título: Mutantes ao Vivo - Barbican Theatre, Londres, 2006
Artista:
Mutantes
Gravadora:
Sony BMG
Cotação:
* * *

Os Mutantes pouco mudaram nesta volta à cena perpetuada no CD duplo e no DVD ora editados com o registro integral do show feito na Inglaterra, em 22 de maio, dentro de evento que celebrava a Tropicália. Somente com o prometido disco de inéditas - previsto já para 2007 - será possível avaliar se a banda ainda tem realmente algo a acrescentar ou se vai passar à história apenas pelo repertório gravado entre 1968 e 1972, não por acaso revivido nos 22 números do roteiro.

A gravação atual não deixa de ter caráter histórico pela reunião dos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista. O primeiro parece feliz no palco. Mas, em essência, a banda oferece o mesmo som criado sob a efervescência tropicalista - e que ainda permanece moderno e inventivo, 40 anos depois da formação do grupo, em São Paulo. Para quem já tem os álbuns originais, o registro do show funciona mais como um completo best of da fase áurea dos Mutantes com a novidade da voz de Zélia Duncan. Os arranjos são geralmente fiéis às gravações feitas com Rita Lee. E a substituta da Ovelha Negra, discreta, parece integrada à banda sem o destaque normalmente conferido aos que assumem o microfone. Não correu riscos.

A postura de Zélia comprova o acerto da opção de Sérgio Dias por seu nome, em detrimento de vozes como as de Fernanda Takai e Rebeca Matta. Sem soar como um clone de Rita Lee e sem cair na tentação de imitar a colega, Zélia experimenta agudos em temas como Top Top e cresce e aparece em Baby (entoada na versão em inglês feita para o álbum Jardim Elétrico, de 1971). Convence.

Como o projeto tem bom potencial comercial no exterior, o grupo optou por reviver em inglês músicas como Ando Meio Desligado, intitulada I Feel a Little Spaced Out na versão que termina com um exibicionista solo da guitarra de Sérgio. Pela mesma razão, o documentário do DVD oferece legendas em inglês, espanhol e em francês. Para gringos, os Mutantes ainda são saborosa novidade. Tanto que o cantor e compositor Devendra Banhart se ofereceu para participar do show e acabou encorpando, feliz da vida, os vocais de Bat Macumba ao lado do guitarrista Noah Georgeson.

Para brasileiros, a mutação da geléia geral é quase imperceptível. Há um ou outro toque de atualidade como as citações dos nomes de George W. Bush e Tony Blair no afiado discurso introdutório de El Justiciero. No todo, os Mutantes ainda parecem os mesmos. E isso, diga-se, é grande mérito para grupo dissolvido há décadas.

Mukeka Di Rato grava em fevereiro já pela Deck

Contratado pela gravadora carioca Deckdisc em agosto, o grupo punk Mukeka Di Rato (foto) - formado no Espírito Santo em 1995 - vai entrar em estúdio em fevereiro para gravar seu sétimo disco, com produção de Rafael Ramos. O CD tem lançamento previsto para abril. A entrada do quarteto na Deck coincide com o retorno à banda do vocalista Sandro. Cultuado na cena indie do Sudeste do Brasil, o som punk hardcore do Mukeka Di Rato já obteve alguma projeção no exterior no circuito que consome seu estilo de rock.

Moacyr reverencia Marçal com o filho do mestre

Chega às lojas em janeiro, via Deckdisc, Sem Compromisso, CD em que Moacyr Luz (à direita na foto de Andrea Capella) registra em estúdio com Armando Marçal, o Marçalzinho, o repertório do show que a dupla vem apresentando no Rio de Janeiro em tributo a Mestre Marçal (1930 - 1994). O repertório concilia músicas de Marçal, como A Primeira Vez, com temas compostos pelo próprio Moacyr em parceria com Aldir Blanc (Mandingueiro), Sereno (No Fundo do meu Quintal) e Martinho da Vila (Zuela de Oxum). Duas músicas são da lavra do pioneiro Bide: Agora É Cinza (em parceria com o primeiro Marçal, o pai do percussionista homenageado no CD) e Não Diga a Ela minha Residência. Além de cantar, Moacyr toca violão no disco. Já Marçalzinho responde pela percussão.

Tem até bossa nova no soul elegante de Legend

Resenha de CD
Título: Once Again
Artista: John Legend
Gravadora: Sony BMG
Cotação: * * * *

A levada meio Bossa Nova da faixa Maxine é um saboroso detalhe no segundo disco do cantor, compositor e pianista americano John Legend. Um balanço que tem tudo a ver com um álbum refinado que transpira sensualidade. Once Again mantém o alto nível de Get Lifted, o magistral CD de estréia que projetou, em 2004, este artista que já trabalhara com nomes de peso como Alicia Keys e Lauryn Hill.

Como a também pianista Alicia Keys, Legend tem se revelado um mestre na conciliação de modernidade e tradição no universo do soul e do rhythm and blues. Once Again tem bem menos vocais e elementos de hip hop na comparação com Get Lifted, embora a azeitada produção tenha os dedos dos rappers will.i.am (do grupo Black Eyed Peas) e Kanye West. Rap à parte, o fato é que canções sedutoras como Save Room sinalizam a inspiração incomum de John Legend como compositor. Corroborada por várias outras faixas quase tão irresistíveis, casos de Stereo e Heaven. Mais uma vez, John Legend prova que há vida inteligente no soul e no r & b.

Menescal encaixota 36 gravações instrumentais

Incansável na exploração do cancioneiro da Bossa Nova, Roberto Menescal lança por sua gravadora, Albatroz, a previsível Coleção Bossa Instrumental. Trata-se de caixa que reúne, em três CDs, 36 gravações instrumentais de temas de autores associados à velha bossa. Além de escolher as músicas, Menescal produziu as gravações feitas para a caixa.

Novembro 28, 2006

CD criado por Elba com Lenine fica para 2007

Embora inicialmente tenha planejado lançar ainda este ano o CD que idealizou com Lenine, em especial por conta da inclusão da faixa Amplidão (de Chico César) na trilha da novela Páginas da Vida, Elba Ramalho (foto) vai editar o disco somente em 2007. O repertório inclui músicas de Geraldo Azevedo (Novena) e de Lula Queiroga (Conceição dos Coqueiros, Pra Sempre, Último Minuto), entre outros autores nordestinos. Se foi fiel à pré-seleção feita em 2005, a cantora vai interpretar também Ave Anjos Angelis (tema de Jorge Ben Jor, lançado por Ben em 1995), Boas Novas (inédita de Jorge Vercilo) e A Dança das Borboletas (a parceria de Alceu Valença e Zé Ramalho, gravada pelos compositores nos anos 70). Detalhe: Lenine efetivamente acabou não produzindo o CD, mas formatou o conceito com Elba. Lula Queiroga vai ser o produtor.

Sai no Brasil o segundo álbum dos Beastie Boys

Lançado originalmente em 1989, mas até então inédito no Brasil, o segundo álbum do trio de rap Beastie Boys, Paul's Boutique (foto), está sendo editado no mercado nacional pela EMI Music, na seqüência da vinda do grupo para apresentação no Tim Festival. Na época de seu lançamento, o sucessor do aclamado Licensed to Ill (1986) foi recebido com frieza por crítica e público. Com o tempo, adquiriu status de disco cult.

Bethânia e Brown dividem discos com cubanos

Os próximos discos de Carlinhos Brown e de Maria Bethânia (em foto de Leonardo Aversa) serão trabalhos divididos com artistas de Cuba. Com profícua produção fonográfica desde que ingressou no cast da gravadora Biscoito Fino, em 2001, a intérprete baiana - que acaba de lançar dois álbuns, Mar de Sophia e Pirata - entra em estúdio em janeiro para gravar CD com a cantora Omara Portuondo, um dos nomes projetados mundialmente em 1999 pelo filme Buena Vista Social Club. Já Brown gravou em Salvador (BA), com produção de Alê Siqueira, disco feito com o pianista Roberto Fonseca. Um dos virtuoses do afro-jazz de Cuba, Fonseca já tocou com nomes como o saudoso Ibrahim Ferrer.

Marcos vai de Noel a Fátima em 'Sacramentos'

Depois de um estupendo disco de 2004, Memorável Samba, o cantor Marcos Sacramento volta à cena fonográfica com Sacramentos (foto), CD em que concilia no repertório autores da antiga - como Noel Rosa (Dama do Cabaret) e Custódio Mesquita (Adivinhe Coração e Mentirosa, parcerias, respectivamente, com Evaldo Ruy e Mário Lago) - com compositores mais contemporâneos, casos de Fátima Guedes (Ilusão) e Luis Flávio Alcofra, violonista egresso do grupo de choro Água de Moringa. Alcofra é o autor de Desconsideração.

O destaque do repertório é a trilogia de faixas que versam sobre a Penha, bairro da Zona Norte carioca, famoso pela igreja de Nossa Senhora da Penha, cuja longa escadaria é subida de joelhos pelos pagadores de promessas. Sacramento enfileira Festa da Penha (Cartola), Baião da Penha (Guio de Moraes e David Nasser) e Meu Barracão (Noel Rosa). Há também música obscura de Herivelto Martins (Cabaré no Morro) e parceria bissexta de Ataulfo Alves com Jacob do Bandolim (Meu Lamento). O cantor é do ramo...

Portela se impõe em safra regular de sambas

Resenha de CD
Título:
Sambas de Enredo 2007
Artista:
Vários
Gravadora: Gravasamba /
Universal Music
Cotação:
* *

Já é inútil esperar ouvir nos discos dos sambas de enredo das escolas do Carnaval do Rio de Janeiro aqueles sambas primorosos das décadas de 60 e 70. Os tempos são outros, assim como o maior espetáculo da terra já é outro. Dito isso, a safra 2007 é regular. Há somente um grande samba, o da Portela, de melodia à moda antiga e compositor novo (Diogo Nogueira, filho de João Nogueira). Pena que o enredo bem comercial (Os Deuses do Olimpo na Terra do Carnaval, sobre os jogos do PAN no Rio), típico da folia patrocinada por empresas, não faça jus a um samba que está entre os melhores da escola de Madureira nos últimos anos. O da Beija-Flor vem em seguida, num plano ligeiramente inferior, um pouco prejudicado pelo excesso de vocábulos africanos que dificultam a compreensão do enredo Áfricas: Do Berço Real à Corte Brasileira (a propósito, o Salgueiro também recupera a tradição de enredo afro em samba mediano).

Ao defender o samba marcheado da Mangueira, Luizito cumpre com sucesso a tarefa ingrata de substituir o impagável Jamelão, impossibilitado de gravar o CD por conta de problemas de saúde e reverenciado por Alcione na introdução da faixa. Já a Acadêmicos do Grande Rio apresenta samba que pode crescer na avenida. As demais escolas ficam no mesmo nível, condizente com os padrões atuais do samba-enredo, mas bem distante do brilho da carnavais passados. Com a triste ressalva de que Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano exibem sambas muito aquém de seu passado de glória, enquanto a Estácio de Sá apela para a facilidade de reeditar O Ti-Ti-Ti do Sapoti, de refrão comunicativo. É para lamentar.

No todo, os 13 sambas acabam se parecendo muito uns com os outros, com exceção do tema da Portela. Sim, a azul-e-branco é a maior supresa de um CD que chega às lojas com tiragem inicial de 100 mil cópias e preço médio de R$ 20, inaugurando a parceria da Gravasamba com a Universal Music. Com esta união, a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro rompe sua tradição de editar os discos do Carnaval carioca pela BMG. Hora de virar o disco...

Novembro 27, 2006

Racionais MC's voltam com 1000 trutas e tretas

Ainda no posto de grupo de rap mais importante do Brasil, os Racionais MC's voltam ao mercado fonográfico com o registro ao vivo 1000 Trutas 1000 Tretas, editado nos formatos de CD (foto) e DVD (em molde de documentário). Jorge Ben Jor participou da gravação. Pela ordem, as 14 faixas do disco são Fórmula Mágica da Paz, Negro Drama, Tô Ouvindo Alguém me Chamar, Crime Vai e Vem, Da Ponte pra Cá, Expresso da Meia-Noite, Eu Sou 157, Diário de um Detento, A Vida é Desafio, 1 Por Amor 2 Por Dinheiro, Vida Loka (Parte 1), A Vítima, Jesus Chorou e Vida Loka (Parte 2). As músicas são clássicos do grupo de Mano Brown.

Fred saúda Baden em inédita do terceiro disco

Parceria de Fred Martins com Francisco Bosco, Iguais e Diferentes é uma das músicas inéditas do terceiro disco de Martins, que será feito ao vivo em gravação que também vai originar o primeiro DVD do artista. O lançamento já está agendado para 2007 pela gravadora Eldorado. Outras faixas são Doce Amargo - homenagem a Baden Powell e a Vinicius de Moraes - e Não Cabe. A gravação do CD faz parte do prêmio conquistado por Fred Martins (em foto de Luiz Carlos Barreto) com sua vitória no 9º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Compositores.

Ro Ro revê obra nos 16 temas do primeiro DVD

Gravado em show no Circo Voador (RJ), em 20 de setembro, o primeiro DVD de Ângela Ro Ro, Ao Vivo (foto), chega às lojas em dezembro via Indie Records com 16 músicas que cobrem a carreira da artista desde seu primeiro disco, lançado em 1979, até o álbum Acertei no Milênio, editado já em 2000. A cantora optou por não incluir no roteiro as composições inéditas do recente CD Compasso, nas lojas desde setembro. Nem mesmo a faixa-título, em boa rotação em algumas rádios.

Além de reviver hits como Só nos Resta Viver (1980) e Simples Carinho (1982) com uma banda, Ro Ro recebe Alcione (com quem divide Joana Francesa, música lançada por Chico Buarque em 1973), Frejat (convidado de A Mim e a Mais Ninguém, rock do álbum de estréia da compositora) e Luiz Melodia (com quem faz dueto em Tola Foi Você, outro belo tema de seu disco de 1979).

Pesquisa é ponto g de inventário sexual da MPB

Resenha de livro
Título: História Sexual da MPB
Autor: Rodrigo Faour
Editora: Record
Cotação: * * *


Depois de biografia chapa branca do ídolo Cauby Peixoto, em que omitiu diplomaticamente até mesmo a data de nascimento do artista perfilado, o jornalista e pesquisador Rodrigo Faour dá sua primeira real contribuição à bibliografia musical brasileira com este inventário afetivo e sexual da canção nacional. Em quase 600 páginas, o autor carioca monta o painel evolutivo do cancioneiro em relação à abordagem de amor e sexo na MPB.

Ponto g do livro, a monumental pesquisa de Faour sobre o tema o redime do texto eventualmente gorduroso e de alguns bobocas comentários exclamativos feitos após a publicação de trechos das letras. O inventário começa ainda no século 18 - com a análise de letras de Domingos Caldas Barbosa (1740 - 1800), compositor de modinhas e lundus de grande popularidade em sua época - e chega aos dias atuais com a radiografia das letras erotizadas dos funks.

Faour mostra como a mulher - geralmente retratada nas músicas sob ótica machista e negativa até meados dos anos 50 - somente teve suavizado seu perfil a partir do advento da Bossa Nova, com a projeção de letristas como Ronaldo Bôscoli. O comportamento patriarcal era padrão tão enraizado na sociedade que até mesmo compositores de cabeça em tese mais arejada, como Vinicius de Moraes, demoraram para se livrar desse jugo machista em seus versos. Joyce - uma das entrevistadas do livro - não foge à luta feminista na canção brasileira (da qual foi pioneira) e, sem rancor e com razão, cunha como machista boa parte da obra do Poetinha.

Ao relatar a história sexual da música brasileira, Faour lembra que nem mesmo a moderninha Jovem Guarda, dona de suposta rebeldia, deixou de ver a mulher como um mero objeto do prazer masculino, ainda que uma ou outra garota papo firme, como Wanderléa, já ensaiasse um discurso autônomo em músicas como Prova de Fogo. A rigor, a postura verdadeiramente libertária somente chegaria nos anos 70 - quando onda de erotismo levou a música brasileira por caminhos nunca antes navegados de forma tão explícita - e desabrocharia na década de 80 quando o pop rock deu um novo colorido à cena pop com visão desencanada do sexo.

Entre depoimentos de artistas como Chico Buarque (mestre na escrita de letras sob ótica feminina) e Simone, que contesta qualquer ação premeditada na gravação de sucessivas músicas sensuais entre o fim dos anos 70 e início dos 80, em discurso bem parecido com o de Maria Bethânia, Faour reproduz letras que vão sinalizando uma (gradual) mudança de mentalidade da sociedade.

Sem preconceitos, o autor ensaia defesa do funk - cujas letras mais sexistas, sobretudo as de Tati Quebra-Barraco, vem sofrendo patrulhamento similar ao ocorrido com o maxixe no começo do século 20 - e historia as letras de duplo sentido, matéria-prima de muitos forrós sacanas. Há ainda capítulo dedicado às canções de amor homossexual, que, após anos de invisibilidade e de versos apenas sugeridos (a exemplo de algumas músicas de Johnny Alf), começaram a sair do armário a partir dos anos 70, sobretudo em discos de Ângela RoRo (primeira e única cantora a assumir sem subterfúgios sua homossexualidade) e, claro, de Ney Matogrosso.

Por conta da pesquisa ampla, geral e irrestrita, História Sexual da MPB - A Evolução do Amor e do Sexo na Canção Brasileira é livro que ajuda a compreender os mecanismos da sociedade através da análise da música produzida em um país tão libertino quanto hipócrita. E, por isso mesmo, sempre tão sexual.

Cat Stevens volta em forma ao pop como Yusuf

Lançado nos Estados Unidos em 14 de novembro, o belo álbum que marca a volta de Cat Stevens à música pop, An Other Cup (capa à direita), chega ao mercado brasileiro esta semana, pela Universal Music. O primeiro single é a canção Heaven / Where the True Loves Goes, cujo singelo clipe já pode ser conferido no endereço www.unews.com.br/umg/artistas/yusuf. A música é o maior destaque do refinado repertório - à altura de Cat Stevens.

Stevens retorna à cena como Yusuf, providencial abreviação de Yusuf Islam, nome adotado pelo artista quando ele se converteu ao islamismo, em 1977, no auge da fama, e passou a gravar discos sob o prisma de sua religião. An Other Cup é seu primeiro álbum de inspiração pop desde Back to Earth, lançado em 1978. Uma das curiosidades do repertório é Green Fields, Golden Sands, tema inédito de 1968. Já I Think I See the Light é regravação de música lançada pelo autor no LP Mona Bone Jakon, de julho de 1970.

A propósito, o título An Other Cup remete a um outro álbum já clássico da discografia de Cat Stevens, Tea for the Tillerman, editado em novembro de 1970 com o sucesso Wild World. Tudo a ver, pois o compositor voltou mesmo em boa forma ao pop, como atestam canções como Midday e Maybe There's a World. O atual repertório segue o estilo folk que caracteriza a música do artista, mas com uma dose extra de melodiosa espiritualidade, exibida em faixas como o cover classudo de Don't Let me be Misunderstood. Yusuf voltou a ser Cat Stevens. Para a felicidade do mundo pop...

Novembro 26, 2006

Nova coletânea do Aerosmith traz duas inéditas

Apenas quatro anos depois de ter lançado O' Yeah - The Ultimate Hits (2002), a gravadora Sony BMG põe nas lojas nova coletânea do grupo Aerosmith. Lançada em 17 de outubro nos Estados Unidos, a compilação Devil's Got a New Disguise (foto) sai esta semana no Brasil, trazendo como isca para fãs da banda norte-americana duas gravações inéditas - Sedona Sunrise e a faixa-título - entre 16 hits. É mesmo um CD somente para fãs...

Dois primeiros discos de Elis voltam ao catálogo

Praticamente desconhecidos do público de Elis Regina, embora até já tenham sido reeditados em CD mais de uma vez, os dois primeiros discos da Pimentinha vão voltar ao catálogo no fim de dezembro, embalados pela gravadora Som Livre em caixa da série Os Primeiros Anos, iniciada com discos de Chico Buarque.

Viva a Brotolândia (1961) e Poema de Amor (1962) são dois discos musicalmente inexpressivos, de época em que a gaúcha Elis era conhecida somente no Rio Grande do Sul. Para poder iniciar sua carreira fonográfica, a cantora se viu obrigada a seguir o estilo jovem que projetara artistas como Celly Campelo. Só que os dois álbuns mereciam ser repostos em catálogo por conta do alto valor documental. Aliás, a caixa da Som Livre vai avançar em relação às reedições anteriores por preservar as capas e as artes gráficas dos LPs originais lançados pela (já extinta) gravadora Continental.

Show de Beth no Municipal sai em CDs e DVD

O (já emblemático) espetáculo comandado por Beth Carvalho (foto) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 2005, Dia Nacional do Samba, foi gravado na ocasião e chegará às lojas em dezembro, via Sony BMG, em DVD e CD (desmembrado em dois volumes, vendidos separadamente). Sob o título Beth Carvalho - 40 Anos de Carreira - Ao Vivo no Theatro Municipal, o disco registra o show em que a artista tentou contar a história do samba, recebendo convidados como Vó Maria (viúva de Donga), Monarco, Nelson Sargento, Dudu Nobre, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Luiz Carlos da Vila, Sombrinha, Almir Guineto e Quinteto em Branco e Preto - entre outros nomes.

Jair abriga Simoninha e a irmã Luciana em selo

Aos poucos, o núcleo de artistas projetados na fase embrionária da gravadora Trama vai se abrigando no selo S de Samba, aberto por Jair Oliveira com o lançamento de seu quinto CD, Simples. Wilson Simoninha também já se juntou ao selo, cujo elenco inclui a irmã de Jair, Luciana Mello (foto). O quarto disco da cantora está quase pronto. Em vez de um CD ao vivo, como idealizado inicialmente quando a artista ainda pertencia ao cast da gravadora Universal Music, Luciana registrou em estúdio inéditas como Passar por mim (de Alexandre Grooves) e Na Veia da Nega, parceria da intérprete com o mano Jair Oliveira. O álbum sairá em 2007.

Fevers pega o trem nordestino no primeiro DVD

A exemplo de outros artistas populares que sumiram das paradas, o grupo The Fevers ainda conta com a fidelidade do público nordestino. Tanto que o grupo gravou em Recife (PE) seu primeiro DVD (foto) em show que agrupa no roteiro hits dos anos 70 e 80 como Cândida (1970), Vem me Ajudar (1971), Mar de Rosas (1971), Elas por Elas (1982) e Uni-Duni-Tê (hit dos Fevers em 1985, com o grupo infantil Trem da Alegria). O show contou com adesões dos conjuntos Pholhas (em Foverer) e Renato e seus Blue Caps (em músicas como Menina Linda).

Novembro 25, 2006

Jussara dá apropriado mergulho em Brasil 'cool'

Resenha de CD
Título:
Entre o Amor e o Mar
Artista:
Jussara Silveira
Gravadora:
Maianga
Cotação:
* * * *

Apenas sete meses depois de lançar Nobreza, disco assinado com o violonista Luiz Brasil que trouxe o registro de estúdio de show apresentado pela dupla, Jussara Silveira está de volta ao mercado fonográfico com álbum de inéditas. Entre o Amor e o Mar é o quinto CD da cantora e chega às lojas dez anos depois da gravação do primeiro trabalho da artista - o que apresentou sua elogiada interpretação para A Dama do Cassino, a música de Caetano Veloso que Ney Matogrosso lançara em disco obscuro de 1988.

O CD Entre o Amor e o Mar mantém Jussara na linha cool que caracteriza sua discografia. O álbum transita em atmosfera diversa dos dois belos trabalhos sobre as águas recém-lançados por Maria Bethânia. Mas há inevitáveis paralelos traçados pelo uso comum de referências de Guimarães Rosa - cuja poética inspirou a letra de , a parceria de Guilherme Wisnik e Vadim Nikitin que abre o CD - e das levadas da música do Recôncavo Baiano, evocada na Chula Cortada, delícia de Roque Ferreira. Sem prejuízo para Jussara.

O ponto de partida foi a faixa-título, Entre o Amor e o Mar, inédita de Ná Ozzetti com Luiz Tatit. A despeito de ter nascido no sertão mineiro e de carregar a herança musical da Bahia a ponto de ser comumente apresentada como uma cantora da terra de Dorival Caymmi, de quem regrava Morena do Mar, Jussara atualmente vem reforçando elo com a turma de compositores associada à vanguarda paulista. Não por acaso, o repertório agrupa temas do saudoso Itamar Assumpção (Oferenda, arranjada por Domenico Lancelotti em parceria com Maurício Pachecho) e do antenado Péricles Cavalcanti (a delicada canção O Nosso Amor É Maior).

Entre música que sinaliza a retomada da inspiração por Adriana Calcanhotto (Meu Coração Só, de textura cinzenta) e um samba gravado com o grupo carioca Choro na Feira (Só pra Ver Onde Dá), Jussara Silveira (em foto de Marcos Issa) introduz sua irmã Christine Silveira na animada Gangorra de Dois e, no todo, reforça sua personalíssima assinatura musical neste ótimo disco que não merece ser engolido pelo mar de justos elogios feitos aos recentes trabalhos de Maria Bethânia. Cada cantora na sua (bela) praia...

DVD de Zeca apresenta dez números exclusivos

Um mês depois do CD homônimo, o DVD Zeca Pagodinho Acústico MTV 2 - Gafieira (foto) chega às lojas com o registro integral do show em que o sambista evoca os bailes de gafieira que agitam os salões cariocas desde os anos 40. Dos 26 números, dez entraram somente no DVD. Entre eles, Piston de Gafieira, O Dono das Calçadas, Inocente Fui Eu (com intervenção de um solo de clarinete de Paulo Moura), Academia do Samba (com a adesão da Velha Guarda da Portela), Coração em Desalinho (também com a turma veterana da escola de Madureira) e o dueto de Zeca com Miltinho em Se Você Visse.

Caixa reúne 20 singles de Jackson em dualdisc

Já está à venda no exterior, desde 14 de novembro, um mimo caro para fãs de Michael Jackson. Trata-se da caixa Visionary - The Video Singles (foto), que reúne, em 20 dualdiscs, os singles mais importantes na trajetória fonográfica do decadente astro, com seus respectivos clipes. A luxuosa edição custa cerca de 150 dólares nas lojas virtuais e não deverá sair no Brasil.

Eis a seleção de singles da caixa: Don't Stop 'Til You Get Enough, Rock with You, Thriller, Billie Jean, Beat It, Bad, The Way You Make me Feel, Dirty Diana, Smooth Criminal, Leave me Alone, Black or White, Remember the Time, In the Closet, Jam, Heal the World, You Are Not Alone, Earth Song, They Don't Care about us, Stranger in Moscow e - por último - Blood on the Dance Floor.

Trata-se de item de colecionador, pois a grande maioria dos clipes - alguns históricos como o de Thriller, que ajudou a firmar a era da MTV nos anos 80 - já havia sido reunida no DVD Number Ones.

Arranco reverencia Martinho em seu quarto CD

Exatos dez anos após Simone dedicar um de seus mais belos discos (Café com Leite, de 1996) ao repertório bamba de Martinho da Vila, o profícuo compositor vai ganhar outro tributo fonográfico. O Arranco de Varsóvia (foto) idealiza álbum somente com músicas do autor de Casa de Bamba. Se o lançamento do quarto CD do grupo carioca acontecer em 2007, vai coincidir com as comemorações pelos 40 anos de carreira do artista, revelado em festival de 1967 ao defender Menina Moça.

Vidas de Raul e Elza serão contadas no cinema

As vidas e as obras de Raul Seixas (foto) e Elza Soares serão temas de dois filmes documentais previstos para chegar aos cinemas em 2007. A cantora terá sua trajetória contada pelas lentes de Izabel Jaguaribe, a diretora de Meu Tempo É Hoje, o sensível documentário que retratou o universo peculiar de Paulinho da Viola. Já o saudoso Maluco Beleza será revivido em Raul: O Início, o Fim e o Meio, filme programado para ser gravado e lançado no próximo ano, em co-produção da Globo Filmes com Locall Equipamentos e Estúdios Mega. O título (ainda provisório) foi extraído de verso da música Gita (1974). A idéia é reconstituir os passos de Raul Seixas do nascimento na Bahia, em 1945, até a morte no Rio de Janeiro, em 1989, passando obviamente pela fase de sucesso, conquistado ainda na primeira metade dos anos 70.

Novembro 24, 2006

Trilha de '1972' traz à tona o rock daquele ano

Em circuito nacional a partir desta sexta-feira, 24 de novembro, o filme 1972 tem sua curiosa trilha editada simultaneamente com a chegada da história de Ana Maria Bahiana e José Emílio Rondeau aos cinemas - fato raro no Brasil. Editado pela Universal Music, o CD (foto) traz à tona gravações de bandas de rock que transitavam na cena underground do ano em que se passa a trama. Registros bem obscuros de Karma (Do Zero Adiante), Os Lobos (Miragem), A Bolha (Sem Nada) e Grupo Soma (Potato Fields) convivem na trilha com fonogramas de Rita Lee (Hoje É o Primeiro Dia do Resto de sua Vida), Gilberto Gil (Back in Bahia e Oriente), Gal Costa (Baby) e grupo Novos Baianos (Acabou Chorare, faixa-título do clássico LP de 1972), entre outros nomes.

Universal vai lançar no Brasil CD ao vivo de Gal

Fãs brasileiros de Gal Costa não precisarão mais importar o álbum ao vivo Live at the Blue Note (foto), editado em setembro nos Estados Unidos, na Europa e no Japão pelo selo americano DRG. A Universal Music vai lançar no mercado nacional o CD, gravado em 19 de maio em show feito pela cantora na casa Blue Note, templo do jazz em Nova York (EUA). Acompanhada por quarteto formado por músicos brasileiros, à moda dos pequenos grupos de jazz, Gal - em boa forma vocal - canta músicas de compositores como Ary Barroso e Tom Jobim.

Circo é armado para revender obra dos Beatles

Resenha de CD
Título:
Love
Artista:
The Beatles
Gravadora:
EMI
Cotação:
* * * *

"The Beatles como você nunca ouviu antes...", promete o slogan que anuncia Love, o novo álbum do grupo, criado em estúdio pelo produtor George Martin a partir de colagens e superposição de músicas da obra do quarteto. O pretexto foi criar a trilha do espetáculo que o Cirque du Soleil apresenta em Las Vegas (EUA) desde agosto. Mas, em suma, o circo foi armado para revender uma obra que ainda gera lucros para a indústria fonográfica e, claro, para os beatles remanescentes (Paul McCartney e Ringo Starr) e suas viúvas (nos casos de John Lennon e George Harrison). Eis a razão de Love.

Não é à toa que todos - Martin, McCartney, Ringo e as viúvas Yoko Ono e Olivia Harrison - dão depoimentos entusiásticos sobre Love no vídeo-release que promove o álbum. E o fato é que, armações à parte, o trabalho de George Martin prima pela excelência como já atesta a bela versão de Because (com vocais a capella) que abre o disco. A experiência resulta interessante. Mesmo porque ninguém nunca ouviu antes os Beatles em som surround 5.1 como propicia a edição dupla que agrega o CD em estéreo e o DVD-áudio de Love - nas lojas do Brasil a partir de 10 de dezembro ( a edição simples já está à venda desde 22 de novembro). O efeito é impactante.

Vale a pena esperar pelo DVD-áudio porque, entre as 26 faixas, há temas polifônicos (sobretudo A Day in the Life e All You Need Is Love) que crescem com o áudio 5.1. É certo que algumas músicas (como Help! e I Want to Hold your Hand) ressurgem similares aos registros originais. Mas outras, caso de Lady Madonna, ganham nova pulsação com o realce da base rítmica. Entre as colagens, a melhor é a junção psicodélica de Within You Without You com Tomorrow Never Knows. Já Yesterday é introduzida pelo violão de Blackbird sem que o ouvinte perceba que a colagem foi feita.

O curioso é que, com exceção das cordas gravadas para While my Guitar Gently Weeps, todos os sons já existiam na discografia dos Beatles. O que somente ratifica a importância do produtor George Martin na formatação de uma obra que ainda justifica todo o circo armado em torno dos Fab Four. É Martin quem brilha em Love.

Cauby canta Baden sem seu habitual tom 'over'

Resenha de CD
Título: Cauby Canta Baden
Artista: Cauby Peixoto
Gravadora: Editora Entrelinhas
Cotação: * * *

Aos 75 (não assumidos) anos, Cauby Peixoto ainda consegue ter fôlego para revisitar o repertório de Baden Powell (1937 - 2000) em disco gravado com o violão virtuoso de João de Aquino, primo do compositor. O bravo artista já não vive seu auge vocal, mas acerta no tom das interpretações. Cauby canta Baden sem o estilo over e os excessivos floreios que, não raro, empanam o brilho de uma voz única na música brasileira. Nisso, reside o maior mérito do CD. Cavalo Marinho e Deixa - duas parcerias de Baden com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) - são dois exemplos do êxito do cantor no álbum, que ainda tem valor documental por apresentar dois temas inéditos de Baden, Canção do Amor um Só e Mistério, letrados sem inspiração (e com versos-clichês sobre o amor) pela produtora do disco, Dalva Lazaroni. O fato de ser um trabalho de voz e violão - formato inédito na discografia de Cauby - também aumenta a importância do CD, cujo repertório prioriza sucessos como Pra que Chorar?, Samba em Prelúdio, Samba Triste, Apelo, Tem Dó e Violão Vadio. Poderia ser antológico em outras épocas, mas ainda é muito bom. Graças ao violão preciso de João de Aquino e ao salutar comedimento do grande Cauby.

Trash Pour 4 recicla hits com boa dose de êxito

Resenha de CD
Título: Super Duper
Artista: Trash Pour 4
Gravadora: MCD
Cotação: * * *

Já imaginou ouvir a até então imaculada Maricotinha, de Dorival Caymmi, com uma batidinha de ska? Não ficou legal, mas a curiosidade pode ser saciada com a audição do segundo disco do quarteto paulista Trash Pour 4, Super Duper, batizado com expressão tirada da música Puttin on the Ritz (gravada por Fred Astaire nos anos 30) que significa 'duplamente super'. É para ouvir sem preconceito.

Puttin on the Ritz está no arejado CD, mas, diferentemente de seu antecessor Recycle Vol. 1 (2005), de repertório centrado em hits estrangeiros, Super Duper remodela também alguns sucessos nacionais. A mesma levada de ska que tira o charme de Maricotinha dá nova nuance a Sufoco, o clássico de Alcione, reciclado pelo Trash Pour 4 na companhia de Fernanda Takai.

Em clima eletroacústico cool, o quarteto rebobina standards de Madonna (Like a Virgin, transformada em delicada balada), Bob Marley (Is This Love?, com piano jazzy), Secos & Molhados (Fala, com mais peso, intervenção de Moska e bem menos brilho) e - em sintonia com o trash de seu nome - da dupla Jane & Herondy (Não se Vá, reprocessado em tom roqueiro). Nem tudo funciona. Mas, no todo, o álbum é bacana e prima por ousadias como recrutar um conjunto regional à moda dos anos 30 para dar uma pegada de choro a Lithium, o clássico do Nirvana. E não é que ficou bom?

Novembro 23, 2006

The Rapture dá tom funkeado ao seu eletropunk

Resenha de CD
Título: Pieces of the People We Love
Artista: The Rapture
Gravadora: Universal Music
Cotação: * *

O quarteto norte-americano The Rapture foi uma das reais sensações de 2003 por conta do lançamento de seu ótimo álbum de estréia, Echoes. O grupo apresentou um eletropunk que, se não soava original, ao menos tinha vigor e um brilho que inexiste no segundo disco da banda, Pieces of the People We Love. A maior novidade é a adição de batidas funkeadas ao som do Rapture. Há alguma psicodelia (em Calling me) e alguns bons destaques no repertório em geral menos roqueiro - notadamente Get Myself Into It e, sobretudo, Whoo! Alright Yeah... Uh Huh, jóia dançante. Mas nem o fato de Danger Mouse (leia-se Gorillaz) assinar a eficaz produção de duas músicas diminui a sensação que The Rapture continua, por ora, à sombra de seu primeiro CD. Que não demore para vir o terceiro álbum...

Roberto apronta CD e DVD com duetos antigos

Acabou a incerteza sobre a viabilidade do lançamento do projeto de duetos de Roberto Carlos (em foto de seu site oficial) ainda este ano. Um CD e um DVD com registros de 16 encontros do artista com nomes da MPB - gravados para os especiais natalinos que o Rei apresenta na Rede Globo desde os anos 70 - estão sendo finalizados e chegarão às lojas no início de dezembro, vendidos separadamente. Aliás, é a primeira vez que Roberto Carlos lança simultaneamente dois produtos no mercado. O CD reúne 14 duetos. Já o DVD vai apresentar 16.

Alceu celebra frevo com espírito elétrico e vivaz

Resenha de CD / DVD
Título: Marco Zero ao Vivo
Artista: Alceu Valença
Gravadora: Indie Records
Cotação: * * *

Um dos pioneiros na eletrificação dos ritmos nordestinos, Alceu Valença sempre se agiganta no palco por conta da vivacidade e da postura roqueira. Marco Zero ao Vivo já é a segunda gravação do compositor para DVD e, diferentemente da primeira, Ao Vivo em Todos os Sentidos, parte dos justos festejos pelo centenário do frevo - a ser completado em 9 de fevereiro de 2007 - para agregar no repertório ritmos pernambucanos como ciranda e maracatu, pilares da obra pop do artista, sempre em boa forma.

Não por acaso, Alceu dedica o trabalho ao povo de Pernambuco, "motor primal de minha inspiração". Foi diante de seu povo, mais especificamente de uma multidão superior a 100 mil pessoas, que o artista entrou no palco armado em um dos cartões-postais do Recife, em 18 de agosto, para celebrar o frevo em show aberto com citação instrumental de Vassourinhas, clássico do gênero.

Entre frevos endiabrados como Me Segura Senão Eu Caio e Caia por Cima de mim (inédita parceria de Alceu com Dom Tronxo), ambos tocados com afiado naipe de metais, o antenado artista vai mapeando outros sons de Pernambuco em temas como Dona de 7 Colinas (música que tem a sensualidade lânguida que caracteriza boa parte da profícua produção autoral de Alceu), Nas Asas de um Passarinho (com sopros que remetem à lendária Banda de Pífanos de Caruaru) e Ai de Ti, Copacabana (com a guitarra roqueira que permeia o cancioneiro do elétrico Alceu desde a década de 70).

Alceu sabe comandar a massa. Basta ele dar a deixa que o público entoa em coro o refrão do frevo Beijando a Flora, por exemplo. Pena que o calor da platéia não tenha aquecido o frio dueto feito com Zeca Baleiro em Vassourinha Aquática. Faltou a Baleiro a desenvoltura e a vivacidade rítmica com que Paula Lima encarou o Maracatu e com que Daúde se jogou na Embolada do Tempo. O outro convidado, Silvério Pessoa, também se saiu bem em Voltei, Recife, frevo alucinado de Luiz Bandeira. Silvério é do ramo...

Entre pot-pourri com duas cirandas inéditas (Luar de Prata e Ciranda da Aliança) e o fim apoteótico com Tropicana, hit de 1982, o cantor usa até peruca loura para defender Caia por Cima de mim. Nos extras, o DVD traz o clipe de Chego Já (urdido com imagens do artista na festa popular) e o tema instrumental Acende a Luz, regido pelo Maestro Duda, figura querida em Pernambuco.

Por seu caráter performático, Alceu Valença é cantor talhado para celebrar um ritmo festivo como o frevo. Editado também em CD, o carnavalesco Marco Zero ao Vivo é projeto em sintonia com o espírito elétrico da obra do artista. Tão duradoura quanto o frevo.

Virgínia agrupa Bebel, Cartola, Celso e Camelo

Em seu terceiro CD, Samba a Dois, nas lojas em breve, a cantora Virgínia Rosa agrupa no repertório compositores mais tradicionais, casos de Cartola (As Rosas Não Falam) e Candeia (Quero Estar Só), com autores contemporâneos como Marcelo Camelo (autor do lindo samba que dá título ao disco), Bebel Gilberto (O Caminho) e Celso Fonseca (Meu Samba Torto). A intérprete ainda dá voz aos novatos Tito Pinheiro (Sereno) e Luísa Maita (Amado Samba e Madrugada). Entre as 14 faixas do disco, há também composições de Baden Powell (Voltei, parceria com Paulo César Pinheiro), grupo Madredeus (Ao Crepúsculo) e Marcos Valle (Que Bandeira, composto com o mano Paulo Sérgio Valle). O álbum vai trazer como faixa-bônus Sonho e Saudade, música de Tito Madi regravada por Virgínia com arranjo de Nelson Ayres para a trilha sonora do filme Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach.

DVD registra Blondie antes da onda de sucesso

Embora associada a New Wave que emergiu com força na cena dos anos 80, a banda Blondie surgiu em Nova York (EUA) em 1977. Editado no mercado brasileiro pela ST2, o DVD Live 1978 flagra Debbie Harry e Cia. em seu início de carreira. O grupo toca 11 músicas de seus dois primeiros álbuns - Blondie (1977) e Plastic Letters (1978) - em gravação feita para o programa Beat Club. Detalhe: os hits do Blondie - Heart of Glass, Rapture, The Tide Is High, Call me - não estão no roteiro.

Novembro 22, 2006

Leila amplia horizontes com a abertura de selo

Leila Pinheiro está abrindo o selo Tacacá Music, de nome que já remete ao Estado do Pará, terra natal da cantora. O produto inaugural do selo é o DVD Agarradinhos, já filmado por ela com Roberto Menescal. No repertório do duo, há Minha Mangueira - samba composto pela artista em tributo à escola verde-e-rosa. A chegada do DVD às lojas está agendada para o começo de 2007.

Paralelamente, a cantora continua vinculada à gravadora Biscoito Fino, por onde vai lançar, em junho de 2007, o DVD e o CD com o registro ao vivo do show Nos Horizontes do Mundo - captado no Sesc Pinheiros (SP), em duas apresentações feitas em 12 e 13 de agosto. Apesar de Leila ter interpretado Ventos de Paz, parceria com Jorge Vercilo, gravada para a trilha da novela Páginas da Vida, a música não deverá integrar o repertório do DVD e do CD.

A boa seleção de Nos Horizontes do Mundo - Ao Vivo reúne músicas nunca gravadas em disco por Leila (na foto de Cristina Granato, em cena do show). Entre elas, Amor É Outra Liberdade (canção de Sueli Costa e Abel Silva, lançada por Selma Reis em seu primeiro e independente LP, feito em 1987), Escravo da Alegria (sucesso de Toquinho & Vinicius) e Essa Mulher (música de Joyce e Ana Terra que batizou álbum lançado por Elis Regina em 1979).

Caixa internacional do 'Rei' em ritmo acelerado

Embora o (esperado??) disco anual de Roberto Carlos tenha o seu lançamento confirmado para dezembro pela gravadora Sony BMG, o pesquisador Marcelo Fróes já trabalha em ritmo acelerado na produção das duas caixas que vão reunir todos os discos internacionais do cantor, fechando a coleção Pra Sempre. Mas a chegada às lojas, programada inicialmente para este ano, ficou para 2007.

Ao todo, as duas caixas reunirão 28 discos, quase todos inéditos no mercado nacional. Além dos previsíveis CDs em espanhol (na foto, a capa da versão castelhana do disco editado em 1976), a coleção incluirá seis títulos em italiano, o álbum em inglês lançado no Brasil em 1981 com capa diferente da edição estrangeira (agora recuperada com fidelidade) e - talvez - um raro disco em francês.

Com sua inclusão na caixa ainda não autorizada pelo Rei, o álbum em francês - item de colecionador desconhecido até pelos fãs do artista - foi lançado originalmente em 1983, somente na França, com o título Roberto Carlos Chante en Français et un Portuguais. Das 10 faixas, apenas quatro foram efetivamente gravadas no idioma de Paris. Trata-se de versões em francês de A Guerra dos Meninos (La Guerre des Gosses), À Distância (C'est Fini Il Faut se Dire Adieu), Os seus Botões (Et Puis Commence) e do clássico bolero Solamente una Vez (Ça Ressemble a l'Amour).

Se for mantido o conceito inicial do projeto, o disco em francês sairá na segunda caixa, que abrigará a produção internacional do Rei nas décadas de 80 e 90. A primeira caixa reunirá os álbuns dos anos 60 e 70. Foi, a propósito, em 1964 que o cantor gravou pela primeira vez para o exterior, em espanhol. Já editado no Brasil em série de CDs originais da Jovem Guarda, Roberto Carlos Canta a la Juventud foi, a rigor, a versão castelhana de É Proibido Fumar, LP gravado em 1963. A partir de 1971, Roberto Carlos passou a fazer anualmente um disco em espanhol, com base nos álbuns que lançava no Brasil. Essa prática seguiu até 1991 (depois, o artista gravaria apenas dois títulos em espanhol, um em 1993 e outro em 1997, Canciones que Amo, editado simultaneamente no Brasil). São estes álbuns, todos inéditos no mercado nacional, que vão completar as duas caixas finais da coleção Pra Sempre.

Embora já não se dedique ao mercado hispânico como em tempos áureos, o Rei ainda tem súditos no estrangeiro. Tanto que saiu na Espanha neste semestre a luxuosa caixa Antologia - Todos los Grandes Exitos de Roberto Carlos, que reúne dois CDs com sucessos e um DVD com registros de participações do cantor na televisão espanhola. E ainda há a previsão da gravação ao vivo de DVD e CD em show agendado para janeiro, em Madrid. Será outro título de obra internacional que, parece, resistirá para sempre.

Moska tenta que CD de 2003 soe novo de novo

Contrariando o título do CD, Moska está reeditando pela Som Livre seu álbum Tudo Novo de Novo (foto), lançado em 2003 pela EMI sem a merecida repercussão. Foi neste disco que o cantor apresentou Jorge Drexler ao Brasil (antes de ganhar o Oscar por canção do filme Diários de Motocicleta, o artista era desconhecido no Brasil). Moska gravou duas músicas do colega uruguaio. A Idade do Céu é a versão quase literal de La Edad del Cielo que, em 2005, foi regravada por Simone em dueto com Zélia Duncan. Dos Colores: Blanco y Negro foi registrada por Moska na letra original em espanhol, com intervenção do próprio Drexler.

A propósito, a reedição de Tudo Novo de Novo traz de bônus versões em castelhano das músicas Lágrimas de Diamantes e Pensando em Você (rebatizada Pensando em ti). Vale conferir!

Em alta, Roupa parte para seu segundo acústico

Fenômeno de popularidade e de vendas com seu CD e DVD RoupAcústico, o grupo Roupa Nova arremessa nas lojas, ainda em novembro, o segundo volume do projeto - também editado nos dois formatos. O DVD RoupAcústico 2 (foto) reúne os 22 números do show gravado em São Paulo. O repertório enfileira sucessos do sexteto carioca que ficaram de fora do primeiro volume (De Volta pro Futuro, Chama, Tímida, Um Sonho a Dois e Começo, Meio e Fim), músicas pouco ou nada conhecidas da fase inicial do grupo (Vôo Livre), regravações de hits alheios (Amor de Índio, Lança Perfume e Flagra, com adesão de Marjorie Estiano neste sucesso de Rita Lee) e algumas inéditas (Retratos Rasgados, É Cedo, A Metade da Maçã, Os Corações Não São Iguais). Toni Garrido participa de Sensual, música de 1983.